Creio na Igreja: «Evangelii Gaudium».

 

Creio na Igreja: «Evangelii Gaudium».

 

«Creio em Deus Pai, Criador

Creio em Deus Filho, Libertador

Creio em Deus Espírito Santo, Vivificador

Creio na Igreja, Santa e Pecadora».

1. Creio na Igreja que sonha, anuncia e vive a Misericórdia. Creio que “Deus não Se cansa de nos perdoar”. Creio sobretudo que “(…) nos faz bem voltar para Ele, quando nos perdemos! Insisto uma vez mais: Deus nunca Se cansa de perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir a sua misericórdia” (nº3, p.8).

2. Creio na Igreja que faz muitas perguntas. Perguntas que não ofendem, nem condenam. Tais como: “Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?” (nº8, p.12); “Porque não havemos de entrar, também nós, nesta torrente de alegria?” (nº5, p.10); “Se a Igreja inteira assume este dinamismo missionário, há-de chegar a todos, sem excepção. Mas, a quem deveria privilegiar?” (nº48, p.40).

3. Creio na Igreja que põe uma extensa lista de pontos de exclamação radiantes onde antes havia uma lista fechada de pontos finais irredutíveis. “Não os deixemos jamais sozinhos!” (nº48, p.41); Deus nos livre de uma Igreja mundana sob vestes espirituais ou pastorais! (nº97, p.75); “Como é bom que os jovens sejam «caminheiros da fé», felizes por levarem Jesus Cristo a cada esquina, a cada praça, a cada canto da terra! (nº106, p.80); “Não deixemos que nos roubem a esperança!”; (nº86, p.68); “Não nos deixemos roubar o entusiasmo missionário!” (nº80, p.63); E ainda noutra versão da anterior: “Não deixemos que nos roubem a força missionária!” (nº109, p.82; cfr.nº124, p.94); “Por tudo isto, permiti que insista: Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!” (nº83, p.65); Não deixemos que nos roubem a comunidade! (nº92, p.72); Não deixemos que nos roubem o ideal do amor fraterno! (nº101, p.77).

4. Creio na Igreja da(s) periferia(s). Com a periferia a tornar-se o centro; o centro estará em toda a parte. Revolução da geografia e destinação evangélicas: no-centro-do-lado-de-fora-do-círculo! Absurdo matemático, mas possibilidade trinitária! Partir sempre da margem. Exemplos significativos no mencionar a insistência na(s)/da(s) periferia(s): nº30,p.29; nº46,p.39; nº59,p.49; nº63,p.52.

5. Creio na Igreja que dá o nome às coisas tais como são. Sem os rodeios e floreados das diplomacias vazias e artificiais. Que decide ficar “com-a-cabeça-a-prémio”. Sem a retórica virtual. ”Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma economia da exclusão e da desigualdade social»” (nº53, p.45); “Isto torna-se ainda mais irritante, quando os excluídos vêem crescer este cancro social que é a corrupção profundamente radicada em muitos países – nos seus Governos, empresários e instituições – seja qual for a ideologia política dos governantes.” (nº60, p.50); “Há uma necessidade imperiosa de evangelizar as culturas para inculturar o Evangelho.” (nº69, p.56); A recusa crítica e o combate frontal do “mundanismo espiritual” (nas duas formas apontadas: a “fascínio do gnosticismo” e do “neopelagianismo autorreferencial e prometaico” (cfr.nos 93-97, pp.72-75).

6. Creio na Igreja que faz-nos acreditar nos ventos de mudança. Num mundo melhor: porque nós temos a obrigação de sermos melhores. Uma Igreja de mais iniciativas e gestos e menos discursos e normas litúrgicas. Uma Igreja saída da mudança. “A Igreja «em saída» é a comunidade de discípulos missionários que «primeireiam», que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam. Primeireiam – desculpai o neologismo –, tomam a iniciativa!” (nº24, p.23).

7. Creio na Igreja potenciadora da mística para todos. Sem privilégios. Que não dá vantagens paternalistas aos perdedores. Que sente “(…) o desafio de descobrir e transmitir a «mística» de viver juntos, misturar-nos, encontrar-nos, dar o braço, apoiar-nos, participar nesta maré um pouco caótica que pode transformar-se numa verdadeira experiência de fraternidade, numa caravana solidária, numa peregrinação sagrada. Assim, as maiores possibilidades de comunicação traduzir-se-ão em novas oportunidades de encontro e solidariedade entre todos. Como seria bom, salutar, libertador, esperançoso, se pudéssemos trilhar este caminho! Sair de si mesmo para se unir aos outros faz bem. Fechar-se em si mesmo é provar o veneno amargo da imanência, e a humanidade perderá com cada opção egoísta que fizermos” (nº87, p.68).

8. Creio na Igreja das “(…) pessoas-cântaro para dar de beber aos outros. Às vezes o cântaro transforma-se numa pesada cruz, mas foi precisamente na Cruz que o Senhor, trespassado, Se nos entregou como fonte de água viva. Não deixemos que nos roubem a esperança! (nº86, p.68).

9. Creio na Igreja que recusa “(…) falar sobre «o que se deveria fazer» – o pecado do «deveriaqueísmo» – como mestres espirituais e peritos de pastoral que dão instruções ficando de fora. Cultivamos a nossa imaginação sem limites e perdemos o contacto com a dolorosa realidade do nosso povo fiel” (nº96, p.74). Não fala apenas dos Pobres, vive Pobre!

10. Creio na Igreja de lágrimas e que sofre com os sofridos, mas que sorri. Sorri de ironia evangélica. Creio que “há cristãos que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem Páscoa.” (nº6, p.10); “Uma das tentações mais sérias que sufoca o fervor e a ousadia é a sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados com cara de vinagre”. (nº85, p.66); “Desenvolve-se a psicologia do túmulo, que pouco a pouco transforma os cristãos em múmias de museu”. (nº83, p.65).

11. Creio na Igreja Missionária no seu ADN visceral. Que é capaz de (re)fazer tudo em «Chave missionária» (nos 33, 34 e 35, pp.31-32). Em que “cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus; não digamos mais que somos «discípulos» e «missionários», mas sempre que somos «discípulos missionários» (nº120, p.90); “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo actual que à auto-preservação” (nº27, p.26). Onde um dos sinais concretos desta abertura é ter, por todo o lado, igrejas com as portas abertas. Onde “uma centralização excessiva, em vez de ajudar, complica a vida da Igreja e a sua dinâmica missionária” (nº32, pp.30-31).

12. Creio, sobretudo, nesta Igreja que o Papa Francisco nos propõe na exortação «Evangelii Gaudium». Creio na Igreja que vivemos na «Missão Jubilar», e vamos continuar a viver como Memória e Profecia, no dia-a-dia concreto (pelo menos até 2038…num século de serra, luz e sal, plantados à beira-mar!). Creio que precisamos todos(as) de conversão constante, mesmo o papado (e ele nos dá o exemplo simples e direto: o discípulo não é mais que o Mestre…), até à plenitude madura de Cristo Jesus. Creio na Graça (que não esconde o Pecado, mas o converte de rosto decidido…) e na Disponibilidade do Espírito Santo (com todos os mais esquecidos; mais competentes e mais (des)valorizados…) para colaborarmos no projeto de realização do Reino de Deus. Deus nos dê assas (Fé e Razão) e nos guarde sempre com a Sua Bênção!

FONTES: Edição On-line (custo do seu serviço de net): http://www.vatican.va/holy_father/francesco/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium_po.html, acesso: 03-12-2013. Edição em Papel (não há diferença de preço entre Paulinas e Paulus, avalie a nossa escolha): Paulus Editora, Lisboa, 2013, pp.207. Obs. À composição deste texto foi útil a leitura de: JOHN L. ALLEN, Jr, Dez Coisas que o Papa Francisco nos quer dizer, Alêtheia Editores, Lisboa, 2013, pp.80.

Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo, S. Francisco Xavier, Padroeiro da SMBN, 03-12-2013, caracteres (incl. esp), 7063.

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