“O Pecado e a Graça: a pescaria não esperada?!” – (V Dom – TC – Ano C)

O Pecado e a Graça: a pescaria não esperada?!

 

V Dom – TC – Ano C

Isaías 6, 1-2a. 3-8: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

1ª Coríntios 15, 1-11: «…se o conservais como eu vo-lo anunciei…».

Lucas 5, 1-11: «Deixaram tudo e seguiram Jesus».

1. Deus manifesta-se como três vezes SANTO! O profeta sente-se intimidado e com ele partilhamos essa experiência de intimidação. Somos seres mortais, frágeis e, extremamente, superficiais pela prática do pecado que nos desfigura a humanidade. Eis que, novamente, Deus preside na justiça e no amor. Somos convocados a viver este Mistério de Vida partilhada em Deus. Só o «carvão ardente», símbolo da justiça e da compreensão de Deus, pode purificar a pessoa humana inteira e torná-la apta para servir na Palavra e na Missão.

2.Paulo faz afirmação da Ressurreição de Jesus. Paulo apela à constatação do testemunho da Igreja. Destaca que não se trata de uma interpretação pessoal dele Paulo (“…apareceu-me também a mim, como o abortivo”), mas de uma TRADIÇÃO: do Evangelho aceite comunitariamente, que é anterior a Paulo, e que inclui todo um conjunto de testemunhos (…Cefas, …os Doze, …quinhentos irmãos, Tiago, os Apóstolos e o próprio Paulo…). A afirmação do testemunho claro e simples, conhecido pela Igreja – Comunidade – Alargada – No Tempo: a morte de Cristo pelos nossos pecados e a Sua ressurreição, segundo as Escrituras e o Testemunho vivido. Nisto consiste o impacto do Credo Ressuscitado. Atuação da Graça/Amor de Deus em nós, sem qualquer inutilidade para nós (…tudo é aproveitado e se aproveita a partir do que somos…), no esforço de repartir(mos) a Graça/Amor, que nos ressuscita sempre.

3.Jesus pede com convicção a Simão que volte a lançar as redes. Qual o significado da abundância de peixes ao ponto de pôr em perigo as barcas que «quase se afundavam»? O que é que Simão (seus companheiros e nós no «presente» de ouvintes em chamamento…) deve ter entendido por ser «pescador de homens»? Em certo sentido impressiona a visão do MAR como símbolo da morte e o «pescar homens» como o tirar da morte; salvá-los do mar era salvá-los da morte. Não é «isto» que está em Jogo?

Apesar das incertezas há uma série importante de desafios que emergem deste apelo de Jesus aos homens experientes na pesca. Quando Jesus diz que volte(m) a lançar as redes ao mar, apesar de que a sua/nossa própria lógica lhe/nos diz que será em vão, porque em toda a Noite não pescaram nada. A Jesus é respondido a contragosto: «já que o dizes, lançarei as redes».

A Incerteza não deu lugar ao Desencanto. A nossa assembleia, humana e eucarística, «funciona» como REDE para ajudar cada um(a) a «continuar a pescar»: apesar da inutilidade do nosso Empreendimento; da dureza e da velocidade da Morte; ou do perigo escondido no imprevisto do Mar Diário. Não ficamos na margem, avançamos dentro do Mar na companhia de Jesus, o vivente da Ressurreição!

FONTE: Cfr. D. Manuel Clemente, O Evangelho e a Vida – Conversas na Rádio no Dia do Senhor (Ano C), Lucerna, Cascais, 2015, pp.151-155.

 Pedro José, Gafanha Carmo/Encarnação/Nazaré, 06-02-2016, caracteres (incl. esp) 2630.

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