desconcerto (in)feliz: prodigiosas faltas de paciência

desconcerto (in)feliz: prodigiosas faltas de paciência

Só o Amor é digno de Fé. À maneira do Filho que dorme nos braços do Pai enquanto a Mãe lê orante. Deus secular. Igreja laica. Inexistentes por (a)provar. É preciso e precioso o Silêncio de quem é dádiva pura. Como constatamos o abismo do Pecado. Somos obrigados a contradizer em nome da Amizade, com a distância de quem continua a ser fiel. O que devemos fazer e quem somos quando queremos? É-nos mostrado esse Mistério pelo nosso modo de viver.

É estranha porventura a experiência da infidelidade íntima na medida em que nos afastamos do que realmente gostamos. Começa por ser um travo doce e despreocupado e aumenta rapidamente no cansaço de construir. Paramos e dizemos que somos propriedade desconhecida. Saímos pela porta de entrada sem as pressas educacionais como borboleta recém-nascida. Tal como num domingo-de-ramos em que cada um toma a Água Benta que é capaz.

A Bíblia não fala duma criação a partir do Nada, mas sim, poeticamente, duma criação da Ordem a partir do caos, cuja origem também é Deus. Entretanto, morreu-nos o Poeta da Poesia (des)governada pela interpretação primordial e ficou-nos quase tudo sob investigação. Onde está a autenticidade do estigma individual ou social? Dom extraordinário no sigilo da unção para preparar a Morte. Impreparados por teimosia. Quem cuida dos confessores?

Desconcerto voluntário ou involuntário? O olhar do Homem e da Mulher são diferentes. Belos na união. Frágeis na relação. Secos de Desejo. Nunca aceitar nada que não possa ser partilhado. Tempo, Espaço e Forma. Apenas isto. Impor o Dever de sentar para rezar em intercessão por outrem. A encenação da Paixão como catequese viva para adultos é caminho árido mas fecundo. A via-sacra Pública na recusa de quem pede à sua porta de Casa o silenciar da pluralidade. Todos já mortificados por Descrença.

Somos uma harmonia adiada como o Pão fresco do pequeno-almoço. Alimento e remédio. Disfarçamos o melhor possível, mas nem sempre o resultado é o desejável. Apenas saber o que não se quer. A Ignorância é infinita. O Conhecimento é finito. Meninice irresponsável, com aroma de estupidez. Nem pensar! Apenas adiar o destino da simplicidade. Não vendas os livros e as atitudes. A não ser na moeda universal. Serviço abnegado. Enfrenta a acédia do assédio afectivo. Introspeção falida e mínima. Voltarei, aqui e lá, quantas vezes for necessário. Ámen?

Pedro José, CDJP, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 30-03-2015.

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