Sobre o assumir do múnus de pároco

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Hoje pela tarde entreguei nos serviços da  Cúria Diocesana  um texto a (des)propósito da minha «Profissão de Fé» – não feita de acordo com o prescrito –, junto com as ATAS e outras devidas formalidades importantes. Este texto surgiu “pela oportunidade de não perder a oportunidade”: paradoxo simples. Texto que não é para dividir (até na acutilância evangélica: quem não é por mim, é contra mim). Partilho para que determinados assuntos não sejam “tabu” – palavra infeliz – e possamos saber desde a fonte da Tradição Viva,  porque fazemos ou deixamos de fazer… «Os problemas de hoje, não se resolvem com soluções de ontem». Queria saber a vossa opinião crítica: agradeço o possível comentário. Não sou sabedor definitivo de coisa nenhuma…, apenas esforçado para encontrar  o Sentido diante das atitudes que não fazem mais sentido. Agora, chamam-me Prior: só significa mais trabalho e o saber crente das verdadeiras razões para acreditar com Fé, Esperança e Caridade. Nada mais além ou aquém. Que a nossa linguagem de Fé possa ser: sim, sim ou não, não. pe. pedro josé, 18-08-2015.

Sobre o assumir do múnus de pároco

1. O Decreto de Nomeação do Sr. Bispo Dom António Manuel Moiteiro Ramos (cfr Aveiro, 25 de Julho de 2015 – Reg. na fl. 55 do livro respectivo) que me nomeava Pároco da Gafanha do Carmo e da Gafanha da Encarnação e Vigário Paroquial da Gafanha da Nazaré, nesta nova condição, especificamente, no serviço enquanto Pároco pedia que, passo a citar: “emitirá a profissão de fé e o juramento de fidelidade, superiormente prescritos, cujos textos, uma vez assinados, remeterá à Curia Diocesana, juntamente com a respectiva ata”.

2. Consciente de que assumo a condição de pároco, pela primeira vez, em dezoito anos de ordenação ministerial, por isso, só indirectamente tive alguma experiência. Faço algumas observações sobre as atitudes que assumi a “quente” pelo tempo disponível em que me foi pedido decisões e as atitudes correspondentes. Vestido a “rigor” com a identificação clerical “adaptada” (cfr. facebook).

2.1. Sobre o “juramento de fidelidade” referido no decreto de nomeação; não o fiz porque não me foi apresentado através do Delegado do bispo da Diocese para a concelebração eucarística de início do ministério pastoral. Quanto à “profissão de fé” foi apresentada na fórmula, que passo a citar: “Creio em tudo o que está contido na Palavra de Deus, escrita ou transmitida, e que é proposto pela Igreja como divinamente revelado. Também acolho e aguardo todas as afirmações que são propostas definitivamente pela mesma Igreja, acerca da doutrina sobre a Fé Católica e sobre os Costumes Morais”.

2.1.1. Quanto à “profissão de fé” apresentada na fórmula atrás transcrita faço as seguintes observações que tiveram consequências práticas.

No “sacrário da minha consciência” discordo com a formulação escrita. Sabendo que uma coisa são “afirmações que são propostas definitivamente” e outra são os “dogmas”; para o estudo/formação que a Igreja me proporcionou e fui capaz de completar e a Vida Pastoral, presentemente me ensina, são coisas diferentes. E ainda mais o que se refere à “doutrina sobre Fé Católica e Costumes Morais”. Quero reafirmar que não assinei estas formulações escritas (cfr ANEXO em BRANCO), mas fiz a fórmula do CREDO, escolhido para a cerimónia, juntamente com o Povo de Deus, na Gafanha do Carmo e na Gafanha da Encarnação (nesta paróquia sob a fórmula presente no Ritual Romano, na Celebração do Baptismo das Crianças). O Delegado do bispo diocesano, Pe Francisco José Rodrigues de Melo, pároco anterior, respeitou este problema de consciência por mim apresentado.

Neste foro íntimo da Consciência Sacerdotal, nomeadamente, sobre o Sacramento da Penitência/Reconciliação, e as condições e ou impedimentos de acesso à Comunhão Eucarística, nas situações ditas “irregulares” – espero o decorrer do próximo Sínodo em Roma – tenho adotado caso a caso, e não só, posturas, que designo, “heterodoxa/ortodoxa”, de modo a “sanear esquizofrenias pastorais”, prevalecendo o Princípio da Misericórdia, pedido insistentemente, por Jesus Cristo, nos Evangelhos, em que agora não me específico mais. “Ainda assim fui/sou “acusado” de hipocrisia moral/pastoral: uma “coisa” de cada vez a seu tempo (im)próprio”.

Aproveito ainda para acrescentar que na prática litúrgica, tenho uma postura, novamente, mas invertida, “ortodoxa/heterodoxa”, baseada no MISSAL ROMANO – CNBB, São Paulo, Paulus, 1ª edição 1992; 17ª reimpressão, 2013 [Nomeadamente no que se refere aos termos “(…)pôs-se à mesa com os seus apóstolos… seus AMIGOS(…): Cfr. Oração Eucarística IX – Para Missas com Crianças – I, pp.1027-1028; Cfr. Oração Eucarística X – Para Missas com Crianças – II, p1033; Cfr. Oração Eucarística XI – Para Missas com Crianças – III, pp.1038].

3. Ressalto uma vez mais que o processo de transição pastoral, no tempo, modo e circunstâncias, pessoais e pastorais não foi bem conduzido, superiormente, desfavorecendo e prejudicando o exercício do Ministério do Pároco cessante. Graciosamente, e certamente, pelo mistério da Assunção de Maria, as cerimónias eucarísticas nas três Paróquias implicadas (respectivamente a 15/16 de Agosto de 2015), apesar estarmos a viver o mês de Agosto, foram muito bem participadas, pelo Povo de Deus, e organizadas/animadas, liturgicamente, pelo Pároco cessante, que assegurou, acima de tudo, de modo irrepreensível a transição institucional na gestão paroquial corrente em todos os assuntos, a curto, médio e longo prazo. Bem haja por este esforço extra!

Pe. Pedro José, Vigário Paroquial, da Gafanha da Nazaré,

Pároco da Gafanha do Carmo e da Gafanha da Encarnação, CDJP, 17-08-2015.

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