“Ler e escrever não são coisas apressadas” – entrevista Correio do Vouga

“Ler e escrever não são coisas apressadas”

Pe. Pedro José trabalha nas paróquia da Gafanha da Nazaré, da Encarnação e do Carmo  e é assistente do Conselho Diocesano Justiça e Paz

CORREIO DO VOUGA – Em agosto e setembro deste ano foi ao Brasil. Como foi regressar à terra onde viveu entre 2001 e 2010?
PEDRO JOSÉ LOPES CORREIA – Foi um misto de reencontro com pessoas e comunidades; rever de amizades e partilhar a vida através do trabalho e das alegrias do convívio. Quando ajudamos a construir ficamos em dívida de gratidão. Senti que estava em casa. Uma casa conhecida e desejada. Os ambientes mudaram mas as relações de fé permanecem e aumentam.

Quem gostou especialmente de rever?
A família missionária “alargada” (entre aspas para comportar quem vou esquecer de nomear…): o amigo P.e Manuel Neves, andei com ele de motoca! E fui seu motorista e “assessor” na visita à Paróquia de Urbano Santos: inesquecível a noite da novena, a sua pregação profética e a viagem de regresso a fugir do próprio Medo!?; o incansável P.e Casimiro e o cordial P.e Adauto; o seminarista estagiário Josef Silva; o sr. bispo de Brejo, D. José Valdeci; a nossa empregada de casa, a insubstituível Francisca! As irmãs Missionárias da Boa Nova, as Irmãs Criaditas dos Pobres; o P.e Luís Miranda e os missionários leigos do Grupo João Paulo II de Coimbra; o P.e Manuel Oliveira, natural de Vale Maior, com excelente trabalho social na capital, S. Luís do Maranhão. A secretária paroquial Gnu, o contador de histórias Sr. Laurentino, o vereador Manin, o juiz Mário Mesquita, as professoras Maria Coelho e Raimunda Nonata e mais vinte!; todos os dirigentes das comunidades da cidade onde consegui celebrar a Missa à semana e ao domingo; as oito pessoas que compraram o livro no dia da apresentação! Os amigos e amigas da Paróquia de Mata Roma, inesquecível a missa da amizade, no dia de santo Agostinho (28 agosto); os amigos especiais: Bernadete; Ivanilson e noiva; Ivandro Coelho e esposa Cleuma; Guto e esposa Sandreya; etc., etc… Todas as pessoas que atendi em Confissão durante os nove dias de novena da padroeira Nossa Senhora das Dores!

Depois de nove anos no Brasil, regressou à Diocese. A experiência Brasileira ajudou-o a ser um padre diferente?
Foi uma experiência longa no tempo com um projeto de partilha entre Igrejas, de Aveiro e do Maranhão. Pela sua intensidade esse período de tempo está incorporado em mim. Continuo com os mesmos princípios no ser padre. Não quero que seja um rótulo redutor que possa causar bloqueios mas despertar curiosidade e abertura. Essa experiência permitiu-me amadurecer como pessoa e isso ajuda sempre.

O livro que agora vai ser apresentado resulta de escritos, partilhas, leituras que fez no Brasil, pelo menos em 90% do livro. No Brasil tinha mais tempo para ler e escrever?
Vou pensando quase sempre em escrever por causa de problemas, de situações de trabalho, de leituras que faço e motivam. O livro é um pouco o resultado dessas vivências e necessidades. No Brasil tinha períodos de tempo mais longos para ler. Aqui procuro arranjar mais motivação; falta-me disciplina pois desperdiço muito tempo… ler e escrever não são coisas apressadas. O ler e escrever tem de ser feito devagar.

Porque é um bom leitor, por onde andam agora as suas leituras?
É a pergunta mais fácil e difícil. Leio jornais e revistas temáticas em papel e na net. Gosto muito da nova revista da Cáritas (lê-se rápido!?). Vários livros que não esqueço: “Entregar-se, Acolher e Comungar”, de Vasco Pinto de Magalhães; um livro sobre Óbidos da Editora Alêtheia; um pequeno ensaio de Marc Augé, sobre o conceito de “Não-lugares”; todos os dias sou obrigado a ler Liturgia das Horas, o diretório litúrgico e o Missal Romano, com prazer e por ofício.

boanova

Apresentação do livro “É mesmo uma Boa Nova” – “É mesmo uma Boa Nova” reúne “escritos, estudos e vivências de um padre no Brasil”, como indica o subtítulo. Ao longo de 320 páginas, o P.e Pedro José, que atualmente trabalha nas paróquias das Gafanhas (Gafanha da Nazaré, da Encarnação e do Carmo) e é assistente da Comissão Diocesana Justiça e Paz, oferece uma parte das páginas que foi escrevendo principalmente durante os nove anos (2001-2010) em que colaborou com os padres da Sociedade Missionária Boa Nova no Maranhão (Brasil). Muitas outras páginas – quase outro tanto – o autor teve de deixar de lado para que a edição comportasse um volume aceitável e um custo comedido.
Os textos estão dispostos ao longo de sete capítulos, uns mais reflexivos, teológicos e filosóficos (Libertar a fé; Ideias geradoras e estudos partilhados), outros mais práticos e de ocasião (Apontamentos de pastoral, Textos de intervenção e polémicas), outros mais biográficos e autobiográficos (Apontamentos biográficos ocasionais, Histórias que continuam na vida eterna).
Não é um livro apenas sobre a vivência missionária no Brasil. É um livro sobre a vida, a fé, a dor, a amizade, as leituras, Deus, o amor. Um livro que reflete a boa nova pessoal que foi a experiência missionária, ela própria ao serviço da Boa Nova, e onde o leitor pode descobrir muitas outras boas novas.

 

FONTE: http://www.portal.ecclesia.pt/cv/?p=25358, acesso: 10-10-2014.

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