Sobre os «Passadiços do Rio Paiva»

Sobre os «Passadiços do Rio Paiva»

 – apenas uma opinião impressiva de usuário e cidadão –

[1.] Aconteceu no passado 9 de Julho, dia particularmente quente, dum calor sufocante… desmotivador do caminhar. Mas não foi assim. Disfrutei o último e extraordinário passeio familiar. Fomos “fazer” os Passadiços do Rio Paiva, recém-inaugurados (diz a placa no local, como a data oficial de inauguração: 20 Junho 2015), ainda não tem um mês! E que já se transformou num fenómeno, também, semi-viral na rede facebook e afins. Seria de desconfiar dessa adesão táctil após a “vista de fotos espectaculares!?”, com “gostos” tão de preceito, quanto de impensados.

[2.] Com a informação dos cuidados prévios: Levar sempre roupa e calçado adequado. Cumprido. Não esquecer óculos de sol, sobretudo muita água (em cada pequena mochila levávamos uma garrafa de 1,5 L = total 6 litros para 4 pessoas adultas) e protector solar. Quantidade suficiente de bolachas normais (faltou-nos outro complemento nutricional energético, frutas, etc.). Tudo verificado para cumprir. E muita vontade de caminhar. Prontos para receber a Natureza que se dá a conhecer.

[3.] O desafio consistia num percurso de 8 Km (+/-) que foi iniciado em Areinho, junto da praia fluvial (onde deixamos o respectivo automóvel no parque de estacionamento; para 4 pessoas, não se pode usar 2 veículos, quando se pretende fazer passeios ecológicos!?), guarnecida com um pequeno bar, ainda fechado aquando da nossa saída a pé. Na partida o relógio marcava 9H42 (horário de férias… saída de casa mais de uma hora antes…) e no fim, com pausas breves pelos pontos sombrios (sem ver os miradouros, o miradouro da Cascata das Aguieiras que dizem ser impressionante; nem a ponte suspensa perto da praia do Vau que de “fora” já é muito atrativa…entre outros pontos) chegamos cansados, mesmo exaustos, a Espiunca, por volta das 12h44. Num total de cerca de 3 horas, com um grau de exigência elevado. Faltou a preparação física (nada mau tendo em conta a média etária! Com a prática diária de ½ hora de caminhada…) mas sobrava o desejo de Ver e Fazer o caminho como pedestre e até peregrino da Ecologia.

[4.] Outros apontamentos dispersos: O passadiço em madeira é uma obra admirável de engenharia, e não só, (a empresa construtora publicitada no local é portuguesa, creio nesse orgulho…) que alterna com partes de percurso em terra batida (alguns são mais curtos, outros nem tanto… com a imprecisão psicológica do cansaço; e repletos do pó fino amassado em suor abundante, quer a subir quer a descer, também deparamos com os pisos cobertos de pedras soltas, que aumentam a ansiedade da «queda» que leva a gerar o medo de não se conseguir terminar…); destaca-se que globalmente o local – verdadeira reserva ecológica; todo o planeta o é! – onde se inserem os Passadiços: GeoPark de Arouca. No particular as rochas, a vegetação, muitas coisas não percebidas mas sentidas, as íngremes encostas da margem esquerda do rio Paiva. Não é apenas o melhor a ser visto e revisto, mas todos os cinco sentidos em plenitude. Fica um desejo/voto extra: a exploração no período de Inverno, com outro nível do rio ainda mereça, sem dúvida, outra caminhada com outros agasalhos (esta última dica é devida à opinião partilhada pelo taxista multifacetado…).

[5.] As paisagens naturais são sempre exuberantes; a ponto de fazerem meditar facilmente!? Os degraus do Passadiço serão “700” (!?), dito pela pivot do programa de TV, que nos entrevistou num famoso “falso directo”…; não sabemos nem há informação, nos diversos placares afixados, que são a diversos níveis esclarecedores e formativos [não dá para desculpar a presença de algum lixo, nomeadamente, garrafas vazias…]. Contudo pela imponência do “engenho” os degraus serão um detalhe inesquecível, sobretudo, nesta tareia dada aos músculos inferiores (ainda de ressaca física, tudo o mais continua/está em forma…). Mas não se esqueça, também, que a escolha do início do percurso não deve ser aleatória! Conselho de arrogância previsível. Insistimos na defesa pessoal e por isso, fizemos o percurso na direcção Areinho – Espiunca, nessa modalidade, escolhida por nós, a maioria dos degraus é feita a descer…, sendo o grau de dificuldade mais baixo. Não sabemos quantos degraus fizemos, mas são muitos e bons de serem (des)feitos, passo a passo!

[6.] Como alternativa a esta tareia muscular temos várias soluções de A) a E):

A) – Ver as fotos dos amigos no facebook e dizer que no próximo verão (ou inverno, queríamos perder a inocência pela segunda vez) é que é pra valer!?

B) – Começar em Espiunca e ficar pela Cascata das Aguieiras…

C) – Percorrer apenas numa direcção levando um automóvel deixando-o num dos extremos (nossa preferência vai para Areinho) e depois no fim ligar para o Táxi em Alvarenga para levar o “grupo” (fazer sozinho não aconselhamos) de volta (fazemos publicidade ao Sr. António T. Teles, com múltiplos ofícios e informações, a custo de 18,50 euros a viagem…) – Nossa opção!

D) – Percorrer apenas numa das direcções levando dois automóveis, deixando um em cada um dos extremos do Passadiço (aí a escolha continua a não ser aleatória, insistimos pela experiência teimosa do suor gasto).

E) – Obviamente que o ideal é sempre realizar o percurso nos dois sentidos, com intervalos ao alcance de cada corpo e espírito, como “os mais preparados” fazem/farão com “facilidade” (e aqui fácil, em todo tempo e lugar, é diferente de verdadeiro e de disciplinado…) em direcções diferentes; pois o percurso acaba também por ser diferentemente apreciado. Se resistir é a não perder!

[7.] Como observações finais dispersas: Dizemos ainda que os 3 telefones S.O.S. instalados, e bem distribuídos, serão suficientes? – algum especialista pensou a segurança pública por nós. Perguntamos pela razão de não existirem WC em todo o percurso? Não estão bem sinalizados e passam despercebidos!? Em razão do impacto ambiental? […no fim de semana foram 1500 visitantes em simultâneo] Algum especialista muito apurado votou contra… Se levar telemóveis […mas nem sempre verificamos se havia rede], também, neste caso e só em situação de urgência eles devem ser usados. Faça o percurso off-line.

Devem ser esclarecidas e esclarecedoras as indicações normativas [todas as que estão presentes nos placares de início de percurso são importantíssimas a ler antes de] – o quanto antes para não haver lugar a “tragédias de segurança pública -, nomeadamente, nos cuidados a ter com pessoas de “idade” (entenda-se aqui o que seja o Senso Comum) que se decidam a fazer o percurso total (o grau de exigência é elevado; se for só parcial a escolha do percurso, retira-se em parte este carácter de gravidade, como aviso à navegação incauta…); quanto ao percurso a ser feito na companhia de menores é necessário ter cuidado com as crianças, elas deverão ir sempre do lado do rio, do lado oposto existem muitos locais sem protecção nomeadamente rochas pontiagudas. Os pais, mães e educadores responsáveis após os 5 minutos iniciais ficam em alerta amarelo! Basta uma travagem de corrida em falso.

[8.] Parabéns aos mentores e executores de todo o projecto ecológico. Brilhante empreendimento! As observações, sugestões e os reparos, de modo impressivo, pretendem apenas contribuir para o aperfeiçoamento do projecto no seu todo. Se a pergunta for: -Voltava a fazer os “Passadiços do Rio Paiva? Aconselhava-o? Depois de dar a ler este pequeno texto: sim! Espero pela próxima caminhada em grupo…

P.S. Por “opinião-politicamente-(in)correcta” consideramos que a manutenção futura tem de ser pensada desde já. Por essa razão quer cultural, quer económica, defendemos que deve existir uma taxa individual, ainda que a preço residual (com variante de preço por grupo (4,6,12,…ou até 5, 10,15… ou outra modalidade), com variante de preçário para crianças e reformados, etc.

pedro josé, CDJP, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 13-07-2015, caracteres (incl. esp) 7769.

FONTE: Cfr.http://valeserrantes.blogs.sapo.pt/passadicos-do-paiva-35685, acesso: 13-07-2015.

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