sobre o abrir-se diante da dor – Reflexões: Ano B – XXIII TC (Mc 7,31-37; Tg 2,1-5)

sobre o abrir-se diante da dor

Reflexões: Ano B – XXIII Tempo Comum: Cfr. Mc 7,31-37; Tg 2,1-5.

«O amor é o invisível no habitual.», Agustina Bessa-Luís, in Dicionário Imperfeito, 2008. Homenagem na Feira do livro do Porto, Jardins do Palácio de Cristal, na visita com amigo bibliófilo, 05-09-2015.

«Não quero mais nada deste mundo. Poderiam oferecer-me todos os países do mundo, eu não os quereria. O que era precioso já não existe.», Abdullah Kurdi, sírio, 40 anos, que viu a mulher (35 anos) e dois filhos, de 3 [foto do corpo dando à costa correu mundo, tirada pela fotógrafa Nilufer Demir] e 5 anos, a morrerem afogados, quando tentavam chegar à Europa, in Público, p.7, 5-9-2015.

Jesus pronuncia uma palavra curativa «Effathá», que quer dizer «Abre-te» – hoje essa palavra curativa e libertadora continua na liturgia do baptismo, no rito explicativo final. Nós como crentes nascemos daí com essa marca. Mas o texto do evangelho é até “excessivo” nos gestos/acções de Jesus com o surdo-mudo: Jesus (1) toma o homem pela mão e afastou-se com ele para longe da multidão; (2) meteu-lhe os dedos no ouvido do homem; (3) cuspiu e com a sua saliva; (4) tocou a língua dele; (5) olhou para o céu; (6) suspirou e (7) disse finalmente: “Effathá!” – “Abre-te”.

Com simplicidade reconhecemos: podemos viver de muitos modos, mas há modos que não nos deixam viver com dignidade própria e serviço ao próximo. Como crescer em experiência diante da fragilidade e da maldade humanas: não perder a capacidade de «abertura». Diante da Dor e do Sofrimento (também da Injustiça e da Violência – que nos fazem cada vez mais incrédulos), Jesus aproxima-se e cura a condição de «incomunicação profunda» (surdez e mutismo). Suspira pela força da mudança…; suspira por ética e cuidado…; suspira para que o Espírito de Deus possa agir por dentro da mente e do coração de cada crente.

O falar e o ouvir fazem a nossa convivência humana. Podemos padecer duma incomunicação profunda aos apelos humanos; inconscientemente surdos e mudos. Ouvimos tantas coisas, menos a ressonância da Palavra de Deus. Falamos de tantas coisas, menos do anúncio da Palavra de Deus. Disponho-me a torná-la concreta na minha vida? Nas situações de Injustiça suspensa ou não; de Iniquidade implícita ou não; não podemos ser assistentes passivos e indiferentes. Abrir-se à Palavra de Deus é abrir-se às necessidades dos Irmãos. Não podemos fazer “acepção de pessoas”, no escrever de S. Tiago, pela imagem exterior, no critério do vestir e noutros sinais; alimentando um princípio discriminatório grave.

“(…) Mas uma conversão não acaba coisa alguma. Pelo contrário com ela começa tudo, o mais difícil e o mais belo” (Raymond Léopold Bruckberger, O.P.). Nos gestos e nas palavras que curam e cuidam. Urgente ajudar a diminuir o sofrimento. Combater o desânimo e a discriminação. Procurar compreender e estimar. Reconhecer-se a si na dor alheia. Abrir o olhar e ver a realidade tal como é. As soluções começam, também, nos primeiros passos.

FONTES: Cfr. FILIPE RODRIGUES, José, op, Arrependei-vos e acreditai no Evangelho – Homilias para o Ano B, Editora Lucerna (Principia), 2014, pp.127-128; Cfr. J.B. LIBÂNIO, SJ, Um Outro Olhar – Volume VII, 2010, pp. 122-123. Pedro José, CDJP, Carmo/Encarnação/Gafanha da Nazaré, 05-09-2015, caracteres (incl. esp) 2301
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