os cuidados que precisamos sempre

os cuidados que precisamos sempre:

para o Pe José Lourenço (93 anos de vida e 69 de padre).

“Não acredito que cada um tenha o seu lugar. Acredito que cada um é um lugar para os outros”, Daniel Faria in O Livro de Joaquim.

O estar deitado numa cama e não poder mover-se por si próprio. As forças no fim. As dores omnipresentes no rosto. A Ternura da mão acolhida na segurança do afecto, da relação e da história alargada. Não sabemos a hora do fim. Queremos acreditar no Amor-que-se-faz-presença-até-ao-Fim. A competência extrema e eficiente de quem cuida e humaniza o «nosso» fim. A nossa história de Amor nesta terra é feita de um Nó infinito de relações amadas e partilhadas. Nada será perdido.

Não ser capaz de estar Indiferente a todo o sofrimento que cai sobre nós: sismo, doença grave, desemprego, relações atraiçoadas… A lista não tem fim. Fim tem a vida limitada e fechada no Egoísmo. Vida contínua é a que comunga da presença de Deus e das pessoas sem preconceitos. A Alegria do serviço doado: seja a limpar o chão molhado; a gerir a aplicação criteriosa dos medicamentos descobertos pela Ciência; a trazer a luz do bem recebido e feito.

Pode instalar-se o desespero, a irritação, a incompreensão injusta, o ritmo alienado. Há sempre riscos desnecessários e necessários. Não vemos nitidamente a diferença entre ambos. Consumidos pela Dúvida: será que valeu mesmo? Avançamos perplexos. A Mão segura-nos a Vida no Serviço realizado. Pequeno, directo, austero, audacioso, evangélico. Somos Vida feita de tempo doado, horas sem fim, recolhidas nas lágrimas pela Cruz. Êxodo biográfico a pedir Páscoa crente.

Vivificar as recordações sacramentais nas décadas mastigadas. Os primeiros passos dados sem medo. Não ceder na identidade cristã da comunidade humana. Aprender até morrer. Morrer aprendendo. Nunca estar em bico dos pés. O exemplo como continuidade. Convencimento na Misericórdia Infinita. Viver sempre na linha: atento, silencioso, gracioso, submetido ao Ideal. O sofrimento gera Testemunho. E a Bênção pedida é sinal da inteligência abnegada, humilde, pronta para na fragilidade continuar a Servir em Deus.

Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 26-08-2016, caracteres (incl. espaços): 1897.
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