Missa dos Fiéis Defuntos: Is 25, 6a.7-9; 1 Tes 4,13-18; Jo 6,51-58.

 

Missa dos Fiéis Defuntos

 

 

Reflexões: Ano A – XXXI Tempo Comum

– Comemoração dos Fiéis Defuntos – Is 25, 6a.7-9; 1 Tes 4,13-18; Jo 6,51-58.

 

 

Rezemos pelas intenções que nos estão confiadas.

[cfr. Aprender a rezar na Era da Técnica – Gonçalo M. Tavares].

“Crer significa sustentar,

durante toda a vida a incompreensibilidade de Deus”

Karl Rahner (1904-1984).

 

 

Confiar é entrar em Relação.

Confiar é apoiar-se.

Confia-te a Deus (neste momento, com a força deste momento).

Dizia-nos Isaías: «Eis o nosso Deus, em quem pusemos a nossa Confiança» (cfr.Is 25,9).

Recordar com Ternura a todos, mesmo os que não possam ter deixado uma memória tão positiva. Recordar com a Confiança na Ressurreição.

Diante destas campas, diante das recordações de vidas inteiras, diante das lágrimas que decidimos não chorar mais: o que podemos fazer (mais)?

Num dia como hoje precisamos parar a Pensar. A morte, esta morte que hoje recordamos com Rosto e Histórias de vidas gastas, não é um problema / sofrimento que precisamos aprender a estudar. Também não é um enigma que podemos decifrar. A Morte é um Mistério: um mistério de Comunhão em Deus. Uma realidade tão fulgurante que turva os nossos olhos; precisamos de umas lentes novas para mergulhar neste mistério de Deus. Os problemas um dia acabam, resolvem-se. Com a nossa ajuda ou sem ela. «-Do muito que tentamos é bem pouco o que resulta». Não é por isso que devemos desistir de nós. «-Que o trabalho que mais vale é o que menos se vê». Não é por isso que o deixamos de fazer aos outros. MAS de tudo o que vivemos e sofremos, vamos sabendo que O-Mistério-de-Deus quanto mais conhecido, mais conhecimento e amor Ele nos pede e nos faz alcançar.

Nós ainda AQUI experimentamos a Morte, a morte dos nossos irmãos, familiares, conhecidos e amigos. Esta MORTE sentida como Dor, como Saudade, como Limite, como Luto, como Desespero, como Perda, como Ausência. Daí o nosso Sofrimento.

Alguém que amamos, que está junto de nós, de repente, já não nos responde, não reage. Diante desse Silêncio absoluto, que dói e fere, precisamos ver com os Olhos da Fé. Jesus, hoje, no evangelho fala da verdadeira Comida e da verdadeira Bebida (cfr Jo 6, 55).

Se não comermos do Seu Alimento partilhado com todos e em tudo: o que Ele viveu;

Se não bebermos do Seu Sentido pleno, na sua Entrega radical e inteira: a Morte será destruidora de tudo o que somos e construímos.

Com a Morte que hoje recordamos neste cemitério e nestas campas, uma porta se fechou diante dos nossos olhos. Os seres que amamos deixaram este mundo e a nossa história de tempo, no que foi vivido e no que foi sonhado. Estamos diante dos corpos e seus restos sagrados. Campas…, restos mortais…, flores…, fotos…, frases…, memórias…, são Sinais Sacramentais de quem se foi embora, de quem partiu; sinais queridos de alguém que esteve entre nós. Enterramos os corpos. As pessoas não são enterradas. As pessoas e suas relações continuam a existir. Queremos afirmar essa Confiança.

Jesus, hoje, no evangelho, que continua a ser Boa Notícia, mesmo diante da Morte, falava-nos ao coração consciente: “assim com o Pai, que vive, Me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que Me come viverá por Mim” (cfr Jo 6, 57). Jesus pede-nos, que fechada a porta-da-Carne, se abra a porta-da-Fé. Agora essa porta ainda não está totalmente visível. Só a veremos totalmente quando nos couber a nós, a cada um de nós, tocar e abrir essa porta de passagem. O que veremos eu não sei, apenas creio. Creio que no momento em que se abrir, veremos o “Olhar de Deus”, o olhar mais belo de todos os tempos, de todas as histórias sofridas e indesejadas, um olhar cheio de todas as possibilidades. Nesse momento realiza-se a profecia de Isaías, quando afirmava: (…)destruirá a morte para sempre. O Senhor Deus enxugará as lágrimas de todas as faces e fará desaparecer da terra inteira o opróbrio que pesa sobre o seu povo” (cfr.Is 25,8).

Tudo o que vivemos e captamos na nossa Memória, nas relações de Vida e nos marcaram não será perdido. S.Paulo nos incentivava: “…não queremos deixar que a ignorância alimente a falta de esperança” (cfr 1Tes, 4,13s). O Senhor JESUS ressuscitado, o Pai, O Espírito Santo, os nossos Pais e Mães, os Amigos, os Santos e os que o desejaram ser até ao fim, conhecidos ou desconhecidos, os que amamos e os que nos odiarão, todos serão purificados, igualmente, pelo AMOR de Deus.

Dois Desejos de Fé, a experimentar, que podem estar ainda estar mal exprimidos, mas que partilho, neste dia de oração, de proximidade nas famílias e na Amizade de quem não temos mais entre nós, como oração sincera:

“- Aqueles que amamos: Nunca morrem, apenas, partem antes de nós”;

“- Não tenhamos o hábito de pedir: tenhamos o hábito de agradecer”.

Só o Amor de Deus abre a “Porta da Morte”. Peçamos que essa “Porta da Fé” se abra com a nossa Liberdade servindo os irmãos (já)agora, e na hora da nossa Morte”.

Por: Pedro José, CDJP, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 30-10-2014.
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