Páscoa: Alma de Cristo Sem Anestesia?

Páscoa: Alma de Cristo Sem Anestesia?

 

III Tempo Pascal – Ano A / Lc 24,13-35: «Ficai connosco, Senhor, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles».

Primeiro. Será que o Domingo já não “exige” a missa como preceito sagrado… É um dia de pausa laboral, só isso. Será isso o Dom-da-Missa-de-Domingo? Para quais Crentes? Vivemos tempos da pós-verdade?! Isto é: já nos traímos e não mais somos responsabilizados por isso. Tolerância de ponto injustificável. A comunidade dos discípulos não está reunida para “partir o pão”.

Segundo. Estamos diante de dois discípulos/amigos ou amigos/discípulos que vão a caminho de Emaús. Um chama-se Cléofas; o outro não é identificado, entramos dentro da história que é Vida Descrente. Olhar para dentro e não olhar de fora. A Cruz de Cristo é a alma sem anestesia? O Absurdo. Afinal, um ”bluff”, um profundo fracasso. Deixou-Se matar numa Cruz; e a sua morte é um facto consumado pois ”é já o terceiro dia”. Emaús… é a nossa história de cada dia: os nossos olhos fechados que não reconhecem o Ressuscitado… Os nossos corações que duvidam, fechados na tristeza existencial… Os nossos sonhos vividos com desespero… O nosso caminho afasta-se do Ressuscitado.

Terceiro. A escuta da Palavra de Deus dá a entender ao crente a lógica de Deus – para além da lógica -, discreto que volta a caminhar ao nosso lado… Demonstra, melhor, mostra-nos vestígios coerentes e apagados. A vida oferecida como dom não é perdida, mas é Semente de Vida Plena. Nós, os crentes somos convidados a viver e a anunciar a lógica de Deus, que é a lógica-do-amor e da entrega-da-vida até às últimas consequências. Qual é a lógica que domina a minha vida e que eu transmito nas minhas palavras e nos meus gestos: a lógica do amor, da entrega, da doação até às últimas consequências, ou a lógica do egoísmo, do orgulho, do amor-próprio?

Quarto. Se Jesus ressuscitou e está vivo, como posso encontrá-l’O? Onde e como posso fazer uma verdadeira experiência de encontro real com esse Jesus que a morte não conseguiu vencer? Porque é que Ele não aparece de forma gloriosa e não instaura um reino de glória e de poder, que nos faça triunfar definitivamente sobre os nossos adversários e inimigos?

O mundo provoca encontros e desencontros. Há vitórias, derrotas e empates. A Ressurreição é o risco de jogar no prazer da fidelidade a Deus, independentemente do resultado final. Vivemos o que potencia o egoísmo e a auto-suficiência ou o amor e a doação? Os homens do nosso tempo correm o risco de viver voltados para si mesmos, para os seus interesses líquidos e imediatos. Já não há sonhos, desejos e prioridades?

Na nossa caminhada pela vida, fazemos, frequentemente, a experiência do desencanto, do desalento, do desânimo. As crises, os fracassos, o desmoronamento daquilo que julgávamos seguro e em que apostámos tudo, a falência dos nossos sonhos deixam-nos frustrados, perdidos, sem perspectivas. Na espuma dos dias parece que nada faz sentido e que Deus desapareceu do nosso horizonte. De repente é-nos dada a oportunidade. Jesus, vivo e ressuscitado, caminha ao nosso lado. Ele é esse companheiro de viagem que encontra formas de vir ao nosso encontro – mesmo se nem sempre somos capazes de O reconhecer – e de encher o nosso coração de Esperança.

Quinto. Sempre que nos juntamos com os irmãos à volta da mesa de Deus, celebrando na alegria e na festa o amor, a partilha e o serviço, encontramos o Ressuscitado a encher a nossa vida de sentido, a vida que se quer mais autêntica. E quando O encontramos? Que fazer com Ele? Temos de levá-l’O para os caminhos do mundo, temos de partilhá-l’O com os nossos irmãos, temos de dizer a todos que Ele está vivo e que oferece aos homens (através dos nossos gestos de amor, de partilha, de serviço) a vida nova, vida renascida. Ajustemos o Seu passo ao nosso para caminharmos juntos Caminho-da-Vida.

Sexto. Bendito sejas, Senhor Jesus, / Tu que caminhas nos nossos caminhos, ao nosso lado, / para nos fazer compreender as Escrituras. / Nós Te damos graças pelo Pão repartido / e pela revelação da Tua Ressurreição. / Nós Te pedimos: torna-nos atentos à Tua Presença real-oculta-discreta, / cura os nossos corações, / tão lentos a crer; / fica connosco, / quando se aproxima a Noite, / e ilumina o nosso Caminho(ar).

FONTE: Cfr Releituras plurais: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia/?mc_id=1383 , acesso, 30-04-2017. Pe. Pedro José, Gafanha Carmo/Encarnação/Nazaré, 30-04-2017, caracteres (incl. esp) 4101.
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Posição da Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) no Debate Sobre a Eutanásia (18-03-2017)

Posição da Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP) no Debate Sobre a Eutanásia

Apresentamos a posição da Associação dos Médicos Católicos sobre a Eutanásia tomada em reunião de Conselho Nacional, 18 de Março 2017, em Fátima.

“Foi anunciada, para breve, a apresentação na Assembleia da República de dois projectos de lei que visam legalizar a prática da Eutanásia. No último Conselho Nacional, a AMCP aprovou, por unanimidade, um texto sobre a Eutanásia, o valor da vida humana, o papel do médico e da medicina. Prevendo-se que esteja próximo o debate e votação na AR, a AMCP vem de novo reafirmar a sua absoluta oposição à prática da Eutanásia. São várias as razões que justificam a nossa atitude.

1 – Somos médicos. Queremos honrar e cumprir o nosso código deontológico, que entendemos como garante do respeito pela vida humana desde o nascimento até à morte natural.

2 – Os princípios da medicina excluem a prática da eutanásia, da distanásia e do suicídio assistido. Não se pode instrumentalizar a medicina com objectivos que são alheios à sua actividade, à sua prática, à sua Ética e à Lei Fundamental.

3 – É função da medicina e do médico minorar o sofrimento do doente. Fá-lo com a sua competência técnica. Fá-lo com a sua humanidade, que se faz presença solícita junto de quem sofre.

4 – Não é possível ser médico sem passar pelo confronto com o sofrimento e com a morte. Não somos donos da vida dos nossos doentes, como não somos donos da sua morte.

5 – É possível aliviar a dor física intensa e a angústia. Os medicamentos hoje disponíveis tornam possível o bem estar, sem dor. O sofrimento intolerável é uma referência subjectiva que não pode justificar a morte, seja de quem for. Não pode justificar a morte a pedido. Seria a morte da própria medicina ou do acto de cuidar.

6 – Opomo-nos à obstinação terapêutica – distanásia. A boa prática da medicina inclui a renúncia a intervenções médicas não proporcionadas aos resultados que se poderiam esperar. Esta renúncia a meios extraordinários ou desproporcionados não equivale ao suicídio ou à eutanásia; exprime, antes, a aceitação da condição humana perante a morte.

7 – Nem sempre é fácil estabelecer uma linha clara entre intervenção terapêutica adequada e a obstinação terapêutica. Os médicos precisam de ter mais formação a este respeito e trabalhar em equipa para melhor poder fundamentar decisões.

8 – O debate público a que assistimos tem introduzido ideias como as da autodeterminação, da liberdade, da dignidade e da compaixão. É preciso ser claro. O uso destes termos pretende confundir e manipular a opinião pública. A vida é um direito inviolável e irrenunciável. Ninguém deverá ter, seja em que circunstâncias for, o direito a ser morto. A pretensão de querer eliminar o sofrimento é compreensível. Mas não se elimina o sofrimento com a morte: com a morte elimina-se a pessoa que sofre.

9 – A AMCP defende o alargamento das redes de cuidados continuados e de cuidados paliativos. Esse é o esforço que uma sociedade mais humana deve promover. Muitos dos membros da associação trabalham nestas áreas. Os seus testemunhos e a sua presença no seio da classe médica e da sociedade portuguesa têm sido fundamentais no esclarecimento e no debate público. É preciso aprofundar as questões relativas ao fim de vida, aos idosos, à solidão. São necessárias políticas públicas que promovam a coesão social e a proteção dos mais frágeis. Quem se sente acompanhado, não desespera perante a morte e não pede a morte como solução.

10 – Acreditamos que a vida é um valor. Somos confrontados com uma cultura e uma sociedade que pretende redefinir princípios relativos ao respeito pela vida humana. Com uma sociedade que se arroga no direito de querer redefinir critérios de dignidade humana. E com a difusão da ideia de que a dignidade varia ou se perde, de acordo com as circunstâncias.

Reafirmamos, pois, com convicção e fortaleza, que toda a vida merece acolhimento, respeito e protecção. Que toda a vida tem dignidade. Que nenhuma circunstância a tornará indigna. Muito menos a doença ou o sofrimento. Nós – médicos e católicos – queremos estar ao serviço da vida e dos nossos doentes. Sabemos a importância da confiança na relação médico-doente e no sistema de saúde. A possibilidade da Eutanásia fere de morte esta confiança. Manifestamos, pois, a nossa veemente oposição à legalização da Eutanásia e à violação ou alteração do Código Deontológico. Defendemos que a Eutanásia não é um acto médico. A AMCP, através dos seus membros, está disponível para o debate alargado que urge fazer.

Conselho Nacional, 18 de Março de 2017, Fátima”.

FONTES: Em papel: In Revista Lumen – CEP, nº2, março/abril 2017, pp. 60-61; On-line: http://stopeutanasia.blogspot.pt/2017/03/posicao-da-associacao-dos-medicos.html , acesso, 21-04-2017.

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Ressurreição: a discrição dos encontros, por Jean Vanier.

Ressurreição: a discrição dos encontros,

por Jean Vanier.

“A Ressurreição é a festa que fundamenta a nossa fé. É a festa da nossa libertação. E é preciso esforçar-se pela libertação! Mas agora gostaria de dizer algumas palavras acerca da pequenez da Ressurreição. É certo que se trata de um grande acontecimento. Admitamos que se Jesus tivesse aparecido por cima do Templo gritando «Eu venci», toda a gente teria acreditado na sua ação. Mas está aí o mistério. Em vez disso, o que fez Ele? Foi ter com uma mulher que estava só ou com algumas mulheres. E porquê? Eis a grande questão. Com efeito, se Ele tivesse aparecido de um modo mais «eficaz», teria humilhado aqueles que O tinham humilhado.

A Ressurreição faz-se acompanhar por uma espécie de discrição. Jesus encontra-Se com uma mulher e depois com onze homens – ou dez (quando Tomé não estava presente). A seguir, vai à Galileia encontrar-Se com outros. Encontra-Se ainda com dois homens que caminhavam para Emaús. É tudo. Esta maneira de proceder faz-nos pressentir algo de muito importante.

A Ressurreição manifesta-se unicamente por meio de encontros. Não é um acontecimento extraordinário nem um facto grandioso que deita toda a gente por terra. É, antes, um acontecimento humilde que se dá no interior de uma relação, para que as pessoas possam dizer: «Eu encontrei-O e Ele está vivo!». Dessa forma, estas pessoas poderão, por seu lado, ir ter com outras para lhes anunciar que, tendo-O encontrado, foram transformadas. Isto toca em algo de muito profundo quanto à transmissão da fé. Como é que ela se transmite, esta fé em Jesus?”

FONTE: Excerto retirado do livro de Jean Vanier, Jesus Vulnerável, Editorial AO, 2017 – In: http://www.apostoladodaoracao.pt/a-discricao-dos-encontros/, acesso, 21-04-2017.

 

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Homilia da Missa Crismal (2017) por António Moiteiro, Bispo de Aveiro

Homilia na Missa Crismal 2017

1. «O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu. Enviou-me a anunciar a Boa Nova aos infelizes… Enviou-me a consolar os que andam amargurados…» (Is 61, 1-3).

Estas palavras de Isaías constituem todo um programa de vida que, mais tarde, vai ser assumido e realizado por Jesus no início da sua vida pública. O texto da sinagoga de Nazaré dá sentido a todo o desenvolvimento posterior da missão de Jesus. Começa a sua pregação na sinagoga “como era costume aos sábados”, mas fica tudo superado pela força do Espírito, que o possui plenamente. O Espírito “me ungiu”, de uma vez para sempre; e “me enviou”, com um efeito que dura permanentemente. Esta unção destina-se à missão.

A escolha dos primeiros discípulos (Lc 5, 1-11) mostra um certo paralelismo com a pesca milagrosa após a Ressurreição de Jesus, junto do lago de Tiberíades. Ressalta-se a abundância da pesca, fazendo referência a todos os povos e nações que são chamados a fazer parte da nova comunidade – é a universalidade da missão da Igreja. Os gestos de Jesus adquirem um significado especial num contexto eucarístico: Jesus prepara o pão e convida-os a participar da sua mesa.

O papel de Pedro, que representa cada um de nós, diáconos, sacerdotes, bispos e consagrados, é fundamental na comunidade dos discípulos. O serviço no amor é a primeira exigência da nova comunidade; aqueles que estão na comunidade em nome de Cristo, bom pastor, sejam os primeiros no amor e no serviço aos irmãos.

2. A vocação ao sacerdócio no seguimento de Cristo

Da existência sacerdotal fazem parte dois momentos fundamentais: o chamamento de Deus e a resposta do homem. A vida cristã concretiza-se na relação entre o escutar e o responder: ao apelo que recebeu de Deus, o homem responde com a sua vida. O chamamento parte de Deus. Ele encontra o homem e interpela-o. O que realmente dá sentido à nossa vida é o momento em que o sim de Deus e o sim do homem se encontram.

Jesus Cristo é o verdadeiro projeto do homem porque na sua pessoa Ele une o chamamento de Deus e a nossa resposta. Por isso, a vocação sacerdotal requer uma decisão que envolve a vida na sua totalidade, precisamente porque vem de Deus: «Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós» (Jo 15,16). O seguimento deve ser uma relação viva com Deus, que é vida e amor. Para conceber o seguimento na vida sacerdotal tenho de reconhecer quem é Jesus Cristo, porque a questão da identidade de Jesus Cristo é decisiva para a minha identidade e para encontrar o sentido da minha vida. À pergunta «Quem sou eu?», corresponde «Quem és Tu, ó Senhor?».

Consagrado na ordenação para servir, o sacerdote define-se pela característica da caridade pastoral, que consiste na participação da caridade pastoral de Cristo: amor incarnado, traduzido no amor à sua comunidade e à comunidade universal da Igreja. «A caridade pastoral é aquela virtude pela qual nós imitamos Cristo na entrega de Si mesmo e no seu serviço. Não é apenas aquilo que fazemos, mas o dom de nós

mesmos que manifesta o amor de Cristo pelo seu rebanho. A caridade pastoral determina o nosso modo de pensar e de agir, o modo de nos relacionarmos com as pessoas. E não deixa de ser particularmente exigente para nós» (PDV 23). Ela é condição essencial para que o nosso ministério dê muito fruto.

A pergunta feita por Saulo no caminho de Damasco continua a ser fundamental na vida de cada um de nós: «Que devo fazer, Senhor?» O entusiasmo por Deus é a fonte da alegria cristã: «Em toda a vida da Igreja, deve sempre manifestar-se que a iniciativa pertence a Deus, “porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19) e é “só Deus que faz crescer” (1Cor 3,7). Esta convicção permite-nos manter a alegria no meio duma tarefa tão exigente e desafiadora que ocupa inteiramente a nossa vida. Pede-nos tudo, mas ao mesmo tempo dá-nos tudo» (EG 12). Nada de grande nem de corajoso se faz sem entusiasmo. Deus é amor e o amor tende, por natureza, a comunicar a vida. Não há fecundidade pastoral sem amor, nem nenhum amor sem fecundidade pastoral. O sacerdote, tal como a comunidade eclesial, só vive a sua vida comunitária na medida em que viver na unidade e comunhão – o amor fundamentado em Cristo. Foi isto que o apóstolo S. João escreveu aos primeiros cristãos: «O que nós vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós estejais em comunhão connosco. E nós estamos em comunhão com o Pai e com o seu Filho, Jesus Cristo. Escrevemos-vos isto para que a nossa alegria seja completa» (Jo 1,3-4).

A Igreja não pode viver nem crescer sem entusiasmo, porque é impossível dar vida a uma comunidade se não se lhe infundir o espírito da alegria. O entusiasmo pode avivar-se, esmorecer ou morrer, mas o Filho de Deus, que confiou a seres humanos a missão de pregar e de construir o seu Reino, quer que a sua Palavra seja anunciada e encontre no coração das pessoas o eco que as faça vibrar; Ele nos dará o alento, pois é Ele que o suscita. O Espírito está presente, animando-nos, conduzindo-nos, criando vida nova.

Neste momento, queremos dar graças a Deus pelo dom do sacerdócio do P. António Graça da Cruz (30/7,) que celebra os cinquenta anos de ordenação sacerdotal e pelos vinte e cinco anos de sacerdote do P. Jorge Manuel Matos Fragoso (21/6). Uma palavra de recordação e de sufrágio é devida aos padres Manuel Marques Dias e José Soares Lourenço e ao diácono Emanuel Ribau Caçoilo, falecidos no ano passado. Permiti que lembre os sacerdotes que foram ordenados há cinquenta anos e que o Senhor já chamou a si: P. Vítor José Mónica de Pinho, P. Manuel João dos Santos Cartaxo e o P. Augusto Fernandes da Costa. Com os aniversariantes louvamos Cristo, o Bom Pastor, por tudo o que de bom têm dado à nossa Diocese, e aos falecidos pedimos que intercedam junto de Deus para que tenhamos mais vocações ao ministério ordenado e de consagração para o serviço das comunidades cristãs.

3. A promoção de novas vocações sacerdotais e de consagração

Ao longo deste ano pastoral, a nossa Diocese de Aveiro iniciou um caminho que desejamos se estenda às paróquias, às comunidades de vida consagrada, aos sacerdotes e diáconos, numa palavra, a todos os agentes de pastoral e a todo o povo de Deus: criarmos uma cultura vocacional em toda a Diocese. Ao falarmos de vocação não podemos esquecer a vocação batismal, que nos chama à comunhão com Deus e à

santidade, a vocação a constituir uma família segundo o desígnio de Deus, e à promoção de novas vocações de consagração.

No dia 19 de março do ano transato, o Papa Francisco publicou a Exortação Apostólica A Alegria do amor, fruto de uma caminhada sinodal de toda a Igreja e também com o contributo da nossa Diocese. Nela se afirma que o «matrimónio é uma vocação, sendo uma resposta à chamada específica para viver o amor conjugal como sinal imperfeito do amor entre Cristo e a Igreja. Por isso, a decisão de se casar e formar uma família deve ser fruto de um discernimento vocacional» (AL 72). Este é um dos maiores desafios que se colocam hoje à pastoral da Igreja: educar para o amor na descoberta da vocação a que Deus nos chama.

A dimensão vocacional é um elemento constitutivo do nosso ser cristão. Sem discernimento, uma resposta livre e consciente ao chamamento de Deus, não podemos crescer na fé, no amor a Deus e no serviço aos irmãos.

Maria Santíssima, Mãe do nosso Salvador, teve a coragem de abraçar este sonho de Deus, pondo a sua juventude e o seu entusiasmo nas mãos d’Ele. Que a sua intercessão nos obtenha a mesma abertura de coração, a prontidão em dizer o nosso «Eis-me aqui» à chamada do Senhor e a alegria de, como Ela, nos pormos a caminho para O anunciar ao mundo inteiro.

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Catedral de Aveiro, 13 de abril de 2017

† António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro

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Nova Capela Mortuária na Gafanha do Carmo (09-04-2017)

Nova capela mortuária na Gafanha do Carmo – “Vai ser inaugurada no dia 9 de abril, pelas 17h00, a nova capela mortuária da Gafanha do Carmo, no concelho de Ílhavo. A paróquia da Gafanha do Carmo associou-se a esta obra da Câmara Municipal de Ílhavo e da Junta de Freguesia da Gafanha do Carmo assumindo os custos das peças de arte sacra que estarão presentes nas exéquias católicas e participando na cerimónia de bênção da capela”

(FONTE: Correio do Vouga, 05-04-2017,p.4).

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Apelo à Confissão / Reconciliação… ou “Amar a Deus significa”.

Apelo à Confissão / Reconciliação… ou “Amar a Deus significa”.

 

“Nós vivemos uma cultura de impaciência”, Tomás Halík,

in Quero Que Tu Sejas!, Ed. Paulinas, 2016, p.66.

 

Na “quaresma”, e não é só neste tempo favorável, como Cristãos em toda a “tipologia” possível, somos interpelados – convidados – “obrigados” (das boas e positivas obrigações mínimas ou máximas da nossa Fé) a realizar a Confissão dos Pecados (do Pecado “fundante e /ou original” e dos pecados “ordinários e extraordinários” não vou tratar…) pela celebração do Rito da Reconciliação / Penitência… no modo individual (pessoal seria o ideal…) e comunitário (familiar seria o ideal…).

Partilho um breve texto de Tomás Halík (os sublinhados são meus):

Amar a Deus significa sentirmo-nos profundamente gratos pelo milagre da vida e exprimir essa gratidão ao longo da própria vida, aceitando a minha sorte mesmo quando esta não condiz com os meus planos e expectativas. Amar a Deus significa aceitar com paciência e atenção os encontros humanos como mensagens de Deus cheias de sentido – mesmo quando sou incapaz de as compreender devidamente. Amar a Deus significa confiar que até os momentos mais difíceis e obscuros me revelarão um dia o seu significado, permitindo-me dizer-lhes: «Deus estava aí? Então, vamos, mais uma vez!” (HALÍK, Tomás, in Quero Que Tu Sejas!, Ed. Paulinas, 2016, p.172).

 

Confessar os Pecados porquê o SIM ou porquê o NÃO?… A nossa objectividade e subjectividade, “dentro e fora” do nosso Eu privado e público (ou até em parceria “público-privada”, sem ironia política…). Confessar em comparações imaginárias do tipo (i) “…ao confessar tiramos a roupa da máquina de lavar para a estender ao sol, seja dia de inverno ou de primavera, sem medo do mau tempo que venha depois e molhe Tudo, novamente, sem enxugar Nada…”; (ii) “…ao confessar colocamo-nos diante dum padre – pessoa pecadora como nós, eis o mistério da Fé… – como se “fosse” em silêncio diante do Sacrário, talvez 3 a 5 minutos, mais ou menos depende, e de “lá” virá como as devidas diferenças, o Sacrário, é infinitamente, mais capaz do que o padre… O padre fará o que pode quando pode: …a Força / Inspiração para continuarmos a Viver… e a Pecar cada vez menos”; (iii) “…ao confessar percebemos que deixamos a “Porta-da-garagem-da-nossa-casa-aberta durante-toda-a-Noite” – e como falha do comando automático por inaptidão humana na percepção do uso da Tecnologia… Eis as soluções criadas para problemas que não tínhamos?! – e Assombro Nosso…; com essa Porta Aberta ninguém assaltou a nossa Intimidade… ao confessarmos: Deus significa Amor”.

 

Pe Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 31-03-2017, caracteres (incl. espaços): 2519
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“SEMANA NACIONAL DA CÁRITAS – 2017” – Comunicado da Diocese de Aveiro (13-03-2017)

“SEMANA NACIONAL DA CÁRITAS – 2017” – Comunicado da Diocese de Aveiro (13-03-2017)

“A Cáritas Diocesana de Aveiro é uma IPSS, da Igreja Católica, devidamente registada no Instituto da Segurança Social, por quem é fiscalizada, apresentando anualmente ao ISS, depois de devidamente analisadas e aprovadas pelo Conselho Económico Diocesano, as contas (Relatório e Contas), sendo estas mesmas contas também colocadas ao dispor de todos os cidadãos, estando publicadas no “SITE” desta Cáritas (VER http://www.caritas.pt/aveiro/ ).

De referir também que, para além dos protocolos estabelecidos com a Seg. Social e outros organismos públicos, em que o trabalho daí decorrente é executado maioritariamente por colaboradores profissionais (presentemente 47), a Cáritas exerce a sua ação em toda a Diocese, através da Cáritas Diocesana e de 37 Grupos Paroquiais organizados, beneficiando do trabalho totalmente voluntário de cerca de 400 pessoas.

Inicia-se hoje e prossegue até ao próximo Domingo a Semana Nacional da Cáritas, tendo por lema “Família Construtora da Paz”.

O facto de se estar a viver a Semana Cáritas, durante a qual se efetua o peditório público, e de os ofertórios das Eucaristias Dominicais de 18/19 de Março reverterem para apoio aos mais pobres e necessitados, leva-nos a tomar consciência de que devemos colocar, aliás como sempre fazemos, ao dispor da comunidade, todas as informações sobre a Instituição, ao mesmo tempo que reiteramos o nosso compromisso de cumprir a nossa missão de ajuda junto dos necessitados e dos mais desfavorecidos.

A apenas alguns dias antes de se iniciar este evento, surgiram, na comunicação social, algumas referências à gestão da Cáritas Diocesana de Lisboa, que podem causar algum alarme junto do público menos informado; sendo certo que o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa já veio publicamente esclarecer que as referidas contas estão devidamente auditadas. A forma generalista como a questão foi abordada, possibilita alguma confusão sobre a atuação e credibilidade dos procedimentos adotados pelas Cáritas diocesanas e pela Cáritas Portuguesa.

É certo que cada Cáritas Diocesana é uma Instituição autónoma, de dependência direta de cada Bispo Diocesano, mas a tendência é para generalizar situações particulares.

Neste momento, que se afigura difícil, apela-se a que todas as pessoas procurem conhecer esta Instituição para melhor a poderem avaliar, e bem assim para o empenhamento em colaborar com ela, contribuindo com a sua generosidade para que se possa cada vez mais prestar serviço de qualidade, cumprindo a missão de ser igreja em saída para chegar aos mais pobres e necessitados”.

Aveiro, 13 de Março de 2017 – O Presidente da Direcção, José Ferreira Alves – Diácono Permanente.

FONTE: Recebido por e-mail de Diocese de Aveiro (17/03/2017) – enviado por Gabinete de Comunicação e Imagem da Diocese de Aveiro – sex. 17-03-2017 17:29. Obs. 1. Negritos da nossa responsabilidade. Obs 2. Ver ainda no jornal “Público”: “Contas da Cáritas estão “bem auditadas”, reage cardeal-patriarca”, https://www.publico.pt/2017/03/13/sociedade/noticia/contas-da-caritas-estao-bem-auditadas-1764983 , acesso: 18/3/2017.

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