Os pequenos passos: a coragem possível.

Os pequenos passos: a coragem possível.

 

“Onde há remissão dos pecados, já não há necessidade de oblação pelo pecado”, Carta aos Hebreus, 10, 18 [Tradução litúrgica].

A Vida comporta muita insignificância e irrealização. Tenho quantidades dignas de exportação a baixo custo que obviamente ninguém solicita. O mesmo não retira a Verdade, a Beleza e o Testemunho existenciais que a Vida ensina na sua insignificância e irrealização permanentes. Daí que a força possa residir nos pequenos passos. Se não sou capaz da superação radical não posso deixar de fazer o que estiver efetivamente ao meu alcance do melhor modo que sou capaz.

Como adquirir a preparação específica e competente no meio da (i)maturidade em que somos chamados a Servir? No que é domínio da formação não há lugar à indiferença e o sacrifício deve exigir a humildade de aprender novamente. São combustíveis diários. Pode instalar-se o cansaço e a irritação na base da incompreensão dos ritmos lerdos e agónicos. Saber esperar em vigilância activa e construtiva. Não podemos avançar com velocidade superior aos recursos humanos disponíveis. É um risco desnecessário.

As possibilidades são moedas cunhadas por defeito e excesso oferecidas aos colecionadores mais atentos. Desde que o alarme soa não há mais Tempo a desperdiçar. Vamos fazendo sem implicar desgaste inútil. Dialogar sempre até que os conflitos possam ser encaminhados. Ter consciência de que fazer congregar as vontades exige uma dose grande de paciência, isto é, a coragem possível em cada adversidade diagnosticada. Mesmo sem dinheiro acreditamos, uns mais que outros, no Trabalho e na Graça.

Vivificar acima do mais pequeno Nada. As imperfeições do ministério tornam-se evidentes, por isso não há como disfarçar. Investir na autenticidade. Estar disposto à colaboração mútua. Sem ceder na Identidade. A dialética nunca salva. A liberdade evangélica salva. A mistagogia ajuda muito. Recusar viver a meias verdades que são mentiras por inteiro. Aprender a servir até morrer. Nunca estar em bico dos pés. Apoiar-se para ser capaz de apoio. O exemplo inicia a mudança.

O Caminho está em cada pequeno passo que não se desvia muito da meta final. Densamente apanhado por quase Tudo. Amargo perante os pecados, mas convencido da Misericórdia infinita quando requerida na responsabilidade fiel e generosa. Viver sempre na linha implica atenção, silêncio e entrega. A Paz é uma construção sempre a recomeçar na Aliança da Justiça.

Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 17-11-2015. Caracteres (incl. espaços): 2282.
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