Duas impossibilidades: o pão como chave – reflexões: Ano B – XIX TC (Jo 6,41-51)

Duas impossibilidades: o pão como chave.

Reflexões: Ano B – XIX Tempo Comum: Cfr. Jo 6,41-51.

“É tão bom, Senhor,

quando pões a linha da vida na mesa do meu pão.

No meu pão de cada dia.

J.A. de Oliveira, “A Linha da Vida” in Almanaque de Santo António,

2015, p.168.

Pelo menos duas impossibilidades saltam diante da nossa Consciência: “não murmureis entre vós… que Eu hei-de dar é a minha carne…”. O mistério da contingência no “vício” da murmuração e a essência na “virtude” da carne. Sem julgamento, que nos dispense do direito de contraditório, nós a maioria das vezes “achamos” o contrário: a virtude é murmurar, quanto mais melhor, haja companhia para afiar a língua, em assuntos alheios; ou o vício da carne, no desgastado argumento a “carne é fraca”, e vai daí, “tudo ou quase-tudo” [diz a letra, no refrão já exausto: “Dei-te quase tudo / E quase tudo foi demais / Dei-te quase tudo / Leva agora os teus sinais…” – Paulo Gonzo] nos é permitido, cinicamente, até desculpado.

Diante destas duas impossibilidades, mais reais que virtuais, ressalta-nos a frase de Jesus, a chave/símbolo do Pão: «Eu sou o Pão que desceu do céu». Crer e comungar. Dois verbos singulares – da expressão e testemunho credível da Fé – diante das duas impossibilidades, como a chave/símbolo da vida eterna, feito alimento para a Vida diária. Crer, vem de credere, que vem de cordare – dar o coração a alguém. E comungar, não vem de comum união, como por vezes ouvimos, mas de comum + munere – isto é, ter a mesma missão; de munus, munere – missão, encargo, tarefa, caminhada.

«Crer» e «comungar» não faz com que Deus “resolva” os problemas por nós, mas diz-nos que Deus está solidário com a nossa caminhada de superação. Jesus Cristo é a Palavra feita “carne” [= existência humana] dada até à morte, que nos ensina e mostra, mas também realiza e faz feliz, a quem a Ele aderir, «já» nesta vida. É Ele, definitivamente, quem sacia a nossa fome de Sentido. 0 Seu alimento é a Sua vida: é Ele próprio. Ele faz-Se alimento para saciar a nossa fome. Deus não abandona. O alimento do Céu transforma a nossa fome diária num «compromisso» com uma Terra [“casa comum”] justa e sã. O alimento de Deus é para o nosso caminhar.

Possamos rezar todos(as): “É tão bom, Senhor, quando pões a linha da vida na mesa do meu pão. No meu pão de cada dia”.

FONTES: Cfr. FILIPE RODRIGUES, José, op, Arrependei-vos e acreditai no Evangelho – Homilias para o Ano B, Editora Lucerna (Principia), 2014, pp.117-119; Cfr. J.B. LIBÂNIO, SJ, Um Outro Olhar – Volume VII, 2010, pp. 114-115 [Consultar On-line: http://www.jblibanio.org.br/images/homilias/um%20outro%20olhar%20-%20volume7.pdf , acesso: 5-8-2015]; Cfr. KONINGS, Johan, S.J., Liturgia Dominical, Editora Vozes, Petrópolis, 2003, pp.308-310.

Pedro José, CDJP, Carmo/Encarnação/Gafanha da Nazaré, 05-08-2015, caracteres (incl. esp) 2213.

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