o banquete está pronto – Reflexões: Ano A – XXVIII Tempo Comum – Mt 22,1-14.

o banquete está pronto

Reflexões: Ano A – XXVIII Tempo Comum – Mt 22,1-14.

“O banquete está pronto. Reuniram todos os que encontraram, maus e bons. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”. Evangelho de Mateus (cfr. 22,1-14).

  1. “A parábola da festa nupcial do rei (22, 1-4): – Martinho Lutero não gostava de pregar sobre a festa nupcial do rei. Dizia tratar-se de um “evangelho terrível” (Luz III, 249). Como é que o Deus enfurecido, que manda lançar um dos convivas nas trevas pode ser o Pai de Jesus Cristo? E realmente, essa parábola não nos deixa em paz. Ela põe em andamento um processo de reflexão, de reconsideração, de transformação interior. Os linguistas afirmam que uma parábola é um ato de linguagem. Na medida em que nos envolvemos com a parábola, essa desencadeia um processo dentro de nós que muda a nossa visão da vida e transforma a imagem que temos de Deus e do ser humano.

1.1. Podemos interpretar essa parábola de diversas maneiras. A mais comum e a interpretação teleológica. O rei que convida para o banquete de casamento de seu filho é Deus que envia seu filho Jesus para a terra, para celebrar as núpcias com a huma­nidade. Os servos que chamam os convidados são os profetas, mas também os mensageiros da fé cristã.

Para os ouvintes judeus, era um acinte não atender a um convite dessa natureza, porque era uma grande honra ser convidado para a festa de casamento do filho do rei. O convite é feito com muita antecedência.

(…) A recusa vem dos homens que não seguem o chamado dos profetas e dos mensageiros da fé cristã, porque estão mais interessados em outros assuntos: propriedades (o próprio campo), negócios, sucesso. Parece um exagero que alguns dos convidados até matem os servos. Mas aqui se trata de uma alusão ao assassínio de profetas, um fato recorrente na história de Israel.

(…) O fato de o rei enviar seu exército para matar os assassinos parece destoar do contexto dos preparativos para um casamento, mas, provavelmente, trata-se de uma referencia à destruição de Jerusalém que, para Mateus, é um castigo pela rejeição de Jesus.

1.2. (…) Mas então vem o contraste que aborrece a tantos. O rei passa a observar os convivas. Um deles não está devidamente trajado com a veste nupcial. Há exegetas que partem do princípio de que a veste nupcial é uma veste recebida como presente. Dizem que em Israel é costume entregar ao convidado também uma roupa condizente com a festa. Nesse caso, a veste nupcial simbolizaria a fé que nos foi dada. Essa interpretação é muito comum na exegese protestante. De acordo com Luz, essa explicação da roupa presenteada não se sus­tenta do ponto de vista exegético. Na Antiguidade não era necessário comparecer ao banquete nupcial com roupa festiva, e sim com roupa limpa. Portanto, o convidado precisava preparar-se para o casamento lavando antes a sua veste. Os Padres da Igreja tinham diversas interpretações para essa veste: ela simbolizaria a santi­dade da carne (Tertuliano), as boas ações (Jerônimo), o amor (Agostinho) ou o próprio Cristo do qual os batizados se revestem. A parábola quer dizer, provavelmente, que o convite é um mero presente, mas que o convidado deve contribuir com a sua parte, limpando a sua veste, ou seja, esforçando-se para levar uma “vida pura”. O presente exige uma contrapartida.

1.2.1. Eu mostro o meu respeito para com o doador, corres­pondendo a ele com toda a minha existência. O banquete do qual participam bons e maus é uma imagem da Igreja que se compõe sempre de pessoas boas e más. Ela nunca é uma Igreja pura, e sim uma Igreja mista: a Igreja dos pecadores. Nela há lugar também para o pecador. Mas este deve esforçar-se para limpar a sua veste. Quem não corresponder à graça será lança­do nas trevas. É uma imagem do juízo final.

1.3. A parábola pode ser interpretada também como o caminho da encarnação de cada um individualmente. Essa interpretação individual, que poderíamos chamar também de interpretação à luz da psicologia profunda, que interpreta tudo no nível do sujeito como caminho do indivíduo para Deus, remonta a Orígenes. Ele coloca essa interpretação individual ao lado da eclesial. Ambas têm a sua razão de ser. Orígenes interpreta a parábola como a “união do Logos, o noivo, com a alma, a noiva, que se realiza pelo casamento espiritual” (Luz III, 247). Pelo encontro com o Logos, a alma recebe a imortalidade. O verdadeiro encontro e a união com o Logos acontece na contemplação, ou seja, na visão de Deus pelo Espírito. Interpretando a parábola dessa maneira, ela adquire um significado atual aplicável a cada um de nós, descrevendo o caminho interior da auto-realização e da unificação com Deus. Todos nós somos convidados para a festa nupcial.

1.3.1. (…) É o ego que assassina os servos do rei. O ego não gosta de ser incomodado em suas aspirações egoístas. Mas o rei envia os seus servos outra vez. Tudo o que há em nós é convidado. Os que andam pelas estradas são os pobres. O nosso lado pobre se abre mais facil­mente para Deus do que o nosso lado bem-sucedido. Os servos têm ordens de percorrer todo o reino até onde terminam as estradas. Todos os setores de nossa alma, toda a nossa história, até mesmo as zonas periféricas de nosso inconsciente, tudo é convidado a se unir a Deus. Nada fica excluído, nem mesmo o mal. É uma mensagem consoladora. A única condição da parte de Deus é que demos a devida atenção ao convite, que ponhamos tudo o que há em nós em relação com ele. Para mim, a veste nupcial significa que respeito o rei que me convida, que trato com cuidado tudo o que está em mim, por mais pobre e roto que seja, a fim de pô-lo em relação com o casamento. Isso requer atenção e cuidado. Não preciso eliminar o mal que há em mim [Obs. queríamos discordar neste ponto e não sabemos como o fazer na prática só em teoria o que não é suficiente… talvez em chave Paulina], mas preciso percebê-lo e revesti-lo com a roupa do amor. Preciso olhar com carinho para tudo o que há em mim e apresentá-lo a Deus. Aí então posso participar do banquete nupcial. Todo o meu ser pode unir-se a Deus. Mas, se eu tratar com desleixo o que sou e tenho, serei expulso da mesa; então, perderei o meu centro de gravidade e meu in­terior se cobrirá de trevas. Aquilo que não recebeu a devida atenção transforma-se em escuridão que me devora e me dilacera por dentro. É esse o sentido das palavras “choro e ranger de dentes”. Se eu não estiver disposto a encarar a minha própria verdade e a oferecê-la a Deus, esta me triturará e me destruirá. A minha vida se transformará em choro e lamentações. O mal em mim se tornará uma fonte de tristeza e de pranto, de desespero e de absurdeza.

1.4. (…) A Igreja não é uma comunidade de seres perfeitos, e sim de bons e maus, de fortes e fracos, de conscientes e inconscientes. A Igreja e seus dirigentes não têm o direito de excluir certas pessoas do banquete comum. Essa medida cabe ao rei, ou seja, ao próprio Deus no fim dos tempos. Como a Igreja, o ser humano também está cheio de equívocos e contrastes. No ser humano há coisas boas e más, luz e trevas, disponibilidade e recusa. Mateus nos admoesta a tomarmos consciência daquilo que está em nós, colocando por cima de tudo a veste que Deus nos oferece, isto é, a veste do amor incondicional que nos aceita como somos. Se continuarmos vivendo no estado de inconsciência, sem vestir a melhor roupa de que dispomos, então a recusa se transformará em auto-destruição, em choro e ranger de dentes”.

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2. Ainda, gostaríamos de refletir esta realidade do «banquete» nas suas variantes atuais, de quem responde ao convite, tais como: 1. Banquete Outlet; 2. Banquete Gourmet; 3. Banquete Take-away; 4. Banquete Self-service; 5. Banquete Feira de Sabores (novos e antigos); 6. Banquete Workshop; e por último, 7. Banquete Familiar. Somos esta variedade imensa amassada de Tradição, Cultura, Geografia Humana e Ambiental; com Biologia e Ética; “maus e bons”; todos(as) convidados(as) sem excepção! Mas o convite é «apenas» Familiar, no fim de todas as contas infinitas de Deus! OU então sem depressão e com incontinência (anti)evangélica repensar meditando a história, ao contrário, que li e não esqueço, de Raduan Nassar, em “Lavoura arcaica” (Companhia das Letras, 2008, nº13, pp.77-85): «Era uma vez um faminto». Fica o ponto dois para desenvolver mais tarde…

FONTE: Fizemos o resumo do que encontramos sob o extenso título (só a parábola em causa foi resumida): “S PARÁBOLAS DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO NOS SANTOS EVANGELHOS DE SÃO MATEUS, SÃO MARCOS, SÃO LUCAS E SÃO JOÃO por Anselm Grün – Dos Livros: Jesus, Mestre da Salvação – O Evangelho de Mateus; Jesus, Caminho para a Liberdade – O Evangelho de Marcos; Jesus, Modelo do Ser Humano – O Evangelho de Lucas; Jesus, Porta para a Vida – O Evangelho de João; Edições Loyola – Organizado por Mons. Inácio José Schuster, 2011, in http://paroquiadapiedade.com.br/formacao/biblica/as-parabolas-de-nosso-senhor-jesus-cristo-nos-santos-evangelhos-de-sao-mateus-sao-marcos-sao-lucas-e-sao-joao/ , acesso, 11-10-2014. NOTA BEM: A numeração, comentário e os destaques, em negritos, são da nossa responsabilidade; assim como a pequena consideração/disposição final do ponto número dois.

 Por: Pedro José, CDJP, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 11-10-2014.Caracteres (incl. espaços): 9191.

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