Páscoa: Alma de Cristo Sem Anestesia?

Páscoa: Alma de Cristo Sem Anestesia?

 

III Tempo Pascal – Ano A / Lc 24,13-35: «Ficai connosco, Senhor, porque o dia está a terminar e vem caindo a noite». Jesus entrou e ficou com eles».

Primeiro. Será que o Domingo já não “exige” a missa como preceito sagrado… É um dia de pausa laboral, só isso. Será isso o Dom-da-Missa-de-Domingo? Para quais Crentes? Vivemos tempos da pós-verdade?! Isto é: já nos traímos e não mais somos responsabilizados por isso. Tolerância de ponto injustificável. A comunidade dos discípulos não está reunida para “partir o pão”.

Segundo. Estamos diante de dois discípulos/amigos ou amigos/discípulos que vão a caminho de Emaús. Um chama-se Cléofas; o outro não é identificado, entramos dentro da história que é Vida Descrente. Olhar para dentro e não olhar de fora. A Cruz de Cristo é a alma sem anestesia? O Absurdo. Afinal, um ”bluff”, um profundo fracasso. Deixou-Se matar numa Cruz; e a sua morte é um facto consumado pois ”é já o terceiro dia”. Emaús… é a nossa história de cada dia: os nossos olhos fechados que não reconhecem o Ressuscitado… Os nossos corações que duvidam, fechados na tristeza existencial… Os nossos sonhos vividos com desespero… O nosso caminho afasta-se do Ressuscitado.

Terceiro. A escuta da Palavra de Deus dá a entender ao crente a lógica de Deus – para além da lógica -, discreto que volta a caminhar ao nosso lado… Demonstra, melhor, mostra-nos vestígios coerentes e apagados. A vida oferecida como dom não é perdida, mas é Semente de Vida Plena. Nós, os crentes somos convidados a viver e a anunciar a lógica de Deus, que é a lógica-do-amor e da entrega-da-vida até às últimas consequências. Qual é a lógica que domina a minha vida e que eu transmito nas minhas palavras e nos meus gestos: a lógica do amor, da entrega, da doação até às últimas consequências, ou a lógica do egoísmo, do orgulho, do amor-próprio?

Quarto. Se Jesus ressuscitou e está vivo, como posso encontrá-l’O? Onde e como posso fazer uma verdadeira experiência de encontro real com esse Jesus que a morte não conseguiu vencer? Porque é que Ele não aparece de forma gloriosa e não instaura um reino de glória e de poder, que nos faça triunfar definitivamente sobre os nossos adversários e inimigos?

O mundo provoca encontros e desencontros. Há vitórias, derrotas e empates. A Ressurreição é o risco de jogar no prazer da fidelidade a Deus, independentemente do resultado final. Vivemos o que potencia o egoísmo e a auto-suficiência ou o amor e a doação? Os homens do nosso tempo correm o risco de viver voltados para si mesmos, para os seus interesses líquidos e imediatos. Já não há sonhos, desejos e prioridades?

Na nossa caminhada pela vida, fazemos, frequentemente, a experiência do desencanto, do desalento, do desânimo. As crises, os fracassos, o desmoronamento daquilo que julgávamos seguro e em que apostámos tudo, a falência dos nossos sonhos deixam-nos frustrados, perdidos, sem perspectivas. Na espuma dos dias parece que nada faz sentido e que Deus desapareceu do nosso horizonte. De repente é-nos dada a oportunidade. Jesus, vivo e ressuscitado, caminha ao nosso lado. Ele é esse companheiro de viagem que encontra formas de vir ao nosso encontro – mesmo se nem sempre somos capazes de O reconhecer – e de encher o nosso coração de Esperança.

Quinto. Sempre que nos juntamos com os irmãos à volta da mesa de Deus, celebrando na alegria e na festa o amor, a partilha e o serviço, encontramos o Ressuscitado a encher a nossa vida de sentido, a vida que se quer mais autêntica. E quando O encontramos? Que fazer com Ele? Temos de levá-l’O para os caminhos do mundo, temos de partilhá-l’O com os nossos irmãos, temos de dizer a todos que Ele está vivo e que oferece aos homens (através dos nossos gestos de amor, de partilha, de serviço) a vida nova, vida renascida. Ajustemos o Seu passo ao nosso para caminharmos juntos Caminho-da-Vida.

Sexto. Bendito sejas, Senhor Jesus, / Tu que caminhas nos nossos caminhos, ao nosso lado, / para nos fazer compreender as Escrituras. / Nós Te damos graças pelo Pão repartido / e pela revelação da Tua Ressurreição. / Nós Te pedimos: torna-nos atentos à Tua Presença real-oculta-discreta, / cura os nossos corações, / tão lentos a crer; / fica connosco, / quando se aproxima a Noite, / e ilumina o nosso Caminho(ar).

FONTE: Cfr Releituras plurais: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia/?mc_id=1383 , acesso, 30-04-2017. Pe. Pedro José, Gafanha Carmo/Encarnação/Nazaré, 30-04-2017, caracteres (incl. esp) 4101.
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