Vida inabitual de sal e luz: In memoriam: Pe. Dr. Manuel Augusto da Silva Frade.

Vida inabitual de sal e luz

In memoriam: Pe. Dr. Manuel Augusto da Silva Frade:(Padre na diocese de Coimbra: nasceu 1934; ordenado 1959; morreu 2017); Professor no ISET, minha saudade de Coimbra (1990-1996), no rosto dos Mestres.

[1.] Queremos viver e desse viver fazermos a experiência proposta no Evangelho (Mt 5,13-16) ao ser luz [“Vós sois a luz do mundo”] e sal [“Vós sois o sal da terra”] para nós próprios; para os outros; e, por ventura desventurosa, para o Mundo, que nos habita e habilita. Como se o (nosso) Viver já nos fosse (quase sempre) insuficiente; e no fundo, a Vida, em luz e em sal: fosse o seu modo “inabitual”. Não são as trevas e o nevoeiro a propagarem-se dando um anti-exemplo de deliquescência para a Autoridade? Não é pois a luz que não ilumina mais, a impossibilidade de orientação interna? Ou então, o sal que não tem sabor e não conserva mais a dar-nos a propulsão para a fuga doentia das más notícias sem salvação exterior?

[2.] Poderemos recuperar a Memória da Fé: segundo o renascimento diária e inusual da luz e do sal: Obediente melodia afinada em pauta inacabada? Os nossos comportamentos “líquidos” e “consumistas” serão purificados na Luz e no Sal do Evangelho escondido e fielmente, prescrito e amado, em Jesus Cristo, passo a passo. Como (a)firmou .”O perdão é um dom para aquele que perdoa porque liberta do ressentimento; e para aquele que precisa de perdão, porque liberta da culpa (James Martin)“[1].

[3.] Da fraqueza retirar a força. E a “luz” e o “sal” vistos e saboreados depois de pensar e rezar o Filme “Silêncio” (Martin Scorsese), não ter lido o livro “Silêncio” (Shusaku Endo), duas perguntas: 1. O “Filme” – e porventura ainda mais o livro, que não li… – não colocam o Espírito Santo como a garantia da nossa/minha Fé, na inversão da fórmula (G. Bernanos): Fé 90% de Esperança e 10% de Dúvida, hoje em dia? 2. É possível conciliar o testemunho cristão num mundo de pessoas “mais indiferentes” com a apostasia diária dos cristãos “adormecidos”?[2]

Pe. Pedro José, Gafanha Carmo/Encarnação/Nazaré, 04-02-2017, caracteres (incl. esp) 2255.

 

[1] James Martin, Sj, Jesus, Paulinas Editora, Prior Velho, 2015, p.493. [2] Após ter participado na palestra do Pe. Adelino Ascenso, CUFC (29-01-2017) – Duas boas críticas (a) P. Gonçalo Portocarrero de Almada; “Um ‘Silêncio’ ensurdecedor” in Observatório, http://observador.pt/opiniao/um-silencio-ensurdecedor/ , acesso: 4-2-17; (a’) Pedro Mexia, “Das fraquezas forças” in Expresso – Revista, http://expresso.sapo.pt/opiniao/opiniao_pedro_mexia/2017-02-04-Das-fraquezas-forcas ,acesso: 4-2-17].
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