“Vossemecê que me quer?”, Igreja Matriz Gafanha da Encarnação – in “Correio do Vouga” (24-05-2017).

“Vossemecê que me quer?” na Gafanha da Encarnação – Jornal “Correio do Vouga” (24-05-2017).

“Os centenários das Aparições de Fátima e da Primeira Grande Guerra servem de mote para o espetáculo “Vossemecê que me quer?”, que o grupo informal “Pedras Vivas” vai levar à cena no dia 27 de maio, a partir das 21 horas, na Igreja Matriz da Gafanha da Encarnação.

O guião conjuga “as aparições de Fátima com a época que então se vivia, com destaque para a Primeira Guerra Mundial”, refere Ana Caçoilo, que explica: “Fizemos histórias fictícias sobre a vertente da guerra, as quais são intercaladas com as cenas alusivas às aparições de Fátima”. Estas últimas, “em  que os pastorinhos são os protagonistas principais, são baseadas no livro «As memórias da Irmã Lúcia», e seguem a história que todos nós conhecemos sobre esses acontecimentos ocorridos na Cova de Iria, no ano de 1917”.

Para o espetáculo, o grupo “Pedras Vivas” selecionou três aparições: “a primeira, a aparição em que Nossa Senhora falou aos pastorinhos sobre o inferno, e encerramos esse capítulo com o Milagre do Sol“.

De realçar que em nenhuma cena surge a Nossa Senhora de Fátima. “Preferimos que cada espectador crie a sua própria imagem de Nossa Senhora de Fátima, conforme a sua sensibilidade e imaginação. No entanto, são sempre audíveis as palavras que Nossa Senhora de Fátima transmite aos pastorinhos”, explica Ana Caçoilo. No Milagre do Sol, “vamos criar um efeito multimédia, com som e luz a cargo de profissionais, no que temos o apoio da Junta de Freguesia da Gafanha da Encarnação na cedência dessa equipa, facto que agradecemos”, afirma.

As histórias sobre a guerra alargam-se não só ao conflito propriamente dito, mas também “à sua repercussão nas famílias e nas pessoas amigas daqueles que iam para a guerra, ou seja, aqueles que cá ficaram e que estavam sempre a aguardar notícias dessas terras longínquas onde grassava o conflito, notícias que nem sempre eram boas”.

O ponto fulcral dessas histórias de guerra é inspirado no poema “O menino da sua mãe”, de Fernando Pessoa. A partir do poema, “criámos as diversas personagens, como um menino, uma mãe, uma vizinha e um carteiro, para darmos consistência à história”, adianta Ana Caçoilo.

Em palco, estarão cerca de seis dezenas de pessoas, entre atores, músicos e coralistas, a que se junta ainda a equipa de som e luz. Para além da Junta de Freguesia da Gafanha  da  Encarnação, o grupo “Pedras Vivas” conta com o apoio da Paróquia da Gafanha da Encarnação e de um vasto conjunto de colaboradores”.

POR Cardoso Ferreira, in Correio do Vouga (24-05-17), p.2.

 

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Oração do Papa Francisco na Capelinha das Aparições (12-5-2017)

PEREGRINAÇÃO DO PAPA FRANCISCO AO SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA POR OCASIÃO DO CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA NA COVA DA IRIA – (12-13 DE MAIO DE 2017)

ORAÇÃO DO SANTO PADRE — Capelinha das Aparições, Fátima, Sexta-feira, 12 de maio de 2017

Santo Padre:

Salve Rainha,

bem-aventurada Virgem de Fátima,

Senhora do Coração Imaculado,

qual refúgio e caminho que conduz até Deus!

Peregrino da Luz que das tuas mãos nos vem,

dou graças a Deus Pai que, em todo o tempo e lugar, atua na história humana;

peregrino da Paz que neste lugar anuncias,

louvo a Cristo, nossa paz, e para o mundo peço a concórdia entre todos os povos;

peregrino da Esperança que o Espírito alenta,

quero-me profeta e mensageiro para a todos lavar os pés, na mesma mesa que nos une.

Refrão cantado pela assembleia:
Ave o clemens, ave o pia!
Salve Regina Rosarii Fatimæ.
Ave o clemens, ave o pia!
Ave o dulcis Virgo Maria.

Santo Padre:

Salve Mãe de Misericórdia,

Senhora da veste branca!

Neste lugar onde há cem anos

a todos mostraste os desígnios da misericórdia do nosso Deus,

olho a tua veste de luz

e, como bispo vestido de branco,

lembro todos os que,

vestidos da alvura batismal,

querem viver em Deus

e rezam os mistérios de Cristo para alcançar a paz.

Refrão…
Santo Padre:

Salve, vida e doçura,

Salve, esperança nossa,

ó Virgem Peregrina, ó Rainha Universal!

No mais íntimo do teu ser,

no teu Imaculado Coração,

vê as alegrias do ser humano

quando peregrina para a Pátria Celeste.

No mais íntimo do teu ser,

no teu Imaculado Coração,

vê as dores da família humana

que geme e chora neste vale de lágrimas.

No mais íntimo do teu ser,

no teu Imaculado Coração,

adorna-nos do fulgor de todas as joias da tua coroa

e faz-nos peregrinos como peregrina foste Tu.

Com o teu sorriso virginal

robustece a alegria da Igreja de Cristo.

Com o teu olhar de doçura

fortalece a esperança dos filhos de Deus.

Com as mãos orantes que elevas ao Senhor

a todos une numa só família humana.

Refrão…
Santo Padre:

Ó clemente, ó piedosa,

ó doce Virgem Maria,

Rainha do Rosário de Fátima!

Faz-nos seguir o exemplo dos Bem-aventurados Francisco e Jacinta,

e de todos os que se entregam à mensagem do Evangelho.

Percorreremos, assim, todas as rotas,

seremos peregrinos de todos os caminhos,

derrubaremos todos os muros

e venceremos todas as fronteiras,

saindo em direção a todas as periferias,

aí revelando a justiça e a paz de Deus.

Seremos, na alegria do Evangelho, a Igreja vestida de branco,

da alvura branqueada no sangue do Cordeiro

derramado ainda em todas as guerras que destroem o mundo em que vivemos.

E assim seremos, como Tu, imagem da coluna luminosa

que alumia os caminhos do mundo,

a todos mostrando que Deus existe,

que Deus está,

que Deus habita no meio do seu povo,

ontem, hoje e por toda a eternidade.

Refrão…

O Santo Padre junto com os fiéis:

Salve, Mãe do Senhor,

Virgem Maria, Rainha do Rosário de Fátima!

Bendita entre todas as mulheres,

és a imagem da Igreja vestida da luz pascal,

és a honra do nosso povo,

és o triunfo sobre o assalto do mal.

Profecia do Amor misericordioso do Pai,

Mestra do Anúncio da Boa-Nova do Filho,

Sinal do Fogo ardente do Espírito Santo,

ensina-nos, neste vale de alegrias e dores,

as verdades eternas que o Pai revela aos pequeninos.

Mostra-nos a força do teu manto protetor.

No teu Imaculado Coração,

sê o refúgio dos pecadores

e o caminho que conduz até Deus.

Unido aos meus irmãos,

na Fé, na Esperança e no Amor,

a Ti me entrego.

Unido aos meus irmãos, por Ti, a Deus me consagro,

ó Virgem do Rosário de Fátima.

E, finalmente envolvido na Luz que das tuas mãos nos vem,

darei glória ao Senhor pelos séculos dos séculos.

Amen.

Refrão…

FONTE: http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/prayers/documents/papa-francesco_preghiere_20170512_fatima.html , acesso: 15-5-2017.

 

 

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prestar ainda mais atenção

prestar ainda mais atenção

Sei que as forças não são inesgotáveis, bem longe disso, a fraqueza indivisa entre mente-coração-estomago transparece como óbvia. Sei que os campeonatos se perdem quer pelas nossas falhas e desistências, quer sobretudo pela qualidade do adversário. Sei que uma distração pode não querer dizer nada e outra pode significar a diferença entre viver e morrer.

Não saber falar com a propriedade de quem reza, estuda com rigor e competência, na procura das melhores práticas em todos os problemas. Não saber o porquê da maravilhosa insistência da Graça em não nos abandonar no atoleiro do pecado. Não saber que o rumor de Ressurreição está oculto em cada sombra da história sofrida.

A abertura a Deus dá credibilidade amor. Acolher, escutar, compreender, perdoar, eleger e viver inspirado no Evangelho. Não colocar limites à Misericórdia. Haverá sempre momentos difíceis, necessitamos sempre de purificação. No fundo, prestar ainda mais atenção ao ser Pessoa entre tempos e espaços divididos. Solidão e comunhão em todas as relações.

Pedro José, Gafanha do Carmo/Encarnação/Nazaré, 08-05-2017, caracteres (incl. esp) 1025

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Páscoa: Alma de Cristo Sem Anestesia?

Páscoa: Alma de Cristo Sem Anestesia?

 

III Tempo Pascal – Ano A / Lc 24,13-35: «Ficai connosco, Senhor, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles».

Primeiro. Será que o Domingo já não “exige” a missa como preceito sagrado… É um dia de pausa laboral, só isso. Será isso o Dom-da-Missa-de-Domingo? Para quais Crentes? Vivemos tempos da pós-verdade?! Isto é: já nos traímos e não mais somos responsabilizados por isso. Tolerância de ponto injustificável. A comunidade dos discípulos não está reunida para “partir o pão”.

Segundo. Estamos diante de dois discípulos/amigos ou amigos/discípulos que vão a caminho de Emaús. Um chama-se Cléofas; o outro não é identificado, entramos dentro da história que é Vida Descrente. Olhar para dentro e não olhar de fora. A Cruz de Cristo é a alma sem anestesia? O Absurdo. Afinal, um ”bluff”, um profundo fracasso. Deixou-Se matar numa Cruz; e a sua morte é um facto consumado pois ”é já o terceiro dia”. Emaús… é a nossa história de cada dia: os nossos olhos fechados que não reconhecem o Ressuscitado… Os nossos corações que duvidam, fechados na tristeza existencial… Os nossos sonhos vividos com desespero… O nosso caminho afasta-se do Ressuscitado.

Terceiro. A escuta da Palavra de Deus dá a entender ao crente a lógica de Deus – para além da lógica -, discreto que volta a caminhar ao nosso lado… Demonstra, melhor, mostra-nos vestígios coerentes e apagados. A vida oferecida como dom não é perdida, mas é Semente de Vida Plena. Nós, os crentes somos convidados a viver e a anunciar a lógica de Deus, que é a lógica-do-amor e da entrega-da-vida até às últimas consequências. Qual é a lógica que domina a minha vida e que eu transmito nas minhas palavras e nos meus gestos: a lógica do amor, da entrega, da doação até às últimas consequências, ou a lógica do egoísmo, do orgulho, do amor-próprio?

Quarto. Se Jesus ressuscitou e está vivo, como posso encontrá-l’O? Onde e como posso fazer uma verdadeira experiência de encontro real com esse Jesus que a morte não conseguiu vencer? Porque é que Ele não aparece de forma gloriosa e não instaura um reino de glória e de poder, que nos faça triunfar definitivamente sobre os nossos adversários e inimigos?

O mundo provoca encontros e desencontros. Há vitórias, derrotas e empates. A Ressurreição é o risco de jogar no prazer da fidelidade a Deus, independentemente do resultado final. Vivemos o que potencia o egoísmo e a auto-suficiência ou o amor e a doação? Os homens do nosso tempo correm o risco de viver voltados para si mesmos, para os seus interesses líquidos e imediatos. Já não há sonhos, desejos e prioridades?

Na nossa caminhada pela vida, fazemos, frequentemente, a experiência do desencanto, do desalento, do desânimo. As crises, os fracassos, o desmoronamento daquilo que julgávamos seguro e em que apostámos tudo, a falência dos nossos sonhos deixam-nos frustrados, perdidos, sem perspectivas. Na espuma dos dias parece que nada faz sentido e que Deus desapareceu do nosso horizonte. De repente é-nos dada a oportunidade. Jesus, vivo e ressuscitado, caminha ao nosso lado. Ele é esse companheiro de viagem que encontra formas de vir ao nosso encontro – mesmo se nem sempre somos capazes de O reconhecer – e de encher o nosso coração de Esperança.

Quinto. Sempre que nos juntamos com os irmãos à volta da mesa de Deus, celebrando na alegria e na festa o amor, a partilha e o serviço, encontramos o Ressuscitado a encher a nossa vida de sentido, a vida que se quer mais autêntica. E quando O encontramos? Que fazer com Ele? Temos de levá-l’O para os caminhos do mundo, temos de partilhá-l’O com os nossos irmãos, temos de dizer a todos que Ele está vivo e que oferece aos homens (através dos nossos gestos de amor, de partilha, de serviço) a vida nova, vida renascida. Ajustemos o Seu passo ao nosso para caminharmos juntos Caminho-da-Vida.

Sexto. Bendito sejas, Senhor Jesus, / Tu que caminhas nos nossos caminhos, ao nosso lado, / para nos fazer compreender as Escrituras. / Nós Te damos graças pelo Pão repartido / e pela revelação da Tua Ressurreição. / Nós Te pedimos: torna-nos atentos à Tua Presença real-oculta-discreta, / cura os nossos corações, / tão lentos a crer; / fica connosco, / quando se aproxima a Noite, / e ilumina o nosso Caminho(ar).

FONTE: Cfr Releituras plurais: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia/?mc_id=1383 , acesso, 30-04-2017. Pe. Pedro José, Gafanha Carmo/Encarnação/Nazaré, 30-04-2017, caracteres (incl. esp) 4101.
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Posição da Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) no Debate Sobre a Eutanásia (18-03-2017)

Posição da Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) no Debate Sobre a Eutanásia

Apresentamos a posição da Associação dos Médicos Católicos sobre a Eutanásia tomada em reunião de Conselho Nacional, 18 de Março 2017, em Fátima.

“Foi anunciada, para breve, a apresentação na Assembleia da República de dois projectos de lei que visam legalizar a prática da Eutanásia. No último Conselho Nacional, a AMCP aprovou, por unanimidade, um texto sobre a Eutanásia, o valor da vida humana, o papel do médico e da medicina. Prevendo-se que esteja próximo o debate e votação na AR, a AMCP vem de novo reafirmar a sua absoluta oposição à prática da Eutanásia. São várias as razões que justificam a nossa atitude.

1 – Somos médicos. Queremos honrar e cumprir o nosso código deontológico, que entendemos como garante do respeito pela vida humana desde o nascimento até à morte natural.

2 – Os princípios da medicina excluem a prática da eutanásia, da distanásia e do suicídio assistido. Não se pode instrumentalizar a medicina com objectivos que são alheios à sua actividade, à sua prática, à sua Ética e à Lei Fundamental.

3 – É função da medicina e do médico minorar o sofrimento do doente. Fá-lo com a sua competência técnica. Fá-lo com a sua humanidade, que se faz presença solícita junto de quem sofre.

4 – Não é possível ser médico sem passar pelo confronto com o sofrimento e com a morte. Não somos donos da vida dos nossos doentes, como não somos donos da sua morte.

5 – É possível aliviar a dor física intensa e a angústia. Os medicamentos hoje disponíveis tornam possível o bem estar, sem dor. O sofrimento intolerável é uma referência subjectiva que não pode justificar a morte, seja de quem for. Não pode justificar a morte a pedido. Seria a morte da própria medicina ou do acto de cuidar.

6 – Opomo-nos à obstinação terapêutica – distanásia. A boa prática da medicina inclui a renúncia a intervenções médicas não proporcionadas aos resultados que se poderiam esperar. Esta renúncia a meios extraordinários ou desproporcionados não equivale ao suicídio ou à eutanásia; exprime, antes, a aceitação da condição humana perante a morte.

7 – Nem sempre é fácil estabelecer uma linha clara entre intervenção terapêutica adequada e a obstinação terapêutica. Os médicos precisam de ter mais formação a este respeito e trabalhar em equipa para melhor poder fundamentar decisões.

8 – O debate público a que assistimos tem introduzido ideias como as da autodeterminação, da liberdade, da dignidade e da compaixão. É preciso ser claro. O uso destes termos pretende confundir e manipular a opinião pública. A vida é um direito inviolável e irrenunciável. Ninguém deverá ter, seja em que circunstâncias for, o direito a ser morto. A pretensão de querer eliminar o sofrimento é compreensível. Mas não se elimina o sofrimento com a morte: com a morte elimina-se a pessoa que sofre.

9 – A AMCP defende o alargamento das redes de cuidados continuados e de cuidados paliativos. Esse é o esforço que uma sociedade mais humana deve promover. Muitos dos membros da associação trabalham nestas áreas. Os seus testemunhos e a sua presença no seio da classe médica e da sociedade portuguesa têm sido fundamentais no esclarecimento e no debate público. É preciso aprofundar as questões relativas ao fim de vida, aos idosos, à solidão. São necessárias políticas públicas que promovam a coesão social e a proteção dos mais frágeis. Quem se sente acompanhado, não desespera perante a morte e não pede a morte como solução.

10 – Acreditamos que a vida é um valor. Somos confrontados com uma cultura e uma sociedade que pretende redefinir princípios relativos ao respeito pela vida humana. Com uma sociedade que se arroga no direito de querer redefinir critérios de dignidade humana. E com a difusão da ideia de que a dignidade varia ou se perde, de acordo com as circunstâncias.

Reafirmamos, pois, com convicção e fortaleza, que toda a vida merece acolhimento, respeito e protecção. Que toda a vida tem dignidade. Que nenhuma circunstância a tornará indigna. Muito menos a doença ou o sofrimento. Nós – médicos e católicos – queremos estar ao serviço da vida e dos nossos doentes. Sabemos a importância da confiança na relação médico-doente e no sistema de saúde. A possibilidade da Eutanásia fere de morte esta confiança. Manifestamos, pois, a nossa veemente oposição à legalização da Eutanásia e à violação ou alteração do Código Deontológico. Defendemos que a Eutanásia não é um acto médico. A AMCP, através dos seus membros, está disponível para o debate alargado que urge fazer.

Conselho Nacional, 18 de Março de 2017, Fátima”.

FONTES: Em papel: In Revista Lumen – CEP, nº2, março/abril 2017, pp. 60-61; On-line: http://stopeutanasia.blogspot.pt/2017/03/posicao-da-associacao-dos-medicos.html , acesso, 21-04-2017.

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Ressurreição: a discrição dos encontros, por Jean Vanier.

Ressurreição: a discrição dos encontros,

por Jean Vanier.

“A Ressurreição é a festa que fundamenta a nossa fé. É a festa da nossa libertação. E é preciso esforçar-se pela libertação! Mas agora gostaria de dizer algumas palavras acerca da pequenez da Ressurreição. É certo que se trata de um grande acontecimento. Admitamos que se Jesus tivesse aparecido por cima do Templo gritando «Eu venci», toda a gente teria acreditado na sua ação. Mas está aí o mistério. Em vez disso, o que fez Ele? Foi ter com uma mulher que estava só ou com algumas mulheres. E porquê? Eis a grande questão. Com efeito, se Ele tivesse aparecido de um modo mais «eficaz», teria humilhado aqueles que O tinham humilhado.

A Ressurreição faz-se acompanhar por uma espécie de discrição. Jesus encontra-Se com uma mulher e depois com onze homens – ou dez (quando Tomé não estava presente). A seguir, vai à Galileia encontrar-Se com outros. Encontra-Se ainda com dois homens que caminhavam para Emaús. É tudo. Esta maneira de proceder faz-nos pressentir algo de muito importante.

A Ressurreição manifesta-se unicamente por meio de encontros. Não é um acontecimento extraordinário nem um facto grandioso que deita toda a gente por terra. É, antes, um acontecimento humilde que se dá no interior de uma relação, para que as pessoas possam dizer: «Eu encontrei-O e Ele está vivo!». Dessa forma, estas pessoas poderão, por seu lado, ir ter com outras para lhes anunciar que, tendo-O encontrado, foram transformadas. Isto toca em algo de muito profundo quanto à transmissão da fé. Como é que ela se transmite, esta fé em Jesus?”

FONTE: Excerto retirado do livro de Jean Vanier, Jesus Vulnerável, Editorial AO, 2017 – In: http://www.apostoladodaoracao.pt/a-discricao-dos-encontros/, acesso, 21-04-2017.

 

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Homilia da Missa Crismal (2017) por António Moiteiro, Bispo de Aveiro

Homilia na Missa Crismal 2017

1. «O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu. Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos infelizes… Enviou-me a consolar os que andam amargurados…» (Is 61, 1-3).

Estas palavras de Isaías constituem todo um programa de vida que, mais tarde, vai ser assumido e realizado por Jesus no início da sua vida pública. O texto da sinagoga de Nazaré dá sentido a todo o desenvolvimento posterior da missão de Jesus. Começa a sua pregação na sinagoga “como era costume aos sábados”, mas fica tudo superado pela força do Espírito, que o possui plenamente. O Espírito “me ungiu”, de uma vez para sempre; e “me enviou”, com um efeito que dura permanentemente. Esta unção destina-se à missão.

A escolha dos primeiros discípulos (Lc 5, 1-11) mostra um certo paralelismo com a pesca milagrosa após a Ressurreição de Jesus, junto do lago de Tiberíades. Ressalta-se a abundância da pesca, fazendo referência a todos os povos e nações que são chamados a fazer parte da nova comunidade – é a universalidade da missão da Igreja. Os gestos de Jesus adquirem um significado especial num contexto eucarístico: Jesus prepara o pão e convida-os a participar da sua mesa.

O papel de Pedro, que representa cada um de nós, diáconos, sacerdotes, bispos e consagrados, é fundamental na comunidade dos discípulos. O serviço no amor é a primeira exigência da nova comunidade; aqueles que estão na comunidade em nome de Cristo, bom pastor, sejam os primeiros no amor e no serviço aos irmãos.

2. A vocação ao sacerdócio no seguimento de Cristo

Da existência sacerdotal fazem parte dois momentos fundamentais: o chamamento de Deus e a resposta do homem. A vida cristã concretiza-se na relação entre o escutar e o responder: ao apelo que recebeu de Deus, o homem responde com a sua vida. O chamamento parte de Deus. Ele encontra o homem e interpela-o. O que realmente dá sentido à nossa vida é o momento em que o sim de Deus e o sim do homem se encontram.

Jesus Cristo é o verdadeiro projeto do homem porque na sua pessoa Ele une o chamamento de Deus e a nossa resposta. Por isso, a vocação sacerdotal requer uma decisão que envolve a vida na sua totalidade, precisamente porque vem de Deus: «Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós» (Jo 15,16). O seguimento deve ser uma relação viva com Deus, que é vida e amor. Para conceber o seguimento na vida sacerdotal tenho de reconhecer quem é Jesus Cristo, porque a questão da identidade de Jesus Cristo é decisiva para a minha identidade e para encontrar o sentido da minha vida. À pergunta «Quem sou eu?», corresponde «Quem és Tu, ó Senhor?».

Consagrado na ordenação para servir, o sacerdote define-se pela característica da caridade pastoral, que consiste na participação da caridade pastoral de Cristo: amor incarnado, traduzido no amor à sua comunidade e à comunidade universal da Igreja. «A caridade pastoral é aquela virtude pela qual nós imitamos Cristo na entrega de Si mesmo e no seu serviço. Não é apenas aquilo que fazemos, mas o dom de nós

mesmos que manifesta o amor de Cristo pelo seu rebanho. A caridade pastoral determina o nosso modo de pensar e de agir, o modo de nos relacionarmos com as pessoas. E não deixa de ser particularmente exigente para nós» (PDV 23). Ela é condição essencial para que o nosso ministério dê muito fruto.

A pergunta feita por Saulo no caminho de Damasco continua a ser fundamental na vida de cada um de nós: «Que devo fazer, Senhor?» O entusiasmo por Deus é a fonte da alegria cristã: «Em toda a vida da Igreja, deve sempre manifestar-se que a iniciativa pertence a Deus, “porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19) e é “só Deus que faz crescer” (1Cor 3,7). Esta convicção permite-nos manter a alegria no meio duma tarefa tão exigente e desafiadora que ocupa inteiramente a nossa vida. Pede-nos tudo, mas ao mesmo tempo dá-nos tudo» (EG 12). Nada de grande nem de corajoso se faz sem entusiasmo. Deus é amor e o amor tende, por natureza, a comunicar a vida. Não há fecundidade pastoral sem amor, nem nenhum amor sem fecundidade pastoral. O sacerdote, tal como a comunidade eclesial, só vive a sua vida comunitária na medida em que viver na unidade e comunhão – o amor fundamentado em Cristo. Foi isto que o apóstolo S. João escreveu aos primeiros cristãos: «O que nós vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós estejais em comunhão connosco. E nós estamos em comunhão com o Pai e com o seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemos-vos isto para que a nossa alegria seja completa» (Jo 1,3-4).

A Igreja não pode viver nem crescer sem entusiasmo, porque é impossível dar vida a uma comunidade se não se lhe infundir o espírito da alegria. O entusiasmo pode avivar-se, esmorecer ou morrer, mas o Filho de Deus, que confiou a seres humanos a missão de pregar e de construir o seu Reino, quer que a sua Palavra seja anunciada e encontre no coração das pessoas o eco que as faça vibrar; Ele nos dará o alento, pois é Ele que o suscita. O Espírito está presente, animando-nos, conduzindo-nos, criando vida nova.

Neste momento, queremos dar graças a Deus pelo dom do sacerdócio do P. António Graça da Cruz (30/7,) que celebra os cinquenta anos de ordenação sacerdotal e pelos vinte e cinco anos de sacerdote do P. Jorge Manuel Matos Fragoso (21/6). Uma palavra de recordação e de sufrágio é devida aos padres Manuel Marques Dias e José Soares Lourenço e ao diácono Emanuel Ribau Caçoilo, falecidos no ano passado. Permiti que lembre os sacerdotes que foram ordenados há cinquenta anos e que o Senhor já chamou a si: P. Vítor José Mónica de Pinho, P. Manuel João dos Santos Cartaxo e o P. Augusto Fernandes da Costa. Com os aniversariantes louvamos Cristo, o Bom Pastor, por tudo o que de bom têm dado à nossa Diocese, e aos falecidos pedimos que intercedam junto de Deus para que tenhamos mais vocações ao ministério ordenado e de consagração para o serviço das comunidades cristãs.

3. A promoção de novas vocações sacerdotais e de consagração

Ao longo deste ano pastoral, a nossa Diocese de Aveiro iniciou um caminho que desejamos se estenda às paróquias, às comunidades de vida consagrada, aos sacerdotes e diáconos, numa palavra, a todos os agentes de pastoral e a todo o povo de Deus: criarmos uma cultura vocacional em toda a Diocese. Ao falarmos de vocação não podemos esquecer a vocação batismal, que nos chama à comunhão com Deus e à

santidade, a vocação a constituir uma família segundo o desígnio de Deus, e à promoção de novas vocações de consagração.

No dia 19 de março do ano transato, o Papa Francisco publicou a Exortação Apostólica A Alegria do amor, fruto de uma caminhada sinodal de toda a Igreja e também com o contributo da nossa Diocese. Nela se afirma que o «matrimónio é uma vocação, sendo uma resposta à chamada específica para viver o amor conjugal como sinal imperfeito do amor entre Cristo e a Igreja. Por isso, a decisão de se casar e formar uma família deve ser fruto de um discernimento vocacional» (AL 72). Este é um dos maiores desafios que se colocam hoje à pastoral da Igreja: educar para o amor na descoberta da vocação a que Deus nos chama.

A dimensão vocacional é um elemento constitutivo do nosso ser cristão. Sem discernimento, uma resposta livre e consciente ao chamamento de Deus, não podemos crescer na fé, no amor a Deus e no serviço aos irmãos.

Maria Santíssima, Mãe do nosso Salvador, teve a coragem de abraçar este sonho de Deus, pondo a sua juventude e o seu entusiasmo nas mãos d’Ele. Que a sua intercessão nos obtenha a mesma abertura de coração, a prontidão em dizer o nosso «Eis-me aqui» à chamada do Senhor e a alegria de, como Ela, nos pormos a caminho para O anunciar ao mundo inteiro.

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Catedral de Aveiro, 13 de abril de 2017

† António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro

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