Apontamentos de Missão (2) por Ana Laura

 

Estou noutra terra, noutra casa num outro bairro pobre. Mas as pessoas são as mesmas que me acolhem desde o ano 2000! Elas são sempre iguais, seja em Luanda, em Lwena ou em Mbanza Congo! São as Escravas do Divino Coração.


Sempre ao lado dos mais fracos, dando-lhes o que mais precisam e que, às vezes, pode ser só um pouco de atenção. Mas…dão-lhes muito mais do que isso e sempre com um sorriso e sem pressas. Não que não tenham muitas coisas para fazer…

Além das Escravas, só existem as Franciscanas Missionárias de Maria, uma Congregação que já está aqui há mais de 100 anos. São poucas Congregações femininas para tanta gente!

A cidade é mais limpa e tranquila do que Luanda. O clima também é mais agradável. Os montes rodeiam-nos, ao longe. Mesmo em frente da porta, temos mamãs que vendem alguns produtos que cultivam, ou comida que cozinham pela hora do almoço e a meio da tarde, sempre a quem passa; os filhos, agora em férias grandes, estão por perto, sentados só ou a brincarem uns com os outros.

Ontem, foi um Domingo “especial” e diferente: houve a Ordenação de 2 jovens e toda a Diocese se mobilizou no arranjo do espaço para a cerimónia (limpeza dos jardins do Paço, arranjo do altar, transporte de bancos e cadeiras, instalação sonora, confecção da comida para toda a gente…). Também houve necessidade de alojar todos quantos quiseram estar presentes e, só na nossa Escola foram utilizadas 5 salas de aula, não sei bem para quantas pessoas mas, eram muitas! Algumas vinham com os filhinhos também. Arranjou-se um gerador pequeno para poderem ter energia pois os grupos iam chegando…

Logo cedo, houve muita movimentação pelas ruas da cidade, pois todos queriam ter lugar e, de preferência, à sombra de uma árvore, ainda que a chuva estivesse a ameaçar desde a véspera. Mas não choveu, graças a Deus!

Foram 5 horas de festa! Muitos cânticos, leituras e homilia do D. Vicente na língua tradicional, o kikongo (sobretudo para quem veio das aldeias) e em Português; também o Bispo Emérito D.Shingo disse umas palavrinhas, assim como os dois novos sacerdotes (um de cá e outro de Cabinda); o ofertório foi grande e demorado mas…  sempre um espectáculo lindo!

No fim, todos ajudaram a arrumar o que era preciso e, rapidamente, nos fomos dirigindo para um recinto grande que as Franciscanas Missionárias de Maria têm e onde estavam as mesas postas e a comida feita pelas Mamãs da PROMAICA, para todos.  E já passava das 3h da tarde! Mas ninguém estava com pressa (mas com fome, acredito que sim!) e todos se serviram ordeiramente e com boa disposição.

Nós não estivemos até ao fim porque tínhamos uma Irmã doente em casa. Gostei muito de tudo! Só os instrumentos musicais é que “estragaram” um pouco o Coro misto da Sé Catedral. Bateria, guitarra eléctrica e órgão….abafam a beleza das vozes e coros magníficos. Mas…  são gostos e estes não se discutem.  

Ficarei por esta terra até quase ao final da semana. Acredito que ainda terei oportunidades para ver, viver e sentir outras experiências novas.  E a propósito disto, lembrei-me de uma frase que me marcou muito, há uns anos atrás: “Experiência não é o que acontece com o ser humano; é o que o ser humano faz com o que lhe acontece.” Aldous Huxley

 

FONTE: Ana Laura, por e-mail, Luanda, 28-11-2013.  

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