“O que é praticável no (neste) evangelho?” – Reflexões: Ano A – VI Dom TC – Mt 5,17-37

O que é praticável no (neste) evangelho?

Reflexões: Ano A – VI Dom TC – Mt 5,17-37.

“A insegurança do amanhã, a fome e a sede, riem-se da liberdade. E, por certo, no âmbito da tortura, a inteligência das razões da tortura restabelece, apesar da traição e da degradação que se anuncia, a famosa liberdade interior. Mas essas mesmas razões só parecem aos beneficiários da evolução histórica e das instituições. Para opor ao absurdo e à sua violência uma liberdade interior, é preciso ter recebido uma educação.”, Emmanuel Levinas in Totalidade e Infinito, pp.239-240.

A canção: “Another Love” de Tom Odell in http://www.youtube.com/watch?v=MwpMEbgC7DA , acesso: 15-02-2014.

[1.] A pregação de Jesus não se instala numa zona cinzenta…, indefinida…, mais ou menos vaga. A pregação de Jesus é exigente, mas não é irreal. Procura ser subversiva, mas não é fanática. Diante desta pregação não podemos criar barreiras à Comunhão… Cuidado com os “ácidos do idealismo”… nas quatro “acepções clássicas”: para com Deus; para com o Mundo, para com Outras Pessoas e para Comigo. Resumir o pensar ao mundo perfeito… Nesse mundo o meu «EU» não teria lugar. O problema do equilíbrio sem faltar à Verdade (do sermos pessoas)? Como sou missionário (e não demissionário) desta Palavra Radical e Equilibrada: feita-carne-de-equilíbrios-a-defender?

[2.] Depois o que «já» reflecti ao pensar e transcrever sobre o «CUMPRIR» de Paul Beauchamp [também fiz incursões, recentes, em Paul Valadier, ou Carlos Domínguez Morano, outros mestres, e com os seus livros sobre os meus olhos… Vi que não era por aí: traria ainda mais problemas…], um dos profundos exegetas: VER o Comentário: Mt 5, 17-37: Ano A – Tempo Comum – VI (13-02-2011) [Voltar a reler: https://pedrojosemyblog.wordpress.com/2011/02/11/cumprir-por-paul-beauchamp-comentario-mt-517-37/ , acesso: 15-02-2014]. Estava tudo quase dito, nesta tentativa de partilha através do blog (mega arquivo pessoal on-line) e nada mais haveria a acrescentar. O problema da repetição (pode haver outros termos). E desse modo o padre – «pregador de JC e não seu» -, repetiria (pelo menos de 3 em 3 anos, devido ao ritmo do ano litúrgico: A-B-C-A-B-C…) sempre a «mesma» homilia “ad nauseam”! Somos assim enquanto seres humanos. Era o “mal” menor. Insuficiência existencial.

[3.] Mas ao ler o jornal-de-hoje (jornal é símbolo não obsessão…), no eterno confronto: “numa mão a Bíblia na outra o Jornal”. Encontrei “isto” afirmado por Hubert Reeves (Cosmólogo canadiano, que fez de França a sua casa, e aos 81 anos, como profeta da «Sabedoria da Ciência»), – que em parte já suspeitava, mas não sabia como o «dizer» – afirma e alerta, uma vez mais, com os factos e suas consequentes evidências a reter:

“Mas há sempre esta questão de dinheiro. O exemplo que dou é o de Fukushima, no Japão. Como é que um país que tem os melhores engenheiros do mundo e alguns dos melhores cientistas, decidiu colocar um reactor nuclear numa das regiões sísmicas mais activas e protegê-la com um muro de seis metros, quando se sabe que um “tsunami” chega a 20 metros de altura? Se fosse no mundo em desenvolvimento, podia dizer-se que eles não sabiam, mas aqui não. A resposta é que a segurança e o lucro não andam juntos. Isto é puramente humano e será sempre o problema. As pessoas correm sempre risco para ganhar dinheiro e, às vezes, mesmo que o evento possa ser muito raro, ele acontece”(in Público, 15-02-2014, p.33, cfr. Edição On-line: http://www.publico.pt/ciencia/noticia/nao-acredito-que-os-seres-humanos-possam-exterminar-a-vida-1623748 , acesso: 15-02-2014).

O problema da segurança/risco, na minha adaptação, e que para Hubert Reeves, está condicionada pelo «Lucro», e até poderíamos acrescentar à luz “deste” (hoje) e “no” Evangelho (no global concretizado, isto é, encarnado), a questão do «conflito» permanente do Evangelho com o «Sexo» (…olhar para uma mulher/homem com maus desejos); o «Poder» (…deixa lá a tua oferta diante do altar – que oferta e que altar!? – vai primeiro reconciliar-te); e a «Morte» (…não matarás…aquele que se irar contra o irmão). O Evangelho é Redenção, isto é, Salvação, isto é, Libertação. Se não converte: é inócuo!? Piada de mau gosto!? Qual a segurança e/ou risco que vou assumir na minha vida (pessoal e comunitária)?

[4.] Três problemas e (uma) única solução (plural e libertadora) que passa pela resposta à pergunta: “O que é praticável no (neste) evangelho?” Eu sei a resposta para mim e tenho medo da resposta que Deus (na inspiração e transpiração do Espírito Santo) me segreda ao Ouvido-do-Coração. Não é preciso ter medo!? Também saberá que o Encontro com Jesus Cristo, neste, e no Evangelho, em cada domingo, com «equilíbrio, repetição, e risco/segurança» é a Fonte da nossa humanidade, elevada até à Divindade: a razão do serviço e da felicidade que procuramos sempre (ou quase).

Por: Pedro José, CDJP, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, 15-02-2014. Caracteres (esp.incl.): 4744.

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