Sobre “por minha causa e por causa do Evangelho”- Reflexões: Ano B – XXVIII, TC (Mc 10,17-30)

Sobre “por minha causa e por causa do Evangelho

Reflexões: Ano B – XXVIII – TC: Cfr. Mc 10,17-30.

«O maior paradoxo do desejo não está em procurar-se sempre outra coisa: está em se procurar a mesma, depois de se ter encontrado”, Vergílio Ferreira (1916-1996) in Público, 19-09-2015, p.48.

1.Sobre um mundo sem causas – Um homem aproximou-se a correr (quer chegar em primeiro?), saúda e elogia, simultaneamente, ajoelhou-se, em atitude sagrada (?), para perguntar sobre a Vida Eterna. De repente, a sua causa maior fez dele um desprovido-de-causas. Indeciso foi-se embora abandonado pela possibilidade da felicidade real. O não-seguimento pode levar à negação da Causa Maior. Não sobreviver a uma vida libertária; mas onde a liberdade obedece à Vida em plenitude existe entrega e reciprocidade. Não podemos sofrer da doença do «escapismo»; a realidade não pode negar as Causas prioritárias. Há mediações e consensos que evitam o «tudo» ou «nada». Não aceitar a desconsideração do Outro: evitar no fio-da-navalha a cedência à mediocridade, que é sempre um modo inumano de se ir estando.

2.Sobre as causas do insignificante e do significativo – Mudar a mentalidade no Ser. Acreditar que a multiplicidade não anula a transparência evangélica. Rezar por aqueles a quem as injustiças do mundo sem causas tiraram tudo o que Deus queria dar a todos. Viver com os meios que estão ao serviço da Vida e das Causas: não podemos atrasar mais, nem “fazer de conta” a menos. Os meios “ricos” ou “pobres”; o dinheiro e a pobreza não são «neutros». Precisamos que se faça “o” Bem e “a” Verdade. Faça acontecer “o” chamamento ao Ser. Os meios, em certa medida, são as causas que realizam o cumprimento da Pessoa Humana. Se isto é um «homem»; se isto é uma «mulher»: então a partilha do Ser é possível. A vida não se esgota no «presentismo» das riquezas; nem no «eternismo» dos mandamentos. Tudo é relativo. Absoluto a «Fome» e «Deus». “- Vem, dá (-te) e segue-Me!”.

3.Sobre “por minha causa e por causa do Evangelho” – Neste argumentar de Jesus Cristo que centraliza na sua Pessoa e no Evangelho, a chegada da Boa Nova do Reino de Deus reside tudo. Tudo recomeça agora. “Vai, vende e dá tudo… Vem e segue-Me!” Uma coisa te falta. Há uma carência existencial que não pode ser enganada. Exige-se um desprogramar da Vida sem excepções. Sem desvios em relação ao “Caminho, Verdade e Vida”. A nossa Generosidade e os nossos Desejos purificados na Sua Causa e na causa do Evangelho, sem distinções. É preciso um «salto qualitativo»: tornar-se Cristão no Seguimento da Causa de Jesus e do seu Evangelho. (i) Deixar de ser-em-si; (ii) ser-para-os-outros em Jesus.

Em suma, existe a ineludível «necessariedade» para “deixar” o Ter; e então, “seguir” no Ser. Na pânica mediocridade de não tentar procurar o “que nos falta”: viveremos momentos perplexos e insatisfeitos. Na sua Causa e por causa do Evangelho é urgente ir relendo, revendo e reouvindo a Vida na sua plenitude generosa e serviçal. Apenas nesse nada perdido tudo será encontrado.

Pedro José, CDJP, Carmo/Encarnação/Gafanha da Nazaré, 10-10-2015, caracteres (incl. esp) 2913

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