“A fé na praça pública” por Octávio Carmo

A fé na praça pública

NOTA de CONTEXTO: Originária do século XIII, a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo começou a ser celebrada em 1246 na cidade de Liège, na atual Bélgica. Inicialmente, a celebração assumiu-se como uma resposta a determinadas posições que colocavam em causa a presença real de Cristo na Eucaristia e terá chegado a Portugal no final do século XIII, adotando progressivamente a denominação de Festa de Corpo de Deus. A afirmação desta festa coincidiu com o auge da sociedade de cristandade no Ocidente. Hoje, após um interregno no feriado nacional, pode voltar a ser celebrada em Portugal na quinta-feira. As tradições e o sentido da celebração estão em destaque neste dossier [Consultar: Disponível em www.agencia.ecclesia.pt/semanario], que alarga o olhar sobre a importância da devoção eucarística e o congresso nacional sobre o tema, que Fátima vai acolher no mês de junho
Na quinta-feira, dia 26, dia santo de guarda, acolhemos a celebração Arciprestal do «Corpo de Deus» de Ílhavo, na Paróquia da Gafanha da Encarnação. A Eucaristia será celebrada, no Largo da Igreja Matriz, com início às 16H00; seguida de Procissão eucarística, com o seguinte percurso: 1) Rua Pe. Diogo; 2) Rua Entre Campos; 3) Rua Prof. Francisco Corujo; 4) Rua Manuel das Neves; 5) Rua Pe. Diogo. Observações: Apelamos às pessoas que moram nestas ruas que coloquem um sinal, por ex. colchas nas janelas; verdes. Como não é possível assegurar lugares sentados para toda a assembleia, sugerimos que tragam banco/cadeira. Na véspera e a partir das 10H00, no dia 26, de forma mais intensiva, decorrem os preparativos de montagem, por esse motivo o trânsito nas ruas de acesso ao Largo da Igreja Matriz estará sujeito a condicionamentos.
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Por Octávio Carmo in Agência Ecclesia (20-05-2016).

“Pode um dos discursos mais ‘diabolizados’ do pontificado de Bento XVI ser uma influência de peso no pontificado do Papa Francisco? Recuemos a 12 de setembro de 2006, quando o agora Papa emérito falava na Universidade de Ratisbona, no contexto do regresso à sua Baviera natal, lamentando que a sociedade ocidental cultivasse uma razão “surda” diante do divino, remetendo a religião para o âmbito da “subcultura”. Fechada ao diálogo, portanto.

O tema tem marcado várias das respostas que o sucessor de Bento XVI tem dado quando confrontado pelos jornalistas sobre os problemas ligados ao fundamentalismo religioso, ao diálogo entre culturas e ao papel dos crentes na praça pública.

Francisco pediu na sua mais recente entrevista que a laicidade do Estado seja respeitadora da liberdade religiosa, incluindo a liberdade de exteriorizar a própria fé. Ou seja, que não remeta a convicção, a fé, para o âmbito do estritamente religioso, mas reconheça vez e voz aos crentes, com as posições que a sua consciência lhes dita. E aqui, mais uma vez, surgiu o tema das “subculturas”, como há tinha acontecido em viagens internacionais à Ásia e aos EUA.

A posição compreende-se: o terror e o medo criam o pânico, a rejeição, a desconfiança, levam a que o património das religiões seja esquecido, diabolizado, como se os vários credos fossem inimigos da humanidade em vez de referências da defesa e promoção da dignidade humana, de valores fundamentais para a convivência social.

A voz dos Papas fala por todos os crentes que não aceitam ser cidadãos de segunda e esperam que o mundo não desperdice a sua força de paz e de amor. A liberdade religiosa transcende os lugares de culto, a esfera individual, rejeitando as tentativas de afastar os crentes da esfera pública.

O direito de expressão na esfera pública passa também pelo reconhecimento de feriados, como tem acontecido em Portugal. O regresso da celebração do Corpo de Deus à quinta-feira é uma boa notícia, para mais porque é uma festa com um forte caráter público, de celebração na cidade e com a cidade”.

FONTE: Octávio Carmo in Agência Ecclesia, Nº 165, 20-05-2016; http://agencia.ecclesia.pt/semanario/revista/#/page/5.

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