“Gaspar, Belchior & Baltasar” – por Michel Tournier: lendo os Cortejos dos Reis Paroquiais.

 

Gaspar, Belchior & Baltasar

– por Michel Tournier:

lendo os Cortejos dos Reis paroquiais:

pensar globalmente, agir localmente

1. – Leituras para me sentir imensamente grato pela realização do tradicional Cortejo dos Reis, nas paróquias da Encarnação (dia 5), Nazaré (dia 12) e, por último, Carmo (dia 19). A memória enraizada na transmissão de fé, de geração em geração, através da cultura popular é dom extraordinário. Obrigado pelo Testemunho Vivo da Fé Inculturada.

1.1. – Atravessar o mundo de Hoje como o «Cordeiro de Deus» (cfr. S.João), “não bastando ser servo” (cfr. Isaías), depois da Assembleia de Animadores de Aveiro (A3 – não fiz o meu TPC e Deus indicou-me o Caminho… sem fazer mais perguntas), senti que Sóstenes é também meu irmão (cfr. 1 Coríntios). Estas são as minhas “leituras transversais” da missa de Hoje (cfr. II Dom TC –Ano A ).

1.1.1. – Fico-me calado e à procura de um Silêncio fora da Igreja: como o quarto rei mago que desde sempre estivera destinado a chegar atrasado ao encontro de Belém, mesmo amando – querendo praticar na imagem e semelhança – a totalidade/fragmentada da Mensagem Cristã. Esse rei fora do pódio também somos nós e mais que nós.

Pedro José (16H35, chuva fria e amiga na janela, dia 18-01-2014).

“Nunca será demais meditar nas primeiras linhas do Génesis – disse. – Deus fez o homem à sua imagem e semelhança. Porquê estas duas palavras? Que diferença haverá entre imagem e semelhança? É que, sem dúvida, a semelhança compreende todo o ser – corpo e alma – enquanto a imagem não é mais do que uma máscara superficial e talvez enganadora. Durante o tempo em que o homem permaneceu tal como Deus o fizera, a sua alma divina transverberava a sua máscara de carne, porque era puro e simples como lingote de ouro. Nessa altura a imagem e semelhança proclamavam em conjunto um único e mesmo atestado de origem. Podiam dispensar-se as duas palavras distintas. Mas desde que o homem ao desobedecer pecou, desde que tentou através de mentiras escapar à severidade de Deus, a sua semelhança com o seu criador desapareceu, não ficando mais do que o seu rosto, pequena imagem enganosa que lembrava, apesar de tudo, uma origem longínqua, renegada, escarnecida, mas não de todo apagada. Concebe-se todavia a maldição que fustiga o rosto do homem através da pintura ou da escultura: estas artes fazem-se cúmplices de uma impostura celebrando e propagando uma imagem sem semelhança. Inflamado por um zelo fanático, o clero persegue as artes figurativas e destrói as obras, mesmo as mais sublimes, do génio humano. Quando lhe perguntamos porquê, responde que assim será durante muito tempo enquanto a imagem dissimular uma dissemelhança profunda e secreta. Talvez um dia, o homem caído seja resgatado e regenerado por um herói ou um salvador. Então a sua semelhança restaurada justificará a imagem, e os artistas pintores, escultores e desenhadores poderão exercer a arte que terá recuperado a sua dimensão sagrada…”

 

FONTE: TOURNIER, Michel, Gaspar, Belchior & Baltasar, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 21986, p.40. Caracteres (espaço incluídos): 2818.

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