Parábola irónica: A Igreja recebe o Bispo.

Parábola irónica: A Igreja recebe o Bispo.

[Anti-PÓSFACIO: Depois De 1.do ritual do protocolo…, 2.da música “antena 2”…, 3.da ausência de quem devia ter participado…, 4.das batinas bem passadas…, 5.dos sorrisos amarelos…, 6.do WC só para os epíscopos… E de todas as coisas boas: 1.rigor organizativo, 2.simpatia e generosidade no trato; 3.trabalho de oferta, projecção e mobilização; 4.o corpo igreja que se representa no civil, na cultura, sobretudo, no “povo”; 5.no dar e receber; 6.homilia familiar; 7.na semente do que é pequeno; 8.nos sinais dos tempos que são reais e visíveis… fica o “FIM” do Conto Exemplar de Sophia M.B. Andresen ou se para mim (des)loucado a «Parábola irónica: “A Igreja recebe o Bispo»: Estive lá como se não fosse pertença nenhuma (im)possível: sem dormir na consciência, fica o “negrito a sinalizar o Medo da falta de Graça”: 7-4-2014 Pedro José].

“(…) A complicação crescia.

Mas o Bispo estava agora muito cansado dos negócios do mundo.

— Vou deixar o assunto nas suas mãos — disse ele ao Dono da Casa. — A noite há-de trazer conselho. E o dia de amanhã deve trazer algum esclarecimento. Vou-me retirar.

Tornou a despedir-se e saiu.

Depois da saída do Bispo, o Dono da Casa pôs os criados à procura do cheque. Levantaram-se os tapetes, as almofadas dos sofás, as revistas que estavam em cima da mesa. Mas, ao fim de meia-hora, o cheque ainda não tinha aparecido.

Finalmente, o patrão disse aos criados:

— Vou-me deitar. Continuem a procurar; o cheque não pode ter desaparecido. Boa noite.

Saiu, e António, Júlia e Mariana olharam-se com desânimo.

— Fiquem vocês à procura aqui, eu vou procurar nos corredores. Talvez o cheque tenha voado com as correntes de ar — disse o criado António.

— Ou talvez o diabo o tenha levado! — disse a criada Júlia.

António deitou um olhar sem esperança ao chão dos corredores e dirigiu-se à cozinha para desabafar com Gertrudes.

— Mas, afinal — perguntou a cozinheira —, quem era este senhor, tão importante?

— Não sei — respondeu o criado —, só sei que parece que entrou o demónio nesta casa.

— Quem sabe! — disse a velha Joana, pondo no lume o seu olhar cansado. — Quem sabe! Talvez ele fosse realmente o Diabo! Nos tempos que correm pode bem ser.

— Nos tempos que correm — disse a cozinheirajá não há Deus nem Diabo. Há só pobres e ricos. E salve-se quem puder.

E, pegando num pano, Gertrudes limpou no chão de tijolo as pegadas do mendigo”.

FONTE: Sophia de Mello Breyner Andresen, Contos exemplares, Figueirinhas, Porto, 181997, pp. 102-103.

 

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