Formação permanente do clero de Aveiro – dia 2

Formação permanente do clero – dia 2

 

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           Não vou ler a “versão oficial” do órgão diocesano. Que é isento, institucional e oficioso. Só vou ler essa versão no fim e comparar para conferir com esta “outra versão” para possíveis acertos e interrogações.

      Falou-nos primeiro o Pe. João Peixoto, Diocese do Porto, pároco da mega-paróquia de Ermesinde, suspendeu a vida de ensino académico da teologia e que perda pelo que reflectiu e partilhou era professor muito capaz para ensinar a “fazer teologia”. A distinção entre padrinho e compadre: sem convicção e sem conversão. É o nosso campo de batalha já perdido mas a reconquistar. Temos de “superar a ignorância prática ou desobediência formal” em relação à implementação do modelo/processo catecumenal do catecumenado ou catecumenato (esclareceu que segundo os dicionários as duas versões em português são possíveis alguém que defende a língua nestes tempos é um caso de estudo e respeito). Fazer um Centro Diocesano de Catecumenato é o caminho. Adiar é adiar a solução com paliativos de baixa eficácia e fecundidade. A memória deveria ser mestra, não o está a ser nem eclesialmente, nem como opção catequética de fundo.

     Falou-nos em segundo o bispo D. Dominique Rey, de França, em francês muito acessível – chegado de New York e nomeado há 4 dias como consultor para o Conselho dos Leigos no Vaticano – com a ajuda de tradutores domésticos, fomos salvos. Falou-nos do “olhar teológico” (recordo JB Libânio no meu percurso biográfico de Fé). E anunciar a Fé hoje requer a força/coragem/criatividade do “querigma”. De porta a porta. De rosto a rosto. De recusa em aceitação. Sempre disponível para aprender a sair de casa, e da nossa pequena e irresistível “zona de conforto” (creio eu). Afirmou: “O querigma constitui o bico do arado que corta a terra e a revira”. Esta afirmação leva-nos muito longe. Pois longe evangelicamente andamos confundidos e perplexos. Creio que muito «passa» para por este dilema/tensão, nas minhas palavras/ideias de síntese: «Inovação»: criação de valor em contexto de mudança. «Tradição»: preservação de valor num contexto de mudança. Só a sinergia entre ambas nos salva pastoralmente, e na pastoral (reflexão/ação conjunta) “emperramos” quase sempre. Quando os “missionários e profetas” inovam são silenciados. Isto tem de mudar e cada um faz parte dessa mudança. A Tradição Viva é a nossa melhor Inovação para o Mundo cansado e alienado. Ficou o Desejo evangélico de ouvir mais.

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“Está na hora de assumir o modelo catecumenal da Igreja”

Padre João Peixoto apresentou o Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos

Na manhã do segundo dia das jornadas de formação permanente do Clero de Aveiro, o padre João Peixoto apresentou o modelo catecumenal da Igreja. Para o sacerdote da diocese do Porto “está na hora de se assumir de verdade a totalidade deste processo, compendiado no Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos (RICA)”.

O também pároco de Ermesinde apresentou, com detalhe, os passos do catecumenado conforme se estabelece no RICA, destacando que “não se podem queimar etapas” deste caminho.

O padre João Peixoto diferençou o acolhimento, o pré-catecumenado, a admissão ao catecumanado, a eleição, a purificação ou iluminação, a iniciação sacramental e, por fim, o tempo da mistagogia. Em cada um destes degraus e passos apontou ainda o que se indica no RICA ao nível da duração, das finalidades e das respectivas celebrações.

Durante a intervenção ao clero de Aveiro, citando o Papa Emérito Bento XVI, na visita a Portugal, lembrou que a Iniciação Cristã se requer como um “processo exigente e criativo” e que “é cada vez menos realista dar por suposto que a fé existe”.

Para dar resposta a esta exigência e criatividade no processo de formação cristã dos adultos é importante que se criem centros de catecumenado ao nível diocesano, mas também a nível mais local, interparoquial ou arciprestal, levando a que os adultos em caminhada não sejam retirados das próprias comunidades cristãs.

“Cristãos precisam de um olhar teologal que veja como Deus vê”

A tarde do segundo dia contou com a presença do bispo de Fréjous-Toulon, no Sul de França, apresentando o tema “Anunciar a fé nos tempos de hoje”. D. Dominique Rey começou por referir “os preâmbulos do anúncio”, onde leu a fé do crente como um olhar sobre Deus, a Igreja e o mundo.

E afirmou: “Pesa sobre o cristianismo um julgamento severo, constrangedor, austero, sofredor, enfadonho, fundado em proibições, pouco compreensível, dogmático, desadaptado”.

Para o bispo que foi recentemente nomeado Consultor do Conselho Pontifício dos Leigos, “a fé cristã aparece de costas voltadas para o mundo que, ao contrário, apregoa a  liberdade sem constrangimentos, o prazer imediato, o hedonismo”.

Para ultrapassar estas visões o Prelado afirmou que “os cristãos devem ver o mundo como Deus o vê, ver as coisas a partir de Deus”. Este “olhar teologal” converter-se-á num “olhar de esperança que não se contente em lamentar-se da nossa época, porque Deus não deixa de actuar com a força da sua graça”.

Na segunda parte da sua comunicação, partindo do conteúdo do Kerigma, o anúncio do fundamental do ser cristão, D. Dominique Rey afirmou que “deve ter em conta a proclamação da palavra e o testemunho de vida assente na caridade”.

No diálogo com os presentes, exemplificou algumas das metodologias usadas na sua diocese para levar a efeito este anúncio e sublinhou as missões populares realizadas porta-a-porta, com visitas às casas das pessoas, evangelização nas ruas ou nas praias, peregrinações, sem esquecer os espaços de animação nocturna.

Esta quarta-feira, D. Dominique Rey apresenta mais duas conferências nestas Jornadas de Formação Permanente do clero de Aveiro. “A paróquia no centro da nova evangelização” e “A diaconia da comunidade cristã” são os temas a tratar. Além disso, durante a tarde realiza-se uma mesa redonda na qual serão apresentadas “algumas propostas de percursos de fé”, concretamente o Caminho Neocatecumenal, os Curso Alpha, o Movimento Mundo Melhor, assim como o exemplo da diocese francesa de Fréjous-Toulon.

FONTE: http://www.diocese-aveiro.pt/v2/?p=9803

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