Felicidade Quase Quotidiana: sem enganar os anos!

Felicidade Quase Quotidiana:

sem enganar os anos!

“À noite, avaliar a tarde. Confrontar com a manhã. Dar-se conta dos progressos. Das circunstâncias atenuantes ou agravantes. Ser mais objectivo que culpabilizante, pois o arrependimento verdadeiro é antes de mais propor corrigir-se objectivamente, na confiança. Não é lamentar-se, nem introverter-se. Decidir-se a continuar. Agradecer ao Senhor”,

Vasco Pinto de Magalhães, SJ, Entregar-se, Acolher e Comungar, p.210.

Em vez da mudança estática e rápida. Pelo sentido contraditório da mesma e no apelo publicitário exterior. Não é possível responder a esse modo de estar apenas sedutor. A publicidade quer fazer crer que a Vida dispensa artimanhas. A Vida avaliada em quatro colunas enquanto metáforas, são elas: Família/saúde: o bem-estar – o eixo do Corpo; Amigos/amizade: o sentido – o eixo da Intimidade; Trabalho/comunidade: o serviço – o eixo do Dever, e – quase a fechar a quadratura do círculo -, a Cultura/coisas: a memória – o eixo do Direito. Se a síntese e o esforço do conceito fossem possíveis este seria um ponto de partida e não de chegada. Tentativas e tentações.

Essas possibilidades reais que promovo e deixo, ou não, emergir são, também, oferecidas para permanecer sempre ligado. As entrelinhas da Comunhão. Essas considerações ordinárias tecem-me enquanto fio condutor. Pergunta-se, então, presentemente, no estado de meio-cansado, mas não exausto; na condição de meio-perdido, mas não à deriva. – Se foi feita a aposta errada? A Missão que assumimos é uma tarefa controvertida. É preciso dar o melhor de si mesmo. Não escolhemos: fomos escolhidos. No despojamento criativo. Nem angélico, nem bestial: quase sempre Humano. Isto de estar a passar a crise da meia-idade o que é? Anormalidade assumida. Consciência de Fidelidade.

O Tempo de Jesus Cristo passou a ser o tempo da Igreja: o Tempo do Espírito Santo. Vivificar abaixo de tudo. As imperfeições do Ministério: tornam-se evidentes – também (me) acusam de Hipocrisia, – sendo o remédio do Evangelho conhecido -, mas não tido como observação radical – por isso, só vai havendo matéria-prima disforme. Estar disposto à Conversão. Liturgia pagã (não profana) a sério; e Liturgia sagrada (não sacra) a brincar: como irmãs gémeas que no Silêncio convergem e fecundam. A dialética nunca salva. A mistagogia ajuda mais. Recusar o “coisificar” do viver, e ainda assim, abrir-se. Aprender até morrer não há alternativa.

Impaciência para o Ser. Mas consciência reflexiva não chega lá pelo Ter. Luta inglória e pacífica. Arte de envelhecimento ao sabor dos anos. O querer fazer e já não poder fazer. Tentar. Tentar outra vez, reforçadamente, e mesmo assim não ter êxito – palavra em deflação porque antídoto da proximidade divina. Mas o Vigor já não corresponde e a irreverência para o fazer é mais uma vez um caso isolado, até situação primária a desfazer-se em equívocos. O Desejo de calar, abertamente, não eclipsa o Discernimento. A inoportunidade salvífica acontece simplesmente. Densamente agradecido por quase Tudo. Docemente amargo. Amanhã será outra vez noite.

Pedro José, CDJP, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 13-05-2015.Caracteres (incl. espaços): 3030.
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