Para onde vai o quotidiano viver?

Para onde vai o quotidiano viver?

In memoriam Pe. Manuel Marques Dias (1928 – 2016): O Dom do Ministério de Padre Como Cristão.

1.Querer estudar, no olhar profundo e interior, o modo como “perco tempo”, no «fazer» cedências à “preguiça” e ao “desperdício”. Num primeiro momento, registar a ausência da referência comunitária que constituía o passado recente, para não se perder em considerações mais distantes. Num segundo momento, observar como se está instalado no presente «provisório». Só semana a semana. Nada mais, nada menos. E, num terceiro momento, deixar comprovar-se, no tal viver quotidiano, pela Verdade, e saber reagir, positivamente, em face da mesma Verdade que não se vive, mas (quase) ardentemente se deseja viver mais.

2.As tendências impessoais. O físico e o psíquico caminham a passo lento, numa velocidade que não consigo fazer parar. Há dissonâncias visíveis e ocultas. Um conjunto de factores: alimentação, cuidados médicos do corpo e mente, cultura do consumo, fragilidade laboral e pastoral (não vou apontar diferenças mas existem na desigualdade e confusão permanentes: entre o “profissionalismo” e o “pastoralismo”), progressiva diminuição da capacidade de responsabilidade (pessoal e também institucional). Resumindo e falseando: sozinho não conseguir corrigir a errata do viver pastoral.

3.O amadurecimento espiritual é uma miragem até por vezes destrutiva, enquanto deveria ser um horizonte de fortalecimento. Encontros e perdas, com e sem conhecimento, permanecer numa perspectiva (palavra de fascínio e dor) de (des)continuidade. Adormecer e acordar com a multiplicação de experiências cujo envolvimento pessoal não representa fidelidade evangélica. Perder-se em todos os combates das lutas idealistas. As sementes manifestam-se em tons maiores e menores.

4.Viver instalado no quotidiano “presente” – imediato e efémero -, mais que no “futuro” redentor. Cansaço e desilusão pelas Causas nas quais já houve empenhamento “ontem”. O universo plural face ao “Mar por Tradição”. O Mar como analogia da nossa entrega Divina. Não saber nadar, apesar de quem sabe, também se afogar, mesmo sem ser náufrago!? Onde estão os momentos felizes, fugazes, sem preocupação, à procura da Felicidade sólida, permanente e comprovada, pela experiência dos maiores saberes e testemunhos?

5.Tomar a Vida na Palavra do Evangelho. Ouvinte da Palavra. Agora a vez de não abrir mão de Nada significativo. Insignificante é também não aceitar o tamanho e a profundidade da Palavra sem ser Testemunhada, na simplicidade e na liberdade. Apenas sem Medo de (com)viver. Plantar e não colher. Colher o que não se plantou. Infelizmente, não semear nem recolher. Sair cada vez mais a semear. Desejo por Cumprir. Partilhar o que temos e o que somos. Elogio da Imperfeição. Confessar-se pecador perdoado (e em conversão).

Pedro José, Gafanha Carmo/Encarnação/Nazaré, 19-08-2016, caracteres (incl. esp) 2690.

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