Mário Soares (1924-2017), aos 92 anos, morreu um pagão crente: socialista, republicano e laico.

Mário Soares (1924-2017), aos 92 anos, morreu um pagão crente: socialista, republicano e laico.

Político raríssimo, desses que surgem em cem gerações. Reunia em si e pela sedutora empatia à sua volta, todas aquelas dimensões que nos normais só se revelam de forma isolada e em geral indiferente: Dignidade (mutualista eterno…), Coragem (saber perder/ganhar…), Humor (auto-crítico e mau feitio…), Sabedoria (instinto antecipatório…), Generosidade (legado anti-fundação…), força de Caráter (respeito pelos adversários com honra…), Humildade (disfarçava perfeitamente o imenso ego…) e Fé (no humano).

Sabia ler e discursava como quem escreve ao de leve. Afirmou que foi «politico» fruto das circunstâncias. Empurrado por elas. Sua maior mentira verdadeira. Outras vidas promissoras e confortáveis abdicou? Direito permanente à indignação? O seu baptismo foi de sangue e não (apenas) de água. O carisma do espírito não adormeceu. O que seria o maior desperdício da Graça a não ser que se seja Profeta da desigualdade social? A resposta a essa pergunta quem nos dá é o próprio que a dá/deu: na defesa intransigente da (nossa) Constituição; da Democracia (alheia); e do (futuro do) Estado Social.

Admirável a postura firme e irrenunciável (a sua santificadora Esposa dizia que foi ficando em cada entrevista mais amargo, naturalmente, envelhecido…) mas por isso nele era visível e credível a Liderança. Não tinha medo da Rua e do Povo! Eis aqui uma lição para alguns semideuses (a)políticos que sendo cegos se consideram iluminados. Pura arrogância. Maçonaria(s) de tantos maître a penser: elogiam, legitimam e apodrecem no laicismo doentio: dogmáticos são (sempre) os outros?!. Republicas das bananas importadas?! Socialismo crítico da falsa caridade burguesa?!

Era um Animal Político? Todos somos políticos mesmo não exercendo. Nele a omissão não se fez pecado. Em nós o pecado está na omissão. Todos somos crentes mesmo adorando templos laicos na forma dogmática!? Vai demorar muito tempo o Luto. Três dias é muito pouco para o bem feito e que nos fez. Ficamos vazios dos seus sorrisos afectivos e seus lúcidos debates. Qual a sua maior, ou melhor, herança? É ter semeado entre nós os valores da Liberdade (o meu Partido só existe se existirem outros Partidos…), Dignidade (Desenvolvimento para todos e também à custa de todos…), do combate intransigente às Injustiças (Democracia, palavra e gesto incompletos…) – tudo isto fora da Direita ou da Esquerda, do oficial e da oposição. Assim será um “Soares-mais-que-fixe“. Avô eterno da democracia portuguesa. Talvez nos acontece “o” ser português daqui a cem gerações mais cedo.

Sou (sobretudo) Humano, (apenas) Cidadão e (imerecidamente) Cristão. Isso me basta e me dá muito trabalho, graça e dor de cabeça cada vez que me levanto da cama. Nasci em 1972 em Portugal e pelo «soarismo» anterior e acima de tudo posterior, a minha condição/educação portuguesa tornou-se feliz, por si mesma, nessa defesa livre e democrática (a uma ditadura de Direita não sucedeu uma Ditadura de esquerda… graças a Deus em quem os homens atendem…). Estou-lhe imensamente grato no seu serviço público exemplar. Erros, estupidezes e mentiras todos temos. Ninguém atire pedras pois os telhados são todos de vidro. Tudo se dá ou nada se ganha. Não importa o que temos. Só nos enriquece o que damos. Teremos a certeza de que sua Missão foi cumprida se soubermos ser responsáveis pelo seu caminhar entre nós e connosco.

Pe. Pedro José, Gafanhas: Carmo/Encarnação/Nazaré, 08-01-2017, caracteres (incl. esp) 3339.
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Uma resposta a Mário Soares (1924-2017), aos 92 anos, morreu um pagão crente: socialista, republicano e laico.

  1. Indignado diz:

    “O autor, que parece ser padre, no mínimo, não tem consciência do que está dizendo sobre uma das mais sinistras figura políticas da nossa História, confundindo as aparências, a fachada com a essência, quando acima de tudo, o que conta num governante, são as atitudes, o resultado da sua obra..o resto, é para encher acéfalos!
    Obviamente que todos erramos e não devemos criticar os outros por errar (embora na realidade tal seja falso!), contudo, há erros e ERROS. Quem comete grandes erros, que fazem sofrer milhares e milhares de pessoas, que colabora na estagnação e empobrecimento de um país, no aparecimento de elevada corrupção e se aproveita do Poder que tem em proveito próprio e dos seus amigos (forma de comprar apoios futuros!), caso da fabricação com dinheiros do povo de DUAS fundações…, que respeito merece?
    Sejamos tolerantes, NUNCA coniventes com a mentira nem com abortistas… ou aceita a matança de Seres Humanos inocentes e indefesos?
    (…)”.

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