SOBRETUDO: acreditar na capacidade de Mudar e Crescer: Amadurecer! (XI Dom.TC – ANO B)

SOBRETUDO: acreditar na capacidade de Mudar e Crescer: Amadurecer!

APONTAMENTOS de Homilia (s): 17 Junho/2018 (11º Dom.TC – ANO B) – FONTE: http://www.dehonianos.org/portal/11o-domingo-do-tempo-comum-ano-b/, acesso, 15-06-2018

O profeta Ezequiel (cfr. Ez 17, 22-24) assegura ao Povo de Deus, exilado na Babilónia, que Deus não esqueceu a Aliança, nem as promessas que fez no passado. Deus que é fiel e que não desistirá. // O Evangelho apresenta o Reino de Deus: essa realidade nova que Jesus veio anunciar e propor. «Esse» projecto avaliado à luz da lógica humana, pode parecer condenado ao fracasso; mas ele encerra em si o dinamismo de Deus. Sem alarde, sem pressa, sem publicidade: a realidade «velha» que conhecemos vá, aos poucos, dando lugar ao «novo». // Paulo (cfr. 2 Cor 5, 6-10) recorda-nos que a vida nesta terra, marcada pela finitude e pela transitoriedade, deve ser vivida como uma peregrinação ao encontro de Deus, da vida definitiva.

LEITURA I – Ez 17, 22-24 – «Do cimo do cedro frondoso, dos seus ramos mais altos, Eu próprio arrancarei um ramo novo e vou plantá-lo num monte muito alto. Na excelsa montanha de Israel o plantarei e ele lançará ramos e dará frutos e tornar-se-á um cedro majestoso. Nele farão ninho todas as aves, toda a espécie de pássaros habitará à sombra dos seus ramos (…) Eu, o Senhor, digo e faço».

MENSAGEM – Este texto tem uma disposição/indicação sobre a forma de actuar de Deus, sobre a “estranha” lógica de Deus: Ele toma aquilo que é pequeno aos olhos dos homens (“um ramo novo” – Ez 17,22) e, através dele, vence o orgulho e a prepotência, confunde os poderosos e exalta os humildes. Deus prefere os pequenos, os débeis, os pobres. // Estes poucos versículos contêm uma DOSE, UM capital de esperança, que deve alimentar e animar a nossa, caminhada de Povo de Deus pela história.

LEITURA II –- 2 Cor 5, 6-10 – Irmãos: Nós estamos sempre cheios de confiança, sabendo que, enquanto habitarmos neste corpo, vivemos como exilados, longe do Senhor, pois caminhamos à luz da fé e não da visão clara. E com esta confiança, preferíamos exilar-nos do corpo, para irmos habitar junto do Senhor. Por isso nos empenhamos em ser-Lhe agradáveis, quer continuemos a habitar no corpo, quer tenhamos de sair dele. Todos nós devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que receba cada qual o que tiver merecido, enquanto esteve no corpo, quer o bem, quer o mal.

MENSAGEM – Para Paulo, a perspectiva dessa outra vida nova, plena e eterna, não significa um alhear-se das responsabilidades que temos, como crentes, enquanto caminhamos neste mundo finito e transitório. Aos crentes compete, enquanto “habitam este corpo” mortal, viver de acordo com as exigências de Deus, assumir as suas responsabilidades COMO discípulos de Cristo e do seu Reino. A cultura actual é uma cultura do provisório, que dá prioridade ao que é efémero sobre os sinais de eternidade (o mais… definitivo… o mais duradouro). É ainda uma cultura do fácil, que ensina a evitar tudo o que exige esforço, sofrimento e luta: produz pessoas incapazes de lutar por objectivos exigentes e por realizar projectos que exijam a fidelidade, o compromisso, o sacrifício.

EVANGELHO – Marcos 4, 26-34 – Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «O reino de Deus é como um homem que lançou a semente à terra. Dorme e levanta-se, noite e dia, enquanto a semente germina e cresce, sem ele saber como. A terra produz por si, primeiro a planta, depois a espiga, por fim o trigo maduro na espiga. E quando o trigo o permite, logo mete a foice, porque já chegou o tempo da colheita». Jesus dizia ainda: «A que havemos de comparar o reino de Deus? Em que parábola o havemos de apresentar? É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes que há sobre a terra; mas, depois de semeado, começa a crescer, e torna-se a maior de todas as plantas da horta, estendendo de tal forma os seus ramos que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra». Jesus pregava-lhes a palavra de Deus com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de entender. E não lhes falava senão em parábolas; mas, em particular, tudo explicava aos seus discípulos.

As “parábolas”: São uma linguagem habitual na literatura dos povos do Médio Oriente: falam e ensinam através de imagens, de comparações, do discurso menos lógico, mais quente, mais emocional. // A parábola é em primeiro lugar, é uma excelente arma de controvérsia; um bom instrumento de diálogo, sobretudo, em contextos polémicos (o contexto em que Jesus pregava). Em segundo lugar, a imagem ou comparação que caracteriza a história/enredo/argumento é muito mais rica em força de comunicação e em poder de evocação, do que a simples exposição teórica. Por isso, “mexe” mais com os ouvintes. Em terceiro lugar, espicaça a curiosidade e incita à busca. Na sua simplicidade, torna-se um verdadeiro método pedagógico, que leva as pessoas a pensar por si, a medir os prós e os contras, a tirar conclusões, a interiorizar soluções e a integrá-las na própria vida. // É neste contexto que devemos entender as duas parábolas que o Evangelho deste domingo nos apresenta.

MENSAGEM – A primeira parábola (vers. 26-29) é a do grão que germina e cresce por si só. A parábola refere a intervenção do agricultor apenas no acto de semear e no acto de ceifar. Cala, de propósito, qualquer menção às demais acções do agricultor: arar a terra, regar a semente, tirar as ervas que a impedem de crescer… Ao narrador interessa apenas que, entre a sementeira e a colheita, a semente vá crescendo e amadurecendo, sem que o homem intervenha para impedir ou acelerar o processo. A questão essencial não é o que o agricultor faz, mas o dinamismo vital da semente. O resultado final não depende dos esforços e da habilidade do homem, mas sim do dinamismo da semente que foi lançada à terra. Não adianta forçar o tempo ou os resultados: é Deus que dirige a marcha da história. A parábola convida à serenidade e à confiança nesse Deus que não dorme nem se demite e que não deixará de realizar, a seu tempo e de acordo com a sua lógica, o seu plano para os homens e para o mundo. // A segunda parábola (vers. 30-32) é a do grão de mostarda. O narrador pretende, fundamentalmente, pôr em relevo o contraste entre a pequenez da semente (a semente da mostarda negra tem um diâmetro aproximado de 1,6 milímetros e era a semente mais pequena, no entendimento popular palestino; a tradição judaica celebrava com provérbios a sua pequenez) e a grandeza da árvore (nas margens do lago da Galileia alcançava uma altura de 2 a 4 metros). A comparação serve para dizer que a semente do Reino lançada pelo anúncio de Jesus pode parecer uma realidade pequena e insignificante, mas tem uma força irresistível, pois encerra em si o dinamismo de Deus. A parábola é um convite à esperança, à confiança e à paciência.

ACTUALIZAÇÃO – Num tempo histórico como o nosso, marcado por “sombras”, por crises e por graves inquietações, este é um dos testemunhos mais importantes que podemos, como crentes, oferecer aos nossos irmãos FERIDOS pelo desespero e pelo medo. // Os que, continuando a missão de Jesus, anunciam a Palavra (que lançam a semente) devem confiar na eficácia da Palavra anunciada, conformar-se com o tempo e o ritmo de Deus, confiar na acção de Deus e no seu dinamismo. Isso equivale a respeitar o crescimento de cada pessoa, o seu processo de maturação, a sua busca de caminhos de vida e de plenitude. Não nos compete exigir que os outros caminhem ao nosso ritmo, que pensem como nós, que passem pelas mesmas experiências e exigências que para nós são válidas. Há que respeitar a consciência e o ritmo de caminhada de cada homem ou mulher – como Deus sempre faz. // A referência à pequenez da semente (segunda parábola) convida-nos a rever os nossos critérios de actuação e a nossa forma de olhar. Por vezes, é naquilo que é pequeno, débil e aparentemente insignificante que Deus Se revela. Deus está nos pequenos, nos humildes, nos pobres, nos que renunciaram a esquemas de triunfalismo e de ostentação; e é deles que Deus Se serve para transformar o mundo. Atitudes de arrogância, de ambição desmedida, de poder a qualquer custo, não são sinais do Reino.

SOBRETUDO: acreditar na capacidade de Mudar e Crescer: Amadurecer!

«Vivemos no tempo da Paciência e da Mudança e não da colheita nem do pagamento».

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