(2ª) Contra o COVID – 19: todos somos um! – Homilia/reflexão escrita (IV Dom QUA) a 28-3-2020

 

(2ª) Contra o COVID – 19: todos somos um!

– Homilia/reflexão escrita –

“Lázaro, sai para fora”, ordena Jesus com voz forte e determinada.

E ele levanta-se e sai amortalhado, como havia sido colocado na sepultura.

Jesus continua: “Desligai-o e deixai-o ir”.

E João, conclui: “Ao verem o que Jesus fez, acreditaram n’Ele”

(Ler/Rezar: Jo 11,1-45).

1.Vou novamente direto ao assunto, agora que não nos falta nenhum Tempo!? A não ser o “Tempo da Salvação” (da nossa Salvação individual e comunitária); o que é mesmo o “Tempo Fundamental” (o Fundamento = alicerce de tudo o resto). Não se compreende “a relatividade do tempo” de Einstein sem a “eternidade” de Santo Agostinho? Como é que se compreende o tempo enquanto variável material sem a introdução do grande tabu, Deus?” (Henrique Raposo, “Deus”, in Expresso, 13-04-2019, p.33). Deus, voltou, sobre a «forma» da «Morte Omnipresente» voltou ao lugar vazios dos nossos corações secularizados? O Silencio dos Hospitais, atulhados de camas nos corredores desordenados; silêncio dos Centros residenciais de Idosos, sem visitas; silêncio das Exéquias/Funerais, sem abraços e condolências; silêncio das casas comprimidas, sem varandas para o exterior; silêncio das Ruas infinitas e vazias; e por último ou primeiro, o silêncio, dos nossos Corações secos, e das Mentes, prolixas de informação surreal/ilógica/crua!? Mas este também É o Tempo da (nossa) Salvação: Esta Quaresma – Quarentona!

2.Haja consciência crítica para não embarcar na Retórica Vazia e Irresponsável: “fácil” do discurso/pregação/oração, dito religiosos, para consumo rápido(!). Quero (na tentativa e no erro, procuro fazer por isso…) pertencer à Igreja que é “mater e magistra”, na dura tradução atual, “a Misericórdia (Indulgência pela Penitência/Confissão…) e a Doutrina (Conversão ao Dogma…)”. Não ao medo dramático, que nos paralisa. Tempo de sermos a “Família Católica” (aberta com a Caridade a “tudo” e a “todos”…) e a “Família Cristã Doméstica” (“Ficando em Casa”…). Recordamos, por isso, o nosso plano de pastoral, com as palavras oportunas do Pe. Rocha, vigário geral: “A família como caminho de santidade [«Cada família, uma história de amor».]”. E dentro destes planos arquitetámos alguns pressupostos que nunca é demais recordar: “criar uma cultura de família que passa por conhecer, promover e defender os direitos da família e dos seus membros”; “ajudar a crescer: formar e ajudar os casais e as famílias a progredirem ao longo de toda a sua vida no amor mútuo, total e fecundo”; “olhar as famílias e ajudá-las a superarem as dificuldades”; “reaprender a narrar e a celebrar a realidade da família, o tempo, as festas, os sucessos e os fracassos…” Apesar da beleza e da ousadia destes pressupostos, tivemos, até ao presente, algumas dificuldades em concretizá-los porque, dizia-se: “não há tempo para estar-mos juntos”; “as horas não coincidem”; “os trabalhos são muito dispersos”; “o cansaço à noite já aperta”; “o ritmo da vida dificulta a atenção às coisas pequenas”; “o sono tira lugar ao beijo e à oração e o boa-noite desfaz-se no sonho”. Mas, de um momento para o outro, tudo mudou como se um clic nos despertasse de um sonho e nos levasse a um mundo outro, sem as seguranças que sonhávamos, as certezas que norteavam as nossas vidas, o poder que julgávamos possuir, os objetivos que tínhamos traçado e até as férias já marcadas. E vem a quarentena que nos faz ficar em casa, uns com os outros e uns para os outros. Faz-nos recordar jogos que nunca tivemos tempo de jogar; inventar estratégias para que o relógio não fosse tão lento ou recriar as histórias do lobo mau, dos bandidos ou dos ladrões. Faz-nos perceber que não somos sozinhos e reensina-nos a viver a realidade desta família que é a minha, a tal que é caminho de santidade e a saborear, de novo, o que é ser comunidade. (…)Afinal o Plano que tínhamos arquitetado, e bem, começou a ser realizado, por causa de um vírus chamado “coronavírus”. Ou melhor, prefiro dizer que é Deus que o concretiza, em cada uma das nossas famílias” (In Correio do Vouga, 25-03-2020, p.11).

Também convido a mastigar, neste V domingo da Quaresma, “Domingo de Lázaro”, a reflexão profética de Teresa Power (Famílias de Caná), na forma longa do evangelho, João 11, 1-45: “Cumprir-se-á também connosco, aqui e agora? Irá o Senhor abrir os túmulos onde temos vivido todo este tempo, correndo de um lado para o outro com demasiado trabalho, demasiado lazer, demasiada pressa? Irá o Senhor reconduzir-nos às nossas casas, ensinar-nos a transformar rotinas em rituais e fazer-nos redescobrir a alegria de sermos família? Irá o Senhor devolver-nos o templo e o culto, ressuscitando-nos com o Cristo Pascal? A promessa cumprir-se-á. Em Betânia vivem três amigos de Jesus. Lázaro está doente e, desesperando de toda a ajuda humana, as suas irmãs recorrem a Jesus. Mas Jesus está longe… Contudo, mesmo longe, o Senhor faz-Se perto, porque na sua omnipresença, a ninguém abandona. E assegura a Marta, a Maria e a cada um de nós: “Essa doença não é mortal, mas é para a glória de Deus.” Como, não é mortal, se Lázaro vai morrer antes de Jesus chegar? A epidemia que assola o mundo parece-nos ser, como a doença de Lázaro, uma epidemia mortal, matando novos e velhos, fechando escolas, levando à falência os mais vulneráveis, encerrando igrejas e fazendo os cristãos passar fome de Pão Eucarístico. Jesus está longe, separado de nós pelo ecrã de um computador, Presença virtual que não podemos tocar. Mas como a doença de Lázaro, também esta doença será, misteriosamente, para glória de Deus. (In Correio do Vouga, 25-03-2020, p.9).

3.Notas finais [com a conhecida regra dos “P”, para nossa conversão, obviamente, com “P” = Protegido(a)]. (A) Voltemos a meditar nos dois momentos que vivemos esta semana, como sacramental de luz, para este «retiro global», na nossa penitência quaresmal:

Consagração da Igreja em Portugal e Espanha – ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, Santuário de Fátima, quarta-feira, 25-03-2020;

Momento Extraordinário de Oração (Bênção Urbi et Orbi), presidido pelo Papa Francisco, no Adro da Basílica de São Pedro, Roma, sexta-feira, 27-03-2020

(B) Hoje os nossos bancos continuam vazios, celebração em modo “privado”, à distância [com ou sem a transmissão “on-line”] Abençoada distância! Se converter a nossa vida (…). Nesta Missa vivida, à distância [NB. não é o mesmo que “ver” um filme, jogo, Etc – as devidas diferenças em posturas/gestos/prioridades: em cada “caso e coisa”: tarefa de aprendizagem educativa, adultos e crianças…], rezemos a Jesus Eucarístico com as palavras, penso que da autoria, de Santo Afonso Ligório: “Já que agora sou incapaz de Te receber sacramentalmente, entra pelo menos espiritualmente no meu coração.” A Comunhão Espiritual é uma bela expressão do amor a Jesus no Santíssimo Sacramento. Não deixará de frutificar a Graça em abundância, na nossa fragilidade humana!

(C) O isolamento em nossas Casas e as Medidas Sanitárias da DGS, são para continuar a cumprir na íntegra! O Cansaço e o Corte Relacional não podem ganhar da nossa resistência Espiritual! É o Tempo da Caridade, agora, sem a proximidade física; estando em curso o real o “lay-off” das empresas e trabalhadores, já em nossas Famílias, Etc. Terá de ser assumido, naturalmente, por nós Padres e nossas Paróquias, em várias medidas e gestos, semelhante procedimento. Vamos reduzir ao essencial, aí «continua a habitar» a Providência!

Hoje é o (nosso) Dia e Esta é a (nossa) Hora! Santo Domingo de Quaresma em Família!

Pe. Pedro José, pároco de Mamarrosa e de Bustos, vigário paroquial de Palhaça e Oliveira do Bairro, 28-03-2020.

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