Quando descobrimos o Jesus da Páscoa? – Meditação por André Sève: oitava da Páscoa 2016.

Quando descobrimos o Jesus da Páscoa?

 

Meditação por André Sève, na oitava da Páscoa 2016.

 

“A semana a seguir à Páscoa é a parte mais alegre e mais estranha dos evangelhos: contém o relato das aparições de Cristo ressuscitado.

Porque serão tão desconcertantes estes relatos? Porque era preciso que, de algum modo, fôssemos postos em contacto com algo impossível de descrever. Não é, portanto, nenhuma reportagem! Uma câmara de filmagem nada teria registado. O realismo dos pregadores e dos pintores é que, muitas vezes, nos extraviou. É preciso repetir constantemente que se trata de uma catequese, com o objectivo de descrever alguns encontros com Jesus ressuscitado, a partir da fé.

Aliás, emprega-se hoje cada vez mais, a palavra “real” em vez de “histórico”. Histórico, caracteriza aquilo que pode ser conhecido pela ciência; real, é o que foi primeiramente conhecido pela fé, mas que, a seguir, teve um impacto histórico: a espantosa transformação dos apóstolos é a origem do cristianismo. Esta é que é a realidade muito real. Quem nega a ressurreição de Jesus, fica muito embaraçado para explicar o que se passou depois.

Apesar das diferenças, que vão até à contradição, os relatos das aparições seguem o mesmo esquema: os apóstolos começam por duvidar, depois reconhecem o ressuscitado e este envia-os em missão.

O duplo objectivo das aparições é habituar os apóstolos a uma nova presença de Cristo, e enviá-los, depois, a evangelizar o mundo inteiro.

Portanto, não se trata simplesmente de um supermilagre; na realidade, a Ressurreição faz nascer um mundo novo. Os apóstolos vão descobrir que Jesus, sendo simultaneamente o mesmo e completamente outro, vai estar com eles, daí em diante, com muito maior intensidade do que antes da sua morte, comunicando-lhes uma força extraordinária – a força do Espírito.

Quando encontraremos, por nossa vez, o Cristo da Páscoa? Quando descobriremos que a nova presença de Cristo nos dá força para enfrentar a vida com uma preocupação maior pelos outros. Se assim não fosse, a Páscoa não passaria de folclore”.

 

 

FONTE: SÈVE, André, O Evangelho Dia a Dia: 324 meditações, Gráfica de Coimbra, 1999, pp. 157-158.
Transcreveu: Pedro José, Gafanha Carmo/Encarnação/Nazaré, 30-03-2016, caracteres (incl. esp) 1957.
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