Recordar todos, tudo e sempre em Missão

Recordar todos, tudo e sempre em Missão

 

O texto que se quer um testemunho de Fé: é difícil de escrever. Recusei de vários modos. Como estamos todos a tentar viver melhor este ano no Compromisso Missionário. Fica o pequeno contributo. Os meus passos movem-se nesse período de tempo (fins de 2001 até fins de 2010) pelas terras do Maranhão, concretamente, as paróquias de Chapadinha e de Mata Roma, na Diocese do Brejo. Esse acordo missionário sem sucessor, mas com sucessão: perdura em mim (até escrevi um livro, “É mesmo uma Boa Nova”, 319 páginas, ousadia!) no que sou e faço, sem distinção. Vai-se apagando lentamente e depois renasce das cinzas vivamente.

Não são os passos sozinhos, não somos só nós. Um «EU» alargado por muitos rostos e histórias de Vida. Um Nome, uma Missão (quase Absoluta), uma Amizade (incontida): Pe. Manuel Neves! É uma acção conjunta. Muito menos o movimento em si. Pergunto-me hoje perdido e encontrado na ação pastoral? Qual a direcção a tomar? Não há problemas, há caminhos. Como é que os céus, que se movem de oriente para ocidente (ou vice versa) andam e desaparecem? Caminhar revela o começo de Tudo. Nesses anos fiz caminho em conjunto. Caminho em comunidade. É sempre o maior e mais exigente desafio/vocação.

Qual a razão das nossas fadigas se caminhar redobra o nosso cansaço? Um cansaço que dá Sentido ao desencanto possível do existir. A nossa árdua peregrinação do Espírito é movida e coroada pelo desgaste do/no Corpo. Engana-se quem foge, repudia ou exorciza. Peregrinar é purificar. – Quem está limpo que atire a primeira pedra? Todos são importantes. Sempre a resistência. Sempre a insistência. No fundo sempre a existência dos pequenos, frágeis: aprendi verdadeiramente a rezar o Terço nas inúmeras «Novenas», nas comunidades do interior rural e nos bairros da cidade. Se o caminhar está associado à evolução cerebral o mais ainda há que dizer e aprofundar nos caminhos do nosso viver. Qual garimpo. Seria habilitação moderna para caminharmos o menos possível uma involução? Certamente. Resultado: crescemos em incompetência espiritual, quando contraditoriamente, somos demovidos pela competência tecnológica.

Caminhar é consolidação espiritual. Lançar sobre o problema só uma luz oblíqua não é problema. É disposição para iniciar(-se). Na missão tudo, todos e sempre é: Espaço, Tempo e Modo. Mas uma só é a Realidade do Peregrinar: sair-de-si-para-andar-à-procura-do-Outro: ex-peri-mentar(-se). “Eis que chego logo” (Ap 22, 7.12). O ser de Deus é saída-de-si, vinda, Pro-cessio, Amor. Deus é Êxodo, pro-odos, êx-tase, Aquele-que-vem, Primeiro (Último, e primeiro novamente). Estamos a Caminho. Sou apenas uma disposição. Mas peregrinar exige também interposição. A distância pode ser considerável. Falta-nos, porventura, o Tempo necessário. Sobra-nos a Vontade. O ar está abafado. Nas carteiras não há dinheiro. Vale a hospitalidade sagrada. Urgem lugares à sombra repousante. Sossego agora não. Onde está o sinal da tua luta pacífica? Rezar e olhar. O teu caminho com propriedade. «O Dia ainda não nasceu e/ou saída para a Noite». Consciência obsolescente, e muitas vezes «tecnófoba». Consciência que se quer sempre Lúcida. Caminhos divergentes e convergentes, são os que fazemos nossos. Em Lucas (10,1-12) não precisamos de carregar alforges, hoje, diríamos mochilas, nem roupas, nem sandálias (na “minha” missão levei cartão bancário (!); dois pares de óculos (miopia espiritual ?!); e muitos “livros…”, etc.). Será que devemos andar “nus e descalços”? Não. Dispensar os telemóveis/celulares, os computadores…etc. Tudo está em função de quê?

“Fazer crescer os outros à sua volta. Não fazer e não ser “sombra” para ninguém”. Desapego radical do Poder. Podemos até, inadvertidamente, nos consolarmos ao dizer: «Deus nunca nos deixará desprovidos», mas isto pode ser um falso consolo, porque muitos paroquianos (cristãos de toda a tipologia: praticantes, adormecidos, ocasionais, anuais, festivos…) poderiam/deveriam ser confrontados com uma experiência prolongada de Missão, aqui e agora? De Jesus Cristo a proximidade diante das Pessoas, totalmente, desarmados, indefesos: colocar-me ao nível da Dignidade. Levar uma única coisa: a si mesmo. Repito o título: “Recordar todos, tudo e sempre em Missão”. Dou Graças pelos dons nos Irmãos, na Fé e na Esperança. Tudo isto aprendi a distinguir, decidindo a viver ou não (infelizmente) na Caridade.

Pe. Pedro José, pároco de Mamarrosa e de Bustos, vigário paroquial de Palhaça e Oliveira do Bairro, 04-07-2019.

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