A herança não reclamada da santidade

A herança não reclamada da santidade

“Deus dá o Espírito sem medida”, Jo 3,34.

Será que procuramos e de repente não seremos encontrados. Será que conseguimos imaginar a presença de Deus a operar numa vida? Será que conseguimos imaginar a terrível ausência de Deus numa vida? A santidade não é uma caricatura, uma relação amena e ajustável com Deus. É mais do que o absoluto no mínimo da criatura. A Deus não se convence nem se vence. Deus É.

A santidade não pode ser forçada. Ela surge tal como o amor, desperta, nasce, renova-se. É o pairar do Espírito no mais íntimo do nosso ser pessoa. Um empréstimo de alma a alma, de coração a coração, sem juros. Nesses momentos aos quais voltamos sem pressa, reconhecemos que somos feitos para amar. Se não amamos bem é porque não reconhecemos a presença do Espírito em nós, nos nossos velhos modos de ser feliz; nos riscos que corremos na fidelidade à Verdade; quando não cedemos aos impulsos materiais.

Nem todos podemos ser surfistas de ondas (i)mortais. Nem todos aparecemos abrir ou fechar os telejornais risíveis de heroísmo (im)próprio. Nem todos trabalhamos de bem com os sonhos de mal-estar. Nem todos podemos comer e conversar de forma vitalícia. Mas a todos a Santidade é destinada. Destinada na liberdade da aceitação firme do caminho seguro. Do melhor amor que em nós há. A santidade é o simplificado caminho do “melhor amor”. Do melhor vinho…do melhor arroz…do melhor golo…do melhor beijo…da melhor lágrima…da melhor espera impaciente…da melhor verdade na caridade… do melhor sacrifício não pedido…da melhor morte…do melhor nascimento…do melhor silêncio. Do que de melhor há no ser humano.

Deus é Amor. Deus mostra-se na santidade. Está esperando. E santidade é a aprendizagem do amor de Deus. O modo de ser, estar e acompanhar. Precisamos de uma santidade (in)comum: feita do pó dos caminhos ainda não percorridos e do coração que não se ausenta na desculpa artificial. Quem reclama hoje a herança da santidade de Deus? Vive esta hora!

Santo Agostinho descreveu com perspicaz teologia a profundidade do amor cristão na sua mais sucinta e densa fórmula: “Cristo ama-se a si mesmo”. Cristo em mim faz nascer o amor [a santidade] que chega ao outro; e faz com que eu ame no outro o Cristo que aí está manifesto ou oculto. “Cristo vive em mim”, afirmara S. Paulo. Se Cristo vive em mim, Cristo ama em mim; e, se ama em mim, também recebe em quem eu amo o amor [a santidade] que eu em seu nome lhe entrego. “Cristo ama-se a si mesmo” (cfr. VALLÉS, Carlos G., S.J., A Era do Espírito, Edições Loyola, São Paulo, 1995, p.115).

Dizem que há beijos felizes mas impuros. Como os há, também, muito puros mas infelizes. Como escolher? Um suspiro e a santidade foi-se embora. A santidade na pessoa e no entendimento. Santidade é a palavra do momento sem exagero! Não é preciso publicidade. É preciso transparência. É o que nos faz falta aprender. Entender o Amor como fruto da santidade. Aprender a amar do “melhor” modo possível. Nem que me seja impossível abraçá-Lo. Sou humano e em mim há Amor; em mim há santidade suficiente para querer dar o primeiro passo.

Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação/Carmo,

01-11-2013, caracteres (incl. esp), 3021.

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