“Natal, expressão da caridade”: mensagem de D. António Moiteiro (2017)

Natal, expressão da caridade

O Natal não é um simples aniversário do nascimento de Jesus; é muito mais do que isso. É celebrar um mistério que marcou e continua a marcar a história da humanidade. Deus veio e vem ao nosso encontro.

Na plenitude dos tempos, Deus enviou-nos o seu Filho. Nasceu o “Deus connosco”, Aquele que mudaria o mundo com a sua mensagem de amor e, sobretudo, de salvação. O “Deus connosco” é também “irmão connosco”. Entrou na nossa história, partilhou o nosso caminho e com Ele aprendemos o verdadeiro sentido de sermos filhos.

O amor desceu à terra. A caridade chegara ao coração dos homens, vinda do coração de Deus, para fazer a sua morada definitiva entre nós. O Natal é a expressão da caridade. Jesus nasceu pobre entre os pobres; nasceu num estábulo de animais na periferia de Belém, porque Maria e José não conseguiram encontrar na cidade uma casa que os acolhesse; fecharam-lhes as portas. Deus não o poupou de nada: nem da pobreza, nem do frio, nem da indiferença. Só a partir da humildade, da pobreza interior, da simplicidade de coração, se poderá estar preparado para descobrir na humanidade a divindade de Deus, que quis enraizar-se na história dos homens. Esta humildade é inspiração para todos os fiéis.

No Natal, muitas e boas lembranças invadem a nossa a mente. Lembranças de momentos preciosos que desfrutamos ao lado das pessoas a quem tanto amamos; pessoas essas que fizeram ou fazem parte da nossa vida. Hoje, mais do que nunca, é necessário transmitir os valores cristãos às famílias. Multiplicam-se as festas, mas nelas tem faltado a essência: Jesus. Cabe-nos criar as condições humanas e as condições de coração para que Ele possa irromper e tornar-se presente na nossa vida e na vida de cada irmão.

Continuemos a contemplar o presépio. A força de Deus, que se manifesta na simplicidade e na fragilidade de uma criança, é a oportunidade de enaltecermos o nome de Jesus através da nossa adoração e testemunho. Todos nós precisamos do amor uns dos outros. Tomemos consciência de que os cristãos, a exemplo de Jesus, estão no mundo para o servir, humanizando-o e integrando-o no projeto salvífico de Deus.

Celebrar hoje o Natal, num espírito de testemunho cristão, exige muito mais do que a simples preparação exterior; remete-nos para o compromisso de cuidarmos dos mais pequeninos, dos mais indefesos e vulneráveis da sociedade. Nesta época, a fé, a esperança e a caridade ganham destaque entre as pessoas de boa vontade, mas a caridade não se pode limitar unicamente à ajuda material. “Não pensemos nos pobres apenas como destinatários de uma boa obra de voluntariado, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Estas experiências, embora válidas e úteis a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irmãos e para as injustiças que frequentemente são a sua causa, deveriam abrir a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida” (Mensagem do Papa para o 1.º Dia Mundial dos Pobres 2017).

O Natal contém um apelo ao homem, para que abra o seu coração ao outro. Precisamos de ir ao encontro do pobre e fazer com que este consiga crescer na fé e na dignidade humana, para que, com a nossa presença e a nossa ação, os ajudemos a superar os problemas do dia-a-dia. Lembremos todos os que foram vítimas da devastação dos fogos que deflagraram nos meses de verão e as exigências que esta situação coloca à nossa vida cristã: “O amor cristão tem duas faces inseparáveis: faz brotar e crescer a comunhão fraterna entre os que acolheram a Palavra do Evangelho e leva ao serviço dos pobres, ao cuidado para com os sofredores, ao socorro, sem discriminação, de todos os que precisam. Se verdadeiramente partimos da contemplação de Cristo, devemos saber vê-lo no rosto daqueles com quem Ele mesmo quis identificar-se: «Tive fome e destes-me de comer…» (Mt 25,35-46)” – (Carta Pastoral Dai-lhes vós mesmos de comer).

Jesus veio ensinar-nos a alargar os horizontes, a ver a vida com sentido de esperança. Haverá verdadeiro Natal, se houver mais compaixão, mais gratidão; se o outro for o centro das nossas atenções e serviços, vencendo o egoísmo, tal como Deus que fez de nós o seu centro, oferecendo-se a nós na pessoa do Jesus do Natal.

Perante uma cultura onde impera o medo, não temamos aproximar-vos de Jesus de Nazaré, porque Ele é Luz e sentido para a existência. Ele é o Caminho que nos convida a segui-Lo com confiança, coragem e esperança. Que este Natal se revele uma ocasião para ressoar a Boa Nova de Jesus no nosso tempo. Abramos o coração e recebamos com alegria o grande presente de Deus, fazendo d’Ele o verdadeiro motivo das festas de Natal.

Que o espírito de família e a proximidade que nos esforçamos por construir, sobretudo no tempo de Natal, não se dilua, mas nos acompanhe ao longo de todo o ano.

Alegrai-vos no Senhor!

A todos desejo um Santo Natal, cheio de paz e de alegria em Jesus Menino.

+ António Moiteiro, bispo de Aveiro

 

 

FONTE: http://www.diocese-aveiro.pt/v2/?p=15553, acesso, 20-12-2017.

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