“Amado Papa Francisco” texto de Dom Walmor Oliveira de Azevedo (07/09/2018)

“Amado Papa Francisco”

(texto de Dom Walmor – 07/09/2018)

 

“Sem nada ter, tudo pode ser e cantar feliz”, eis a expressão de São João da Cruz que bem define a exemplar caminhada do Papa Francisco, na missão de promover a universalidade da Igreja. A partir de sua rica experiência de vida consagrada e pastoral, de sua proximidade e das palavras sempre pertinentes, o Papa Francisco nutre no coração da humanidade sinais de esperança. Assim, unem-se ao Papa multidões do mundo inteiro – clérigos, autoridades governamentais, formadores de opinião, líderes, membros de diferentes confissões religiosas, cidadãos de diferentes lugares. Todas essas vozes, a partir do pontificado de Francisco, formam um coro que canta a alegria de enxergar, no horizonte, uma “Igreja em saída”, que vai ao encontro de todos, superando molduras antiquadas para deixar brilhar a força da tradição – capaz de levar à interioridade de cada pessoa a luz do Evangelho de Jesus Cristo.

Importante reconhecer: valorizar a tradição não significa limitar-se ao apego cego a tudo o que é antigo, pois Deus, pela ação do Espírito Santo, gera sempre renovação. Zelar pela tradição da Igreja Católica é reconhecer a sua irrenunciável missão de fazer chegar a todos a luz incandescente do Evangelho. E o Papa Francisco ergue a tocha com essa luz, exercendo, com coragem e simplicidade, o seu ministério. A luminosidade do Evangelho incide sob seu rosto e permite, a cada pessoa, reconhecê-lo como sucessor do apóstolo Pedro. Por isso, o seu pontificado gera conversão, possibilitando que muitas pessoas assumam seus próprios pecados e fragilidades.

O Evangelho de Jesus Cristo, o diálogo com Deus, faz brotar no coração humano a sabedoria que permite compreender: não importam roupagens, títulos ou posições hierárquicas que, muitas vezes, garantem certas benesses e honrarias. O fundamental é cultivar uma autêntica vida cristã, um jeito de ser que é bem distante de qualquer tipo de postura egoísta. Na história bimilenar da Igreja Católica, admiráveis homens e mulheres, cristãos leigos e leigas, gente simples, mas também nomes reconhecidos – papas, bispos, padres, religiosos -, em diferentes lugares e culturas, nos mais variados momentos da história da humanidade, foram exemplares por serem autênticos cristãos. Hoje, o olhar volta-se para os que corajosamente se dedicam às frentes missionárias, chamados a testemunharem a fé no mundo contemporâneo. Liderando essa multidão de discípulos e discípulas de Cristo, está o amado Papa Francisco, que faz a cada pessoa um convite corajoso: aproximar-se mais da luz do Evangelho.

Acolher esse convite é a única possibilidade para a superação das muitas sombras, também na Igreja, em razão dos estreitamentos humanos e dos desafios do mundo atual. Há certas dinâmicas contemporâneas que estão na contramão do Evangelho. A lista é extensa, mas é importante, neste momento, dedicar atenção especial a um desses males: o moralismo perverso de certos indivíduos que, motivados por interesses pessoais e pouco evangélicos, sentem-se no direito de atacar outras pessoas. Esses indivíduos, quando criticam, não buscam promover correção ou conversão, pois são movidos pela mágoa. Em vez disso, não raramente, atacam para encobrir seus próprios limites. Adotam, pois, a estratégia de tentar destruir outras pessoas, distanciando-se da luz do Evangelho, que escancara escuridões. Quem busca seguir Jesus, nas muitas situações do cotidiano, pode gerar certo incômodo para os que, veladamente, arquitetam manobras e ilegalidades.

Para a Igreja, seguir Cristo não é opção, mas razão de existir, tarefa que se exerce dedicando-se ao mundo. É o que pede o amado Papa Francisco: uma Igreja cada vez mais servidora, muitas vezes ferida por debruçar-se, misericordiosamente, nas diferentes vicissitudes da vida humana. E o coro de vozes que se une ao Papa Francisco é muito grande. Deve crescer ainda mais, para que ninguém fique de fora. As vozes desse coro, unindo corações em um coração só, revelam que multidões cultivam a disposição corajosa de se deixar iluminar pelo Evangelho – a Tradição que é a herança intocável da Igreja. Permaneça, assim, viva a esperança de se construir um novo tempo, a partir do caminho indicado pelo amado Papa Francisco”.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

 

FONTE: http://arquidiocesebh.org.br/para-sua-fe/espiritualidade/artigo-de-dom-walmor/amado-papa-francisco/?utm_source=newsletter&utm_campaign=Opini%C3%A3o%20e%20not%C3%ADcias&utm_medium=287&utm_content=Amado%20Papa%20Francisco, acesso: 12-9-18.

 

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Comunicado aos diocesanos de Aveiro (31-08-2018) por D. António Moiteiro

Comunicado aos diocesanos de Aveiro in http://www.diocese-aveiro.pt/v2/?p=17106 , acesso: 03-09-2018

Perante a campanha orquestrada contra o Papa Francisco a propósito dos abusos de pedofilia e outros, por parte de alguns membros da Igreja Católica, queremos afirmar o seguinte:

– Repudiamos todos os abusos sexuais contra vítimas inocentes e indefesas e queremos afirmar, mais uma vez, que tudo faremos para que estes crimes sejam abolidos da sociedade em que vivemos, fazendo justiça na defesa das vítimas e denunciando os culpados.

– A Igreja é santa e pecadora, sempre necessitada de conversão e renovação. O esforço que o Papa Francisco, na continuação dos papas que o precederam, tem vindo a fazer para tornar a Igreja mais evangélica, em diálogo com o mundo atual e em responder a problemas novos que se colocam à nossa ação pastoral, merece todo o nosso apoio como povo de Deus em terras de Aveiro.

Por fim, convidamos todos os diocesanos a um assentimento filial aos ensinamentos do magistério do Papa Francisco, a comprometermo-nos em renovar a nossa Igreja e o mundo em que vivemos e, ao mesmo tempo, pedimos ao Espírito Santo que nos ilumine nesta missão, que diz respeito a todos nós.

Pedimos que este Comunicado seja dado a conhecer através dos meios de comunicação social da Diocese e nas Eucaristias dominicais.

Aveiro, 31 de agosto de 2018 + António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro.

Eu Pe. Pedro José, ao longo dos anos de ministério (ordenado a 13-07-1997), já vivi e estive implicado, pastoral e pessoalmente, mais direta/indiretamente, em algumas situações/casos: muito difíceis, polémicos e complexos, a vários géneros. A prática diz-me, e ensina-me que: temos de procurar agir em conjunto e denunciar. “Não deixar ninguém, em nenhuma circunstância/posição/condição isolado e abandonado: o caminho da Comunhão é a Justiça; a Justiça faz-se pela Comunhão”. Agir e Não Omitir. Pensar e, sobretudo, Agir. Continuo a rezar para não ser Omisso. Acrescento mais dois apontamentos para ajudar a aprofundar o nosso Comunicado na Diocese de Aveiro, pelo Bispo António Moiteiro.

1ª apontamento -No livro “Nós, os padres: 11 padres confessam-se” – no longo questionário-entrevista respondido por escrito; foram feitas 2 perguntas: Uma sobre os “escândalos de pedofilia” e outra sobre o “celibato apostólico”. Os seus testemunhos: Pe. João Vergamota – Patriarcado de Lisboa (pp.21 e 22); Pe. Andreas Lind – Companhia de Jesus (pp.48-49 e50); Pe. Miguel Cabral – Prelatura do Opus Dei (pp.73 e 74-75); Pe. Marco Leotta – Caminho Neocatecumenal (pp.101 e 102); Pe. Bernardo Maria Magalhães – Diocese de Lamego (p.123); Pe. Pedro Miranda – Diocese de Coimbra (pp.148 e 149); Pe. Miguel Neto – Diocese do Algarve (pp.180 e 182); Pe. Ricardo Figueiredo – Patriarcado de Lisboa (pp.205 e206); Frei Gonçalo Diniz – Ordem dos Pregadores (pp.221 e 222/223); Pe. Carlos Candeias – Missionário Claretiano (pp.241 e 242); Pe. António Vaz Pinto – Companhia de Jesus (p.254).

2ª apontamento – Leitura crítica a propósito do Comunicado do Bispo de Aveiro à Diocese POR Pe. João Alves, https://www.facebook.com/joao.alves.3110/posts/10217481300046239?__tn__=K-R, publicado: 1-09-2018.

“Tendo a concordar com o conteúdo, mas a discordar da prática efetiva da Igreja em Aveiro e em Portugal. Vejo neste prisma:

1.Não se pode dizer que se está com o Papa Francisco e a prática da Igreja em Portugal não ser preventiva. Não estamos a falar apenas de denuncia de casos de abusos, mas de evitar que essas situações aconteçam. Quando os Bispos, no poder que lhes é confiado, não denunciam junto da Santa Sé situações esquisitas como seminaristas que são expulsos e acolhidos e ordenados noutras dioceses, sem pedido de informação prévia…não estaremos a entrar na mesma lógica perversa de silenciamento? Não podemos por um lado dizer que estamos empenhados e erradicar essa perversão e depois, quando temos situações de imaturidade afetiva, perturbações psíquicas ou outras razões de gravidade, simplesmente deixarmos a água correr e não defendermos a Igreja ativamente de males futuros. Isto não acontece em Aveiro nem é costume nas Igrejas em Portugal. Várias vezes solicitei isso à Comissão que tutela os seminários.

2.Não se pode dizer que há uma campanha organizada contra o Papa Francisco, sabermos que ela é cultivada num meio anti-Igreja de pendor tradicionalista, mas andarmos a assobiar para o ar quando estes meios nos batem à porta. o Cardeal Burke passeia-se por Portugal, celebra em alguns sítios, com o consentimento dos bispos locais, nos presbitérios surgem grupos organizados e lobby de sistema anti-papa e a ação dos Bispos em Portugal qual tem sido? Não me parece bem que se diga que estamos com o Papa Francisco e, ao mesmo tempo, não se seja assertivo e claro diante desta realidade crescente e que sabemos que cultiva muita desta oposição a caminho da Igreja com o Papa.

3.Não se pode dizer se quer apostar que tantas destas situações não voltem a acontecer quando relativizamos situações de imaturidade afetiva. As orientações da Santa Sé são cada vez mais claras quando ao perfil do candidato ao presbiterado, a sua maturidade humana e tem sido reforçado, inclusive pelo Papa, quanto à não-ordenação de quem apresenta sinais de imaturidade. Parece-me que temos muito que cuidar na vida dos seminários e na atenção formativa e na corresponsabilidade dos Bispos diante de todo o processo. Aqui torna-se também claro que para se ser formador de seminaristas não basta ter jeito, ser jovem ou intelectual, mas é necessário cuidar e formar os formadores de seminários. O que se tem feito em Portugal neste âmbito e nesta aposta? Melhor nem falar. Os seminários não são, realmente, uma preocupação do episcopado português.

4.Não existe uma estratégia da Igreja em Portugal de atualização das orientações da Santa Sé para se lidar com os casos de denúncia de abusos sexuais. As situações acontecidas em diversas dioceses manifestam a falta de formação no lidar com estas situações, mesmo até um não reconhecimento das orientações da Santa Sé, com formas díspares e desajustadas entre as dioceses no lidar com diversas situações. A este propósito, torna-se também necessário cuidar e acompanhar as situações de difamações, anónimas ou não, ajuizando de acordo com as orientações. É gravoso para a vítima/sobrevivente de um abuso da parte de alguém, como é moralmente destruidora a difamação que cai em saco roto e por vezes, nem merecedora de comunicados a repor a verdade.

Penso e espero que o “compromisso em renovar a Igreja” comece na nossa Casa-Mãe Igreja Diocesana e em Portugal, com práticas que sejam mais definidoras na revolução das formas que temos tido até aqui”.

 

pedro josé, Bustos / Mamarrosa / Oliveira do Bairro / Palhaça, 03-09-2018. 6676

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Assumpta est Maria: as primícias existenciais no Filho! (homilia secular) 15 Agosto

Assumpta est Maria: as primícias existenciais no Filho! (homilia secular)

Dia Santo, Solenidade: 15 Agosto 2018.

Após ter sido surpreendido com um CABAZ de primícias, á porta do carro, refiz mentalmente os “projetos-de-homilias”, a partir da leitura de, 1 Cor 15,20-27: “(…) Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. (…) Cada qual, porém, na sua ordem: primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo, por ocasião da sua vinda. Depois será o fim, quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai (…)”. No cabaz, identifiquei os pepinos, alface, couve, cebola… na réplica do sms o esclarecimento genuíno: “rúcula (esta dá para salada, sopa ou quiches) 1 courgete para sopa salteada se cortada muito fina, a abóbora é abóbora manteiga/bebé – desconhecia… – para sopa ou puré de acompanhamento a estufados ou assados. O resto é pacífico”. Foi “disto e daquilo” que conversaram e rezaram Isabel e Maria (cfr. – Lc 1,39-56) além do enjoo na gravidez; e do «como não deixar as pernas: incharem em demasia»… Talvez fosse a conversa mais humana possível: creio eu que foi mais ou menos assim. Sinergia e cumplicidade. Para mais e nunca para menos. «Vida rezada // Oração vivida»: axioma vital para o crente. Fora com o vírus “complexus”.

No horizonte, as pausas e o descanso, em três ciclos, de fim-de-semana, aproximam-se, com trabalho a fazer e desfazer; muitas leituras em atraso; calendários a programar. Re-começa «hoje», o Dia Zero. As «Primícias» materiais, simbólicas, digitais, e sobretudo, as espirituais/relacionais são o meu desafio labor/lazer radical e primordial: aliar o Tempo ao Espaço, para tal como Maria, haja a «assunção» da história, testemunho e serviço, no trânsito/passagem da Morte para a Vida Eterna: Céu de Amor, apesar do Inferno do Desamor, ou do Purgatório do «Desejo de» (“ter água e não ter sede de?!”). Após a celebração de S. Sebastião, em Mamarrosa, do S. Lourenço, em Bustos; doutros padroeiros e vice- padroeiros, em Palhaça e Oliveira do Bairro… Estou ganho em religiosidade crente e no serviço público de cidadania. Temos muito a caminhar em Comunhão, isto é, assumir a Missão em conjunto: (i) como “Maria: Mulher, Mãe e Discípula” (Peregrinação a Fátima: 29 de Setembro – VER/Consultar, http://www.diocese-aveiro.pt/v2/?p=17053 , acesso: 15-8-2018); e (ii) na formação alargada e especializada, pelo curso básico teológico-pastoral – VER/Consultar, http://www.diocese-aveiro.pt/v2/?p=17098, em acesso: 15-8-2018). Exemplos, entre vários.

Hoje, o rescaldo de ontem, nos 52 anos de Sacerdócio do Pe. Arlindo Valente (14-08-1965) [na conversa agregamos o Pe. Abraão, 14-08-1966] e dos 29 anos de vida, do Pe. Gustavo Fernandes (14-08-1989), os antecessores imediatos na linha do tempo… Hoje, o desencontro da agenda pessoal com a comunitária, nos 25 anos de Diácono (e que testemunho de vida!) do Sr. Porfírio Silva… O telefonema resolveu a bem a Gratuidade da Vida, no exercício da Liberdade de Amar & Servir… é Assumpta, também! Votos da paroquiana: “Paz e Saúde”, entre fogos que não ardem; pontes (in)seguras; camas de hospitais não visitadas; encontros noturnos imprevistos; e na imaginação do telefonema fui até à Prelazia de Tromsø, norte da Noruega. Fiz a inversão: O Local é o Universal. Precisamos, urgentemente, de Maria para nos guiar em Igreja-Comunidade-Serviços, à fonte do Sentido: Jesus Cristo, enviado de Deus Pai, à Humanidade ferida e carente. Vou rezar, novamente, uma Avé Maria, silenciosa e mística, como suplicante ação de graças! Como o “anti slogan” da casa comercial: «A nossa Força é: Graça & Serviço». Bem-aventurada Maria porque nos fazes acreditar, tanto quanto nos for necessário respirar no teu colo, como Filhos, Irmãos e Discípulos!

 

pe. pedro josé, Bustos / Mamarrosa / Oliveira do Bairro / Palhaça, 15-08-2018. 3623

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O Dia dos Avós (2018)

O Dia dos Avós

Mensagem da Comissão Episcopal do Laicado e da Família para o Dia dos Avós: «Altar de sabedoria», são um testemunho de «oração constante» e diálogo geracional (26 de julho de 2018).

“Ao celebrarmos a memória litúrgica de São Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem Santa Maria, a Mãe de Jesus e Mãe nossa, saudamos todos os avós, congratulando-nos com o dom e a fecundidade das suas vidas.

Os avós são uma graça que, porventura, nem sempre sabemos valorizar. Livres da pressa e do rendimento do trabalho, ensinam-nos a apreciar as coisas com gratidão e sabedoria. Marcados pela vida, guardam na memória ensinamentos do passado que previnem erros do futuro. São, no seu testemunho de oração constante e de resistência pacífica, uma verdadeira escola de evangelho. Podem ser o fiel da balança, no equilíbrio de gerações.

Os avós são, na família, uma espécie de altar da sabedoria. Portanto, esquecer os avós é fazer tábua rasa da memória da nossa própria história familiar, das virtudes e defeitos que nos correm no sangue.

“Na realidade, os anciãos têm o carisma de ultrapassar as barreiras entre gerações. Quantas crianças têm encontrado compreensão e amor nos olhos, nas palavras e nos carinhos dos anciãos! E quantas pessoas de idade não pressentem gostosamente as palavras bíblicas: a coroa dos anciãos são os filhos dos seus filhos”! (Fam. Cons. 27)

Se afasta os mais velhos, a família cristã perde aquele elemento de ligação ou corrente de transmissão de valores e experiências de que vive a nossa fé! Não fossem os avôs e avós, e muitas das nossas crianças e adolescentes estariam entregues a si próprios no que respeita à catequese, à oração e à vida cristã.

“As histórias dos idosos fazem muito bem às crianças e aos jovens, porque os ligam à história vivida tanto pela família como pela vizinhança e o país. Uma família que não respeita nem cuida dos seus avós, que são a sua memória viva, é uma família desintegrada; mas uma família que recorda é uma família com futuro.” (AL 193)

Que se valorize a dádiva daqueles que transportam em si a experiência e a sabedoria do encontro e diálogo de gerações e se receba com alegria e gratidão a sua partilha de vida.

Que os avós se sintam valorizados e a sociedade lhes reserve um lugar na vida comum. Neste sentido, recordamos a palavra da Sagrada Escritura: “Não desprezes os ensinamentos dos anciãos, dado que eles os aprenderam com seus pais” (Ecl 8, 11).

Queremos render merecida homenagem aos nossos maiores, àqueles de quem recebemos os primeiros rudimentos da fé, os abraços mais generosos e o testemunho da mais bela sabedoria. Unimo-nos, por isso, aos netos e com eles felicitamos os avós neste dia que lhes queremos dedicar com alegria e gratidão.

Com todos os avós celebramos a esperança que a alegria dos netos suscita em seus corações neste e em todos os dias!”

 

FONTE: http://www.agencia.ecclesia.pt/portal/mensagem-da-comissao-episcopal-do-laicado-e-da-familia-para-o-dia-dos-avos/ , acesso: 26-07-2018

 

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“Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco” (Mc 6,31)!

“Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco” (Mc 6,31)!

1.Não sei se era Verão, quando Jesus fez este convite! Mas o Senhor está bem atento ao cansaço dos seus discípulos missionários! Este cansaço pode apoderar-se não só dos padres, como dos variados servidores pastorais das nossas comunidades ou daqueles que fazem da ajuda e do cuidado dos outros a sua principal ocupação de vida.

2.Hoje fala-se muito da síndrome de bournout, que literalmente, significa, “queimar-se”, sentir-se em curto-circuito, como uma espécie de “terra queimada”, esvaziada de energia e potencialidade criativa, sem mais nada para dar. As causas podem ser diversas (cf. EG 82): uns por idealizarem projetos irrealizáveis e não viverem de bom grado o que se pode razoavelmente fazer; outros, por não aceitarem a custosa evolução dos processos e quererem que tudo caia do Céu; outros, por se agarrarem a sonhos de sucesso cultivados apenas pela sua vaidade; outros ainda, por não saberem esperar e quererem dominar o ritmo da vida. Em muitos casos, a ânsia de chegar a resultados imediatos faz com que padres e agentes pastorais, cuidadores e voluntários, não tolerem facilmente tudo o que signifique alguma contradição, um fracasso, uma crítica, uma cruz e assim se afundam neste esgotamento emocional, nesta síndrome do “bom-samaritano desiludido”.

3.Na verdade, a referida síndrome de bournot acontece na medida em que a pessoa, que se dá e cuida dos outros, põe o acento tónico no sucesso e no reconhecimento, mas descuida o mais importante: o sentido, o valor e o amor da sua entrega. Na verdade, “quem anda no amor não cansa nem se cansa” e por isso “só o amor dá repouso. Aquilo que não se ama, cansa de forma má; e, com o passar do tempo, cansa de forma pior” (Papa Francisco, Homilia na Missa Crismal 2015).Na verdade, “o problema não está tanto no excesso de atividades, mas sobretudo nas atividades mal vividas, sem as motivações adequadas, sem uma espiritualidade que preencha a ação e a torne desejável. Daí que as obrigações cansem mais do que é razoável, e às vezes façam adoecer” (EG 82).

4.É por isso que Jesus, ao acolher os seus discípulos missionários não quer saber, em primeiro lugar, dos resultados obtidos, mas sobretudo do estado anímico e espiritual de cada um. É a pessoa que lhe interessa e não o fruto ou o produto do seu trabalho. Por isso, convida os seus discípulos missionários a descansar n’Ele, a fixarem-Se n’Ele, para não ficarem obcecados pelos êxitos ou fracassos. Há, na verdade, um cansaço mau e doentio, de que é preciso tratar-se, pedir ajuda, sem fugas nem rodeios. Mas há também um cansaço bom, que é precioso aos olhos de Jesus, que é como o incenso que sobe silenciosamente ao Céu. Neste caso, o nosso cansaço eleva-se diretamente ao coração de Jesus, que nos acolhe e faz levantar o ânimo, reiterando o convite a cada um: “Vinde comigo para um lugar isolado e descansai um pouco” (Mc 6,31)!

5.Irmãos e irmãs: se estamos mortos de cansaço, prostremo-nos então em adoração e digamos ao Senhor: «Senhor, por hoje basta!» O segredo da fecundidade do nosso serviço e da nossa entrega é também o modo como sabemos repousar no Senhor, passar-lhe “a bata-quente”, rendermo-nos nos nossos limites, pormo-nos nas Suas mãos e ficarmos sossegados no Seu colo. Desse modo, tanto padres como outros servidores pastorais ou mesmo outros cuidadores ou voluntários sociais, manifestamos a consciência de que todos somos ovelhas e todos temos necessidade do Pastor que cuide de nós. Ele está de coração aberto à nossa espera. Repousemos no Senhor! A entrada é grátis!

FONTE: Paróquia de Nossa Senhora da Hora (1918-2018), Diocese do Porto: https://paroquiasenhoradahora.pt/index.php/component/k2/item/855-liturgia-e-homilias-no-xvi-domingo-comum-b-2018 , acesso: 24-07-2018.

 

 

 

 

 

 

 

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“SÓ OS PEQUENINOS ENTENDERÃO” – pelo bispo Antonino Dias (Portalegre-Castelo Branco, 20-07-2018).

SÓ OS PEQUENINOS ENTENDERÃO

Muita gente escreve sobre muita coisa. E bem, gosto de ler. Há textos belíssimos em diversas áreas, textos bonitos em conteúdo e forma, aprendo sempre. Da minha parte, e atendendo à missão que me cabe, vou recordando o que é importante não esquecer, consciente de que muitos não gostarão nem do conteúdo nem da forma. Mas esta diversidade é bonita, faz bem, confronta, leva a pensar, contribui para o enriquecimento pessoal e para a beleza da unidade sem uniformizar. Dentro deste proceder, vou recordar mais um aspeto essencial da nossa vida.

Muitas vezes ouvimos dizer: “porque não tenho nada que fazer, vou aproveitar o tempo, vou rezar!” “Não, eu não rezo porque não tenho tempo, tenho muito que fazer, tenho muito trabalho!”

Entendo que não se reza para aproveitar o tempo. Não se reza porque não se tem mais nada que fazer. Não se deve deixar de rezar porque se tem muito que fazer, não se tem tempo! As razões subjacentes a estas atitudes prendem-se talvez com o facto de não se saber bem o que é a oração e também com o facto de não se saber bem o que é rezar. É verdade que a oração é uma aprendizagem constante que também reclama trabalho cuidadoso e momentos fortes de oração na diversidade das suas expressões. Como nos ensina a Igreja, o dinamismo do amor vivido na oração configura a existência, a identidade e a ação do discípulo.

Segundo São Francisco de Sales, tal como as plantas dão fruto cada uma segundo a sua espécie, assim os cristãos, como plantas vivas da Igreja, devem produzir frutos de devoção segundo a sua qualidade, o seu estado e a sua vocação. Assim, segundo ele, a devoção deve “ser exercida de maneira diferente pelo fidalgo e pelo operário, pelo criado e pelo príncipe, pela viúva, a solteira ou a mulher casada; e não somente isto: é necessário acomodar o exercício da devoção às forças, aos trabalhos e aos deveres de cada pessoa em particular”. E faz uma pergunta pertinente: “estaria certo que um bispo quisesse viver na solidão como os Cartuxos; que os casados não quisessem amealhar mais que os Capuchinhos; que o operário passasse o dia na Igreja como o religioso; e que o religioso estivesse sempre sujeito a toda a espécie de encontros para serviço do próximo como o bispo? Não seria ridícula, desordenada e inadmissível tal devoção?”. Este erro, porém, afirma Francisco de Sales, “acontece frequentemente”. Quando a devoção “se torna contrária à legítima ocupação de alguém, é sem dúvida falsa”. A abelha “extrai o mel das flores sem lhes fazer mal, deixando-as intactas e frescas como as encontrou”. A verdadeira devoção “age melhor ainda, porque não somente não prejudica qualquer espécie de vocação ou de tarefa, como ainda as engrandece e embeleza”. Cada um torna-se “mais agradável e perfeito na sua vocação se esta for conjugada com a devoção: a atenção à família torna-se mais paciente, o amor entre marido e mulher mais sincero, mais fiel o serviço que se presta ao príncipe, e mais suave e agradável o desempenho de todas as ocupações. É um erro, se não mesmo uma heresia, querer banir a vida devota do regimento dos soldados, da oficina dos operários, da corte dos príncipes, do lar das pessoas casadas”.

É sempre possível rezar. São João Crisóstomo ensinava que é possível fazer oração fervorosa “mesmo no mercado ou durante um passeio solitário”, mesmo “sentados na vossa loja, a tratar de compras e vendas, até mesmo a cozinhar”.

Na verdade, a devoção pessoal tem vários rostos e maneiras muito próprias. Há muitas formas de oração, nenhuma delas obrigatória ou a exigir posição convencionada. Importante é atingir a meta que nos é proposta, a meta da santidade, cada um segundo o seu ritmo e circunstâncias, mas sem desistir de fazer o seu caminho!… O fundamento desta caminhada é a humildade. Somos mendigos de Deus, quem pede pede com humildade. E a oração verdadeiramente humilde brota do coração. O coração é a morada onde cada um de nós está, onde habita, onde desce. É o lugar do encontro, da aliança, da decisão. O lugar da verdade onde escolhemos a vida incendiados pelo fogo do Espírito Santo (cf. CIC2563).

 Santa Teresa do Menino Jesus dizia que a oração “é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o céu, é um grito de gratidão e de amor, tanto no meio da tribulação como no meio das alegrias”. E faz-se em comunhão com Cristo que “sendo o nosso Sacerdote, ora por nós; sendo a nossa Cabeça, ora em nós; e sendo o nosso Deus, a Ele oramos”. Importa, isso sim, é reconhecer “n’Ele a nossa voz e a voz d’Ele em nós” (S. Agostinho). Esta permanente recordação de Jesus ao longo do dia, manifestada, por exemplo, em pequeninos atos de fé leva-nos a estar habitualmente na presença de Deus, gera o amor e a alegria, a confiança e a intimidade, dá força e sentido às coisas da vida e à própria à vida. O Catecismo da Igreja Católica garante-nos que a invocação do santo nome de Jesus muitas vezes repetido por um coração humilde é o caminho mais simples da oração contínua (cf. CIC2668). São Paulo, por sua vez, retomando o versículo do Profeta Joel, afirma que “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rom 10,13). Invocar o nome do Senhor é voltarmo-nos para Ele, é abandonarmo-nos a Ele, é viver n’Ele e Ele em nós. Citando de novo São Francisco de Sales numa carta que escreveu a Joana de Chantal, ele exortava-a a que pronunciasse, do fundo do coração, com amor, o nome de Jesus a fim de que a Sua presença marcasse toda a sua vida, todo o seu ser. Há muita gente que tem este hábito de oração, o de repetir o nome de Jesus ou outras expressões ou jaculatórias que lhe são mais caras. Pessoalmente tenho predileção especial pelo ato de fé e humildade que São Tomé, naquelas circunstâncias, fez diante de Jesus: “Meu Senhor e meu Deus!”(Jo 20,28). O mundo apresenta-nos muitos senhores, com ou sem gravata. Jesus, porém, quer se aceite ou não, é o único Senhor! A sociedade fabrica, promove, adora e serve muitos deuses. O desafio, no entanto, é só um, o verdadeiro: “Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a Ele servirás” (Mt 4,10). Os sábios e inteligentes deste mundo, apoiados no que têm, podem e julgam saber, têm dificuldade em aceitar estes sinais de pista. Os pequeninos, os mansos e humildes de coração, agradecidos, seguem-nos com muita alegria e esperança.

Antonino Dias

Portalegre, 20-07-2018.

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Poema “Prece Espiritual” por António de Cértima (1894 – 1983)

Prece Espiritual

 

Ardendo em dôr, em ambição constante,

Em vivo em ânsias…febre de incerteza…

Toca-me a fronte um êxtase olorante.

Que me espiritualiza em Sonho e Reza.

 

Minh’alma é uma chama deslumbrante,

– Chama ideal continuamente acesa.

E volando-se inquieta e crepitante

Da brasa da Emoção e da Beleza!

 

– Ó divino poder, luz de criar!

– Ó vida luminosa a desvairar

No seio desta carne que me arrasa!

 

– Domina em mim o imaterial harpejo

Da minha eterna sede de Desejo

– Prisão de grito e luz, cárcere de Asa!

 

Aveiro 1920

 

 

 

FONTE: ANTÓNIO DE CÉRTIMA, In “Gente Nova” de 24-I-1920, citado por SIMÕES CAPÃO, António Tavares, Roteiro Cultural e Religioso do Concelho de Oliveira do Bairro, Edição da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, 1998, p.83.

 

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