“Fazedores de Opinião: as contra-indicações sem medicamentos” – Apontamentos: Ano B – V Dom TC (07-02-2015).

Fazedores de Opinião: as contra-indicações sem medicamentos.

Apontamentos: Ano B – V Domingo Tempo Comum (07-02-2015).

[1.] Para os serviçais/servitas – A crise do compromisso comunitário. O tecido social está doente, dum modo grave quase irreversível. É necessário agir. Agir não apenas pragmaticamente mas programaticamente. Todas as nossas energias devem concentrar-se na irradicação deste mal que despersonaliza. O serviço é humanização plena. Enquanto “isto” acontece a palavra de Deus pede: “Jesus aproximou-Se, tomou-a pela mão e levantou-a” (Mc 1,31).

[2.] Para os imprudentes – Estamos cá mas estamos sozinhos. Seja realista não preencha fichas e questionários de avaliação: eles são quase inúteis. Tudo será decidido sem o seu contributo. Não é por isso que deixamos de participar. Sabendo que a participação não é democracia directa. No “agora” o conceito estratégico é a «governação» (inspiração americana para além da linguagem). Enquanto “isto” acontece a palavra de Deus pede: “Ai de mim se não anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16).

[3.] Para os receptores – Há dificuldade em receber e assumir. Não acompanhar apenas mediaticamente. Está lá e foi tratado possibilitando o conhecer e o amar, mas não o viver: como é possível? A Realidade aumenta o número das possibilidades. A recepção remota e próxima. Demora e demora. Paciência e Ser. Enquanto “isto” acontece a palavra de Deus pede: “Livre como sou em relação a todos, de todos me fiz escravo, para ganhar o maior número possível” (1Cor 9,19).

[4.] Para os indiferentes – Tão difícil estar preparado para a Fidelidade que o Evangelho nos pede. As coisas não podem ser improvisadas ao modo de quem não as assume, isto é, não se deixa ler na Verdade das mesmas. Sempre a avaliação no fio do desperdício, do embelezamento descartável e, demasiadas vezes, no imerecido julgamento dos outros (sempre eles…) que não me conhecem, a mim, a virtude santificadora. Dos que conhecem a Realidade – pensam conhecer inúmeras vezes bem demais – e não se comprometem com ela. Deparamos com a tarefa indolor de não os compreender, na mesma moeda de troca. “A pescada já o era, antes de o ser”: gloriosa razão cínica!? Formações permanentes que adiam e não encaram «o-nome-das-coisas», tal como elas se dão a conhecer nas Causas. Não queremos combater as Causas. Apenas inconscientes paliativos para as Consequências visíveis. Debaixo do tapete depositamos a pérola e o remédio. “Santos da casa não fazem milagres. E sabemos que noiva feia e defunto mau: nunca existirão nesta terra. Avançamos, não partilhando pelo que a insolvência pela displicente gestão será um ato sem direito a contraditório. Não é preciso: já lá estamos no jazigo apropriado: «Não te conheço… perdição indiferente». Não há Céu low cost. Não ao «tanto faz, tanto fez». Não há Graça indiferente: isso não existe. Enquanto “isto” acontece a palavra de Deus pede: “Os meus dias passam mais velozes que uma lançadeira de tear e desvanecem-se sem esperança” (Job 7,6).

[5.] Para os alegres – Do mistério pascal não são ausentes. Cristãos que Diogneto sabia intemporais. Não fazem hoje mas não é por falta de tempo: falta-lhes mãos de ternura; olhar de compreensão; inteligência sagaz e ética resiliente. Tudo cozinhado sem Medo. A lucidez da alegria serena. Eis o caminho dos audazes alegres. Enquanto “isto” acontece a palavra de Deus pede: “Todos Te procuram” (Mc 1,37).

[6.] Para os hesitantes (e pólo oposto) – Vou ou não vou. Sou ou não sou. A “nova gnose” que é a reciclagem de «mitologias» ancestrais. A “ideologia do género” que se impõe fruto da cultura moderna. Esquizofrenia existencial. “O Joãozinho dá a mão ao Joãozinho”: sem preconceito!? “Não vender gato por lebre”. Enquanto “isto” acontece a palavra de Deus pede: “Mas não deixava que os demónios falassem, porque sabiam quem Ele era” (Mc 1,34).

[7.] Para os fazedores – A reconversão é duma simplicidade evangélica. Os verdadeiros formadores de opinião: são, primeiro, fazedores de opinião; segundo, fazedores de testemunho. Naquela interpelação que é propagada até à exaustão: «coração a coração». O mesmo queremos implicar: vida a vida; problema a problema; projecto a projecto. Tudo sem transferência, tudo com encarnação. Enquanto “isto” acontece a palavra de Deus pede: “De manhã, muito cedo, levantou-Se e saiu. Retirou-Se para um sítio ermo e aí começou a orar” (Mc 1,35).

Pedro José, CDJP, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 07-02-2015. Caracteres (incl. espaços): 4240.

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