sobre a lei exigente da pureza – Reflexões: Ano B – XXII TC (Mc 7,1-8.14-15.21-23).

sobre a lei exigente da pureza

 

 

Reflexões: Ano B – XXII Tempo Comum: Cfr. Mc 7,1-8.14-15.21-23.

 

 

«O amor não precisa da pureza, ou melhor, o amor é a única pureza que vale»,

André Comte-Sponville, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, p.187.

 

Temos de admitir que Jesus não faz este comentário para se libertar de uma lei exigente para o povo judeu – a lei da pureza -, mas sim para nos dizer que não nos preocupemos com o «exterior», descuidando-nos assim do «interior». Jesus não era contra os Ritos. Os ritos e costumes são necessários. Jesus defende – faz toda a diferença – que não podemos ser escravos dos ritos. Jesus purificou-nos de todos os interditos, tabus, ritos, na Sua Própria Pessoa; naquilo que viveu e como foi morto, assim ressuscitará em cada um de nós!

Vamos vivendo e convivendo numa ironia: «Tudo o que vive, suja; tudo o que limpa, mata». Dentro do nosso pseudoconsumo a única pureza «possível» seria a higiene «total»! Percebemos, então, que ser Cristão não é uma teoria: tipo-manual-de-instruções-a-seguir-à-risca. Quem faz do Ser Cristão uma teoria assim engana-se a si próprio e trai a verdade do Evangelho. Qualquer Amizade, Caridade, Justiça, Liberdade, numa palavra só, Amor “salpicado” de interesse, torna-se impuro ou fonte de impureza.

Um aparte que não quero mal interpretado. A AdRA – Águas da Região de Aveiro, S.A., informa que no próximo dia 31/08/2015, entre as 09H e as 20H, irá interromper o abastecimento de água nas Freguesias da Gafanha do Carmo, Gafanha da Encarnação e Gafanha da Nazaré – Ílhavo (Cfr. http://www.adra.pt/content/index.php?action=detailfo&rec=1792&t=Interrupcoes-de-Abastecimento, acesso: 29-08-15). Este corte deve-se a trabalhos de melhoria da rede de abastecimentos de acordo com a empresa. “E” com este Evangelho, do “comer sem lavar as mãos” faço duas idas ao interior da nossa Consciência (individual e colectiva): 1º) Pensemos no drama desumano dos «Refugiados» que entra pela TV, diariamente à náusea de prontuário, a morrer no Mar (com água a “mais”…) e a morrer depois “sem” água, ou sem ar, sem pão, sem assistência médica, etc. O Estatuto do Refugiado pede para não discriminar ninguém em virtude da sua raça, religião, sexo e país de origem e respeitar o princípio de não “devolver” ao país de origem alguém que no mesmo possa vir a ser vítima de perseguição. Ninguém está a fugir do Bem-estar e da Paz!? Vamos ficar um dia sem água pensemos um pouco…

2º) O corte d´água e o “conciliar” dos banhos higiénicos e mais que higiénicos (a gestão dos nossos Centros Sociais – paroquiais ou não… – no apoio aos idosos e doentes acamados); a nossa necessidade «doméstica» d´água para cozinhar e (des)fazer a higiene corporal, etc.; e pensemos, paralelamente, nessa recomendação da ecologia integral, pela exortação “Laudato Si” do Papa Francisco; e perguntemos: como aprecio, defendo, poupo, evito o desperdício d’água? Desse Bem Comum inestimável que é a água potável! Vamos ficar um dia sem água pensemos um pouco…

Esta reflexão de Jesus Cristo sobre a lei exigente da pureza (contextualizar a cultura judaica e as religiões em geral) quer dizer uma coisa muito simples: andemos nós um pouco mais “sujos” de mãos e pés… por circunstâncias adversas ou não; mas se isso significar um coração mais “puro” e uma mente mais “despoluída”: a nossa Saúde Espiritual melhorará no Serviço ao Próximo! Poupemos e reciclemos só no que deve ser feito por Amizade/Caridade!

Resumindo ao máximo que dá no mínimo: Não existe pureza absoluta, nem tão-pouco impureza total ou definitiva. Nosso segredo católico é uma Confissão bem-feita! Nada é puro ou impuro em si. Só o coração é, e pode ser puro; só o coração purifica. A única motivação para Amar é Amar!

 

 

FONTES: Cfr. Comte-Sponville, André, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, Editorial Presença, 1995, pp.186-195; Cfr. FILIPE RODRIGUES, José, op, Arrependei-vos e acreditai no Evangelho – Homilias para o Ano B, Editora Lucerna (Principia), 2014, pp.125-126; Cfr. J.B. LIBÂNIO, SJ, Um Outro Olhar – Volume VII, 2010, pp. 120-121. Pedro José, CDJP, Carmo/Encarnação/Gafanha da Nazaré, 29-08-2015, caracteres (incl. esp) 3462.

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