“Faz uma semana que estou em Mbanza Congo” por Ana Laura

Faz uma semana que estou em Mbanza Congo.

Foi de trabalhos muito diversos: na Escola acompanhando várias turmas de diferentes anos, ora porque um professor faltava, ora porque outro estava numa formação sobre uma Campanha de Desparatização que começaria na 2ª feira (ontem) e que iria abranger toda a comunidade educativa; em casa, com diversas actividades (uma delas, espalhar baldes e bidons para recolher a água das chuvas para ser aproveitada para as diversas limpezas) e também serviu para conversar com as Irmãs e aprender mais sobre o funcionamento da Escola e sobre o modo de vida da gente de cá.

Estamos no Bairro Sagrada Esperança zona 2 Kazanga, perto da montanha. É uma zona periférica de Mbanza Congo.

A máxima autoridade tradicional é o Regedor do Bairro, assistido por 6 Sobas que funcionam como seus conselheiros. Reúnem-se regularmente para tratar dos assuntos da comunidade.

Um terço da população de Kazanga fala maioritariamente o Kikongo (também se fala Lingala; poucos falam Umbundo, Português e Francês). Existem muitas Igrejas, como a Católica e Protestante. A presença de seitas é notável nesta zona. As famílias de Kazanga, na sua maioria são Católicas mas pouco praticantes.

O nome “kazanga”, em Português, significa “gritos”.

Antes e durante o período colonial, nesta zona, estava localizado o Cemitério da Cidade. Quando as autoridades começaram o processo de exumação dos restos mortais, a população “gritou” contra essas autoridades. No tempo do partido único, pelos anos 80, quando a população de Mbanza Congo cresceu, continuaram com essa exumação.

Mas, nem todos os corpos enterrados foram reclamados pelas famílias e, esses ficaram. Está também uma campa de um Missionário do Congo e de um Pastor da África do Sul(talvez!) que estão devidamente identificados.

O terreno onde foi construída a Escola, uma Capela e a casa das Escravas pertence à Diocese, mas há uma pequena parcela que o Ministério da Cultura diz que é património nacional. Não pode ser murado mas … está abandonado e feito uma lixeira!

Este ano, na véspera do Dia de Todos os Santos, um jovem Padre da paróquia decidiu dignificar um pouco essas duas sepulturas e deslocou-se até lá para pintar o gradeamento de ferro da campa do Missionário e as placas de identificação (eu ajudei-o), e com uma equipa de crianças e jovens, fizeram uma pequena limpeza ( o suficiente para abrirem uma espécie de caminho).

No Dia 2, dia dos Fiéis Defuntos, depois da Missa na Capela, todos os presentes foram até ao local para prestar uma singela homenagem e rezar pelas suas almas. Foi um momento comovente e forte para todos.

Da parte de tarde no Cemitério Kiaganga (já “cheio”) situado longe da cidade houve uma celebração presidida pelo Bispo.

Foi um dia diferente passado cá mas igual a tantos passados aí. Lembrei e rezei por todos os meus familiares e amigos que já estão juto do Pai.

Ana Laura, 04-11-2014.

 

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