MAÇONARIA – Excerto da Tese de Doutoramento de Francisca Maria Carreteiro Branco Veiga, A Restauração da Companhia de Jesus em Portugal 1828-1834, Un Lisboa/Fac Letras, 2019.

FONTE: MAÇONARIA/Excerto da Tese de Doutoramento de Francisca Maria Carreteiro Branco Veiga, A Restauração da Companhia de Jesus em Portugal 1828-1834, Un Lisboa/Fac Letras, 2019.

Vitória da Maçonaria

O secretismo da Maçonaria e os seus ideais eram vistos pela Igreja Católica, e, por conseguinte, pelos Jesuítas como um atentado à Religião e aos dogmas católicos, logo a Maçonaria era olhada com desconfiança1416. O primeiro ataque público escrito pelo papado contra a Maçonaria foi feito em 28 de abril de 17381417, com a Constituição In Eminenti e era agora feito dentro da ideologia miguelista, no sentido de fortalecimento da legitimidade de D. Miguel e na proteção da religião1418.

Apesar do combate antimaçónico insistente feito por pessoas próximas do rei D. Miguel, como por exemplo, o P. José Agostinho de Macedo no periódico O Desengano ou Alvito Buela em O Procurador dos Povos, algumas vozes nos revelaram o papel determinante da maçonaria na vitória do liberalismo.

1414 Carta de Cypriano Margottet para uma residente na cidade do Mondego. Lisboa, a bordo do navio Sardo, 7 de julho de 1834. In APPCJ, Companhia de Jesus 1829-1834, Memórias pertencentes aos padres da Companhia de Jesus, Carta de Cypriano Margottet para uma residente na cidade do Mondego fls. 24 – 26. Vide Anexo 44.

1415 Carta do P. Ivo Estanislau para um amigo de Coimbra. Dia 30 de junho de 1834. In APPCJ, Companhia de Jesus 1829-1834, Memórias pertencentes aos padres da Companhia de Jesus, Carta de Ivo Stanislau para um amigo de Coimbra fls 26-29. Vide Anexo 37.

1416 Veja-se FRANCO, José Eduardo – O Mito dos Jesuítas em Portugal, vol. II. Lisboa: ed. Gradiva, 2007. 1417 Vide APÊNDICE H – Pronunciamentos papais relativos à Maçonaria entre 1738 e 1902.

1418 BRASÃO, Eduardo – Relações diplomáticas de Portugal com a Santa Sé: o reconhecimento do Rei D. Miguel (1831). Lisboa : Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1972, pp. 31 e ss.

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Paul Siebertz refere que, quando estava no exílio, o principal estímulo e ação do Marquês de Palmela1419 era a sua conjura contra D. Miguel, sendo auxiliado pelas Lojas maçónicas1420. Na opinião de Siebertz, teriam sido as sociedades secretas as principais instigadoras da Quádrupla Aliança, de modo que depois do tratado assinado «cessaram as perseguições da Franco- Maçonaria»1421. Homem do Carmo, seguindo o mesmo pensamento de Paul Siebertz refere que,

“As sociedades secretas inglesas e francesas envidaram todos os esforços para desligar os Estados ocidentais da Europa dos laços que os prendiam à política conservadora das monarquias da Europa central e oriental, a-fim-de os tornarem maduros para abraçarem a corrente ideológica liberal do partidarismo parlamentar-constitucional” 1422

Na sua opinião, por mais de uma vez convidaram D. Miguel a ingressar na Maçonaria, «devendo ser esse o preço da sua ascenção e conservação no trono». Como D. Miguel declinou sempre o convite, logo «devia ser afastado»1423.

Se for seguida esta linha de pensamento que coloca também a maçonaria como responsável pelo afastamento de D. Miguel do trono português, pode aceitar-se a ideia de J. Martins de Carvalho quando este afirma que, no dia 8 de maio de 1834, quando entrava o exército liberal em Coimbra para daí expulsar os jesuítas, o nomeado secretário da subprefeitura D. João Correia de Portugal e Silveira trazia a «incumbência» do Grande Oriente de aí fundar uma loja maçónica1424.

1419 Em 13 de junho de 1833, o ducado de Palmela foi instituído por decreto, pelo regente D. Pedro, em nome de sua filha D. Maria II, a D. Pedro de Sousa Holstein. Foi primeiro conde, por decreto de D. Maria I em 11 de abril de 1812, e marquês de Palmela por decreto de D. João VI, em 3 de julho de 1823.

1420 SIEBERTZ, Paul – A maçonaria na luta pelo poder: D. Miguel I e a sua época. Porto: Pola Grey, 1944, pp. 223-225.

1421 Ibidem, p. 405.

1422 CARMO, A. Homem do – ibidem, p. 62.

1423 Ibidem.

1424 CARVALHO, Joaquim Martins de – Apontamentos para a Historia Contemporanea, p. 167.

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Em conformidade com o que foi dito, e para António do Carmo Reis, “… com a vitória do senhor D. Pedro, sob a protecção da Quádrupla Aliança, criam- se as condições de liberdade para que a Maçonaria se dilate em lojas e obreiros”1425. Também para António Ventura “O triunfo liberal era, em larga medida, o triunfo da Maçonaria”1426.

Para o Marquês de Fronteira no período subsequente, “… tanto a oposição como o Ministério estavam debaixo do domínio das associações secretas”, sendo que, “As reuniões da maioria, tanto de Pares como de Deputados, faziam-se nas salas da Relação Ecclesiastica, de que era secretário José Maria Couceiro, e, para seu commodo e dos nossos representantes, estabeleceu uma loja maçónica no segundo andar, de que era Veneravel o Ministro da Fazenda, José da Silva Carvalho”1427.

Oliveira Marques também refere o poder da maçonaria na política liberal pedrista:

“A vitória definitiva dos Liberais, em Maio de 1834, entregou à Maçonaria a quase plenitude do poder. O ministério de Outubro de 1833 a Abril de 1834 e o que lhe seguiu, de Abril a Setembro de 1834, foram constituídos exclusivamente por maçons. Na Câmara dos Deputados, eleita em 28 de Julho e funcionando desde 15 de Agosto de 1834, a Maçonaria obteve um dos melhores, se não o melhor resultado de sempre: pelo menos 71% de participações, com percentagens de 100% para os dois círculos dos açores e o da Madeira, de 89% para o do Algarve e de 88% para o do Alentejo. E, até Setembro, o próprio Chefe efectivo do Estado, D. Pedro IV, embora afastado dos trabalhos, era pedreiro-livre também”1428

Por sua vez, Fortunato de Almeida ao referir-se à política religiosa do “partido” de D. Pedro e às suas influências ideológicas afirmava que,

1425 REIS, António do Carmo – “Maçonaria”. In AZEVEDO, Carlos Moreira (dir.) – Dicionário de História Religiosa de Portugal, J-P. Lisboa: Círculo de Leitores, 2001, p. 167.

1426 VENTURA, António – Uma história da Maçonaria em Portugal, p. 164.

1427 FRONTEIRA, 7o Marquês de – Memorias do Marquês de Fronteira e de Alorna, D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto ditadas por ele próprio em 1861, Parte 5a e 6a: 1833 a 1842. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1929, pp. 12; 119.

1428 MARQUES, A. H. de Oliveira – História da maçonaria em Portugal, 2o vol.: Política e maçonaria, 1820-1869 (1a parte). Lisboa: Presença, 1996, p. 51.

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“Todas as reformas do partido constitucional em matéria eclesiástica, desde 1832, foram obra da maçonaria, decretadas por mações graduados ou por instrumentos que a estes obedeciam cegamente. Um maçom confesso escreve: «Em 1833 e 1834, D. Pedro IV, que era mação e de mações estava rodeado no seu governo, expulsou primeiro os jesuítas e em seguida suprimiu todas as congregações religiosas de ambos os sexos, proibindo de futuro a sua existência em Portugal».

Posteriormente partiram da maçonaria todos os embates contra o clero e contra as instituições religiosas”1429.

      1. Pedro era maçon, tal como a maior parte dos chefes militares do seu exército1430. Com o fim último, o triunfo dos ideais liberais, visavam aniquilar o sistema absoluto do governo miguelista e derrubar os padres e jesuítas dos seus púlpitos e confessionários1431.

Após a Convenção de Évora Monte o país partiu-se em fações e a maçonaria dividiu-se em grupos e com duas orientações distintas: a francesa e a inglesa. Leais ao liberalismo e a D. Pedro encontravam-se os maçons: João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun, Marechal Duque de Saldanha, da maçonaria «francesa», foi Grão-mestre da Maçonaria do Sul entre 1832 e 1837 e teve como colaboradores, José Liberato Freire de Carvalho e o 4o conde de Lumiares1432; D. Pedro de Sousa Holstein, 1.o Duque de Palmela, embora não se conhecendo ligação à maçonaria, tinha como seu apoiante o Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano, Silva Carvalho, tal como Agostinho José Freire1433. Está sepultado no Cemitério dos Prazeres, no maior mausoléu particular da

1429 ALMEIDA, Fortunato de – História da Igreja em Portugal, 3o vol.: Porto; Lisboa: Livr. Civilização, 1970, p. 280.

1430 António Ribeiro Saraiva na obra Cartas Conspiradoras, fazia a seguinte ligação: «Empoleirado o Pedrismo (ou Pedreirismo) em Lisboa». In SARAIVA, António Ribeiro – Cartas Conspiradoras. Londres: Schulze e Ca., 1844, p. 123.

1431 António Ribeiro Saraiva responsabiliza a maçonaria e os liberais pela nova expulsão dos jesuítas que, segundo este diplomata, enchiam a população de «calumnias» acerca destes padres. O Conimbricense, no 3065, de 12 de dezembro de 1876, p. 1.

1432 Esboço biographico do duque de Saldanha, Lisboa: Typ. Lisbonense, 1876.

1433 Refere o Marquês de Fronteira que, “… quiseram meter na maçonaria e fazer Grão-Mestre d’ella o Duque de Palmella, o qual recusou e delegou no Duque da Terceira, que, com o horror que elle tinha ás sociedades secretas, desde logo pediu que nunca mais lhe falassem nisso, …”. In FRONTEIRA, 7o Marquês de – Memorias do Marquês de Fronteira e de Alorna, D. José Trazimundo Mascarenhas Barreto ditadas por ele próprio em 1861, Parte 5a: 1833 a 1834, p. 120.

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Europa, projetado pelo arquiteto e maçon Giuseppe Cinatti, e o seu espaço exterior recria a simbologia de um templo maçon1434; José da Silva Carvalho, ministro de D. João VI, de D. Pedro IV e de D. Maria II. Em 1821, com o nome simbólico Hydaspe, foi membro da Loja 15 de Outubro, onde ocupou o cargo de Venerável. Em 1822 ou 1823 e até 1839 ocupou o cargo de 8.o Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano1435; Agostinho José Freire nos começos de 1821, é um dos assessores do Grão-Mestre João da Cunha Sotto-Mayor no Grande Oriente Lusitano, acompanhado de José Correia da Serra, Nuno Álvares Pato Moniz, José Ferreira Borges e Manuel Borges Carneiro. Em 1834 foi nomeado por D. Pedro Ministro da Guerra e Ministro da Marinha (interino), e Ministro do Reino, em 1835 e 18361436; Joaquim António de Aguiar, foi iniciado na Maçonaria em data e Loja afeta ao Grande Oriente Lusitano desconhecidas e com nome simbólico desconhecido, tendo sido evocado como maçon pelo Grande Oriente Lusitano Unido por ocasião da sua morte1437; Mouzinho da Silveira a convite de D. João VI, assume a pasta do Ministério da Fazenda, demitindo-se quando depois da Vilafrancada a sua ligação à Maçonaria é tornada pública. Em 1832 assume a Pasta da Fazenda e, interinamente, a pasta da Justiça1438.

Como refere Oliveira Marques, a vitória definitiva dos liberais e pedristas entregou aos maçons a quase totalidade do poder. O primeiro ministério (outubro

1434 Veja-se CARVALHO, Maria Amália Vaz de – Vida do Duque de Palmela D. Pedro de Sousa e Holstein, 3 vols., Lisboa: Imp. Nacional, 1898-1903.

1435 MOGARRO, Maria João – José da Silva Carvalho: significado de uma acção política. Lisboa: [s.n.], 1988; VIANA, António – José da Silva Carvalho e o seu tempo, 3 vols., Lisboa: Imp. Nacional, 1891-1894.

1436 [FELGUEIRAS, João Baptista] – Resumo histórico da vida e trágico fim do conselheiro de Estado Agostinho José Freire, …, Lisboa: Typ. Patriotica de C. J. da Silva, 1837, pp. 9-11.

1437 OLIVEIRA MARQUES, António Henrique Rodrigo de – Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol. I. Lisboa: Ed. Delta, 1986, Col. 27-8.

1438 REIS, António do Carmo – O essencial sobre Mouzinho da Silveira. Lisboa: Inp. Nac.-Casa da Moeda, 2004; MANIQUE, António Pedro – A reforma administrativa de Mouzinho da Silveira [Texto policopiado]: aplicação e resultados. Dissertação de Mestrado, Lisboa: [s.n.], 1986; Idem – “Instituições administrativas e construção do Estado Liberal”. In COSTA, Fernando Marques da; DOMINGUES, Francisco Contente; MONTEIRO, Nuno Gonçalo (coords.) – Do Antigo Regime ao Liberalismo, 1750-1850. Lisboa: Vega, D.L. 1989, pp. 166-173. BRANDÃO, Maria de Fátima; FEIJÓ, Rui Graça – “O discurso reformador de Mouzinho da Silveira”. In Análise Social, vol. XVI (61-62), 1980- l.o- 2.o, pp. 237-258.

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de 1833 a abril de 1834) e o seguinte (abril a setembro de 1834) foram constituídos de um modo quase exclusivo por maçons1439.

Ora, com esta conjuntura política interna e externa, como é que os jesuítas poderiam ter ficado em Portugal?

Em 16 de abril de 1848, António Ribeiro Saraiva consternado, escrevia ao P. Nicolau dando-lhe conhecimento do estado em que se encontrava a Europa. Afirmava ele:

“É, todavia, um facto, que não há quase um canto da Europa em que se esteja ao abrigo da borrasca revolucionária e republicana, as únicas excepções por ora parecem ser aqui a Rússia. É triste não se ver apoio aos princípios monárquicos quase em parte alguma”1440.

Carayon manifesta o seu desconsolo: “… Fribourg, Chambéry, Mélan, Le Passage et Coïmbre, après avoir appelé les Jésuites et les avoir tant aimés les virent expulser au nom de toutes les libertés modernes”1441.

O mundo estava em mudança, as monarquias constitucionais estavam a tomar o lugar das monarquias absolutas, os liberais a tomar o lugar nos governos e a trazer consigo novos ideais de sociedades que valorizam a liberdade individual. O maçon José Liberato Freire de Carvalho rendido à liberdade de imprensa afirmava:

“… em quanto durar a imprensa, que já naõ está na maõ do homem o poder aniquilar, nem Jesuitas, nem qualquer outra classe particular de individuos poderaõ ser exclusivamente os Mestres, ou os Tutores do mundo”1442.

1439 MARQUES, A. H. de Oliveira – História da Maçonaria em Portugal, 2o vol.: Política e maçonaria, 1820-1869, 1a parte. Lisboa: ed. Presença, 1996, p. 51.

1440 Carta de António Ribeiro Saraiva para o P. Nicolau, dia 16 de abril de 1848. In BNP, ARS, cx. 172 (25 cartas de 1844 a 1852), no 22.

A Rússia manteve-se fiel aos ideais da Santa Aliança pois era um dos poucos países sem interesses na da Europa, excepto o de uma paz duradoura. Veja-se em anexo a Litografia satírica que representa a guerra entre os dois irmãos. Vide GRAVURA A – Kssssse! Pédro – Ksssss! Kssssse! Miguel

1441 CARAYON, Auguste – Documents inédits concernant la Compagnie de Jésus: Notes historiques, vol. X, p. X.

1442 O investigador portuguez em Inglaterra ou jornal literario político, no l (no2, vol. XIII), agosto de 1815, p. 251.

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Deste modo, e na opinião de Teófilo Braga, os Jesuítas responsabilizavam a Maçonaria por todos os males do século XIX, “… apresentando-a ás monarchias absolutas como um perigo, poque ella fomentava a liberdade politica”1443.

Concluindo, a vitória dos liberais sobre o governo absoluto miguelista era obra de uma elite política que lutava por restabelecer em Portugal um governo constitucional. São católicos e querem que a religião da Nação Portuguesa seja a Católica Apostólica Romana. Contudo, a doutrina anti jesuíta encontrava-se dissiminada entre estes intelectuais e somente pelo fato de serem “Jesuítas” se criava uma imagiologia crítica depreciativa.

FONTE: MAÇONARIA/Excerto da Tese de Doutoramento de Francisca Maria Carreteiro Branco Veiga, A Restauração da Companhia de Jesus em Portugal 1828-1834, Un Lisboa/Fac Letras, 2019.

 

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Frase: Educação de Valores a Virtudes em Jesus Cristo – Pe Carlos Carneiro, SJ

“O hoje exige-nos que passemos de uma educação
de valores para, com Cristo, chegar a uma educação
de virtudes. Esta é não apenas teoria, mas prática. Tal
como temos laboratórios nas escolas para as ciências
naturais temos de criar laboratórios de virtude,
lugares de exercício de experiências do espiritual, do
religioso e da experiência humana, lugares onde se
treina e onde se praticam as virtudes”.

FONTE: Carlos Carneiro, padre jesuíta, diretor do Colégio das Caldinhas
(Santo Tirso), num encontro das escolas católicas em Fátima, In Jornal Correio do Vouga, 22-01-2020, p.4

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Mensagem de Natal Ano 2019: “Anuncio-vos uma grande alegria…” por António Moiteiro, Bispo de Aveiro

Mensagem de Natal

Ano 2019 

Anuncio-vos uma grande alegria…

Aproxima-se o Natal… por excelência a festa da família. O presépio convida-nos à contemplação. Quanta ternura irradia de Maria e José reclinados diante do Menino recém-nascido deitado numa manjedoura!

Este é o mistério e a alegria que somos convidados a partilhar, celebrar e anunciar neste tempo de Natal.

Como afirma o Papa Francisco, «por todo o lado e na forma que for, o Presépio narra o amor de Deus, o Deus que Se fez menino para nos dizer quão próximo está de cada ser humano, independentemente da condição em que este se encontre».

A família de Jesus é chamada a viver, inesperadamente, o mistério da vida e o mistério do amor – como são todas as famílias. Diante de tão belo cenário, ficam diluídos os abandonos e sacrifícios da partida de Maria e José, que se viram obrigados a deixar a sua terra, a sua casa, os seus parentes, e pôr-se a caminho para se recensearem em terra distante. Uma viagem nada fácil para um casal jovem que esperava pelo nascimento de um filho… Por não haver lugar para eles na hospedaria, foi num ambiente de desconforto, ali num simples estábulo, que Maria deu à luz o Emanuel, o Deus connosco.

Esta imagem do presépio retrata e toca o coração das famílias. Deus, ao manifestar-se ao mundo integrado numa família, quis transformar cada família num presépio vivo. Na caminhada de José e de Maria escondem-se, hoje, os passos de muitas famílias. São muitas, infelizmente, as situações desconcertantes que se vivem nas famílias: hostilidade, abandonos, separações, carências… Se a família não estiver alicerçada no amor, será difícil a sua perseverança em harmonia e unidade de corações.

Viver o verdadeiro Natal é acolher e partilhar da alegria que vem da austera e simples beleza da família de Nazaré. Cabe-nos a todos criar as condições humanas e de coração para que Jesus possa irromper na nossa vida, mas esta missão começa no seio da família. Aqui se aprende a olhar, a escutar, a meditar e a penetrar o significado da manifestação do Filho de Deus entre nós. A família cristã tem de redescobrir a sua identidade e ser, na Igreja e no mundo, o rosto vivo do Deus que ama. Se embalássemos tudo baseado neste amor, talvez se encontrasse remédio para a fragilidade, a força para o levantar da queda, o estímulo para equilibrar o carácter, o desejo de sair da negligência, a riqueza para suprir as carências, a coragem para preservarmos e defendermos a vida desde o nascimento até à morte natural… encontraríamos famílias felizes e uma sociedade mais solidária.

A presença do ‘maior dos presentes’ faz com que nos reclinemos como Maria e José. Mais do que pensar no louco consumismo, que a humildade e ternura desta família, com a sua história de amor, desperte a nossa sensibilidade para sermos famílias autênticas, comunidades de fé, de esperança e de amor, alimentando o dom da hospitalidade, preparando, cada dia, o encontro com o Emanuel e os irmãos. A vida de comunhão torna-se um sinal para o mundo e uma força de atração que leva a ser fonte de vida nova.

Mesmo na sua fragilidade, a família pode tornar-se uma luz na escuridão do mundo. Ela não deixa de ser a referência da vida de cada um de nós. Contemplando a família de Nazaré, Deus convida-nos à conversão e a renovar a esperança. Celebrar o Natal é acreditar que o Deus menino nasce para nos trazer a alegria da renovação. Que a exemplo de Maria e José, cresça em nós o amor e o compromisso pela defesa da instituição da família. Que cada pai e cada mãe seja, para os filhos, um reflexo e prolongamento da luz que irradia do presépio. Que os filhos saibam honrar os seus pais e ser gratos pelo dom da vida e os muitos sacrifícios em prol da sua realização pessoal. Que os jovens, na descoberta da sua vocação, matrimonial ou de consagração, se capacitem do dom e da presença da ternura de Deus nas suas vidas. Vão percebendo que aquilo que são os laços de que se nutre a família é algo verdadeiramente sagrado, e que viver na e em família requer que se faça um caminho que, continuamente, é preciso redescobrir e investir, pois não está isenta de dificuldades. Sendo lugar onde se ri e se chora, é a partir de cada família que o projeto de Deus se realiza em cada um de nós.

Guiados pela luz que nos vem de Belém, ao prepararmo-nos para celebrar, com alegria, o nascimento de Jesus, na nossa diocese de Aveiro, nas nossas famílias e nas nossas comunidades, é tempo de reconhecer Deus presente em todas as situações onde o julgamos ausente, pensarmos no modo como o devemos acolher e de sermos presença deste Menino no meio do mundo – como família que acompanha, integra e acolhe. Não hesitemos em deixá-Lo entrar na nossa vida e no nosso mundo. Abriguemo-Lo no templo do nosso coração, nas nossas casas. E assim, acontecerá Natal!

Com ‘glória a Deus no mais alto dos céus’, a todos vós e às vossas famílias desejo feliz e santo Natal.

O vosso amigo, † António Manuel Moiteiro Ramos,

Bispo de Aveiro, Natal de 2019.

FONTE: http://www.diocese-aveiro.pt/v2/?p=18860

 

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Apresentação do livro ‘Bem-nascido… Mal-nascido…’, CUFC, dia 3 DEZ 2019, 21H30

O Presidente da Direção da ADAV-Aveiro, Prof. Luís Manuel Pereira da Silva, convida para a sessão de apresentação do seu livro ‘Bem-nascido… Mal-nascido…’. Esta sessão ocorrerá no CUFC (Aveiro), às 21.30h. do dia 3 de dezembro de 2019, Dia internacional da Pessoa com deficiência, protagonista deste livro. O livro será apresentado por Walter Osswald (autor do prefácio), João Manuel Duque (autor do posfácio) e António Jorge Ferreira (editor), havendo, ainda, um momento musical com interpretação de obra de Francesco Landini, um compositor cego do século XIV.

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Pequenas Notas Para “Uma Carta-Aberta-Não-Lida” (e ETC.)

Minhas Férias em Chapadinha (incluindo Mata Roma), Maranhão (a chegada/partida, entre amigos, na capital, S. Luís do Maranhão – Pe. António Vieira…) – “O” BRASIL.

Pequenas Notas Para Uma Carta-Aberta-Não-Lida.

Fazer férias entre Amigos(as) – Os nove anos (Set. 2001 a Out. 2010) de trabalho duro, intensivo e gratificante. Não volto a ter a mesma disposição corporal, para tamanha entrega. O Corpo dá os sinais que o Espírito teima em não querer ler. Encontrei Amigos e Amigas nas conversas mais insólitas, em horas seguidas de partilha e silêncio gratificante. Sempre com a Presença, a Memória e Profecia do Pe. Manuel Neves! O meu coração e a minha memória foram “cativados”, pela família missionária (Pe. Casimiro, agora vigário paroquial, 40 anos de causa missionária multifacetada; e Pe. Ambrósio, o Pároco, novo Pastor para esta Comunidade exigente) pela idiossincrasia do Povo Nordestino. Os rostos e as histórias, as homenagens no fim de cada dia de novena, as capelas novas, os movimentos e pastorais renovadas. O Espírito Santo em Movimento!

 

Mudanças no Tempo da História – Desde a visita em 2014, com o livro “É mesmo uma boa nova”, e a vivência do último festejo do Pe. Neves, dentro dos Olhos do Coração. O “agora” em 2019. Novas estradas duplicadas, renovada rodoviária, hospital novo e os reformados; as igrejas novas (acabadas, “no chão” (?!) e em projeto…), as pastorais, os movimentos e os ministérios implantados e novos; horários diferentes; equipas diferentes, ETC. No entanto, os mesmos vícios: Corrupção e Violência; Exclusão e Injustiça. O Perigo de iludir a Criatividade com a falta de Competência. Não ao Patriotismo de inércia! Sim á Cidadania ativa! Contudo, salvos pela mesma ironia da Esperança (a Piada que pronta que desmonta o Absurdo quotidiano: a máquina de detectar ladrões…) que renova todas as coisas! Não podemos adiar mais o Futuro!

A Esperança Que Jesus Dá [Cfr. Nuno Santos] – Como referiu Charles Péguy [Os portais do mistério da segunda virtude, Prior Velho, 2014, p.20]: “a pequena esperança caminha entre as irmãs mais velhas [fé e caridade] e não lhe é dada a devida atenção (…) O Povo Cristão só vê as duas grandes irmãs. (…) E quase não repara na que caminha no meio”. Em certa medida, dom do Espírito Santo, e ao contrário, a Esperança está viva! Recomenda-se! A mesma que vi e li nos olhos da Assembleia Celebrante, enquanto segurava erguido o Evangeliário, ao som das Palmas e do Aleluia! “Chegados ao fim, voltemos ao início; [“Deus é bom” – minha recordação/oferta-remédio de preferência e preferido…] é necessário não deixar que nos roubem a ESPERANÇA, é necessário ser mais forte do que a tentação de ceder à desesperança, é necessário levar a ESPERANÇA à vida e fazer da vida uma ´semente´ de esperança – que dê fruto, se faça comunidade e se torne testemunho” [Cfr. Nuno Santos, A Esperança Que Jesus Dá, Coimbra, 2018, p.462].

Não cansar de Amar a todos(as)!

Coragem para anunciar/testemunhar a Fé!

Mística da Esperança nos Olhos Abertos ao Futuro de Deus!

Pe. Pedro José, pároco de Mamarrosa e de Bustos, vigário paroquial de Palhaça e Oliveira do Bairro, 09-09-2019

 

 

Festejo de Nossa Senhora das Dores – 05 a 15 de 2019

– Apontamentos de Homilia – 

LEMA: “Eis aqui a serva do Senhor” (Lc 1,38) + TEMA: Com Maria, na Vocação do Serviço.

Dia 07 – Com Maria, Batizados e Enviados à Missão

Autoridades Presentes e Ausentes,

Padres Presentes, Irmãs e Consagrados Presentes,

Movimentos, pastorais e devotos de Nossa Senhora de fora da Nossa Paróquia,

Pastorais Convidadas,

Queridos irmãos e irmãs!

O Papa Francisco pediu a toda a Igreja que vivesse um Ano Missionário a concluir no próximo mês de outubro. Esse pedido coloca-nos dentro da Novena do nosso Festejo e na meditação de hoje “Com Maria, Batizados e Enviados à Missão”.

Com Maria, parafraseamos as perguntas, como quem pede: “Que presente damos [estamos dispostos a dar] a nossa Senhora Nossa Mãe?”; “Que pedido quer fazer a Deus por intercessão da Mãe”? – perguntas importantes feitas na voz do Pároco, para todos os que fazem a Comunidade em Missão…

Nesta noite queremos com MARIA “reencontrar o sentido missionário da nossa adesão de fé a Jesus Cristo, fé recebida como dom gratuito no Batismo. O ato, pelo qual somos feitos filhos de Deus, sempre é eclesial, nunca individual: da comunhão com Deus, Pai e Filho e Espírito Santo, nasce uma vida nova partilhada com muitos outros irmãos e irmãs. E esta vida divina não é um produto para vender – não fazemos proselitismo –, mas uma riqueza para dar, comunicar, anunciar: eis o sentido da missão. Recebemos gratuitamente este dom, e gratuitamente o partilhamos (cf. Mt 10, 8), sem excluir ninguém. Deus quer que todos os homens sejam salvos, chegando ao conhecimento da verdade e à experiência da sua misericórdia por meio da Igreja, sacramento universal da salvação (cf. 1 Tm 2, 4; 3, 15; Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, 48). [cfr. Papa Francisco, 9 de junho de 2019 – Mensagem para Dia Mundial das Missões 2019]

Nesta noite queremos com MARIA ver que “A Igreja está em missão no mundo: a em Jesus Cristo dá-nos a justa dimensão de todas as coisas, fazendo-nos ver o mundo com os olhos e o coração de Deus; a esperança abre-nos aos horizontes eternos da vida divina, de que verdadeiramente participamos; a caridade, que antegozamos nos sacramentos e no amor fraterno, impele-nos até aos confins da terra (cf. Miq 5, 3; Mt 28, 19; At 1, 8; Rm 10, 18). Uma Igreja em saída até aos extremos confins requer constante e permanente conversão missionária. [cfr. Papa Francisco, 9 de junho de 2019 – Mensagem para Dia Mundial das Missões 2019]

Nesta noite queremos que MARIA nos ajude a dizer:

“Eu sou sempre uma missão; tu és sempre uma missão; cada batizada e batizado é uma missão. Quem ama, põe-se em movimento, sente-se impelido para fora de si mesmo: é atraído e atrai; dá-se ao outro e tece relações que geram vida. Para o amor de Deus, ninguém é inútil nem insignificante. Cada um de nós é uma missão no mundo, porque fruto do amor de Deus. Ainda que meu pai e minha mãe traíssem o amor com a mentira, o ódio e a infidelidade, Deus nunca Se subtrai ao dom da vida e, desde sempre, deu como destino a cada um dos seus filhos a própria vida divina e eterna (cf. Ef 1, 3-6).

Esta vida é-nos comunicada no Batismo, que nos dá a fé em Jesus Cristo, vencedor do pecado e da morte, regenera à imagem e semelhança de Deus e insere no Corpo de Cristo, que é a Igreja. Por conseguinte, neste sentido, o Batismo é verdadeiramente necessário para a salvação, pois garante-nos que somos filhos e filhas, sempre e em toda parte: jamais seremos órfãos, estrangeiros ou escravos na casa do Pai. Aquilo que, no cristão, é realidade sacramental – com a sua plenitude na Eucaristia –, permanece vocação e destino para todo o homem e mulher à espera de conversão e salvação. Com efeito, o Batismo é promessa realizada do dom divino, que torna o ser humano filho no Filho. Somos filhos dos nossos pais naturais, mas, no Batismo, é-nos dada a paternidade primordial e a verdadeira maternidade: não pode ter Deus como Pai quem não tem a Igreja como mãe (cf. São Cipriano, A unidade da Igreja, 4). [cfr. Papa Francisco, 9 de junho de 2019 – Mensagem para Dia Mundial das Missões 2019]

Assim, a nossa missão radica-se na paternidade de Deus e na maternidade da Igreja, porque é inerente ao Batismo o envio expresso por Jesus no mandato pascal: como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós, cheios de Espírito Santo para a reconciliação do mundo (cf. Jo 20, 19-23; Mt 28, 16-20). [cfr. Papa Francisco, 9 de junho de 2019 – Mensagem para Dia Mundial das Missões 2019]

Também hoje, a Igreja continua a necessitar de homens e mulheres que, em virtude do seu Batismo, respondam generosamente à chamada para sair da sua própria casa, da sua família, da sua pátria, da sua própria língua, da sua Igreja local. [cfr. Papa Francisco, 9 de junho de 2019 – Mensagem para Dia Mundial das Missões 2019]

Para concluir o que re-aprendi: Na minha/nossa “Pastoral do Sentadinho”, uma frase poderosa que quero mastigar mais: “A missão de Deus é maior do que qualquer metodologia, pastoral, movimento ou atividade. Ela revela a própria essência de Deus, expressa em uma Igreja vocacionada a ser testemunha de Cristo na história, pois a “a ação missionária é o paradigma [luzeiro na noite, tal qual vela acessa no nosso batismo… velas acessas na procissão de encerramento…] de toda a obra da Igreja” [Guião da Novena Missionária: Batizados e enviados: A Igreja de Cristo em missão no mundo, p.5]

***   ***   ***

A Maria, nossa Mãe, [Senhora das Dores]

confiamos a missão da Igreja.

Unida ao seu Filho, desde a encarnação,

a Virgem colocou-se em movimento,

deixando-se envolver-se totalmente pela missão de Jesus;

missão que, ao pé da cruz,

havia de se tornar também a sua missão:

colaborar como Mãe da Igreja para gerar,

no Espírito e na fé,

novos filhos e filhas de Deus.

[cfr. Papa Francisco, 9 de junho de 2019 – Mensagem para Dia Mundial das Missões 2019]

***   ***   ***

A Programação: CELEBRANTES DO FESTEJO DA PADROEIRA  2019

DIA 05 – SR. BISPO

DIA 06 – P. AMBRÓSIO

DIA 07 – P. PEDRO CORREIA

DIA 08 – P. CASIMIRO

DIA 09 -P. JERRY LIMA

DIA 10 – P. AMBRÓSIO

DIA 11- P. JOEL

DIA 12 – P. ANISBERTO

DIA 13 – P. JOSÉ ARMANDO

DIA 14 – SR. BISPO

DIA 15 – 07.00h……….P.CASIMIRO

                08.30h………..P. AMBRÓSIO

                10.00h……….SR. BISPO

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O corpo assunto, O espírito encarnado:  Primícias da Ressurreição: na Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria.

O corpo assunto, O espírito encarnado: 

Primícias da Ressurreição:

na Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria.

      1. Dogma solenemente definido por Pio XII em 1.11.1950, segundo o qual Nossa Senhora, no termo da sua vida mortal, foi elevada ao céu em corpo e alma. A Assunção da SS. Virgem é uma participação singular na Ressurreição de seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos (Cat. 966). Não se trata pois, de uma dispensa da morte natural, algo de que nem o seu Filho escapou, mas antes de uma participação já plenamente vivida dos benefícios da ressurreição de Jesus. Dizemos “assunta” em corpo e alma” (o dogma afirma a incorruptibilidade corpórea de Maria): quer dizer, como criatura Maria abre-nos a estrada do caminho para o Céu, antecipando o destino reservado a cada crente. Como Senhora Nossa, continua a interceder pelos filhos e nos ampara na nossa frágil condição terrena, com a maternal proteção. Os Orientais celebram este mistério desde o séc. V com o nome de “Dormição de Maria”. No calendário da Igreja latina celebra-se, com a categoria de solenidade, a 15 de Agosto.

      1. Com as devidas semelhanças e diferenças, da visita de Maria a sua prima Isabel – sem notícias inesperadas, eis a diferença fundamental, na normalidade do que devemos e somos aos outros – visitamos, outra vez, o Pe Manuel Arlindo da Rocha Valente (residente em Vila Nova de Monsarros) que foi ordenado sacerdote no dia 14 Agosto de 1966, por D. Manuel Almeida Trindade, quase a completar os 80 anos de vida, celebra 53 anos de sacerdócio. Rezamos agradecendo a Deus o seu ministério. Recordamos durante a arte da conversa os companheiros “ainda vivos…”: Pe. Abraão da Costa Lopes (ord. 14-08-1966, na Casa Sacerdotal de Braga); Pe. José Arnaldo Simões (ord. 18-12-1966, recentemente dispensado do serviço de Pároco, na Paróquia de Calvão, a 28-07-2019). Na condição frágil do corpo ainda não “assunto”, com meia fatia de bolo, e meio cálice generosamente erguido do melhor Vinho do Porto: um brinde ao ministério celebrado, na escatologia presente – sem o incómodo visceral da foto?! – com a maior solenidade! Uma hora cumprida e vivificada pelo Espírito Cordial!

      1. Rezo Te Deum (…ainda incompleto no tempo e modo…), Pai Nosso (…contexto dolorido e futuro…), e Ave Maria (em graça reforçada…) pelas Obras na Igreja Matriz de Oliveira do Bairro. “As Obras” acontecimento de evangelização/catequese; património/arte; profissionalismo/competência; voluntariado/doação em tempo e bens, Etc. Qual a minha eficiência e fecundidade? Dias ricos indizíveis na Memória, no Afeto, no Dever de, e no Suor. A dormição é escatológica, só poderá ser. A minha/nossa resposta está na Fidelidade de/a todos! “Mais” dois funerais/exéquias na programação, de hoje, – a consulta onde estarei ausente – dia em que celebramos Maria “assunta” (outro funeral já marcado para amanhã). Nestes dias “Santos e Solenes” como todo o Luto, singular, das Famílias e dos Amigos: estamos diante da Dor na separação pela Morte. Carregamos o peso da Vida, nesta incerteza da Morte, com Maria queremos vencer este medo e rezar: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte”. Amem.

Pe. Pedro José, pároco de Mamarrosa e de Bustos, vigário paroquial de Palhaça e Oliveira do Bairro, 14-08-2019, 3078

 

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Recordar todos, tudo e sempre em Missão

Recordar todos, tudo e sempre em Missão

 

O texto que se quer um testemunho de Fé: é difícil de escrever. Recusei de vários modos. Como estamos todos a tentar viver melhor este ano no Compromisso Missionário. Fica o pequeno contributo. Os meus passos movem-se nesse período de tempo (fins de 2001 até fins de 2010) pelas terras do Maranhão, concretamente, as paróquias de Chapadinha e de Mata Roma, na Diocese do Brejo. Esse acordo missionário sem sucessor, mas com sucessão: perdura em mim (até escrevi um livro, “É mesmo uma Boa Nova”, 319 páginas, ousadia!) no que sou e faço, sem distinção. Vai-se apagando lentamente e depois renasce das cinzas vivamente.

Não são os passos sozinhos, não somos só nós. Um «EU» alargado por muitos rostos e histórias de Vida. Um Nome, uma Missão (quase Absoluta), uma Amizade (incontida): Pe. Manuel Neves! É uma acção conjunta. Muito menos o movimento em si. Pergunto-me hoje perdido e encontrado na ação pastoral? Qual a direcção a tomar? Não há problemas, há caminhos. Como é que os céus, que se movem de oriente para ocidente (ou vice versa) andam e desaparecem? Caminhar revela o começo de Tudo. Nesses anos fiz caminho em conjunto. Caminho em comunidade. É sempre o maior e mais exigente desafio/vocação.

Qual a razão das nossas fadigas se caminhar redobra o nosso cansaço? Um cansaço que dá Sentido ao desencanto possível do existir. A nossa árdua peregrinação do Espírito é movida e coroada pelo desgaste do/no Corpo. Engana-se quem foge, repudia ou exorciza. Peregrinar é purificar. – Quem está limpo que atire a primeira pedra? Todos são importantes. Sempre a resistência. Sempre a insistência. No fundo sempre a existência dos pequenos, frágeis: aprendi verdadeiramente a rezar o Terço nas inúmeras «Novenas», nas comunidades do interior rural e nos bairros da cidade. Se o caminhar está associado à evolução cerebral o mais ainda há que dizer e aprofundar nos caminhos do nosso viver. Qual garimpo. Seria habilitação moderna para caminharmos o menos possível uma involução? Certamente. Resultado: crescemos em incompetência espiritual, quando contraditoriamente, somos demovidos pela competência tecnológica.

Caminhar é consolidação espiritual. Lançar sobre o problema só uma luz oblíqua não é problema. É disposição para iniciar(-se). Na missão tudo, todos e sempre é: Espaço, Tempo e Modo. Mas uma só é a Realidade do Peregrinar: sair-de-si-para-andar-à-procura-do-Outro: ex-peri-mentar(-se). “Eis que chego logo” (Ap 22, 7.12). O ser de Deus é saída-de-si, vinda, Pro-cessio, Amor. Deus é Êxodo, pro-odos, êx-tase, Aquele-que-vem, Primeiro (Último, e primeiro novamente). Estamos a Caminho. Sou apenas uma disposição. Mas peregrinar exige também interposição. A distância pode ser considerável. Falta-nos, porventura, o Tempo necessário. Sobra-nos a Vontade. O ar está abafado. Nas carteiras não há dinheiro. Vale a hospitalidade sagrada. Urgem lugares à sombra repousante. Sossego agora não. Onde está o sinal da tua luta pacífica? Rezar e olhar. O teu caminho com propriedade. «O Dia ainda não nasceu e/ou saída para a Noite». Consciência obsolescente, e muitas vezes «tecnófoba». Consciência que se quer sempre Lúcida. Caminhos divergentes e convergentes, são os que fazemos nossos. Em Lucas (10,1-12) não precisamos de carregar alforges, hoje, diríamos mochilas, nem roupas, nem sandálias (na “minha” missão levei cartão bancário (!); dois pares de óculos (miopia espiritual ?!); e muitos “livros…”, etc.). Será que devemos andar “nus e descalços”? Não. Dispensar os telemóveis/celulares, os computadores…etc. Tudo está em função de quê?

“Fazer crescer os outros à sua volta. Não fazer e não ser “sombra” para ninguém”. Desapego radical do Poder. Podemos até, inadvertidamente, nos consolarmos ao dizer: «Deus nunca nos deixará desprovidos», mas isto pode ser um falso consolo, porque muitos paroquianos (cristãos de toda a tipologia: praticantes, adormecidos, ocasionais, anuais, festivos…) poderiam/deveriam ser confrontados com uma experiência prolongada de Missão, aqui e agora? De Jesus Cristo a proximidade diante das Pessoas, totalmente, desarmados, indefesos: colocar-me ao nível da Dignidade. Levar uma única coisa: a si mesmo. Repito o título: “Recordar todos, tudo e sempre em Missão”. Dou Graças pelos dons nos Irmãos, na Fé e na Esperança. Tudo isto aprendi a distinguir, decidindo a viver ou não (infelizmente) na Caridade.

Pe. Pedro José, pároco de Mamarrosa e de Bustos, vigário paroquial de Palhaça e Oliveira do Bairro, 04-07-2019.

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