O que significa “ver pelos olhos de Cristo” a observância dos Mandamentos? – Homilias Breves

Mt 22,34-40 XXX TC Ano A (25-10-2020)

O que significa “ver pelos olhos de Cristo” a observância dos Mandamentos?

Os 10 Mandamentos, brevíssima catequese:

Adorar a Deus e amá-lo sobre todas as coisas” [Amar a todos; a todos perdoar; a todos servir; ninguém excluir]; “Não invocar o santo nome de Deus em vão” [Proíbe o uso impróprio do nome de Deus. Por ex. não jurar usando o nome de Deus]; “Santificar os domingos e festas de guarda” [Ironia: todo o lado estamos seguros, menos nas Igrejas…; Participar das missas: só não é pecado: caso de doença ou prática da caridade (lugar/tempo insubstituível). Há muita preguiça (7ºpecado capital) estudar a “Acédia Espiritual”]; “Honrar Pai e Mãe” (e outros legítimos superiores)” [Respeito-Obediência-Diálogo; o Azulejo Rasurado (e a perversidade…): “A Vontade de obedecer única escola para aprender a mandar”]; “Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo)” – [Só Deus tem o direito de tirar a vida: Recusar o Aborto; a Eutanásia; o Suicídio, por ex. a Igreja já renovou as Exéquias, em casos de constatada Depressão, etc)]; “Guardar castidade nas palavras e nas obras” – [Integrar a sexualidade/afectividade: ex. namoro; ser e  manter puro (corpo e alma); pensamento de Virtude (e não Vício): «Sempre que uma pessoa procura um prazer a curto prazo; vai ter um sofrimento a longo prazo»]; – “Não roubar/furtar” (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo]; – “Não levantar falsos testemunhos” [nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo; o matar com a língua: história do carvoeiro; da roupa suja; do vidro janela não limpo]; – “Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos” [Respeito; Pudor – Intimidade, Ternura]; 10º– Não cobiçar as coisas alheias”.

Jesus Cristo responde:

“Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas”. Ou seja, Amar a Deus sobre todas as coisas, ao próximo como a nós mesmos [Parábola da “Camisola Rosa” do ciclista português…]. Aos que dizem que a Igreja complica tudo! Que continuamos a complicar tudo… e citam com abundância de Coração Santo Agostinho. “Ama, e faz o que quiseres”; lendo no avesso do mesmo, Santo Agostinho, definia que o nosso amor por Deus é assim: “Um conflito entre dois amores: o amor de Deus impelido até o desprezo do amor de si.” ou “o amor de si impelido até o desprezo do amor de Deus”. Talvez leia “eu” “desprezo” como “des-prazer”. Recordo a Mentora Espiritual, Santa Teresa de Ávila: «O amor pede amor» (Ofício de Leitura, p.1361).

A Religião Católica não é uma oferta/catálogo de ideias; é testemunho compartilhado: horizontal e vertical (a Cruz completa). Não é apenas um estilo de vida; um conjunto de valores tipo “Cadeira de Cidadania”, à escolha duma moral humanista. No centro da vida cristã estão os Mandamentos. No centro dos Mandamentos está a pessoa de Jesus Cristo. Jesus Cristo viveu o “exercício” (observância) dos Mandamentos, com a Oração do Pai Nosso, nos Pés, Mãos e nos Olhos.

“Não há Mandamento Maior que o Amor Crucificado (e Ressuscitado!)”.       

Pe.Pedro José, 23-10-2020. Caracteres (incl. espaços) 2960

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O que dar a César e o que dar a Deus? Na dúvida: absoluta supremacia a Deus. Mt 22,15-21 – XXIX TC Ano A (18-10-2020)

Homilias Breves

Mt 22,15-21 XXIX TC Ano A (18-10-2020)

O que dar a César e o que dar a Deus? Na dúvida: absoluta supremacia a Deus.

O chamamento e envio de um rei pagão – Ciro – é um verdadeiro escândalo para a época em que Isaías escreve [Nosso desafio manter o justo equilíbrio: entre “César” (temporal) e “Deus” (espiritual): através de Pessoas, Bens e Instituições. «A Vida neste Mundo é um espelho do Paraíso. Não é o contrário!»]. Afirma-se uma verdade da Fé: Deus serve-Se das mais improváveis pessoas para demonstrar a Sua Vontade de Salvação.

A pergunta: «É lícito ou não pagar o imposto a César? (v.17)». É uma armadilha. A resposta de Jesus é sábia, não respondeu «Sim» ou «Não»; mas, «Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (v.21)». Deus é o único Senhor e a nossa Lei suprema [ser contra os falsos “Éditos de Ciro” que os há… o Povo alerta, dar “uma chouriça, pelo valor do porco inteiro”]. Tudo o que é contra a vida humana [exemplo, Aborto, Eutanásia, Perseguição Religiosa, Etc.], deve ser por nós compromisso de transparência, denúncia, militância. O testemunho profético de Jesus é o critério e a convicção.

Devemos cuidar da nossa saúde (corporal e espiritual), alimentando-nos, repousando, e trabalhar; no fundo, cuidar da família e da casa/comunidade. Olhamos para o “material”; mas não desprezamos ou secundarizamos o “espiritual”. Temos de negar a idolatria do relativismo que nega o espiritual: quando não convém ou é incómodo! Só o material oferecido e partilhado, favorece a salvação da Alma. Negar a heresia de Jesus reduzido ao mundo de César; quando não acreditamos que Ele é o Filho de Deus, que viveu e morreu, conforme nos pede a oração no Pai-Nosso: «Seja feita a Vossa vontade assim na Terra como no Céu».

Nota Bem: A Igreja Católica celebra o Dia Mundial das Missões. “Sabia que há mais de 783 missionários ad gentes portugueses espalhados pelo mundo?” (Secretariado Diocesano das Missões).

Pe.Pedro José, 14-10-2020. Caracteres (incl. espaços) 1806

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Homilias Breves: Mt 22, 1-14 – Os Convidados Sem Tempo: Falsa Descortesia!

Homilias Breves

Mt 22,1-14 XXVIII TC Ano A (11-10-2020)

Os Convidados Sem Tempo: Falsa Descortesia!

A parábola deste domingo é a última da série que o Evangelho de Mateus nos ensina: os Convidados para festa nupcial; os Vinhateiros homicidas da Vinha, os Filhos inconstantes (e porventura, inconsequentes: o Sim e o Não). O Banquete e o Sacrifício foi / é realizado, livremente, em Jesus Cristo, por Amor inicial e último de Deus. Que o Espírito Santo nos ajude a avaliar a condição de “Convidado” – “Vinhateiro” – “Filho”; que temos vindo a refletir nestes domingos anteriores. Jesus institui a Eucaristia como o banquete e o sacrifício: Alimento de Vida Eterna: o penhor da “futura glória”. O cristão convicto não pode passar sem a Eucaristia, coração de todas as celebrações dominicais. Felizes os Convidados que participam na Missa Dominical!

Este banquete / ceia começa na vida presente, com o nosso compromisso e o nosso sacrifício de Vida Diário, na adesão da Fé e na prática dos Sacramentos. Nossa Indiferença, Agressividade, Covardia, Tibieza: não querendo ouvir…, fazer…, partilhar…, atender…, servir…, rezar… Etc. São a anestesia da Consciência diante do «Convite de Deus». Uma religião fácil, é uma religião de mentira. Um testemunho superficial, é um testemunho medíocre. O alerta está sinalizado: despertarmos para a Missa Dominical, preparada também com a conveniente Confissão Sacramental. Quando foi a última confissão sacramental? Precisamos saber discernir o pão comum e o pão eucarístico. De ambos precisamos para viver; mas têm valor muito diferente: a vida biológica e a vida eterna. A Biologia não pode negar a Eternidade.

A Missa Dominical é o antídoto contra a perda de Fé. O Alimento da Alma que fortalece o Corpo. O Evangelho terminava “muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”. Não temos outra garantia de eterna salvação a não ser a graça e misericórdia de Deus. Mas ao não “fazer caso” ou até “tratar mal e matar”, como diz o Evangelho, o Convite será entregue a outro(s). “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Sl 110, 10). Não podemos perder a Graça de Deus. Negar a pertença à sua Igreja – Comunidade. Desperdiçar os seus Dons. Ignorar o Seu Chamamento.

Pe.Pedro José, 11-10-2020. Caracteres (incl. espaços) 2102

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O Sangue que autenticou o “Contrato/Testamento da Vinha”. – Mt 21,33-43 – XXVII TC Ano A (04-10-2020)

Homilias Breves – Mt 21,33-43 – XXVII TC Ano A (04-10-2020)

O Sangue que autenticou o “Contrato/Testamento da Vinha”.

O Proprietário, isto é, o próprio Deus, agiu e enviou: “Respeitarão o meu Filho”. Decisiva esta ação de livremente, sublinhe-se, livremente, oferecer o próprio Filho: Jesus Cristo. Um Deus que se doa ao homem ao ponto de derramar o próprio sangue em sacrifício, da própria vida, pela nossa Salvação. Esta Pedra Angular, é muito valiosa, é redentora! O mistério do Bem e o Mistério do Mal. O mistério da nossa Vida, está aqui nesta Vinha, Vinhateiros (crueldade, violência, homicídio, preguiça, negligência, etc. OU, ternura, paz, fecundidade, trabalho, diligência, etc.) e no Vinho Novo, para dessedentar o homem do sem-sentido do Pecado e da Morte.

Um Deus que realiza a história em Cristo. A nossa Fé impõe que se acredite, verdadeiramente, neste Reino de Frutos, no Deus apaixonado pela Sua Vinha. Quem se mostra indiferente às suas mensagens e aos seus enviados corre o risco de perder o rico património: a Boa Nova da Salvação. Deus é paciente e misericordioso; não é lícito abusar da longanimidade divina, como se Deus fosse impassível.

Causa perplexidade, talvez nem tanto, o facto de Mateus, contar: “(…) lançaram-no fora da vinha e mataram-no”. Por isso a seriedade na defesa da Vida é Vital (redundância necessária). Os Novíssimos: Morte – Juízo – Inferno. Fazem-nos a pergunta: O que há de seco e morto, em cada um de nós, a necessitar de penitência, de oração e de caridade? O que afeta a Comunhão da Igreja, comunidade de pertença? Onde está a minha presença e a minha devoção à “Vinha do Senhor”? Semear e colher. Vigiar e anunciar. Cuidar e Servir. Assumir na minha Fé o Testemunho capital, regular e concreto.

Pe.Pedro José, 01-10-2020. Caracteres (incl. espaços) 1623

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Homilias Breves Mt 21,28-32 – XXVI TC Ano A – A parábola dos resmungões ou amuos. O (nosso) Sim e o (nosso) Não.

Homilias Breves – Mt 21,28-32 XXVI TC Ano A (27-09-2020)

 

A parábola dos resmungões ou amuos.

O (nosso) Sim e o (nosso) Não.

 

O Falar e o Fazer. O Sim e o Não. Todos temos e somos parte desta parábola de Jesus. Parábola realista. Parábola encorajadora. Que identifica quem está no alvo da conversão: “príncipes dos sacerdotes e os anciões do povo”, de um lado; do outro: “publicanos e as mulheres de má vida”. Este realismo é sadio e interpela a nossa Indiferença: em “tipos sentimentais”: a idiotice, o resmungar, a crítica descomprometida e ressentida, os amuos ao favor do vento, a lista sem fim para (auto)justificar e (auto)desresponsabilizar.

 

 

João Baptista, Pai, Mãe, Avós, Amigos e Conhecidos, Anónimos, Anjos da Guarda (In)visíveis… Situações, Factos e Acontecimentos, muitos Contextos (…). Parar cinco minutos. Um minuto pode ser o suficiente ou não. Talvez 15 minutos ou uma hora. O tempo importa. Mas é preciso silenciar o «EU». A reviravolta é possível. Novo ouvir e novo olhar. Um novo rezar. O segredo entre o Falar e o Fazer: está na Obediência a Cristo. Na oração do prefácio VII da Missa (a Salvação pela obediência de Cristo), rezamos: “(…) nos enviastes Jesus Cristo, nosso Salvador, em tudo semelhante ao homem, menos no pecado, para poderdes amar em nós o que amáveis em vosso Filho Unigénito: pela sua obediência Ele restaurou a aliança que a nossa desobediência tinha destruído”.

 

Obediência é dar audiência. Trabalhar os estados de Alma. A pura, a transparente, a imaculada, a incorrupta: Obediência da Consciência. O Coração convertido. Vida como Opção pelo Deus Vivo e da Vida. Confessar este desejo íntimo e dar o primeiro lugar/tempo ao “Deus dos Mandamentos”. Nova Aliança Hoje. Programar e Viver o Sacramento da Penitência (Reconciliação e Confissão). O que é que o Outro realmente «diz»; ou que é que realmente o Outro realmente «faz». Não: dispenso a acomodação. Sim: preciso de conversão. Crer que podemos mudar é uma Graça sem prazo. É preciso ouvir o Eco, os Semáforos da Consciência e Obedecer.

 

 

Pe.Pedro José, 24-09-2020. Caracteres (incl. espaços) 1901

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Homilias Breves

Mt 20,1-16a XXV TC Ano (20-09-2020)

A Inveja ou a Queixa! O Vagabundo ou o Convertido! O Pecado e o Pecador!

A Graça e o Agraciador! O ENIGMA do «Não-recebido».

A nossa conjugação da gramática-lógica será na medida de Deus? Onde experimento, espiritualmente, a dimensão da Graça? Quando há Fome de Deus, o Alimento não será o mesmo?

As horas de trabalho eram divididas em quatro partes de sol a sol, ou seja, de três em três horas, das seis da manhã às seis horas da tarde. Entretanto, nesta parábola, os últimos trabalharam só das cinco às seis horas da tarde, constituindo um quinto grupo. O salário, como é óbvio, era o contratado, igual para todos!

Deus como é INFINITO, dá-se infinitamente, a todos e a qualquer um de nós. Na hora certa em tempo incerto! Ou em hora incerta em tempo certo!Matematicamente: há mais duas hipóteses. Deus gosta de matemática, foi o seu inventor…

Duas formas de contar, para além da matemática (não contra): Acolher e agradecer, os acontecimentos/pessoas da vida. Modo A) o que recebi deste momento-acontecimento-pessoa? Modo B) o que dei a este momento-acontecimento-pessoa? Quando corre tudo bem e tranquilo, não fazemos muitas contas. Mas se corre mal, alterado e cru. Logo contamos o «não-recebido». Servir sem interesses. Interesse é DAR. A explicação extra: “Quando se dá gratuitamente, cada um pode dar livremente a quem quer, mais ou menos, contanto que não recuse a ninguém o que lhe é devido; e isto sem prejuízo da Justiça”. NOTA: Justiça em Deus é (também) Graça. “Cada um deve satisfazer-se com o recebido e demonstrar reconhecimento, sem olhar com vista invejosa aos que ganharam mais”. NOTA: Cuidar é ficar atrás, ou ao lado, em silêncio.

Reconhecer o “não-recebido” como o “não-dado”, também pode iluminar a Vida Interior. No «FIM» das contas saberemos que Deus não conta à nossa maneira (para nosso bem!). Ainda na teimosia da inveja ressentida… dei tudo e nada recebi?! Pergunta: deste a partir do Coração: o Evangelho cumpre-se! Que mais haverá a esperar? Primeiros são últimos. Perder é ganhar. Deus escreve direito por linhas tortas. De derrota em derrota até á Vitória final, a SUA e não a minha/nossa!                                                     

Pe.Pedro José, 19-09-2020. Caracteres (incl. espaços) 1995

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NOTA PASTORAL: CELEBRAÇÃO DOS 700 ANOS DO CULTO DA IMACULADA CONCEIÇÃO EM COIMBRA, Bispo Vírgilio Antunes (17-09-2020)

NOTA PASTORAL

CELEBRAÇÃO DOS 700 ANOS DO CULTO

DA IMACULADA CONCEIÇÃO EM COIMBRA

 

A nossa história

No dia 17 de outubro de 1320, o bispo de Coimbra, D. Raimundo Evrard, institui a festividade da Conceição de Maria, isto é “o dia em que a Virgem Gloriosa Santa Maria, foi concebida”, e manda que se celebre todos os anos a 8 de dezembro na Basílica de Santa Maria de Coimbra, hoje, a Sé Velha.

Ainda longe de encerradas as discussões teológicas acerca da Imaculada Conceição da Virgem Maria, que durou muitos séculos, estava já, de algum modo, a fazer-se o caminho que culminaria na definição dogmática proclamada pelo Papa Pio IX, em 1854, e que confessa: “Por uma graça e favor singular de Deus omnipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do género humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição” (Catecismo da Igreja Católica, 491).

Portugal, à semelhança de outras nações da Europa, insere-se de tal modo nesse percurso, espontâneo e popular, por um lado, académico e doutrinal, por outro, acerca de Maria que, a proclamação da Imaculada Conceição como sua rainha e padroeira pelo rei D. João IV, em 1646, é ponto de chegada de um caminho já feito e abertura para uma filial história futura. A própria aplicação a Portugal da tradicional expressão “terra de Santa Maria” significa igualmente o carinho que sempre fomos nutrindo pela Virgem Maria.

Também Coimbra faz parte irrenunciável desta história de acolhimento da Virgem Maria pela Igreja, pois, tanto nas manifestações da piedade popular como na reflexão académica de cariz teológico dá passos muito significativos. Nesse sentido, é significativo o Decreto do bispo D. Raimundo Evrard, mas também o seu acolhimento pelo povo e pela própria Universidade, que inclui essa festividade de Maria nos seus mais altos momentos celebrativos e durante vários séculos, a ponto de podermos dizer, com justiça, que Coimbra é a cidade da Imaculada Conceição.

Comemoramos e agradecemos

Neste ano de 2020, e passados setecentos anos da publicação da carta do bispo  D. Raimundo Evrard, que dá um forte impulso ao culto da Virgem Maria entre nós, queremos assinalar esse momento alto, pois, de algum modo, as suas repercussões perpassam toda a história da nossa cidade e diocese de Coimbra.

Nesta comemoração, sentimos o desejo de agradecer aos que nos precederam e lançaram nestas terras e nestas gentes as raízes da nossa cultura de matriz judeo-cristã, fundamentaram a nossa fé em Cristo e alicerçaram a nossa identidade apostólica e eclesial, na qual encontra lugar privilegiado a Virgem Maria.

Sentimos ainda o apelo de dar graças a Deus pelo caminho que nos concedeu percorrer, com alegrias e esperanças, com dores e apreensões; queremos também agradecer a Maria por nos incluir entre o número dos seus filhos, por nos chamar a fazer parte daquelas gerações ditosas que a proclamam bem-aventurada, por estar sempre como Mãe ao nosso lado e por ir como Mestra à nossa frente a indicar Jesus como a Salvação e a Vida.

Queremos ainda nesta comemoração olhar para o presente e o futuro da nossa Diocese de Coimbra e renovar nela a esperança de Maria, que esteve presente no nascimento da Igreja de Cristo no Pentecostes e acompanhou a dolorosa gestação das comunidades cristãs das origens. Sentimo-nos herdeiros de uma longa história, mas igualmente chamados a voltar continuamente à frescura do Evangelho de Jesus Cristo, à novidade da força impulsionadora do Espírito Santo, à alegria de ser Povo de Deus e Igreja que vê em Maria a sua imagem e o seu modelo de realização.

Na tradição da Igreja

A Igreja procura continuamente voltar às fontes bíblicas e à Tradição para encontrar as raízes da fé que professa. A propósito do lugar de Maria, a Lumen Gentium afirma: “A sagrada Escritura do Antigo e do Novo Testamento e a Tradição que veneramos, revelam a uma luz cada vez mais clara o papel da Mãe do Salvador na economia da salvação” (LG 55). Maria tem um lugar insubstituível no plano de revelação e ação de Deus que quer salvar toda a humanidade por meio de Jesus Cristo.

Já alguns textos do Antigo Testamento apontam para a leitura mariológica do Novo Testamento e este, embora de forma muito contida nos ajuda a compreender como os apóstolos foram descobrindo progressivamente o mistério de Maria, sempre em ligação estreita com o mistério de Jesus e com o mistério da sua Igreja.

A Tradição contínua da Igreja alicerçada na revelação bíblica foi descobrindo progressivamente o mesmo mistério de Maria e formulou as definições dogmáticas, que acolhemos de todo o coração: a maternidade divina, a virgindade perpétua, a conceição imaculada, a assunção à glória celeste. Antes, durante e depois, o Povo de Deus foi sempre exprimindo a sua devoção mariana, que era, ao mesmo tempo, consciência teológica e doutrinal acerca do lugar de Maria na relação com Cristo e com a Igreja. Deste modo, as definições dogmáticas não foram simplesmente uma formulação verbal, académica e teórica acerca de Maria, mas sobretudo uma expressão do sentir e crer dos fiéis, iluminados pela Espírito Santo.

Passo decisivo foi dado pelo Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumen Gentium, no capítulo VIII, intitulado: “A Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja”. Apesar de não trazer nenhuma nova doutrina acerca da Virgem Maria, ajudou-nos a vê-la melhor como figura humana e marcada pela fé, dotada, sem dúvida, de singulares privilégios, mas sobretudo cheia de virtudes simples e acessíveis que podemos imitar.

O Concílio Vaticano II e o Magistério Pontifício posterior trazem, de facto, um novo olhar sobre a Virgem Maria e sobre o seu lugar na Igreja, acentuando alguns pontos relevantes: ela é vista dentro do contexto da História da Salvação, inserida no projeto de Deus que quer salvar a humanidade por meio de Jesus Cristo, seu Filho e incarnado no seio da Virgem Maria; ela tem um lugar ímpar dentro do Povo de Deus e acompanha toda a sua caminhada histórica, apontando para a dimensão escatológica expressa no livro do Apocalipse; a figura de Maria não é vista como uma figura isolada, mas encontra o seu verdadeiro sentido na ligação com Cristo e com a Igreja.

Ao propormos a revitalização de um caminho de acolhimento, compreensão e progresso na espiritualidade mariana, estamos a inserir-nos no caminho contínuo do Povo de Deus que sempre quis preservar a fé revelada e acreditada. Queremos continuar por esta via para sermos fiéis à nossa vocação cristã e à Tradição que recebemos, pois como afirmou o teólogo von Balthasar, toda a Igreja é mariana e é preciso continuar a descobrir o seu rosto mariano.

Pela via mariana

A celebração desta efeméride constitui ocasião para lançarmos alguns desafios à Igreja Diocesana, que quer prosseguir, na fidelidade à fé, pela via mariana

Maria, imagem da esperança

Como figura de mulher, Maria acolhe todas as esperanças proféticas do Antigo Testamento, enquanto aguarda a chegada do Messias e Filho de Deus, que há de incarnar no seu seio virginal.

Ela vê em Jesus o sinal da esperança divina e transmite essa esperança a toda a Igreja cujo nascimento acompanha, partilha-a com os apóstolos e com as primeiras comunidades cristãs. Na sua maternidade espiritual Maria comunica a esperança a todo o Povo de Deus de quem se torna Mãe da santa esperança.

Presente na Igreja de hoje, Maria continua a ser para a multidão dos fiéis refúgio, consolação, sinal de misericórdia e de amor, portadora da esperança de Deus. Por essa via, a humanidade tem acesso à esperança que tem por nome Jesus Cristo, morto e ressuscitado, Aquele que ultrapassa todas as barreiras, mesmo a da morte, pelo poder de Deus. Particularmente neste tempo de debilidade face à pandemia, Maria, enquanto mulher e Igreja, tem uma palavra e um testemunho a face às apreensões d e toda a humanidade.

Maria, exemplo da obediência da fé

Ela acreditou em Deus e em tudo o que lhe foi dito da parte do Senhor, mesmo no que humanamente lhe parecia impossível, pois a Deus, pelo poder do Espírito, nada é impossível.

Acolher a fé como um dom e obedecer à vontade do Pai até à morte, aprendeu-o com Jesus, o Filho obediente até à morte de cruz. Agora ensina-nos o caminho da fé e testemunha que nos traz a felicidade que desejamos, tal como a tornou feliz a ela, apesar de ser a Senhora das Dores.

Depois das figuras do Antigo Testamento, nomeadamente Abraão, que acreditou, escutou a Palavra do Altíssimo e se pôs a caminho, encontramos em Maria a realização mais perfeita da fé, que significa submissão à Palavra de Deus, que é a verdade.

Diante da incredulidade reinante e de todas as dúvidas acerca da verdade, Maria ensina-nos a buscar em Deus as seguranças de que precisamos para viver. Ela encontrou-as no Evangelho anunciado e comunicado, convidando-nos a acolhê-lo e a anunciá-lo com a linguagem, o fervor e o testemunho adequados ao nosso tempo., tornando-se como se lhe tem chamado a Estrela da Evangelização.

Maria, exemplo de oração e de louvor

No seu “sim” e no seu “magnificat”, pronunciados com amor, Maria mostra a sua total dependência de Deus e da Sua vontade; louva o Senhor de todo o coração, como tinha aprendido da fé do seu povo de Israel. Em Caná, intercede pelo povo junto de Jesus e alcança a graça de uma resposta poderosa. No Cenáculo, ora com os discípulos amedrontados e recebe o dom do Espírito Santo esperado.

Com ela, a comunidade cristã reza, louva, suplica, escuta a Palavra e recebe o Espírito Santo prometido. Maria torna-se a mestra e a escola da espiritualidade fundada no Espírito que connosco reza ao Pai.

O seu “sim” é ainda a correspondência humana a uma vocação, que vem de Deus. Torna-se para nós a Mãe de todas as vocações, porque nos ensina a responder à voz que nos chama a ser filhos de Deus, mas também a seguir a vocação pessoal que o Espírito nos dá.

Maria, exemplo de santidade

A Escritura proclamou sempre o nosso desígnio mais alto quando nos convocou à santidade: “sede santos!”.

A Igreja insistiu sempre com os fiéis no sentido de corresponderem ao apelo de santidade que Deus lhes dirige e, no Concílio Vaticano II, recordou-o de modo peremptório: “todos na Igreja, quer pertençam à hierarquia quer por ela sejam pastoreados, são chamados à santidade, segundo a palavra do Apóstolo: «esta é a vontade de Deus, a vossa santificação» (1 Tess. 4,3; cfr. Ef. 1,4)” (LG 39.

Como imagem mais perfeita da Igreja, a Virgem Maria é também a figura mais perfeita da santidade e torna-se para nós a Mãe e a Mestra dos caminhos da santidade enquanto acolhimento da graça que o Espírito Santo produz em nós.

Num contexto de tanto materialismo, egoísmo e relativismo moral, somos chamados a ir com a Virgem Maria às fontes do Espírito, havemos de abrir-nos no serviço desinteressado da caridade para com os irmãos e havemos de tornar-nos sinceros buscadores da Verdade.

Maria, modelo de união e comunhão com Cristo e com a Igreja

Da anunciação ao calvário, passando por todos os momentos em que acompanhou física ou espiritualmente Jesus, Maria manteve-se unida a Ele. Fortalecida pelo dom do Espírito, permaneceu junto aos Apóstolos e a toda a Igreja, que havia de permanecer unida a Cristo e na verdadeira comunhão.

Em tempos de tantas divisões no Corpo de Cristo, que põem em causa o testemunho da Igreja e fragilizam a comunicação da fé e do Evangelho, somos chamados a voltar a Maria, modelo fiel e puro da união com Cristo e de toda a Igreja.

Celebremos a Imaculada Conceição com mais amor

Em momento tão significativo  e festivo para a nossa cidade e diocese de Coimbra, peço a toda a comunidade diocesana que tudo faça para revigorar o culto devido à Mãe de Deus e nossa Mãe, invocada sob o título de Imaculada Conceição.

Celebremos festivamente e aproveitemos este tempo de graça para colher tudo o que Maria tem para nos ensinar como Mestra da fé, Estrela da Evangelização, Testemunha de Santidade no Seu amor a Cristo e à Palavra de Deus, Serva Fiel do Senhor, Modelo e Imagem da Igreja, que acolhe o Espírito Santo.

O programa diocesano inclui como pontos centrais um Colóquio teológico e histórico, no dia 17 de outubro, e a Missa, na Sé Velha, no dia 8 de Dezembro. Às diversas comunidades cristãs, paróquias e unidades pastorais, pedimos que acompanhem com as suas celebrações litúrgicas, catequeses e momentos de piedade, segundo a riqueza legada pelas tradições locais.

Que a Imaculada Conceição interceda pela nossa Diocese de Coimbra, pela sua santificação, unidade e comunhão na fé e na missão.

Coimbra, 17 de setembro de 2020
Virgílio do Nascimento Antunes
Bispo de Coimbra

FONTE: https://www.diocesedecoimbra.pt/diocese/bispo/notas-pastorais/celebracao-dos-700-anos-do-culto-da-imaculada-conceicao-em-coimbra-nota-pastoral:2274 , 18-09-2020

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Documento: “Em defesa das liberdades de educação” (02/09/2020) – Caso: dois alunos, Escola Pública de Famalicão

Em defesa das liberdades de educação

— Considerando que a Declaração Universal dos Direitos Humanos reconhece expressamente que «Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos» (art. 26.º);
— Considerando que o Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais especifica que «Os Estados […] comprometem-se a respeitar a liberdade dos pais» […] e a «assegurar a educação religiosa e moral dos seus filhos em conformidade com as suas próprias convicções» (art. 13.º);
— Considerando que, no Protocolo Adicional n.º 1 à Convenção de Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, os membros do Conselho da Europa convieram em que «O Estado, no exercício das suas funções, que tem de assumir no campo da educação e do ensino, respeitará o direito dos pais a assegurarem aquela educação e ensino consoante as suas convicções religiosas e filosóficas (art. 2.º);
— Considerando que a Convenção Internacional sobre os direitos da criança estabelece que «a criança tem o direito de conhecer os seus pais e de ser educada por eles» (art. 7.º);
— Considerando que a Constituição da República Portuguesa garante «a liberdade de aprender e ensinar» como direitos da pessoa humana incluídos no Capítulo dedicado aos «Direitos, Liberdades e Garantias» pessoais (art. 43.º);
— Considerando que a Constituição declara que «Os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos, liberdades e garantias são directamente aplicáveis e vinculam as entidades públicas e privadas» (art. 18.º);
— Considerando que a Constituição garante expressamente que «Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos (art. 36.º);
— Considerando que a Constituição declara que «Os pais e as mães têm direito à protecção da sociedade e do Estado na realização da sua insubstituível acção em relação aos filhos, nomeadamente quanto à sua educação […]» (art. 68.º);
— Considerando que, em correspondência a este direito insubstituível dos pais e mães à protecção do Estado, a Constituição estabelece que: «Incumbe, designadamente, ao Estado […] «Cooperar com os pais na educação dos filhos» (ar. 67.º);
— Considerando que a Constituição portuguesa proíbe o Estado de «programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas» (art. 43.º);
— Considerando que esta proibição constitucional do art. 43.º proveio do projecto de Constituição do PS, e foi defendida na Assembleia Constituinte pelo Deputado Mário Sottomayor Cardia, em nome do PS, por estas palavras: «Este artigo é contra a unicidade cultural e intelectual. É a recusa da filosofia, da estética oficial, da ideologia oficial e da religião oficial. Do mesmo modo, é a recusa do controle político do conteúdo da cultura e da educação. Na verdade, nós, socialistas, não queremos filosofia única nem estética única, nem política única, nem religião única, nem ideologia única». «Nós somos contra a unicidade em matéria de cultura e educação. Nós somos contra essa unicidade, porque entendemos que essa recusa é uma importante salvaguarda contra o totalitarismo»;
— Considerando que a Lei de Bases do Sistema Educativo distingue entre, por um lado, a acção educativa, e, por outro lado, estruturas e complementos e apoios educativos, e que é nas estruturas e complementos ao serviço da acção educativa que inclui a rede escolar, o financiamento e a acção social da educação, a cargo Estado, e não encarrega o Estado da acção educativa (art. 1.º e caps. III ss.);
— Considerando que a Constituição declara que «É garantido o direito à objecção de consciência, nos termos da lei» (art. 41.º);
— Considerando que a Lei de Bases do Sistema Educativo garante a objecção de consciência na matéria da actual disciplina de Educação para a Cidadania e o Desenvolvimento, quando estabelece que: «São objectivos do ensino básico […] n) Proporcionar, em liberdade de consciência, a aquisição de noções de educação cívica e moral» (art. 7.º);
— Considerando que, no recente caso publicamente noticiado e comentado, Artur Mesquita Guimarães e sua Mulher, pai e mãe de dois filhos alunos da escola pública de Famalicão, oportuna e repetidamente comunicaram às autoridades escolares a sua objecção de consciência quanto à frequência daquela disciplina pelos seus filhos;
— Considerando os termos públicos em que superiores autoridades governamentais e escolares têm recusado atender a esta objecção de consciência, alegando que a disciplina de educação para a cidadania é obrigatória, não sendo diferente «nem de Matemática, nem de História nem de Educação Física»;
— Considerando que esta interpretação se opõe à distinção que a própria Lei de Bases expressamente estabeleceu, quando só para a educação cívica e moral (e não para a Matemática, a História e a Educação Física) a Lei afirmou a pertinência da objecção de consciência;
— Considerando que uma juíza de direito já concedeu aos referidos pais uma providência cautelar contra a decisão do Ministério da Educação que manda anular a passagem de ano daqueles alunos nos dois últimos anos escolares, por não terem frequentado a disciplina de Educação para a Cidadania;
— Considerando, por fim, os princípios fundamentais da Constituição, designadamente: a dignidade da pessoa humana» (art. 1.º); os direitos à identidade pessoal e ao desenvolvimento da personalidade» (art. 26.º); a inviolabilidade da liberdade consciência (art. 41.º); o princípio da subsidiariedade do Estado (art. 6.º); e que «O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas» (art. 43.º);
Os cidadãos, abaixo assinados, vêm declarar publicamente, e em especial perante as autoridades do Estado,
— que consideram imperativo que as políticas públicas de educação, em Portugal, respeitem sempre escrupulosamente, neste caso e em todos os demais casos análogos, a prioridade do direito e do dever das mães e pais de escolherem «o género de educação a dar aos seus filhos», como diz, expressamente por estas palavras, a Declaração Universal dos Direitos Humanos;
— e, em especial e de acordo com a Lei de Bases do Sistema Educativo português, respeitem a objecção de consciência das mães e pais quanto à frequência da disciplina de Educação para a Cidadania e o Desenvolvimento, cujos conteúdos, aliás de facto muito densificados do ponto de vista das liberdades de educação em matéria cívica e moral, não podem ser impostos à liberdade de consciência.
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Adriano Moreira (Professor Direito e ex-Diretor ISCSP; ex-Presidente do CDS)
Alberto de Castro (Professor Economia UCP Porto)
Alexandre Patrício Gouveia (Gestor de Empresa)
Amândio de Azevedo (ex-constituinte e deputado; ex-Embaixador da UE)
Ana Cid Gonçalves (Associação Portuguesa de Famílias Numerosas)
André Azevedo Alves (Professor do IEP Universidade Católica)
Aníbal Cavaco Silva (ex-Primeiro Ministro e ex-Presidente da República)
António Araújo (Jurista, Doutor em História, assessor da Presidente da República)
António Bagão Félix (ex-Ministro das Finanças)
António Barreiro (Licenciado em Ciência Política)
António José Sarmento (Diretor de Colégio Escolar)
D. António Moiteiro (Bispo de Aveiro)
António Pinheiro Torres (Advogado; ex-Deputado)
António Santos Castro (Médico)
António Vinagre Alfaiate (Empresário)
David Justino (ex-Ministro da Educação; ex-Presidente do CNE)
D. Duarte de Bragança
Diogo Costa Gonçalves (Professor Direito da Universidade de Lisboa)
Eduardo Oliveira e Sousa (Presidente da CAP)
Fátima Fonseca (Professora Ensino Secundário)
Fernando Adão da Fonseca (Presidente do Fórum para a Liberdade da Educação)
Francisco Carvalho Guerra (ex-Vice-Reitor Universidade Porto; Universidade Católica Porto)
Francisco Vanzeller (Empresário)
Fausto Quadros (Professor Direito Universidade Lisboa )
Graça Franco (Rádio Renascença)
Guilherme Valente (Editor, Gradiva)
Gustavo Mesquita Guimarães (Gestor de Empresa)
Helena Matos (Investigadora e colunista; Observador)
Henrique Alexandre da Fonseca (Almirante)
Ilídio Pinho (Empresário, Presidente da Fundação)
Isabel Almeida e Brito (Directora de Colégio)
Isabel Jonet (Economista; Banco Alimentar contra a Fome)
João Borges de Assunção (Professor Economia Universidade Católica)
João Carlos Espada (Diretor Instituto de Estudos Políticos Universidade Católica)
João César das Neves (Professor Economia Universidade Católica)
João Marques de Almeida (Doutor Relações Internacionais e Ciência Política ; consultor; Observador)
João Muñoz (Colégio S. João de Brito)
Joaquim Azevedo (ex-Secretário de Estado da Educação)
Jorge Cotovio (Diretor de Colégio; Associação Escolas Católicas)
Jorge Pereira da Silva (Diretor da Faculdade Direito Universidade Católica)
Jorge Miranda (ex-constituinte; Professor emérito Direito Universidade Lisboa e UCP)
José Adriano Souto Moura (Procurador da República)
José Carlos Seabra Pereira (Professor Faculdade Letras Coimbra)
José Luis Ramos Pinheiro (Rádio Renascença)
José Manuel Cardoso da Costa (Professor Direito Coimbra; ex-Presidente do Tribunal Constitucional)
José Manuel Moreira (Professor cat. Emérito Universidade Aveiro)
José Maria Dias Coelho (Arquitecto)
José Miguel Júdice (Advogado)
José Miguel Sardica (Professor História Universidade Católica )
José Ribeiro e Castro (Jurista; ex-Presidente CDS)
José Pena do Amaral (Economista; Administrador BPI)
Luis Mira Amaral (ex-Ministro da Indústria)
Luis Palha da Silva (ex-Secretário de Estado do Comércio)
Luis Penha e Costa (Jornalista)
Manuel Braga da Cruz (Professor Sociologia Política Universidade Católica)
Manuel Carneiro da Frada (Professor Faculdade de Direito da Universidade Porto)
D. Manuel Clemente (Cardeal Patriarca de Lisboa)
Manuel Porto (Professor Universidade Coimbra; ex-Presidente Conselho Nacional Educação)
Manuel Vaz (Professor Direito Universidade Católica – Porto)
Manuela Ferreira Leite (economista; ex-Ministra da Educação e das Finanças)
Maria do Carmo Seabra (Professor Economia Universidade Nova; ex-Ministro Educação)
Maria João Avilez (Jornalista)
Mário Pinto (ex-deputado constituinte; Professor emérito ISCTE e Universidade Católica)
Miguel Morgado (ex-deputado, Professor IEP Universidade Católica)
Miguel Sampayo (Economista)
Nuno Rogeiro (Professor Universitário; Comentador de Política)
Patrícia Fernandes (Professor Universidade UBI e Minho)
Paulo Adragão (Professor Direito Universidade Porto)
Paulo Tunhas (Doutor em Filosofia e Professor na Universidade do Porto; Observador)
Pedro Barbas Homem (Reitor Universidade Europeia)
Pedro Ferraz da Costa (Empresário)
Pedro Lomba (Professor Direito; Advogado)
Pedro Marques de Sousa (Gestor de Empresas)
Pedro Passos Coelho (Professor ISCSP; ex-Primeiro Ministro)
Pedro Roseta (ex-Constituinte; ex-Embaixador UNESCO; ex-Ministro Cultura )
Pedro Sena da Silva (Empresário)
Raquel Correia da Silva
Rita Lobo Xavier (Professor Direito Universidade Católica – Porto)
Rita Seabra Brito (Professor IEP Universidade Católica)
Rodrigo Queirós e Melo (Associação Estabelecimentos Ensino Particular)
Rui Machete (Professor Direito; ex-deputado; ex-Ministro Negócios Estrangeiros)
Rui Medeiros (Professor Direito Universidade Católica)
Rui Vieira de Castro (Empresário)
Sérgio Sousa Pinto (Deputado)
Teresa Ferraz da Costa
Teresa Nogueira Pinto (Doutoranda Relações Internacionais)
Vasco de Mello (Presidente do Grupo José de Mello)
Vasco Rocha Vieira (Geral; ex-Governador de Macau)
2 de Setembro de 2020
***
Também assino:
Pedro José Lopes Correia (Pároco de Bustos e Mamarrosa, Vigário Paroquial em Palhaça e Oliveira do Bairro)
(…)
FONTES:
Publicado em Confissões, Espiritualidade, Notícias e política, Paróquia da Mamarrosa (S. Simão), Paróquia de Bustos (S. Lourenço), Saúde e bem-estar | Etiquetas , , , , , , | Publicar um comentário

“Ennio Morricone, um artista que não perdeu a fé”, por Cristina Siccardi  

 

“Ennio Morricone, um artista que não perdeu a fé”,  por Cristina Siccardi.

“O maestro Ennio Morricone, aos 91 anos, regressou à Casa do Pai, na alvorada do dia 6 de Julho, em Roma, «com o conforto da fé», assim escreveram e disseram todos os media, assim todos souberam que Morricone era crente.

Por vezes, os génios artísticos levam uma vida indisciplinada, o que não aconteceu com o compositor de excelsa música: fé na Santíssima Trindade e apego apaixonado aos valores inscritos por Deus no homem, e eis que Morricone, que conheceu a sua esposa Maria em 1950, permaneceu com ela até ao último dos seus dias, 70 anos sem arranhões. A 25 de Fevereiro de 2007, depois de cinco candidaturas não premiadas aos Óscares, foi-lhe conferido o Óscar Honorário «pelos seus magníficos e multifacetadas contributos na arte da música para filmes», tendo-lhe sido entregue pelo actor Clint Eastwood, protagonista dos filmes western de Sergio Leone, para os quais Morricone compôs bandas sonoras inesquecíveis. Naquela ocasião, disse: «Dedico este Óscar à minha esposa Maria, que me ama muitíssimo e eu amo-a da mesma maneira, e este prémio é também para ela». Juntos, tiveram quatro filhos, que no seu anúncio necrológico, por ele próprio formulado, quis cumprimentar nestes termos: «Uma saudação intensa e profunda aos meus filhos, Marco, Alessandra, Andrea e Giovanni, à minha nora Monica e aos meus netos, Francesca, Valentina, Francesco e Luca. Espero que compreendam quanto os amei. Por último, Maria (mas não última). A ela renovo o amor extraordinário que nos uniu e que lamento abandonar. A ela o mais doloroso adeus».

Homem simples e muito humilde, foi um dom da arte para o mundo. Compunha em sua casa, entre o amor dos seus familiares, e brotaram melodias intensas, cheias de beleza, de poesia, ora épicas, anti-retóricas, mediterrâneas, cheias de efeitos, sarcásticas, ora cultas e experimentais, ora comoventes. Multifacetado na partitura, mas igual a si mesmo, sempre, na vida privada e na pública. Montou palcos para dirigir as suas obras, recebeu muitos prémios e reconhecimentos internacionais, mas falava, se questionado, o menos possível. Não admira que tenha desejado um funeral privado: «não quero incomodar» foi a sua motivação. Um estilo, também este, que o distingue pela nobreza de espírito. Não quis pompas, câmaras de televisão, holofotes, espectáculos, hipocrisias, passarelas para actores e actrizes, políticos e políticas… absolutamente nada. Quis os amigos mais próximos e os familiares, ou seja, quem o amou e quem o ama: «Eu, Ennio Morricone, morri. Anuncio-o, assim, a todos os amigos que sempre estiveram próximos de mim e também aos que estão um pouco distantes e saúdo-os com grande afecto».

Muitos no mundo choram-no porque Morricone era um cantor de beleza, a beleza cuja fonte está em Deus, Uno e Trino, e é evidente que muitas das suas composições denotam um sentir com um toque sobrenatural. No filme The Mission, do cineasta Roland Joffé (1986), isso emerge com uma avassaladora inspiração: o autor entrou com a alma na história missionária dos Jesuítas entre a tribo dos índios Guarani do século XVIII, e é exactamente nessa banda sonora que nos parece poder dizer que deu o melhor de si. Com The Mission, alcançou o topo da evolução compositiva no cinema, dando vida a uma união inigualável entre elaboração formal, complexidade linguística e aderência icástica às cenas, nas quais a concepção modular e a habilidade de construir uma interna dialéctica entre as partes atinge o grau máximo de maturidade.

A articulação dos módulos torna-se mais ampla do que no passado, a ponto que cada voz da partitura encerra um desenvolvimento autónomo do tema, mas capaz de interagir com os demais em combinações variadas, que assumem valores simbólicos específicos. A melodia mais célebre da banda sonora é, sem dúvida, Gabriel’s Oboe, que é executada em várias ocasiões durante o filme por um dos protagonistas – Padre Gabriel, justamente – e, no seu desenvolvimento, reúne a herança de uma tradição pós-renascentista, ligada, especificamente, à época do século XVIII em que o filme se passa. Não nos surpreende que a bênção da urna do compositor romano tenha sido acompanhada pelas notas de The Mission, às quais era particularmente ligado.

Discreto e amável, o maestro Ennio Morricone não deixa atrás de si fofocas, mas mais de quinhentas bandas sonoras para o cinema e a televisão, além de verdadeiras obras-primas, como as partituras Por um punhado de dólares (1964), Por uns dólares a mais (1965), O bom, o mau e o feio (1966), Era uma vez no Oeste (1968), Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita (1970), Aguenta-te, canalha! (1971), Era uma vez na América (1984), Os Intocáveis ​​(1987)…

Dizia que, no Paraíso, não sabia se aliar-se com Beethoven ou com Mozart… certamente soube usar os talentos que Deus lhe deu, semeando no mundo melodias de sabor eterno, e é inegável dizê-lo: a sua música magistral faz parte das nossas vidas”.

FONTE: Cristina Siccardi, http://www.diesirae.pt/2020/07/ennio-morricone-um-artista-que-nao.html, acesso 14-07-2020; Através de Corrispondenza Romana

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Ladainha da Humildade

Ladainha da Humildade

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus manso e humilde de coração: ouvi-nos
Jesus manso e humilde de coração: atendei-nos.
Jesus manso e humilde de coração: fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.
Do desejo de ser estimado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser amado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser procurado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser louvado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser honrado, livrai-me, Jesus
Do desejo de ser preferido, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser consultado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, Jesus!
Do desejo de ser adulado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser humilhado, livrai-me, Jesus
Do temor de ser desprezado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser rejeitado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser caluniado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser esquecido, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser ridicularizado, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser escarnecido, livrai-me, Jesus!
Do temor de ser injuriado, livrai-me, Jesus!
Que os outros sejam mais amados do que eu –
Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros sejam mais estimados do que eu –
 Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam crescer na opinião do mundo e que eu possa diminuir –
 Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que aos outros seja concedida mais confiança no seu trabalho e que eu seja deixado de lado – Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros sejam louvados e eu esquecido
– Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam ser preferidos a mim em tudo
– Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Que os outros possam ser mais santos do que eu, contanto que eu pelo menos me torne santo como puder
– Ó Jesus, concedei-me a graça de desejá-lo!
Ó Maria, Mãe dos humildes, rogai por nós!
São José, protector das almas humildes, rogai por nós!
São Miguel, que fostes o primeiro a lutar contra o orgulho e o primeiro a abatê-lo,
rogai por nós!
Ó justos todos, santificados a partir do espírito de humildade, rogai por nós!
Oremos: Ó Deus, que, por meio do ensinamento e do exemplo do Vosso Filho Jesus, apresentastes a humildade como chave que abre os tesouros da graça (cf. Tg 4,6) e como início de todas as outras virtudes – caminho certo para o Céu – concedei-nos, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, a mais humilde e mais santa de todas as criaturas, aceitar agradecendo todas as humilhações que a Vossa Divina Providência nos oferecer. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo, pelos séculos dos séculos. Ámen.
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