Sobre o despertar festejando

 

Sobre o despertar festejando

“O começo no seio de uma continuidade só é possível como acção”, Emmanuel Levinas, in Totalidade e Infinito, p.136.

Sou um texto corrido sem parágrafos. Podia dar lugar à ressaca mas não é bem a ocasião. Ainda não é o momento certo para o ocaso. Embora o dia, que começou na noitada da véspera…, perante a Solene e Emotiva Procissão da Padroeira. Mais uma vez N. Srª. da Encarnação «fez» o milagre do «bom tempo». Perante o fim talvez possa despertar em mim essa sensação de Tédio diante da Vida. Não creio pois a bolsa dos afectos e dos factos está a transbordar. Tive mesmo de dormir – enquanto primeira noite primordial -, na Gafanha da Encarnação. Acordei com a sensação de frio e por inaptidão técnica, não tomei banho d´água quente. Cá fora no Adro, os homens e as máquinas da recolha de lixo municipal «» faziam o seu imprescindível e impecável trabalho de limpeza. Corri para a Gafanha da Nazaré para que a higiene corporal e mental fosse possível para o despertar rápido e completo. Depois, antes que fosse tarde, fui pagar na Gráfica as pagelas. O pronto pagamento significa que é menos 6,30 euros: o que é óptimo para começar o dia de trabalho. Esqueci de Rezar! A fruição de estar perdido na Memória de outro local quente no Maranhão…, na terra da Senhora das Dores. Não! Agora é Encarnação, Carmo e Nazaré. Transporto um feixe de “padres” incompleto e infinito: Arménio…; Urbino…; Jorge…; Neves…; Lé…; Marcelino…; Francisco(s)… Enraizado no Presente e agradecendo todas as festas futuras. Despertar para o existir comprometido é exigente. A morada; o trabalho pastoral; dizer não e dizer sim; dizer não agora; o tremor da vertigem amistosa; e o inadiável abalo dos desafios. Ao longe, que é perto, os foguetes da Arruada da Mordomia continuam a decorrer a bom ritmo (?). Mais logo o esplendor da Entrega do Ramo. Porém, não sei ler totalmente os sinais áudio. Quase todo perdido com as coisas do administrar, que não avançam num ritmo rápido. Afinal, estou mesmo ressacado e não sei como assumir a fruição e a felicidade, marcadas não pelo «eu» mas pelo «nós». “A alegria e os seus amanhãs” de Emmanuel Levinas, tudo misturado com a religiosidade popular. A música do “Seu Jorge – Ela É Bipolar” (!?), no hiper-mercado, sem o cartão do Continente, mais uma vez esquecido. Sem conseguir abstrair o peso de não saber avançar, apenas comprar os Cadernos de Apontamentos: sempre quadriculados e de capas pretas. Custa tanto confiar como se fosse a primeira vez. Organizar é a tarefa. Agora e depois e mais tarde também. Está muito mais difícil pontuar gramaticalmente a minha existência. Sem consentimento e com o apetite espiritual. O contrário é a Verdade mais dura porque pura na Doação. Sem talvez. Deus é Bom.

Pedro José, CDJP, Gafanha do Carmo / Encarnação/ Nazaré/, 14-09-2015, caracteres (incl. esp), 2609.
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