Notas presas, nem aqui e nem agora – depois de ler Bagão Félix

Notas presas, nem aqui e nem agora

– depois de ler Bagão Félix.

“O mais difícil de alcançar é o simples”. O mais fácil de não dispensar é o complexo. Tudo deixa de ser simples e tudo passa a ser complexo. O amadurecimento das decisões supõe precisamente o contrário. Converto-me talvez à lógica quântica.

“O mais possível de conseguir é o que mais impossível parece”. A inteireza da nossa moralidade está na possibilidade de não sermos vencidos pelo impossível. É impossível não seguir a Verdade do Amor. Se não formos amados, a tarefa que era mais possível, aparecerá impossível. A Deus nada é impossível.

“O maior alimento do direito é o dever”. O meu dever é ser primeiro fiel e depois feliz. Por esta ordem e não outra. O direito da felicidade está no dever da fidelidade. Lei da compensação.

“A mais minúscula verdade supera a mais poderosa mentira”. O território do máximo e do mínimo. Ser inteiro na pequenez da grandeza e na grandeza da pequenez. Onde está o paradoxo do mentiroso. Só a verdade nos libertará.

“A mais insignificante das perfeições é preferível à mais sonante das imperfeições”. Sim há mais perfeição em mim do que toda a imperfeição inconsciente. Minha imperfeição é tornar-me perfeitamente insignificante.

“O erro é a constatação da fragilidade, mas também a bússola para a sabedoria”. Errar é humano. Perdoar é divino. Sou sábio quando não erro desconhecendo a fragilidade da condição humana.

“A dúvida é o ponto de partida para a certeza e a certeza é o ponto de chegada para a dúvida”. Ninguém ama o que não conhece. Nosso ADN espiritual situa-nos dentro das dúvidas certas da nossa desconfiança.

“O importante não é diluído no urgente, no avulso ou no superficial, porque o importante nem sempre é urgente, raramente é avulso e jamais é superficial”. Quando queres ser causa de irritação, fica indiferente ao importante; endeusa o avulso e pragmaticamente não aprofundes mais nada. Sê naturalmente superficial.

“O optimismo radica na esperança, na virtude, no trabalho. O pessimismo radica na indiferença e no individualismo”. Não sei qual será a medida ideal do concreto copo meio cheio ou meio vazio. O enigma da esfinge está na esfinge sem enigma. O ser humano não é a medida do sentido. Cigarra nos dias úteis e formiga nos inúteis.

“A exemplaridade é o certificado de garantia de uma sã autoridade”. Minha autoridade é um não-lugar e um não-exemplo. O grau zero da liberdade é ser infinitamente obediente. Eis o supremo não-exemplo. Pois é que não.

“O amor é a única prisão que liberta. O ódio é a única liberdade que aprisiona”. Amor e ódio. Ou amor e egoísmo. Ou amor aos inimigos! Não inventamos nada disto e não somos mais que o Mestre em coisíssima nenhuma!

“O passado quanto mais velho, mais profundo. O futuro quanto mais novo, mais sonhado”. O Instante em que deixamos de ser presente. Ainda, não somos passado e muito menos consciente do-que-há-de-vir. Nesse Instante a beleza do passado abre o futuro e o presente deixa de ser instante para ser cada vez mais eterno.

  

FONTE: Depois de ler, cfr. http://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia/2015/01/07/notas-soltas-aqui-e-agora/, acesso: 11-01-2015. Pedro José, CDJP, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 11-01-2015. Caracteres (incl. espaços): 2936.

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