Rascunho da Carta ao Menino Jesus

Rascunho da Carta ao Menino Jesus (*)

Carta ao Pai Natal”, José Tolentino Mendonça, in Revista Expresso, nº2248, 28-11-2015, p.86.

Natal a Verdade de uma Ficção”, Frederico Lourenço, in Revista Expresso, nº2249, 05-12-2015, pp.36-39.

O PREC do Papa em 2015”, Alexandra Lucas Coelho, in Revista 2 Público, 06-12-2015, p.28.

É mais difícil escrever uma Carta ao Menino Jesus do que uma Carta ao Pai Natal. Pelo menos para a minha condição etária. Esclareço, já posteriormente, que se trata mais dum rascunho propriamente e não da carta definitiva que gostaria de ser capaz. Fica o Desejo Pensado, e não apenas querido, na profundidade incumprida. Por essa Razão Maior decidi-me por este caminho mais difícil, repito, mas sem querer antever uma guerrilha inútil, entre os dois destinatários adversários (não inimigos?!), e por Acreditar (palavra também das mais difíceis) na “teoria dos vasos comunicantes”, ou no que isso possa vir a significar para as leituras sábias mas não eruditas. Partilho apenas o rascunho dos apontamentos ainda por terminar.

Oh Jesus Menino, no verdadeiro Presépio de Belém, ou doutra geografia periférica esquecida por todos, mas encontrada em cada morada alheia. O meu ousado e fundamental pedido, oh Jesus Menino, é que nos dê, a todos, sem distinção, um Verdadeiro Natal, com verdadeiros presentes. Não um natal-de-ficção. Não presentes ficcionados. O Original e não cópias alternativas ou substitutos artificiais.

Oh Menino Jesus, ajuda cada um de nós a saber no seu íntimo qual é a Verdade, primeira e última: “Se amamos somente a nós mesmos, somos solidão individual. Se amamos os irmãos, somos comunidade de amor. E a vida eterna não é nada mais que comunidade de amor entre nós na força do amor de Deus que nos sustenta no ser para sempre“ (JB Libânio).

Oh Menino Jesus: nós somos o que amamos. Nós não somos o que temos, ou imaginamos ter, ou até, pensamos vir a ter no futuro próximo ou longínquo. O Natal, Menino Jesus Pobre e Silencioso, é o teu Ser em nós e não o teu Ter em nós. A Fé que salva é aquela que está embebida deste Amor nascimento infinito. Aceitar o Menino Jesus, significa sair de si, cuidar do outro, realizar o que Ele nos ensinou no evangelho, mesmo até sem saber que se trata dele. Naquelas importantíssimas palavras-chaves, que abrem as portas do egoísmo: Que tive fome, sede, fui peregrino, estive nu, enfermo e preso e fui socorrido. Quando? Todo o pequeno serviço que se fez a um dos irmãos mais pequenos foi a mim – “o” Menino Jesus Cristo, das Palhinhas e do Bafo dos Aninais e “o” Cristo Jesus, do Calvário, entre trocistas cépticos e irresponsáveis – , foi a Ele que se fez ou deixou de fazer (cfr. Mt 25,31-40). Aí estará a melhor preparação e vivência do Natal feito Passagem de Ressurreição. O Serviço da Caridade, sempre a renascer na competência e gratuidade.

Oh Menino Jesus todo o Amor está concentrado no teu Nascimento e não fora dele. Todo o Amor quer como “presente” a Eternidade – o Amor de Deus não só a deseja, como a realiza e é. Essa Eternidade, que nos escapa no corre-corre-da-vida, não se ganha nem se perde, mas é o Amor que vivemos aqui e ultrapassa o Tempo e o Espaço, para dentro da infinitude de Deus. A Noite e o Dia de Natal pertencem ao Dom que Tu és enquanto Menino e Deus, nas nossas Vidas trocadas e torcidas. Toda a pessoa que ama não ganha «apenas este presente» no Natal; é já essa eternidade natalícia feliz que ocorre quando intuímos no segredo anónimo, mas justo e pacífico, que o Natal-é-Todos-os-dias, no sem fim do abraço fraternal.

Oh Menino Jesus, certamente, que o Pai Natal está já disfarçado (composto em brilhantes leds, contrafeito para entrar no Guiness ou pendurado tipo Homem-Aranha no exterior de nossas casas…), mas sem Medo, dentro do Teu Presépio Aberto a todas as Raças e Culturas, sem adiamentos burocráticos e cedências precárias, dos Refugiados Actuais, enquanto 4º Rei Mago (se aceitarmos a incómoda lenda real do eterno Rei Mago que se atrasa no Tempo ou adianta no Amor…), ou tipo 5º Rei Mago, herói quotidiano e humilde, sem custo e só doação de perfeita Alegria no Serviço. Acendo uma Vela por essa Profecia Moderna!

Oh Jesus Menino, por último, dá-nos Outra Vez, com paciência e liberdade, um Banco-de-Horas, generosas e responsáveis, para agirmos todos no mesmo Caminho da Justiça e da Paz. Que saibamos comportar-nos no Bem-agir, no Bem-pensar e no Bem-querer, ao longo do Ano Novo que se aproxima veloz. Dá-nos a Coragem de resistir ao Ódio, à Violência, à Injustiça, à Corrupção e ao Medo, de não sermos fiéis ao que sentimos dentro do Nosso-Coração-de-Criança-Eterna, para crescer e viver no teu Amor.

Só isso que nos faz imensa falta. Nada Mais Além disto… Teu com Amizade e Admiração eternas!

 

(*) Esta carta rascunho procurou dialogar, com os “textos-citados-como-epígrafe”, e sobretudo, com: JB Libânio, “Só se salva e ganha a vida eterna quem aceita Jesus? nesse caso, só os cristãos serão salvos?”, in http://www.vidapastoral.com.br/artigos/temas-pastorais/so-se-salva-e-ganha-a-vida-eterna-quem-aceita-jesus-nesse-caso-so-os-cristaos-serao-salvos/, acesso: 22-12-2015.

Pedro José, Carmo/Encarnação/Gafanha da Nazaré, 22-12-2015. Caracteres (incl. espaços): 5058.

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