Sobre a mansidão de coração – Mt 5,5: «mansos de coração».

Sobre a mansidão de coração

Mateus 5,5: «mansos de coração».

O pôr em prática a terceira bem-aventurança: a dos “mansos de coração” (Mt 5,5). É, de todas, a bem-aventurança que mais pode tocar a nossa sensibilidade nestes tempos de AGRESSIVIDADE…, porque é aquela que mais luta dá no auto-domínio…, aquela que pode exigir de nós o reaprender: o acolhimento afável de quem se aproxima e bate à porta, o diálogo atento e paciente com quem nos aborda, nem sempre com as motivações tão justas e tão esclarecidas quanto desejamos!

É a mansidão de coração que permite desarmar as variadas resistências, por parte dos que nos olham e nos abordam e, quantas vezes, se aproximam de nós “com duas pedras na mão“. E dar a outra face é vencer o mal com o bem, a amargura com a docilidade, a arrogância com a humildade.

Na palavra de Deus, na leitura da Profecia de Zacarias, há uma imagem tão sugestiva do Messias que troca os cavalos de combate pelo seu humilde e manso “burrinho – jumentinho, filho duma jumenta… tão fora dos nossas modas…- de carga” (Zc 9,9-10; Mt 21,4; Jo 12,15), desafia-nos a todos, aos pastores e aos fiéis, aos cidadãos e aos candidatos à liderança…, a não cedermos à agressividade, a não cairmos na tentação de “falar de cima da burra“, de nos pormos em bicos de pés, pois o que devemos, em primeiro lugar, é aprender a “descalçar os pés diante da terra sagrada do outro” (EG 169, cf. Ex 3, 5).

No final de um ano pastoral…, do nosso Trabalho…, da Escola e exames, dos Problemas Familiares, talvez nos sintamos mais cansados, com os “nervos à flor da pele”, já sem grande paciência para “aturar” ou “suportar” os que se aproximam de nós, a pedir ou a reclamar alguma coisa. Por isso, reconquistar a mansidão de coração é ACREDITAR na palavra que nos faz levantar o ânimo: «Vinde a Mim todos os que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei» (Mt 11,28).

Na verdade, a mansidão do coração não é instintiva; ela exige uma imersão e uma conversão do coração, em sintonia com o coração de Jesus, Humilde e Servidor…

Muitas vezes quase mortos de cansaço, stressados, incompreendidos, esquecidos… prostremo-nos em adoração, e digamos simplesmente, em oração: Senhor, por hoje basta! Queremos ser guiados pelo sopro do Teu Espírito Santo, que é descanso na luta e na paz, na justiça e na dignidade.

FONTE: Cfr. Adaptado partir de:  http://paroquiasenhoradahora.pt/index.php/component/k2/item/657-liturgia-e-homilia-no-xiv-domingo-comum-a-2017 , acesso: 08-07-2017. Pedro José, Gafanha Carmo/Encarnação/Nazaré, 08-07-2017, caracteres (incl. esp) 2254.
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Bodas de ouro sacerdotais do padre António Graça da Cruz (Pároco de Santa Maria da Murtosa e São Lourenço de Pardelhas).

Bodas de ouro sacerdotais do padre António Graça da Cruz

 

– Pároco de Santa Maria da Murtosa e São Lourenço de Pardelhas, Diocese de Aveiro –

“O P.e António Graça da Cruz, pároco da Murtosa e de Pardelhas, celebra durante o mês de julho o jubileu dos 50 anos de ordenação presbiteral. As comemorações começam na sexta-feira, 7 de julho, com a iniciativa “História de uma vocação”, que  conta  com  o  testemunho do sacerdote e 3 intervenções  musicais  do  Eccos  Ensemble  Vocal,  da  maestrina  Mónica  Lacerda Pais e da pianista Francesca Serafini.  Acontece  às  21h30,  no Salão Nobre da Câmara Municipal da Murtosa.

No  dia  14  de  julho,  às  21h30, na  Comur  (Museu  Municipal  da Murtosa  –  antiga  “fábrica  das  enguias”), serão projetados excertos o filme “Silêncio”, que serão comentados  pelo  P.e  João  Caniço,  jesuíta  como os protagonistas do filme e promotor da canonização dos Mártires do Japão.

No  dia  21  de  julho,  o  professor  (de  Educação  Moral  e  Religiosa Católica)  e  humorista  Nuno  Cocharro  apresenta  “Deus  é  humor”  – uma sessão principalmente destinada  aos  jovens,  no  salão  paroquial de Pardelhas, às 21h30.

No dia 28 de julho, na Igreja da Murtosa,  realiza-se  uma  vigília  de  oração  vocacional.  Tem  início  às  21h30.

No dia 30 de julho, pelas 16h00, concluindo  as  comemorações,  D. António  Moiteiro  preside  à  Eucaristia de ação de graças, pelas 16h, no Parque da Saldida, seguindo-se um lanche-convívio aberto a todas as pessoas.

Natural do lugar da freguesia de Águeda  (lugar  de  Assequins,  29-09-1937),  António  Graça  da  Cruz  foi ordenado por D. Manuel de Almeida  Trindade,  na  Sé  de  Aveiro, no  dia  30  de  julho  de  1967.  Com  ele   foram   ordenados o diácono Victor  José  Mónica  de  Pinho  e  os  padres Augusto Fernandes da Costa  e  Manuel  João  dos  Santos  Cartaxo, já falecidos.

Como padre, foi ecónomo e professor no Seminário de Aveiro, colaborou  em  Estarreja  e  deu  aulas de Educação Moral e Religiosa Católica.  Foi  capelão  militar  na  Guiné-Bissau e em Angola. Foi pároco da Borralha, Belazaima do Chão e Agadão, em Águeda, e de Vilarinho do Bairro, Amoreira da Gândara e Ancas,  em  Anadia.  Desde  1996  é  pároco de São Lourenço de Pardelhas. Em 1997 assumiu a paroquialidade de Santa Maria da Murtosa. Esteve também com a paróquia de Santo  António  do  Monte  de  2005  a 2008”.

P.S. A esta notícia acrescento um dado pastoral: “…no ano de 1987 sendo meu Pároco, o Pe. António Cruz, na Paróquia da Borralha, acolheu-me a mim e aos meus pais no diálogo de discernimento vocacional; e posteriormente, levou-me no seu próprio Jeep, para poder participar no Estágio de Admissão ao Seminário de Aveiro. Foi devido ao seu acolhimento e diligências que dei entrada no percurso vocacional, tendo sido ordenado 10 anos depois, em 1997. Agradeço eu e minha família, o seu apoio imprescindível como pastor nessa altura”, Pe. Pedro José (05-07-2017).

FONTE: in Correio do Vouga, 05-07-2017, p.02.

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Mensagem da Conferência Episcopal Portuguesa «Solidários com as vítimas dos incêndios» (21-06-2017)

Mensagem da Conferência Episcopal Portuguesa

 «Solidários com as vítimas dos incêndios»

Reunidos em Fátima, nas Jornadas Pastorais e em Assembleia Plenária extraordinária, nós, os Bispos portugueses, acompanhamos com dor, preocupação solidária e oração a dramática situação dos incêndios que provocaram numerosas vítimas e que estão a causar enorme devastação no país.

Partilhamos, antes de mais, a dor dos que choram os seus familiares e amigos que perderam a vida, pedindo a Deus que os acolha junto de Si. Manifestamos igualmente o nosso reconhecimento e apoio aos bombeiros, às organizações de socorro e aos numerosos voluntários, nacionais e estrangeiros, que envidam todos os esforços para salvar vidas, minorar danos e evitar a perda de pessoas e de bens, mesmo à custa de canseiras e riscos pessoais.

Na sequência do que afirmámos na Nota Pastoral de 27 de abril de 2017 «Cuidar da casa comum – prevenir e evitar os incêndios», estamos conscientes da necessidade de medidas mais preventivas, concretas e concertadas sobre esta calamidade que todos os anos atinge o nosso país. Neste momento, porém, em cada uma das nossas Igrejas diocesanas, sentimo-nos próximos e comprometidos com a situação dramática dos que sofrem. A partir das nossas comunidades cristãs, das Cáritas Diocesanas e da Cáritas Portuguesa, e de outras instituições eclesiais, participamos no esforço de acudir às vítimas, providenciar meios de primeira necessidade e colaborar no ressurgir da esperança, da solidariedade e do alento para reconstruir a vida e o futuro.

Pedimos a todas as comunidades cristãs e a quem deseje associar-se que, além de outras iniciativas solidárias, dediquem a oração, o sufrágio e o ofertório do primeiro domingo de julho a esta finalidade e que enviem o produto desta recolha fraterna para a Cáritas Portuguesa [Conta Cáritas na CGD: 0001 200000 730 – IBAN: PT50 0035 0001 00200000 730 54], a fim de ser encaminhado com brevidade para aqueles que necessitam.

Fátima, 21 de junho de 2017

FONTE: http://www.conferenciaepiscopal.pt/v1/solidarios-com-as-vitimas-dos-incendios-mensagem-da-conferencia-episcopal-portuguesa/ , acesso: 30-06-2017.

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Juristas escrevem aos Deputados da Assembleia da Republica: a Notícia que “ninguém” dá e a Carta que “ninguém” lê…

 

Eutanásia: «Nem excesso terapêutico, nem antecipação da morte» – Juristas portugueses

Profissionais do Direito enviam carta aberta aos deputados da Assembleia da República

Lisboa, 09 jun 2017 (Ecclesia) – Mais de 100 juristas portugueses enviaram uma carta aberta aos deputados da Assembleia da República pedindo-lhes que “recusem a legalização da eutanásia e da ajuda ao suicídio”, refere o Movimento STOP eutanásia em comunicado enviado á Agência ECCLESIA.

A carta aberta foi enviada esta quinta-feira aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República, afirmando “o direito de todos os cidadãos a receberem cuidados de saúde que não ponham em causa a vontade do doente e a sua dignidade humana: nem excesso terapêutico, nem antecipação da morte”.

De acordo com o comunicado, a carta aberta é assinada, entre outros Germano Marques da Silva e Paulo Otero, catedráticos de Direito, Sofia Galvão e Manuel Monteiro, políticos, José Simões Patrício e José Vaz Serra de Moura, advogados, e também pela juíza Lídia Gamboa.

Para os juristas portugueses, o Parlamento deve recusar a “legalização da eutanásia e da ajuda ao suicídio” para “preservar a coerência do ordenamento jurídico nacional que assenta na inviolabilidade da vida humana e da integridade moral e física da pessoa”.

Rejeitar a legalização da eutanásia é a condição de afirmação do “valor universal de todas as vidas humanas, não se aceitando a desconsideração de qualquer vida ou pessoa, independentemente das suas circunstâncias”, refere a carta aberta.

Os juristas portugueses afirmam ainda não permitir a legalização da eutanásia é um “imperativo fundamental de o Estado tutelar os membros mais débeis da sociedade, neste caso, os destinatários da legalização da eutanásia.

“Os signatários defendem que o direito constitucional à autodeterminação de cada pessoa não significa aceitar e praticar a antecipação da sua morte, o que equivaleria a considerar a morte como um bem jurídico, ao mesmo tempo que se aceitariam decisões arbitrárias sobre o valor da vida humana”, acrescentam.

Na carta aberta, os juristas “propõem a manutenção do atual ordenamento jurídico que proíbe valorações juridicamente relevantes sobre a vida dos cidadãos”.

“Uma pessoa é infinitamente digna porque pertence ao género humano, e não porque tenha certas qualidades ou capacidades”, recorda a carta enviada aos Grupos Parlamentares.

Através da carta aberta, um grupo de profissionais da área do Direito “associa-se ao movimento em curso na sociedade portuguesa que reclama o direito de todos os cidadãos a receberem cuidados de saúde que não ponham em causa a vontade do doente e a sua dignidade humana”.

FONTE: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/nacional/eutanasia-nem-excesso-terapeutico-nem-antecipacao-da-morte-juristas-portugueses/ , acesso: 09-06-2017.

 

 

Carta aberta de Juristas aos senhores deputados à Assembleia da República

“A Carta Aberta de juristas aos deputados da Assembleia da Republica, redigida pelos Professores de Direito Francisco Mendes Correia e Diogo Costa Gonçalves, foi ontem entregue pelo movimento cívico Stop eutanásia aos representantes dos grupos parlamentares.

Nesta Carta os juristas portugueses pedem aos deputados que não legalizem a eutanásia.

Professores de Direito, juízes e advogados defendem que aceitar a descriminalização da eutanásia põe em causa sustentação de ordenamento jurídico.

O documento foi subscrito por 125 juristas, entre os quais Germano Marques da Silva, Paulo Otero, Francisco Mendes Correia, Diogo Costa Gonçalves, Paulo Adragão, Sofia Galvão, Manuel Monteiro, José Simões Patrício, José Vaz Serra de Moura e Lídia Gamboa.

A propósito da discussão pública de iniciativas legislativas tendentes a descriminalizar o Homicídio a Pedido da Vítima (artigo 134.º do Código Penal) e o Incitamento ou Ajuda ao Suicídio (artigo 135.º do Código Penal) e criar um novo quadro legal.

Exmos. Srs. Deputados,

1. Na matéria em causa, o ordenamento jurídico português não deve ser alterado

Um dos principais fins do Estado é o de garantir a segurança dos cidadãos como condição necessária para a prossecução do bem comum. Esta finalidade é o fundamento da própria existência do Estado: um Estado que não proteja a vida e a integridade física dos seus cidadãos perde um dos pilares — talvez o mais importante — de legitimidade e vê a sua própria existência ser posta em causa. O mesmo se poderia dizer de uma autoridade civil que cooperasse na causação da morte de inocentes: perderia essa natureza e converter-se-ia em tirania.

Neste aspeto, o ordenamento jurídico português apresenta atualmente coerência: os artigos 24.º e 25.º da Constituição da República Portuguesa estabelecem a inviolabilidade da vida humana e da integridade moral e física das pessoas e um conjunto de normas do Código Penal punem as condutas intencionalmente dirigidas a causar a morte de outrem. A punição das condutas intencionalmente dirigidas a causar a morte de outrem mantém-se mesmo quando determinadas por pedido sério da vítima (artigo 134.º – Homicídio a Pedido da Vítima) ou que sejam meramente auxiliares de um processo executado pela vítima (artigo 135.º – Incitamento ou Ajuda ao Suicídio), com um quadro punitivo naturalmente atenuado, tendo em atenção justamente essas circunstâncias.

2.O Direito não pode aceitar que se desvalorizem certas vidas.

As iniciativas legislativas em discussão — que pretendem descriminalizar algumas destas condutas intencionalmente dirigidas a causar a morte de outrem, desde que praticadas por profissionais de saúde, a pedido de pessoas com doenças graves e incuráveis, causadoras de sofrimento duradouro e insuportável — revelam uma ideia comum. Apenas se aceita a antecipação da morte de pessoas grave e incuravelmente doentes porque se aceita que estas vidas são menos valiosas ou, pelo menos, que a sociedade deveria reconhecer que estas pessoas assim as (des)valorizem. Admitir como lícitas as condutas intencionalmente dirigidas a provocar a morte de outrem, mesmo que abrangendo um universo delimitado de pessoas inocentes, implica sempre concordar que a morte é para elas um bem jurídico.

Ora, a única forma de evitar o arbítrio e assegurar uma sociedade justa é a de proibir em absoluto valorações juridicamente relevantes sobre a vida dos cidadãos. Uma pessoa é infinitamente digna porque pertence ao género humano, e não porque tenha certas qualidades ou capacidades. E não é possível dissociar a vida da pessoa. Atuar de forma a causar intencionalmente a morte de um inocente implica sempre desvalorizar a sua vida. O Direito não pode aceitar que se desvalorizem certas vidas, porque necessariamente aceitaria que se desvalorizassem certas pessoas.

3.O universo inicialmente limitado de pessoas elegíveis tende a expandir-se

A experiência de outros países que seguiram o rumo legislativo agora pretendido revela que o universo inicialmente limitado de pessoas que podem ser vítimas das condutas a descriminalizar tende a expandir-se à medida que evoluem as conceções dominantes na sociedade sobre o valor e a utilidade da vida de certas classes de pessoas. Numa sociedade consumista, hedonista e utilitarista, ficam assim em perigo os mais débeis: precisamente aqueles cuja proteção é fundamento do próprio Estado! Ficam em perigo os idosos, as crianças, os portadores de deficiências, os doentes psíquicos graves…

4.Fica posta em causa a sustentação do ordenamento jurídico português

Aceitar que se descriminalizem condutas intencionalmente dirigidas a causar a morte de inocentes — como pretendem os projetos legislativos atualmente em debate — é abrir as comportas de um dique que está coerentemente cerrado, na atualidade. Por mais pequena que seja a brecha inicial, fica posta em causa a sustentação do ordenamento jurídico português, e a razão de ser do próprio Estado. Que se mantenham cerradas estas comportas! Que sejam liminarmente rejeitados os anteprojetos de descriminalização da eutanásia e do auxílio ao suicídio!

Os juristas que quiserem subscrever a carta devem enviar nome, profissão numero de cartão de cidadão para o mail stopeutanasia@gmail.com

FONTE: http://stopeutanasia.blogspot.pt/2017/06/carta-aberta-aos-senhores-deputados.html,  acesso: 09-06-2017.

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Arrumar “coisas e coisos” em atraso: 300 razões para.

Arrumar “coisas e coisos” em atraso: 300 razões para.

Às vezes dou por mim arrumar “coisas e coisos” (diferenças diferenciadas no “género”, de quem faz… e sobre o que se faz…). E fico-me nostálgico – quanto tempo perdido… – e também ou sobretudo, um pouco cansado – quanto tempo ganho… O problema que é mistério, sem solução à vista, é arrumar-me a mim mesmo. No tempo e no espaço que me dou em saúde e trabalho. O mundo das actividades e exigências leva-me todas as energias. Se não for a Providência (im)possível, fico-me sem a Previdência (im)possível. Muitas vezes pergunto-me: sobre o ritmo acelerado em que comungo e partilho o viver? A correr para onde? A correr para quem? A correr contra ou a favor de que e de quem?

A Vida não é só movimento.

 

Como seria bom acolher e conversar com as pessoas, antes ou no final, de cada Missa. Como seria bom ter tempo para atender, pessoalmente no sacramento da reconciliação ou no acompanhamento humano e espiritual de discernimento (a palavra mais exigente na vida e na pastoral). Como seria bom se «eu» que sou feito de «nós», fosse um imperativo na antecipação para o Serviço do «Nós». Não antecipo nada e ando sempre em atraso (programado e desprogramado) a resolver: problemas, conflitos, chatices, birras, dramas, decisões estruturais e provisórias, o que é preciso e o que não é, Etc.

A Vida é bela e difícil.

 

Há um livro notável de cabeceira, “300 razões para baptizar”, de Evaristo Eduardo de Miranda, Editora Vozes (2011). Todos os pais/mães e educadores o “deveriam ler”, para viver como batizados. Mas queria reformular o conteúdo ao jeito de “300 razões para ser padre”; “300 razões para casar no bem e no dom”; “300 razões para ser feliz no serviço”; “300 razões para ser pobre”; “300 razões para aprender a comer e a dormir”; “300 razões para viver em esperança”; “300 para acreditar na economia social”; “300 razões para aprender a morrer”; “300 razões para ler livros” (e deixar de ver televisão… e passar a ouvir rádio; e só consultar a net no tempo livre…). No fundo, no fundo de mim mesmo, “o insólito líquido pós-verdadeiro”: “300 razões para arrumar “coisas e coisos”, em atraso e sem pressas (des)necessárias?!

A Vida é razão de esperança e esperança razoável.

 

Pedro José, Gafanha Carmo/Encarnação/Nazaré, 07-06-2017, caracteres (incl. esp) 2172

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«Somos herdeiros ou da doutrina cristã ou da deformação da doutrina cristã» – Luís Miguel Cintra (in Agência Ecclesia, 02-06-2017).

«Somos herdeiros ou da doutrina cristã ou da deformação da doutrina cristã» – Luís Miguel Cintra (in Agência Ecclesia, 02-06-2017).

Ator e encenador recebe este sábado o «Prémio Árvore de Vida – Padre Manuel Antunes», da Igreja Católica

O ator e encenador Luís Miguel Cintra, que vai receber este sábado o Prémio Árvore de Vida – Padre Manuel Antunes, considera que a sociedade ocidental está “impregnada de uma civilização que foi profundamente cristã” ou da sua “deformação”

“Somos herdeiros ou da doutrina cristã ou da deformação da doutrina cristã”, afirmou Luís Miguel Cintra em entrevista à Agência ECCLESIA.

Para o ator e encenador, a cultura da atualidade distancia-se da sua matriz cristã porque “o que manda é o dinheiro, o lucro, onde tudo é medido pela sua eficácia e nada é generoso em si próprio, por bem, prazer e para engrandecimento do ser humano”.

“Eu aprendi isto com a cultura! Não se pode meter isto na cabeça das pessoas ou fazer doutrinação com isto”, disse Luís Miguel Cintra, acrescentando que a “arte antecipa muitas coisas” a “evolução do mundo”.

Cofundador da Cornucópia, nos anos 70, Luís Miguel Cintra inclui no seu percurso artístico a declamação de poesia, de textos da Bíblia e de autores consagrados, como o padre António Vieira

“Quando se lê em voz alta e se tem a noção do que se está a ler, com um bocadinho de capacidade de análise, fica-se deslumbrado! Os Evangelhos são de uma obra prima absoluta! E de uma modernidade de escrita incrível, independentemente do seu conteúdo religioso”, sublinhou.

Para Luís Miguel Cintra, a voz é como a arte sacra que permite dizer Deus de muitas formas, oferece “diferentes representações” aos textos e dá uma “noção do que significa construir uma imagem sagrada”.

O Prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes é atribuído pela Igreja Católica em Portugal através do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura e distingue, na edição de 2017, Luís Miguel Cintra pelos “méritos extraordinários da carreira do encenador, ator, ensaísta e tradutor de literatura dramática”.

A decisão do júri “sublinha a intervenção de Luís Miguel Cintra no concerto das artes verbais, musicais e cénicas, dentro de um contexto de extensa e fecunda intervenção no debate de ideias e de questões ético-sociais no espaço público”, acrescenta o texto divulgado pelo SNPC.

Para o ator e encenador, receber um prémio que tem por patrono um antigo professor e “funcionava como uma espécie de apaziguador dos conflitos” no ambiente de casa é como estar “em família”.

Luís Miguel Cintra sublinha também o facto de ser um prémio atribuído pela Igreja, com quem dialogou “toda a vida” e de quem foi “tão adepto como crítico”.

“Acaba por dizer simbolicamente ‘não estamos zangados contigo!’”, afirmou Luís Miguel Cintra.

O ator e encenador recebe o prémio este sábado, no encerramento da Jornada da Pastoral da Cultura, em Fátima.

A entrevista a Luís Miguel Cintra é publicada na edição de hoje do Semanário Ecclesia e vai ser emitida no programa 70×7 deste domingo (às 13h30, na RTP2)

FONTE: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/nacional/cultura-somos-herdeiros-ou-da-doutrina-crista-ou-da-deformacao-da-doutrina-crista-luis-miguel-cintra/ ; acesso: 05-06-2017.

 

 

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“Vossemecê que me quer?”, Igreja Matriz Gafanha da Encarnação – in “Correio do Vouga” (24-05-2017).

“Vossemecê que me quer?” na Gafanha da Encarnação – Jornal “Correio do Vouga” (24-05-2017).

“Os centenários das Aparições de Fátima e da Primeira Grande Guerra servem de mote para o espetáculo “Vossemecê que me quer?”, que o grupo informal “Pedras Vivas” vai levar à cena no dia 27 de maio, a partir das 21 horas, na Igreja Matriz da Gafanha da Encarnação.

O guião conjuga “as aparições de Fátima com a época que então se vivia, com destaque para a Primeira Guerra Mundial”, refere Ana Caçoilo, que explica: “Fizemos histórias fictícias sobre a vertente da guerra, as quais são intercaladas com as cenas alusivas às aparições de Fátima”. Estas últimas, “em  que os pastorinhos são os protagonistas principais, são baseadas no livro «As memórias da Irmã Lúcia», e seguem a história que todos nós conhecemos sobre esses acontecimentos ocorridos na Cova de Iria, no ano de 1917”.

Para o espetáculo, o grupo “Pedras Vivas” selecionou três aparições: “a primeira, a aparição em que Nossa Senhora falou aos pastorinhos sobre o inferno, e encerramos esse capítulo com o Milagre do Sol“.

De realçar que em nenhuma cena surge a Nossa Senhora de Fátima. “Preferimos que cada espectador crie a sua própria imagem de Nossa Senhora de Fátima, conforme a sua sensibilidade e imaginação. No entanto, são sempre audíveis as palavras que Nossa Senhora de Fátima transmite aos pastorinhos”, explica Ana Caçoilo. No Milagre do Sol, “vamos criar um efeito multimédia, com som e luz a cargo de profissionais, no que temos o apoio da Junta de Freguesia da Gafanha da Encarnação na cedência dessa equipa, facto que agradecemos”, afirma.

As histórias sobre a guerra alargam-se não só ao conflito propriamente dito, mas também “à sua repercussão nas famílias e nas pessoas amigas daqueles que iam para a guerra, ou seja, aqueles que cá ficaram e que estavam sempre a aguardar notícias dessas terras longínquas onde grassava o conflito, notícias que nem sempre eram boas”.

O ponto fulcral dessas histórias de guerra é inspirado no poema “O menino da sua mãe”, de Fernando Pessoa. A partir do poema, “criámos as diversas personagens, como um menino, uma mãe, uma vizinha e um carteiro, para darmos consistência à história”, adianta Ana Caçoilo.

Em palco, estarão cerca de seis dezenas de pessoas, entre atores, músicos e coralistas, a que se junta ainda a equipa de som e luz. Para além da Junta de Freguesia da Gafanha  da  Encarnação, o grupo “Pedras Vivas” conta com o apoio da Paróquia da Gafanha da Encarnação e de um vasto conjunto de colaboradores”.

POR Cardoso Ferreira, in Correio do Vouga (24-05-17), p.2.

 

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