escrevinhar acampamentos

 

escrevinhar acampamentos

“Uma outra vantagem oferecida por esta invenção era a possibilidade de servir como língua universal capaz de ser compreendida por todas as nações civilizadas, cujos bens e utensílios, se não são idênticos, assemelham-se em geral o bastante para permitir a sua fácil compreensão. Isto permitiria aos embaixadores tratarem com príncipes e governantes cuja língua desconhecessem completamente”  – As Viagens de Gulliver” Jonathan Swift, Edição Exclusiva para o Grupo Cofina Media, tradução João Gentil, ilustrações J.J. Grandville, 2011, p. 195.

Sobre a arte simples, barata e esquecida de acampar. Escolher um sítio com as pessoas reais. Respeitar tradições e cultura de quem nos abre as portas e o coração. Congregar ruídos e silêncios. Olhares e cheiros. Suores e banhos de rio. Eis a inocência segunda de volta à nossa mão. O poder de conviver e crescer pelo Serviço. O custo é caro e sacrificado. Mas o investimento é incomensurável.

Cada acampamento tem uma história própria, não se repete. Assim voltou a ser no Rio Teixeira. Com o rio no papel principal, está-se predestinado à receita do final feliz. Haverá outras opções. Mas um rio, ainda mais especial, porque em mudança estrutural pelo progresso energético em discurso directo. Tal como nós pessoas? Vamos ver se será «essa» aposta ganha ou não, não tendo elementos de critério para avaliar as perdas ambientais. Os dados foram já jogados e nós continuaremos a jogar da Margem.

O magnífico Teixeira devolveu-nos a nossa Consciência aquática. Somos originados na Água (com a Fé comprometida ou adormecida), mesmo neste tempo de sociedade líquida indecisa, inconsequente ou perplexa. Na Natureza «algo» é suprimido no descaso de acampar em conjunto. O XIX ACAGRU do Agr. 588 foi lugar e tempo de experiências e emoções, para além das palavras e das fotos. Sem descrédito para as palavras em crónica diarística, de tradição oral ou não, ou das fotos em álbum digitalizado, através do “mágico” power point personalizado. Somos sempre mais que aprazíveis cineastas caseiros.

Com o facebook e o youtube reinará o Acaso da privacidade e da mística. Pode ser que ainda não. Novas mentalidades e éticas se impõem. Aqui faço Fé na gíria escutista – enquanto abertura e não vaidade de tontaria – quando num acampamento presente se faz memória das estórias de acampamentos passados – sinal de envelhecimento consciente – é prenúncio evidente que o acampamento em causa, no presente, estará pronto para lá mais adiante… cumprir a sua Missão. Porque fomos agentes.

Neste voltou acontecer quase tudo: como na Vida. Eficaz currículo no evoluir das relações humanas. Que o digam os impreparados do modo menos doloroso. Stress por querer fazer melhor e não poder fazer melhor. “Melhor” era estragar a porcelana humana. Cada modelo é único. Louvável a resiliência de todos os Pais diante da chuva teimosa e abençoada, em domingo eucarístico à volta, literalmente, da mesa da comida partilhada. Não precisamos de passadeiras nem guarda-chuvas próprios. A dinâmica projectada tem o nome de Responsabilidade e Subsidiariedade, aprendidas nos gestos simples de saber-ter-tempo-para-estar-juntos.

Seremos felizes dirigentes proactivos, passando saberes e intuições vitais. “- Olha põe a mão do outro lado, assim fazes menos esforço”. “Atenção isso que dizes é um ponto de vista, e por válido em si, mas só visto por ti, ou por nós e não por outros…”. Preguiça e pouco sono dormido sossegadamente… Deixam de ser nossos inimigos. Mas depois da água vem a Terra e o Caminhar. Deitados junto à gaia mãe. Abdicar das pernas da cama. Caminhar com dores que percorrem todo o Corpo. Teste ao limite dos limites pessoais e do Grupo. Sem sairmos da zona de conforto nada aprendemos nesta Vida Colectiva.

A cada escuteiro e a cada dirigente (activo, em processo de adesão e/ou formação) as Viagens de Gulliver não excederam em quase nada a nossa “habitual” Criatividade e Generosidade inter-geracional. Imodéstia nossa: “como coisa real por fora ou como coisa real por dentro” (Cfr. Fernando Pessoa). Faltou muita coisa? Sim faltou. Não exemplifico porque quero a minha memória protegida pelo anti-vírus do Bem-feito sem olhar a quem. Não temos medo do nosso retrato de Família Escutista. Deus aumente a Fidelidade de todos(as). Estamos inscritos na Sua memória afectiva.

 

Por: Pedro José, ACAGRU XIX, Agrupamento 588, Lourizela – Couto de Esteves (Sever do Vouga), 26 a 31-07-2013. Caracteres (esp.incl.): 3750.

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