Sobre a humildade como fio condutor

 

“A insatisfação de muita gente reside no simples facto de achar que a vida é, ou foi, injusta com ela. Ou porque lhe falta isto ou lhe falhou aquilo, acha que está a ser prejudicada. Todavia, não grita «injustiça» quando lhe dá mais do que aos outros. Ignora que qualquer privilégio é tão injusto quanto uma falta. Considera-se sempre com direito ao que de melhor existe, à saúde, à fortuna, à felicidade, ao amor, ao sucesso profissional. Estas pessoas estão redondamente erradas: a vida nada lhes deve”, FIDALGO, António, Ética Mínima – Pequeno guia para tempos difíceis, p.18.

 

Assim a humildade diante o que ainda não consigo imitar em Jesus Cristo e também os desvios, claros e ocultos, para não O seguir com Verdade por inteiro, nos meus interesses, sobretudo, nos valores últimos e nas consequências primeiras. Minhas lutas (in)glórias estão em paralelo com os moinhos de vento ou “então prosápia de ver mérito no que foi recebido de mão beijada”(p.12).

Creio muito. Ou sei-me, apenas, que em Jesus Cristo: há vida plena “formada pelo Criador, mas deformada pelo pecado, reformada pela graça de Cristo e que será transformada na vida plena da Ressurreição” (Pe. Manuel Neves).

“Quem tem tudo pode, de um momento para o outro, perder tudo, e quem não tem nada pode ainda vir a ter o que nunca pensou alcançar algum dia” (p.13). O ditado português adverte com frontalidade «não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe».

Sr. Padre tem de falar nas suas homilias da solidão imposta aos idosos, até pelos familiares com ares de hipocrisia refinada. Sr. Padre olhe nas suas homilias pela violência e os maus tratos “domésticos” (?!). Sr. Padre obrigado pelo que disse nas entrelinhas e pelo que fez pensar em dizer, apesar do não dito…

A atitude primordial a ter perante o Chamamento de Jesus Cristo é a humildade livre e aberta. Ser um discípulo humilde como a criança confiante, como o adulto auto-crítico, como o idoso sapiente e curioso. Bendito o discipulado amistoso, não há outra possibilidade de resistência activa.

Paragem 1. – “O que a humildade significa é que os nossos esforços são necessários, mas não suficientes. Quer isto dizer que sem esforço nada se consegue, mas que o êxito desse esforço não está garantido. Podemos garantir que faremos o nosso melhor, mas nada mais que isso”(p.15).

Paragem 2. – “(…) Ou seja, a humildade é a consciência clara de que somos limitados, de que não somos deuses todo-poderosos”(p.16).

Paragem 3. – “A humildade é antes a sobriedade na percepção das coisas tal como são. É, dito por outras palavras, uma lucidez realista”(p.16).

Paragem 4. – “A humildade perante a vida é, no fim de contas, um amor à verdade nua e crua. O que, convenhamos, não é fácil”(p.18).

Cristo Jesus, Rei feito Servidor da Humanidade inteira, ajuda-me a perceber cada vez mais com vigor, com alegria e com espírito sofredor, a Tua Misericórdia é Rosto, Encontro e História em Comum; com o Teu coração o meu coração resiste; com a Tua cabeça a minha cabeça imagina; com o Teu estomago, meu estomago jejua; que “de entre as coisas que dependem de nós, a primeira e a mais importante é a atitude perante o que não depende de nós” (p.12).

Sou um servo verdadeiramente inútil.

Fazer-me cada mais cristificado por Jesus, com Jesus, em Jesus, O Nazareno. “Desde já aceito passar essa porta para a vida plena. Recuso pensar que foi inútil ansiar pela vida plena. Esse desejo não pode ter sido em vão! Chamem-lhe o que quiserem. Eu chamo-lhe Ressurreição: Vida Plena em Deus! Ressuscitarei e viverei para sempre essa vida plena” (Cf. P. Neves, in VIDA NOVA, Nº40, 02/11/2014).

Que Jesus Cristo Reine de Vez!

FONTE: Todas as citações indicadas neste texto só com o número de página foram retidas da obra: FIDALGO, António, Ética Mínima – Pequeno guia para tempos difíceis, Ed. Gradiva, Lisboa, 2014, pp.168. Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 22-11-2015. Caracteres (incl. espaços): 3613.

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