Formação permanente do clero de Aveiro (padres e diáconos) – dia 3

Alguns (poucos: do muito e bom que ouvi e testemunhei…) apontamentos segundo D. Dominique Rey, bispo de Fréjus-Toulon [fez uma visita relâmpago à igreja paroquial de N. S. da Encarnação – Gafanha da Encarnação].

1. Atender ao itinerário da pessoa. “Implica personalizar as relações, saber que cada um está numa etapa ou num caminho diferente. Há métodos que dão resultado, coisas já provadas. Por exemplo, os Cursos Alpha [motivados muito bem, esclarecidos menos: pelo Pe. Jorge – Diretor Nacional], com uma refeição e testemunhos e linguagem acessível, não recitando o Catecismo. São 8 ou 10 sessões.

Também funcionam as células de evangelização paroquial: pequenas células em casas, abertas a gente que não iria à igreja mas que são convidadas para esta reunião semanal na casa. Temos uma paróquia com dezenas de células. Podem-se criar também círculos bíblicos, comunidades e movimentos de pequena fraternidade, etc… Não basta dizer: “Quer ser cristão? Pois vá à missa”. Está bem ir à misa mas muita gente não fará isso por si só.

2. Os círculos de compromisso. Em função da pertença à comunidade paroquial, podem definir-se círculos inclusivos de compromisso.

  1. equipa sacerdotal
  2. conselho pastoral (fraternidade paroquial)
  3. paroquianos comprometidos
  4. paroquianos «normais» (praticantes regulares)
  5. paroquianos ocasionais ou de estação (praticantes irregulares)
  6. paroquianos excepcionais (solicitação sacramental excepcional: casamento, baptismo, funeral)
  7. sem contacto com a igreja (rua)

3. A nova evangelização apela para uma formação específica dirigida aos responsáveis pastorais, para tomar em conta novos modos de evangelização e de acolhimento de novos carismas. A escolha de responsáveis pastorais deve obedecer à regras dos 7 «C» [considero extensivo a Toda a Igreja, de baixo a cima… não fosse a corresponsabilidade o ponto de ruptura evangélica]:

  1. a caridade
  2. a convicção
  3. a coerência
  4. o conhecimento e a competência
  5. os carismas
  6. a comunhão
  7. a comunicação

*** *** ***

Conversão pastoral é imperativo da nova evangelização

 D. Dominique Rey, Bispo de Fréjus-Toulon, ao clero Aveiro

 

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D. Dominique Rey desafiou o clero de Aveiro a assumir a “conversão pastoral como imperativo para a nova evangelização”. Para o bispo de Fréjus-Toulon essa conversão deve abranger não só as estruturas paroquiais, mas “deve chegar ao coração dos agentes de pastoral”, a começar “por aqueles que tem o múnus de governar”.

Nas conferências do terceiro dia das jornadas de formação permanente do clero de Aveiro, o Prelado francês, sempre baseado na experiência pastoral da sua diocese, falou do “despertar das paróquias” e da “diaconia no coração da missão”.

Começou por elencar nove lugares para a evangelização dos dias de hoje, destacando a paróquia que, em si mesma, é a “realização local da Igreja universal e diocesana”.

Referindo-se a alguns requisitos de uma nova evangelização ao nível das paróquias, D. Dominique Rey acentuou a necessidade do conhecimento do “terreno pastoral”, e defendeu a “conversão pastoral das comunidades cristãs” e do “governo pastoral”, afirmando que “a conversão dos pecadores apela previamente à conversão dos pastores”.

O bispo que foi recentemente nomeado consultor do Conselho Pontifício dos Leigos referiu-se ao “dinamismo eclesial de comunhão”, anotando a necessidade do bom acolhimento das pessoas recém chegadas às paróquias e apresentando um esquema composto por círculos inclusivos para organização paroquial. Para o bispo francês esta constituição em “círculos de compromisso” deve levar cada cristão a “evoluir de observador ou consumidor para actor que se responsabiliza pela vitalidade da comunidade”.

Na segunda intervenção, intitulada “a diaconia no coração da missão”, D. Dominique Rey ressalvou a caridade como elemento inerente à missão evangelizadora da Igreja, que deve fazer passar de uma “lógica distributiva à paridade de viver com os outros”.

O Bispo de Fréjus-Toulon defendeu que “todas as actividades da Igreja se devem articular ente si para que aquele quem foi evangelizado, um dia, também evangelize”. Para tal, tonara-se imperioso um acolhimento que provoca e propõe caminho que passa por “entrar em contacto”, “fidelizar”, “agregar”, “enviar” e “formar discípulos”.

Explanou, em seguida, o processo de integração missionária na vida da comunidade que deve conter o anúncio do querigma, a catequese e o percurso de iniciação cristã, a vida litúrgica e sacramental e a diaconia.

D. Dominique Rey também afirmou que “as propostas pastorais actuas estão, muitas vezes, desajustadas das necessidades dos recém chegados à comunidade”, sendo necessário adaptar os percursos e itinerários de fé às caraterísticas das pessoas.

Apelou ainda à promoção de “pequenas comunidades eclesiais de base” que “não são subdivisões da comunidade”, mas devem estar em organicamente ligadas à paróquia.

A terminar, D. Dominique Rey elencou sete características fundamentais para a escolha de responsáveis e líderes pastorais a que chama a “regra dos 7 C”: caridade, convicção, coerência, competência, carisma, comunhão e comunicação”.

Partilhas de itinerários de fé

Da parte da tarde teve lugar uma mesa redonda na qual foram partilhadas algumas experiências de itinerários de fé.

O padre Jorge Santos, da diocese de Coimbra, falou dos Cursos Alpha como um primeiro passo de iniciação à fé, mas que não é totalidade do caminho, procurando, acima de tudo, a preparação do terreno para que o anúncio possa ser feito.

D. Dominique Rey falou da experiência da diocese de Fréjus-Toulon apostando nas estruturas paroquiais ajustadas que sejam capazes de propor um caminho de iniciação e de aprofundamento da fé.

O padre Daniel apresentou a experiência do Caminho Neocatecumenal como um itinerário de iniciação cristã.

Por fim, o padre José Manuel, da diocese de Lamego, apresentou o Movimento Mundo Melhor como uma espiritualidade que busca recuperar o sentido da comunidade.

As jornadas de formação permanente do clero de Aveiro terminam esta quinta-feira com uma comunicação do padre Georgino Rocha sobre “A exortação apostólica Evangelii Gaudium e os desafios para a vida da Igreja”, à qual se segue a palavra conclusiva de D. António Francisco.

Esta mesma conferência sobe o mais recente documento papal será apresentada a toda a diocese, no auditório do Seminário de Aveiro, às 21h.

Cfr. FONTE: http://www.diocese-aveiro.pt/v2/?p=9826, acesso: 13-02-2014.

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