EXPLICAÇÃO DA CURA – poema de Daniel Faria

EXPLICAÇÃO DA CURA – poema de Daniel Faria

 

O precipício não tem futuro ou desalento

Mas um carreiro que atravessa as giestas e o trevo

Um carreiro que chega ao seu destino

Como a lenha podada ao fogo

A madrugada aos olhos do mocho.

O desamparo não tem as mãos juntas

Mas o peito dividido

A abelha no coração do pólen

Fazendo circular o zumbido.

O coração tem uma roldana a girar

No eixo do desvio

Os olhos de criança diante do que passa.

E a canção é mão que se afadiga

A sarar do degrau e do perigo.

 

Autor: Daniel Faria, Poesia, Assírio & Alvim, Porto, 2012, p.108.

 

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Cultura, Espiritualidade, Livros, Poesia com as etiquetas , , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s