Oração pela Vida (13 a 20 Maio, 2018)

 Semana Nacional de 13 a 20 Maio (2018)

– “Eutanásia… o que está em jogo?”

 

Oração pela Vida:

Pai Santo, Amor Criador,

Senhor da vida, Deus providente

e todo-poderoso: desde toda a

eternidade quisestes o ser e a vida de

cada um de nós, e enviastes o vosso

Filho ao mundo a fim de que tenhamos

a Vida e a tenhamos em abundância.

Dai-nos o vosso Espírito vivificante

para que, sempre, em qualquer

circunstância e sem excepção alguma,

defendamos, amemos e sirvamos a

vida, dignidade, direitos e integridade

de cada ser humano – desejado

ou imprevisto, são ou enfermo,

escorreito ou deficiente – desde o

momento da sua concepção, ou fase

unicelular, e em todas as fases da sua

existência até à morte natural, e,

indo, assim, ao vosso encontro,

alcancemos a felicidade eterna.

Por nosso Senhor Jesus Cristo,

vosso Filho, que é Deus convosco

na unidade do Espírito Santo. Amen.

 

 

FONTES para consulta:

http://www.leigos.pt/pdf/SemanaVidaPagela2018.pdf

http://www.leigos.pt/pdf/SemanaVidaFolheto.pdf

http://www.conferenciaepiscopal.pt/v1/wp-content/uploads/Folheto_EutanasiaAb2018.pdf

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“Testamento Vital Provisório” (11-05-18)

“Testamento Vital Provisório”

BULA NÃO PRESCRITA: O título entre as “aspas” é majestático mas anti-publicidade barata. A Graça imerecida do Dom da Fé é muito cara. Em tempos de anti-Facebook e diante do “Novo Regulamento Geral de Proteção de Dados” (…do Conselho Europeu até ao mexilhão…). Só um Amigo me alertou, incisivamente, para as novidades e as implicações. Continuo “perdido até conseguir tentar encontrar” o Caminho, a Verdade, no fundo, a Vida: JC. Esse «mais» está nestas linhas do “testamento vital provisório”, entre as aspas e em dez pontos, que são pura atenção. Queria morrer assim: no viver diferente. Partilhar é continuar a viver noutro modo de existência para os outros (irmãos ou não). Aniversário de Vida é saber-se a Morrer.

1.“Córdula – ou o momento (in)decisivo: dar-se”.

2.“O que não foi assumido não foi redimido”.

3.“O medo de si mesmo: consciência intranquila ferida de desamor”.

4.“Deus continua Deus, até ao “sujar as mãos” na história dos vencidos e dos sem Deus”. Não há almoços grátis. Excepção vertical: última e primeira Ceia: Eucaristia Pascal”.

5.“Estamos em trânsito, biblicamente em êxodo sobre a Terra, sem esquecer que pertencemos (todos) ao Céu: antecipação do Eterno, esse lugar fonte do Amor”.

6.“Nem Castigo nem Bênção: “Agora viram-Te meus olhos! (Job 42,5)”: colo de meu Pai / colo de minha Mãe / colo de meu/minha irmão/ã, Etc. Repouso em Deus (apenas isso aí). Já e ainda não”.

7.“Sofrer pelos Outros? Se a nossa condição nos aproximar da Tortura de uma Única e Inocente Vítima Humana (e também animal: só a pedra sente de outro modo…). É mentira: não devemos sofrer. É verdade: nascemos do Amor e voltaremos ao Amor”.

8.“Permissão (escândalo…). Comissão (combate…). Missão (glória de servir…)”.

9.“O que é hoje “salvar”? Servir junto dos que sofrem. Querer estar na Vida, Saúde, Justiça, Paz, Dignidade, Perdão e Futuro. Dar um passo de cada vez. Tropeçar, cair e levantar-se. Levantar-se e cair. Nem sempre, nem nunca. Deus espera-nos de Braços Abertos”.

10.“A Cruz é o lugar/tempo onde a morte de Cristo, Jesus de Nazaré, – morte de tudo o que é humano – se faz Silêncio e Ausência: não só o homem se coloca em questão; como o próprio Deus é questionado. Eis a «Aliança da Graça»: morrer é também perder-se; mas sobretudo, dar-se: como “ser para”. Morrer por Amor, com Amor, em Amor”.

Pe. Pedro José, Bustos / Mamarrosa / Oliveira do Bairro / Palhaça, 11-05-2018. Caracteres (incl. espaços): 2309.
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Pequeno Diário de Tempo Pascal (Oração de Bruno Forte).

Pequeno Diário de Tempo Pascal.

Páscoa significa passagem. A nossa Vida é feita de passagens. Neste tempo pascal somos chamados a viver os frutos da penitencia quaresmal com a Ressurreição de Jesus (Ele no centro do nosso tempo/espaço!): na Vida Pessoal, na Família, em Comunidade! Estou paralisado na Sexta-feira Santa na Paixão. Não devia mas estou… Fiz minha a oração profunda de BRUNO FORTE:

Pai, que entregas o Teu único Filho por nós,

Filho que vive o supremo abandono da cruz

e o oferece àquele que Te abandona,

Paráclito no sofrimento,

que unes o Pai que dá e acolhe

ao Filho moribundo

e n’Ele à paixão do mundo,

Trindade da dor,

Deus escondido nas trevas da Sexta-feira Santa,

concede-nos, Te pedimos,

que tomemos cada dia a cruz do abandono,

e a ofereçamos contigo numa comunhão maior:

aquela em que Te revelas Trindade do amor,

Deus da solidariedade e da proximidade

da fraqueza da Tua criatura.

Amen. Aleluia

 

A minha Via Crucis ainda não dá lugar à Tua Via Lucis. Da Paixão à Ressurreição. Demoro e a Dor das pessoas, todas diversas e singulares, especialmente, nas Exéquias repetidas e exaustas, dentro de sofrimentos únicos e irrepetíveis. Não me ajudam a fazer a Tua Páscoa. Estás lá dentro escondido: como “o” dizer: fico em Silêncio. Falta a Tua Passagem (Páscoa) Senhor. Cabe-me a senha da “multa na ultrapassagem da velocidade” que não serve para servir melhor?! Fico preso na Paixão sabendo que sou chamado a ser Páscoa. Que o excesso da Tua Verdade me faça capaz do “Ser Páscoa”: centrar o meu tempo/espaço no Teu Tempo/Espaço de «Paz Pascal». Que o rezar seja o viver na Tua Esperança Incondicional! Ainda não concilio o Amen e o Aleluia na mesma Oração/Vida. Eis o código da Páscoa!

Pe.Pedro José, Bustos / Mamarrosa / Oliveira do Bairro / Palhaça, 07-04-2018. Caracteres (incl. espaços): 1657

 

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“Em memória de D. António dos Santos” (14-04-1932 // 26-03-2018), por D. António Moiteiro, Bispo de Aveiro

Em memória de D. António dos Santos

«O pastor seja o primeiro na ação, na contemplação, no silêncio e próximo de todos pela compaixão»

Esta frase do livro Estímulo de Pastores, do Beato frei Bartolomeu dos Mártires, define, de uma forma muito expressiva, a vida, o sacerdócio e o episcopado de Senhor D. António dos Santos.

Ordenado sacerdote em 1 de julho de 1956, em Albergaria-A-Velha, foi coadjutor na paróquia da Branca e pároco de Oiã e Ílhavo. Em sete de abril de 1976 foi ordenado bispo auxiliar do Senhor D. Manuel de Almeida Trindade e em 2 de fevereiro de 1980 tomou posse como bispo da Guarda. Resignou, por motivos de doença, a 1 de dezembro de 2005, vindo a falecer, na Guarda, no dia 26 de março deste ano.

Da sua extensa atividade apostólica, quer em terras de Aveiro quer na Guarda, onde foi bispo ao longo de vinte e cinco anos, destaco o seu amor às vocações sacerdotais e de consagração, apelando constantemente às comunidades cristãs a darem as mãos nesta causa de primeira importância na Igreja.

Os testemunhos que vou ouvindo do seu amor pelas vocações nas várias paróquias onde exerceu o seu ministério sacerdotal e, sobretudo, a sua ação na Diocese da Guarda – onde ordenou mais de quatro dezenas de sacerdotes, dos quais eu sou um deles – manifestam o seu amor à Igreja e a sua preocupação pelo futuro das comunidades cristãs. Ainda estou a ouvi-lo pedir às paróquias o seu compromisso por esta causa e a cadeia de orações que ele intensificou na Diocese. Afirmava, no momento das ordenações, que os maiores benfeitores da Diocese eram as famílias que davam o melhor que tinham, isto é, os seus filhos.

Viveu uma vida simples e austera, e para aqueles que o conhecemos mais de perto fica a sua amizade, o seu zelo de pastor e a espiritualidade profunda que transmitia a todos nós.

Senhor D. António: Junto de Jesus, o centro da sua vida, e de Maria, a quem tanto amava, interceda pelos seminários e sacerdotes de Aveiro e da Guarda para que sejamos pastores segundo o coração misericordioso de Deus.

+ António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro.

 

FONTE: http://www.diocese-aveiro.pt/v2/?p=16209 , acesso: 27-03-2018.


NOTA BEM: O funeral será na Catedral da Guarda, esta quarta-feira (dia 28), às 15h00, e às 18h30 celebramos a eucaristia na paróquia de Santo António de Vagos, sendo sepultado no cemitério local.

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In Memoriam: Maria Benilde Rodrigues dos Santos Carvalho Oliveira (10/09/1924 – 25/02/2018) – Paróquia de S. Simão da Mamarrosa em Luto.

In Memoriam: Maria Benilde Rodrigues dos Santos Carvalho Oliveira (10/09/1924 – 25/02/2018): Paróquia de S. Simão da Mamarrosa:

[Apontamentos de Homilia].

As leituras da Palavra de Deus que foram proclamadas retiradas do Livro de Job (19,1.23-27a.) e do ensinamento das Bem-aventuranças na tradição de Mateus (5,1-12), iluminam a Vida, o Testemunho, e o Mistério de Sofrimento que a nossa Irmã Benilde Carvalho viveu na penúltima etapa da sua existência entre nós. Agora regressou à Casa de Deus Pai. Expresso à Família, na Pessoa dos seus Filhos, a nossa solidariedade pela perda, separação e luto. Todos os paroquianos da Mamarrosa estão de luto convosco!

A) Afirmei iluminam a Vida… – Maria Benilde nasceu 27 de Agosto de 1924 na Mamarrosa e não sou a pessoa mais conhecedora para falar da sua biografia… Mas li que “apenas com 13 anos começou a dedicar-se à Paróquia, dando catequese e pertencendo a movimentos religiosos como a Cruzada e a Juventude Agrária Católica e fez parte do Coro da Igreja…” Viveu com a família fora do nosso País e quando regressou na “década de 80 recomeça a trabalhar na Paróquia, dá catequese, integra-se no Grupo Coral e colabora em várias outras atividades“. […A presença do Pe. Manuel Arlindo e do Pe. José Nunes, entre nós o confirma…]. Dando-se materialmente e espiritualmente de forma extraordinária. Tudo Dom e Gratuidade. Do seu envolvimento na promoção humana dos mais pequenos aos mais idosos, pela sua arte e cultura, e muita sabedoria de vida, quer na Paróquia, quer no Concelho de Oliveira do Bairro. Já a mesma Sociedade Civil, através da Junta de Freguesia da Mamarrosa, da Camara Municipal de Oliveira do Bairro, e outras Instituições da terra, aqui hoje presentes, em Vida lhe prestaram a justa e reconhecida Homenagem.

B) Afirmei que iluminam a Testemunho… o Livro de Job recorda que “as minhas palavras fossem escritas num Livro… gravadas em bronze… ou esculpidas para sempre!” Aqui passa e permanece certamente o Testemunho de Mulher de Fé da nossa irmã Benilde Carvalho. Na parte final, depois de concluída a celebração eucarística, e por esta ordem, vão intervir pessoas ligadas: 1º À Catequese, pelo anúncio das Bem-Aventuranças deu testemunho do Evangelho, porque a sua ação foi determinante para muitas crianças / adolescentes e famílias (coordenadora Lídia); 2ª da nossa liturgia, pelo Coral e tudo que por adorno e beleza D. Benilde oferecia(-se)… (Sr. Agripino Nogueira); 3ª um membro do Conselho Económico, pela Fábrica da Igreja, para nos dizer da decisão de um gesto simples de memória agradecida, ao nomear uma Sala de Catequese (Diác. Bem-Haja); 4º intervenção de duas pessoas da família, Srª Helena e Srª Teresa, Noras; 5º, por último, excecionalmente, o P.e Manuel Arlindo, dará seu testemunho pessoal…

C) Afirmei iluminam o Mistério de Sofrimento… Vida…Quando estamos bem, a Paixão de Cristo fica fora de nós distante e sem grande importância. Diz-nos muito pouco, a Sua dor escapa-nos. Mas quando a Dor nos atinge com violência, no nosso Corpo, na Nossa Família, nos Nosso Amigos… O Mistério da Paixão é importante para que a Fé não fraqueje… para que não percamos a confiança fundamental que vamos construindo ao longo da Vida. Visitei na residência de Cuidados Continuados da Clínica Montepio, em Coimbra, com o conhecimento da Família partilhando a seu sofrimento – e quero preservar a intimidade – …nesses duas visitas 31 de Dezembro de 2017 e 21 de Janeiro de 2018, em dois domingos ao fim da tarde e noite: pelas lágrimas, nos olhos vivos e sedentos, expressão do rosto contorcida… na oração da Avé- Maria; do Pai-Nosso e pela celebração da Santa Unção… o Sofrimento da nossa Irmã selou o Dom da sua Fé e o Testemunho Cristão ao longo de toda a sua vida como doação.

Dona Benilde Carvalho viverá sempre no coração de cada um de nós. Peço que nunca esqueçam os ensinamentos de Dona Benilde Carvalho, Avó de todos, dos preciosos ensinamentos que partilhou na sua peregrinação nesta terra. Ela partiu mas plantou sementes no coração de cada um. Daqui por diante somos todos responsáveis por fazer com que cada semente possa germinar, brotar, crescer e se tornar uma árvore firme e forte. Nessa árvore forte generosa, que Ela foi para todos Nós com a sua Vida, seu Testemunho e na vivência do Mistério de Sofrimento: dê bons frutos em nossa Comunidade e em nossas Famílias, e Instituições que serviu no Bem Comum.

 PS 1. Tempo da Homilia – 6m40s; PS2. Total do tempo dos (5) testemunhos pessoais – 22m02s. Pe. Pedro José, Pároco de Mamarrosa, 27-02-2018, 12H26…
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Pequeno Diário de Cinzas: 14 Fev. 2018

Pequeno Diário de Cinzas: 14 Fev. 2018

Nesta quarta-feira de CINZAS vamos iniciar a Quaresma, a quadragésima na LENTIDÃO, no Tempo de renovação e conversão: que (só) vai PARAR na Páscoa.

Nas mensagens do Bispo da Diocese e do Papa na Igreja Universal, temos as propostas que não são impostas: meios que “parecem importantes” para O Silêncio, a Partilha, o Interior. A “aparência” aqui é “Identidade”: cuidado para não adiar.

A Igreja pede/indica a conversão de mentalidade, de coração e um novo estilo de vida, através da oração mais intensa, da esmola e do jejum. O meu Corpo (está lento repleto de “Keplat 20 mg”…) o meu Espírito (está lento e cheio como “Saco de Nozes” oferecidas e não compradas…) a minha Alma (está lenta como o “Búzio aos pés da cama”, onde consigo dormir angustiado mas sempre Livre…). Estou dentro desta unidade tripartida: Corpo-Espírito-Alma, eu que sou e vou «fazer» Quaresma, que se inicia, HOJE, em Comunidade à procura da Luz da Tua Palavra: «Jesus viu e compadeceu-se» (Mc. 6,4-44).

Como vai ser o «Sagrado Lausperene» e as «24 horas para o Senhor»? Como vão ser as visitas aos doentes e idosos, em casas e instituições? Como vão ser as reconciliações em cada hora de confissão paroquial? Como vai ser a partilha/esmola/dádiva onde não existem os recursos dignos e justos? Como vai ser o Silêncio, Direito e Dever, para a Interioridade, a Deus que é mais interior de Mim Mesmo? Como vai ser a Sede de (In)finito? Vai ser aí e agora.

Para Vós Sou: padre-prior-pessoa-pecador; Convosco, sou cristão-cidadão-homem-frágil. Saudação amiga e generosa façamos da Quaresma o Sacrifício do Tempo para Haver o Dom do Espaço na Páscoa! Louva em Nós Todos o que fazemos de simples e verdadeiro com pouca publicidade, mas que é essencial ao teu Olhar de Amor.

Pe.Pedro José, Bustos / Mamarrosa / Oliveira do Bairro / Palhaça, 14-02-2018.

Caracteres (incl. espaços): 1736

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“David Lodge: humor e lucidez de um escritor católico” (Tradução: SNPC).

David Lodge: humor e lucidez de um escritor católico

David Lodge (Londres, 1935), que recentemente lançou o seu primeiro livro de memórias, “Um ano quase bom para nascer, 1935-1975”, não publicado em Portugal, faz parte da grande tradição de romancistas católicos ingleses que marcou o século XX. Lodge, que ensinou ao longo de décadas nas universidades inglesas e norte-americanas literatura inglesa, não só estudou os escritores católicos que o antecederam, sobre os quais redigiu ensaios iluminadores, mas foi também capaz, com lúcido humor, de narrar a vida quotidiana dos católicos ingleses, uma minoria em muitos aspetos à margem da vida académica e social.

Os católicos ingleses eram de facto, na maior parte, pertencentes aos mais baixos níveis sociais, a partir do momento que o grupo se constituiu sobretudo de irlandeses emigrados para Londres à procura de trabalho.

O autor não é exceção, mas precisamente por ter nascido num momento histórico particularmente favorável, ou seja, antes da II Guerra Mundial, pôde usufruir plenamente das facilidades que os governos trabalhistas do pós-guerra executaram para abrir as portas das universidades aos estudantes mais meritórios, ainda que pobres. Assim, apesar de partir da frequência de colégios católicos de nível médio-baixo, conseguir tornar-se professor universitário.

Na autobiografia conta, com um olhar ao mesmo tempo crítico e afetuoso, o seu percurso educativo nas escolas católicas, onde é tocado sobretudo pelas carências no ensinamento da religião cristã. Até da parte dos professores de religião. De facto, ele é educado num clima religioso predominantemente devocional, no qual um sistema normativo de comportamento é substituído pela riqueza da fé e das suas fontes de revelação, que diz respeito sobretudo à esfera sexual.

Lodge, também neste aspeto, confessa-se obediente às normas católicas, tanto que, no longo noivado que precede o casamento com a bela mulher Mary, católica de origens irlandesas, nunca cede à tentação das relações pré-matrimoniais. Um casal modelo, portanto, por razões que serão discutidas apenas em contacto com os católicos americanos, como explica claramente no livro:

«É difícil a quem não recebeu o género de educação católica ministrada a Mary e a mim, compreender de que modo a fé instilada abrangia e controlava cada coisa. A situação era mais sentida no norte da Europa, onde o catolicismo absorveu alguma coisa da espiritualidade escrupulosa dos protestantes, e menos nos países latinos meridionais, onde os leigos tinham uma atitude verdadeiramente descontraída quanto às contradições entre princípios e comportamentos.

Para nós a Igreja era como um clube: tinha um livro de regras que cobria todas as possíveis contingências da existência, e se as respeitávamos ou se se recebia a absolvição depois de as ter infringido, estava assegurada a vida eterna e a ajuda de Deus nas provações difíceis desta vida. Parecia óbvio que não se podiam ignorar as regras tidas como incómodas sem perder a inscrição no clube, e por este motivo muitos católicos tinham “abandonado” a fé por causa do problema do controlo dos nascimentos».

A rede de amigos em que se move permanece muito tempo marcada pela identidade católica, inclusive quando passa longos períodos como professor convidado em universidades dos EUA, assim como muitos dos seus romances mais conseguidos têm no centro da trama a relação entre a religião católica e o mundo contemporâneo. Entre outros pode citar-se “O Museu Britânico ainda vem abaixo”, cujo protagonista, alter ego transparente de Lodge, já pai de três filhos e ainda privado de um trabalho seguro, vive obcecado pela possibilidade de falha do método natural de controlo dos nascimentos utilizado, em conformidade com a “Humane vitae”. A ironia, unida a uma fiel adesão ao credo católico típica de quem pertence a uma minoria não socialmente valorizada, permitem-lhe fazer compreender muitas coisas em torno da crise da família e do afastamento de muitos fiéis da Igreja na segunda metade do século XX. Nas suas recentes narrativas, o ser católico nunca é uma adesão abstrata, mas um modo de viver quotidiano, que se experimenta concretamente nas dificuldades de cada dia.

Uma vez mais, de um catolicismo marginal mas vivo como o inglês, chegam inspirações críticas unidas ao convite a uma adesão mais consciente e sentida ao nosso credo.

 

FONTE: Lucetta Scaraffia In L’Osservatore Romano, Trad.: SNPC, Imagem: D.R., Publicado em 11.01.2018 (VER: http://www.snpcultura.org/david_lodge_humor_e_lucidez_de_um_escritor_catolico.html , acesso:15-01-2017). Outro artigo: David Lodge: pensamentos secretos entre duas culturas, DESIDÉRIO MURCHO (20, Julho,2002) in: https://www.publico.pt/2002/07/20/jornal/david-lodge-pensamentos-secretos-entre-duas-culturas-172923, acesso: 15-01-2017.

 

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