PARTIR: para saber continuar a escolher.

PARTIR: para saber continuar a escolher.

[1.] Foi um dia inesquecível!

No passado dia 16 de Novembro de 2014, na eucaristia paroquial das 10H00, 11 jovens Caminheiros do Clã do Agrupamento 1024, da Paróquia de N.S. da Gafanha da Encarnação – Ílhavo, celebraram a sua «Partida» do C.N.E. Não queremos esquecer os seus nomes: Ana Cláudia Videira; Carlos Carvalho; Cátia Nunes; Daniel Ferreira; Emanuel Pereira; Joana Ferreira; Joana Matos; João Vilarinho; Mariana Cravo; Melissa Alves; e Sara Carvalho. Não queremos esquecer a emotividade expressa nos seus Rostos. Não queremos esquecer a memória afetiva de cada um, no percurso que realizou dentro do nosso Agrupamento: 6 desde lobitos; 4 a partir dos exploradores; e 1 que entrou no movimento só para a IV secção, como Caminheiro.

[2.] A medida do Tempo na história pessoal.

A partida dentro da especificidade de cada um(a) revelou a riqueza do movimento mesmo quando não retiramos todo o proveito da potencialidade da pedagogia, da cidadania e da espiritualidade do CNE. Desde os mais velhos em caminhada, com mais histórias por recontar… mil vezes a mesma piada/acontecimento e mil vezes o sorriso aberto. Até mesmo quem apenas foi caminheiro; vivendo apenas uma etapa/secção, não é “menos” escuteiro, menos realizado. Pelo contrário, pode-se viver com maior entusiasmo e entrega, apostando em força no desenvolvimento das diversas áreas do Caminheirismo. Tivemos mesmo o exemplo invulgar de quem nunca chegou a fazer a Promessa (enigma da Liberdade que nunca resolveremos…); mas viveu de forma comprometida a lealdade, a amizade, e o Espírito de Serviço a toda a prova. Uns foram lobitos, outros exploradores, alguns só caminheiros… Todos(as) foram Amigos(as). Fomos UMA Família Escutista! Continuaremos a ser pela Vida fora. E apesar de alguns elementos não estarem a tempo inteiro vivendo as atividades do Clã plenamente (há «coisas» que podemos e devemos corrigir e melhorar…); não deixaram de sentir o Clã, como a sua casa-tendaabrigo, no momento da «Partida».

[3.] Com ou sem palavras, sobrando, lágrimas do Serviço Bem Feito!

Viemos de longe. E partimos para perto. Reorganizamos o Estudo/Trabalho e disponibilizamos a Vida para Partir Outra Vez. Recomeçar na certeza que a Rota é fecunda. Nesta «Partida» – não tínhamos partidas há anos… e nem nos lembrávamos da última Vigília, como foi feita… por isso, tivemos duas (!?): uma arciprestal, rezando pela Semana dos Seminários, na «magnífica» Igreja Matriz, de S. Salvador de Ílhavo… alguns não tinham ainda lá entrado: belo templo; sentidos foram os testemunhos dos Pais do seminarista maior, o Daniel; e dos seminaristas, especialmente, do João Santos, debaixo do barulho da tempestade do lado de fora… Os cânticos expressivos do coral jovem, acompanhados à guitarra e à flauta; a segunda, na noite posterior, que foi só nossa, na «pequenina» Capela de Nossa Senhora dos Campos: Mãe do nosso peregrinar. No fim, da vigília mais íntima no que foi partilhado. Tornou a ser inesquecível: na Vela símbolo do Clã; nas nossas pequenas velas acesas; na caixa das saquetas de Oração «Deus-é-Bom»; nas fotos passadas no PC pessoal, na escuridão da capela; nas partilhas rápidas como os relâmpagos; nos textos escritos como defesa e profundidade interior; nas mensagens de quem vê partir os amigos e deseja o bem infinito; nos cânticos por nós conhecidos; no frasco onde colocamos o nosso PPV (…feito, refeito e a fazer…): Projeto Pessoal de Vida: A atitude de “pôr-se a caminho“; traçar as metas para desenhar um projeto pessoal de vida. Metas orientadoras, não necessariamente fechadas, nem definitivas, que criamos quando olhamos para o nosso Futuro. Sem medo. Livres com a mística do Peregrino, como refletimos tão bem, durante o fim de tarde, no poema: «Somos uma aventura // em mapas não lidos. // Em noites sem lua rasgamos // com a sombra dos nossos dedos // os fantasmas e medos // dos nossos céus. // E entregamo-nos nas mãos de Deus». (Cfr. D. Manuel dos Santos, bispo de São Tomé e Príncipe, In Poemas de Vida e de Fé, Paulinas, 2013, p.179).

Ainda houve tempo, terminada a segunda vigília, para partilhar com a Associação Comunitária, a noite do magusto local: as castanhas assadas na hora; as bebidas quentes (!?); e os êxitos através do Karaoke (tudo, inapropriadamente, registado nos telemóveis, para daqui uns anitos poder “incriminar”(!).

[4.] Os sinais da partida: encanto de dizer até breve!

Na mochila, posta às costas, para nós escuteiros, simbolizamos o desprendimento e a determinação de renunciar ao supérfluo. Na vara bifurcada, nossa companheira de todas as horas, queremos lembrar o amparo no cansaço da jornada, e as «escolhas» que devemos sempre fazer pelo caminho do Bem Maior. Dentro da mochila, colocamos a tenda, que servirá de abrigo para o Caminho, dizia o ritual: “Nela recolhereis para descansar e refletir sobre a jornada”. O Pão – comprado minutos antes da missa! – será o alimento para o Caminho, símbolo da solidariedade humana, da força para o trabalho. O fogo (na vela oferecida para colocar à vista todos os dias…) – será o calor da Memória do Bem vivido nas brincadeiras e partilhado nas dores: Luz para o Mundo de dificuldades a vencer. E por último, foram entregues os Evangelhos: “o livro da palavra de Deus porque nele encontrarão sempre a Verdade. Aceitai-a com simplicidade e vivei-a com desassombro” (cfr. Ritual da Partida).

[5.] “Só os poetas parecem agradecer à imperfeição” (Manuel Fraijó).

A «Partida» é um momento inesquecível: porque único e especial – …mais ou menos preparado e, quase sempre, indesejado, como uma “conta” trazida à esplanada com a melhor vista do mundo, que não queremos abandonar… – na Vida de um(a) Caminheiro(a). É um misto de incógnita, receio, nostalgia, lágrimas; discurso de quem fala como se tivesse os acordes da melhor melodia na pronúncia pausada; até ao próprio discurso de costas voltadas para a assembleia (até o Chefe de Secção não resistiu na hora “H”) pela finalização de uma Grande Jornada Alcançada (!); como um Jogo de Jenga; (onde todos somos preciosos no palpite, e sorrimos a valer quando a torre vem abaixo, pois recomeçamos logo novamente); como o Jogo das músicas, adivinhadas e intuídas, na disputa sadia e irreverente – essa jornada foi preenchida desde o Primeiro Dia… – Dia abençoado em que a Mãe disse: vais para os escuteiros; e eu fui e nunca mais deixei… -, pela aprendizagem mútua, pela partilha de experiências que vão marcar para sempre a vida de um Escuteiro: quer parta para a Sociedade (e possa estar a trabalhar no Estrangeiro ou à Porta de Casa…), quer permaneça perto-do-Movimento, para um «Dia» também ele/ela se possa vir a tornar-se o/a Dirigente, como B.P. elegeu.

Teremos sempre os olhares trocados no momento de partir; não é/será o fim de uma etapa, mas sim o início de Outra… Mesmo partindo, continua a caminhada do passado dando as mãos ao presente, e só assim o futuro ganhará significado: testando-agora-pela-vida-fora-tudo-o-que-foi-aprendido: «Uma vez escuteiro, Escuteiro para Sempre».

Equipa que preparou/realizou a «Partida»: Chefe da IV Secção: José Augusto; Chefe Adjunto da IV: Isaías; Chefe de Agrupamento, Fernando Videira; Todos os Caminheiros que continuam no Clã do Agr. 1024. Todos os Chefes de Secção durante o Percurso Escutista. Equipa Sacerdotal: Assistente: Pe. Pedro; Pároco Francisco; Pe. César; Seminarista João Santos. Gafanha da Encarnação; 18-11-2014. 6973.
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2 respostas a PARTIR: para saber continuar a escolher.

  1. Ana Casqueira diz:

    Não esquecendo, claro, aqueles que partiram antes, e por razões alheias não puderam fazer a sua partida, tal como eu 🙂

    • cefas1972 diz:

      Claro Ana Casqueira: “faço penitência” naquilo que é minha responsabilidade na parte de não ter facultado a todos os/as caminheiros(as)
      uma «Partida» dentro da pedagogia do escutista. Concordo inteiramente: “por razões alheias não puderam fazer a sua partida”…

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