Misericórdia interior – N.S. dos Navegantes: Reflexões: Ano C – XXIV / TC – Lc. 15,1-32

Misericórdia interior – N.S. dos Navegantes –

Reflexões: Ano C – XXIV / TC – (15-9-2013 – Lucas 15,1-32) – Forte da Barra

«Eu falo da primeira liberdade

Do primeiro dia que era mar e luz

Dança, brisa, ramagens e segredos

E um primeiro amor morto tão cedo

Que em tudo que era vivo se encarnava».

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética, 22011, p. 281.

O Deus da Misericórdia. A nossa falta de misericórdia. Como Maria nos ensina a misericórdia do Filho. E como o navegar com misericórdia na Vida: é bússola de orientação e rota segura para a nossa Felicidade, dia a após dia. Vamos aprender a Misericórdia como Jesus a ensinou e a viveu com sua Mãe.

O texto que hoje nos é oferecido, o capítulo 15 de Lucas, é considerado geralmente o «coração» deste Evangelho. Nele o evangelista através de três parábolas (…quem não gosta de uma boa história) apresenta-nos: o Deus de Jesus; que é o Deus da misericórdia e da ternura. Vamos reflectir neste momento na Misericórdia.

Notamos que nas duas primeiras parábolas/histórias têm a mesma estrutura. Tratam de um homem ou uma mulher que perderam algo ou alguém querido. Saem à sua procura, sem importar-se com os riscos, e, quando encontram a ovelha perdida ou a moeda/dracma, fazem UMA festa!!! A alegria toma conta de todos.

Da nossa situação de “proximidade e familiaridade” com o Mar (é ousadia tratar o Mar por Tu!?…) sabemos, uns mais que outros, desse ofício e labuta rigorosa, desgastante ao longo de vidas inteiras.

Precisamos dessa capacidade de fazer Festa com Maria e celebrar «o Mar», como horizonte de Sentido, que não é para ilusões… O evangelho e a nossa vida não se compadecem com ilusões). Contudo, o evangelho antes da FESTA: Faz-nos viver a situação de «perda», ou até mesmo a angústia de estarmos «perdidos».

De tal maneira estes temas da “perda” e do “estar pedido” são nossos; que o evangelho de Lucas quer apresentar, para todos nós, o Rosto Paterno e Materno de Deus. Rosto movido pela compaixão, que nos faz chegar à experiência da Misericórdia, isto é, vai ao encontro do que estava perdido, dentro e fora de nós. Não para condenar, culpar, senão para salvar, curar, renovar, amar. É aí que encontramos a Alegria.

Nós Comunidade, grupos e círculos de relação ou referência, temos de ser portadores e instrumentos desta Reconciliação, desta Justiça que não olha ao nome ou à condição, desta Libertação e desta Comunhão num mundo desfeito pela violência, pela desigualdade e pela injustiça sem culpados responsáveis.

“O desafio é o de sermos uma comunidade aberta e livre que se assume como missionária, que faz do desafio de “IR” a raiz do seu agir” (Pe. Francisco, Timoneiro, Set/2013,p.3). Percebemos assim que diante da Misericórdia de Deus não sobrevivem os oportunistas; na Misericórdia de Deus são reconhecidos os Misericordiosos, como assim o diz a Bem-Aventurança de Jesus.

Ainda no evangelho assistimos à perda e à perdição pelo abandonado da Família: o filho deixa a sua Casa… o seu Lar, com todas as pessoas que nela habitam!? O Pai, a Mãe e o Irmão. Deixa tudo…

O ser humano, pelas suas atitudes e opções, coloca limites ao Amor de Deus! Não deixa que Ele aja livremente na sua vida, fecha a sua “porta” e busca construir a sua vida, além da presença misericordiosa de Deus. Não deu certo… não dá certo arriscar contra Deus, fora de Deus. Podemos não saber quem Ele É, enquanto Pessoa, como “UM TU”, que nos ama. Mas não podemos ocupar o Seu LUGAR, com coisas que “abafam” Deus.

A saudade da casa do pai/ da casa da mãe, é a Origem, é a Presença. O Espírito encontra-se no coração da pessoa, acordando-a para iniciar o Caminho de retorno, de regresso, para uma vida digna e plena.

Deus respeita-nos dentro da nossa perda, do fracasso. Mas quer motivar-nos, impulsionar-nos, para que acordemos da indiferença. O próprio Deus se incomoda se não sentimos o mal que fazemos em adiar decisões. Mas o colocar-se de pé e iniciar o caminho é uma livre escolha de cada um/a.

Seremos capazes de esperar dentro do Tempo, com ritmo das pessoas, com as quais caminhamos na nossa vida e nos nossos desencontros. Esperar com alegria e com ternura? Ter uma oportunidade a mais.

Entretanto, fez-se a Festa. O nosso coração fez a experiência da generosidade e do desprendimento. O pai/ a mãe e o irmão (que “estava na dele…” “estava com as pedras na mão…”) entenderam-se!? Não é apenas um final feliz: é um final humano. De tão humano, que nós podemos participar também. Eis as palavras luz do evangelho: “este teu irmão estava morto, e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”.

Que Maria Nossa Senhora dos Navegantes nos ajude a viver deste modo, com esta força de começar do zero. De mãos abertas e olhar limpo. Como o Mar e suas Marés queremos ir mais longe; e navegar sempre com este Jesus da Misericórdia. Aceitarmos os nossos limites e dos outros. Com a Dom de Deus, a Presença de Jesus, a Liberdade do Espírito e a Bênção de Maria, Mãe de Deus e Nossa Mãe.

Oração

Senhor, ensina-me a ser generoso,

a dar sem calcular,

a trabalhar honrando o pão e o suor de cada dia,

a entregar-me aos outros sem regatear o muito obrigado,

a servir sempre os meus irmãos mais pequenos,

a fazer a Caridade do sorriso,

quando não tiver outra coisa a dar, a doar-me em tudo

e cada vez mais àquele que mais precisar de mim, tal como sou;

a só esperar em ti a minha recompensa,

e mesmo que esta não existisse, a fazer tudo isso…

…simplesmente porque essa é tua Vontade. Amém!

 

Gafanha da Nazaré, 14-09-2013, 15H45.

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