Comunicado aos diocesanos de Aveiro (31-08-2018) por D. António Moiteiro

Comunicado aos diocesanos de Aveiro in http://www.diocese-aveiro.pt/v2/?p=17106 , acesso: 03-09-2018

Perante a campanha orquestrada contra o Papa Francisco a propósito dos abusos de pedofilia e outros, por parte de alguns membros da Igreja Católica, queremos afirmar o seguinte:

– Repudiamos todos os abusos sexuais contra vítimas inocentes e indefesas e queremos afirmar, mais uma vez, que tudo faremos para que estes crimes sejam abolidos da sociedade em que vivemos, fazendo justiça na defesa das vítimas e denunciando os culpados.

– A Igreja é santa e pecadora, sempre necessitada de conversão e renovação. O esforço que o Papa Francisco, na continuação dos papas que o precederam, tem vindo a fazer para tornar a Igreja mais evangélica, em diálogo com o mundo atual e em responder a problemas novos que se colocam à nossa ação pastoral, merece todo o nosso apoio como povo de Deus em terras de Aveiro.

Por fim, convidamos todos os diocesanos a um assentimento filial aos ensinamentos do magistério do Papa Francisco, a comprometermo-nos em renovar a nossa Igreja e o mundo em que vivemos e, ao mesmo tempo, pedimos ao Espírito Santo que nos ilumine nesta missão, que diz respeito a todos nós.

Pedimos que este Comunicado seja dado a conhecer através dos meios de comunicação social da Diocese e nas Eucaristias dominicais.

Aveiro, 31 de agosto de 2018 + António Manuel Moiteiro Ramos, Bispo de Aveiro.

Eu Pe. Pedro José, ao longo dos anos de ministério (ordenado a 13-07-1997), já vivi e estive implicado, pastoral e pessoalmente, mais direta/indiretamente, em algumas situações/casos: muito difíceis, polémicos e complexos, a vários géneros. A prática diz-me, e ensina-me que: temos de procurar agir em conjunto e denunciar. “Não deixar ninguém, em nenhuma circunstância/posição/condição isolado e abandonado: o caminho da Comunhão é a Justiça; a Justiça faz-se pela Comunhão”. Agir e Não Omitir. Pensar e, sobretudo, Agir. Continuo a rezar para não ser Omisso. Acrescento mais dois apontamentos para ajudar a aprofundar o nosso Comunicado na Diocese de Aveiro, pelo Bispo António Moiteiro.

1ª apontamento -No livro “Nós, os padres: 11 padres confessam-se” – no longo questionário-entrevista respondido por escrito; foram feitas 2 perguntas: Uma sobre os “escândalos de pedofilia” e outra sobre o “celibato apostólico”. Os seus testemunhos: Pe. João Vergamota – Patriarcado de Lisboa (pp.21 e 22); Pe. Andreas Lind – Companhia de Jesus (pp.48-49 e50); Pe. Miguel Cabral – Prelatura do Opus Dei (pp.73 e 74-75); Pe. Marco Leotta – Caminho Neocatecumenal (pp.101 e 102); Pe. Bernardo Maria Magalhães – Diocese de Lamego (p.123); Pe. Pedro Miranda – Diocese de Coimbra (pp.148 e 149); Pe. Miguel Neto – Diocese do Algarve (pp.180 e 182); Pe. Ricardo Figueiredo – Patriarcado de Lisboa (pp.205 e206); Frei Gonçalo Diniz – Ordem dos Pregadores (pp.221 e 222/223); Pe. Carlos Candeias – Missionário Claretiano (pp.241 e 242); Pe. António Vaz Pinto – Companhia de Jesus (p.254).

2ª apontamento – Leitura crítica a propósito do Comunicado do Bispo de Aveiro à Diocese POR Pe. João Alves, https://www.facebook.com/joao.alves.3110/posts/10217481300046239?__tn__=K-R, publicado: 1-09-2018.

“Tendo a concordar com o conteúdo, mas a discordar da prática efetiva da Igreja em Aveiro e em Portugal. Vejo neste prisma:

1.Não se pode dizer que se está com o Papa Francisco e a prática da Igreja em Portugal não ser preventiva. Não estamos a falar apenas de denuncia de casos de abusos, mas de evitar que essas situações aconteçam. Quando os Bispos, no poder que lhes é confiado, não denunciam junto da Santa Sé situações esquisitas como seminaristas que são expulsos e acolhidos e ordenados noutras dioceses, sem pedido de informação prévia…não estaremos a entrar na mesma lógica perversa de silenciamento? Não podemos por um lado dizer que estamos empenhados e erradicar essa perversão e depois, quando temos situações de imaturidade afetiva, perturbações psíquicas ou outras razões de gravidade, simplesmente deixarmos a água correr e não defendermos a Igreja ativamente de males futuros. Isto não acontece em Aveiro nem é costume nas Igrejas em Portugal. Várias vezes solicitei isso à Comissão que tutela os seminários.

2.Não se pode dizer que há uma campanha organizada contra o Papa Francisco, sabermos que ela é cultivada num meio anti-Igreja de pendor tradicionalista, mas andarmos a assobiar para o ar quando estes meios nos batem à porta. o Cardeal Burke passeia-se por Portugal, celebra em alguns sítios, com o consentimento dos bispos locais, nos presbitérios surgem grupos organizados e lobby de sistema anti-papa e a ação dos Bispos em Portugal qual tem sido? Não me parece bem que se diga que estamos com o Papa Francisco e, ao mesmo tempo, não se seja assertivo e claro diante desta realidade crescente e que sabemos que cultiva muita desta oposição a caminho da Igreja com o Papa.

3.Não se pode dizer se quer apostar que tantas destas situações não voltem a acontecer quando relativizamos situações de imaturidade afetiva. As orientações da Santa Sé são cada vez mais claras quando ao perfil do candidato ao presbiterado, a sua maturidade humana e tem sido reforçado, inclusive pelo Papa, quanto à não-ordenação de quem apresenta sinais de imaturidade. Parece-me que temos muito que cuidar na vida dos seminários e na atenção formativa e na corresponsabilidade dos Bispos diante de todo o processo. Aqui torna-se também claro que para se ser formador de seminaristas não basta ter jeito, ser jovem ou intelectual, mas é necessário cuidar e formar os formadores de seminários. O que se tem feito em Portugal neste âmbito e nesta aposta? Melhor nem falar. Os seminários não são, realmente, uma preocupação do episcopado português.

4.Não existe uma estratégia da Igreja em Portugal de atualização das orientações da Santa Sé para se lidar com os casos de denúncia de abusos sexuais. As situações acontecidas em diversas dioceses manifestam a falta de formação no lidar com estas situações, mesmo até um não reconhecimento das orientações da Santa Sé, com formas díspares e desajustadas entre as dioceses no lidar com diversas situações. A este propósito, torna-se também necessário cuidar e acompanhar as situações de difamações, anónimas ou não, ajuizando de acordo com as orientações. É gravoso para a vítima/sobrevivente de um abuso da parte de alguém, como é moralmente destruidora a difamação que cai em saco roto e por vezes, nem merecedora de comunicados a repor a verdade.

Penso e espero que o “compromisso em renovar a Igreja” comece na nossa Casa-Mãe Igreja Diocesana e em Portugal, com práticas que sejam mais definidoras na revolução das formas que temos tido até aqui”.

 

pedro josé, Bustos / Mamarrosa / Oliveira do Bairro / Palhaça, 03-09-2018. 6676

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