“A Vida enquanto Tenda e não Casa”

 

 

A Vida enquanto Tenda e não Casa

A vida precisa ser “encenada ritualmente” como a Festa das Tendas na cultura judaica. Daí perceberemos que a Fé não faz férias. O conceito de férias já não é o que é, em tempos de Crise. Também aí encontramos uma boa mudança. Mas o meu Problema-de-Fé reside quando a “Fé” decide trabalhar. Estar a trabalhar-pela-Fé é que é o mais difícil. «Activar», ou melhor no neologismo, ouvido no programa de TV: é preciso “criativar”. A Fé não fazer ou fazer férias é acidental (eis a heresia pós-moderna!?). É até quase indiferente!? Sabendo o que se entende com o “fazer férias”, como a dispensa do preceito ordinário de ir à missa, em dia de domingo, ou noutras prescrições de culto ou inclusive comportamentais!? O conservadorismo diz-nos: Não há desemprego na Fé!?

A Fé diante da Vida e da Morte dá muito trabalho… e nós hesitamos em trabalhar mais a nossa Fé: nessa exigência que se chama «Hoje». «Hoje» – para quem iniciou a eternidade pode ser sempre hoje – estive a rezar, melhor a tentar rezar no funeral, do Pe. Manuel Bastos da Sociedade Missionária Boa Nova… Antes de «Ontem» tinha ajudado a “carregar” o caixão do Padre Fernando Pinto, morreu aos 55 anos… Pároco em duas paróquias do arciprestado de Vagos. Presidiu muito bem o nosso bispo, António Francisco, com o coração nas mãos, com serenidade e lucidez. O testemunho dos Jovens da equipa arciprestal de Vagos foi impressionante! «Hoje», também, no funeral do amigo Pe. Bastos… foi o fim da sua via sacra. Presidiu o bispo António Couto. Falou apenas 10 minutos na homilia. Sem estar escrito mas de forma muito existencial. Mais ou menos isto, a Dor da morte inibe os filtros conscientes: “Deixou-nos um padre e um amigo e um missionário “pioneiro” no Brasil. Sempre cordial, discreto (sempre discreto), inteligente na Fé”. Os padres também morrem. Não somos eternos. Estamos nos serviços como “Tendeiros de Deus”. Ainda não vivo desse modo.

Deus acampou entre nós. Quando escrevo ainda estou ao serviço paroquial alargado; mas dentro em breve, vou partir de sexta-feira, de 26 a 31 de Julho, para acampar em Couto Esteves, Sever do Vouga, perto do magnífico Rio Teixeira, com o agrupamento 588, perto de 90 pessoas ao todo…; e depois, de 2 a 9 de Agosto, vou até a S. Miguel-Açores, com o Grupo de Pioneiros do 1024, em colaboração com dois dirigentes, será o segundo acampamento com a juventude do presente.

Depois serão as férias em Família, e em Missão Jubilar, por Aveiro e arredores sem GPS… Ainda «Hoje», com o meu pai, a entrar pelos 70 anos, fomos os dois juntos à excelente Médica de Família. Que duo conquistado pela história em comum. Não quero imaginar mais nada. Dizendo as maleitas da idade e da graça. Foi um momento único. Da Saúde física estamos conversados os dois. Quase “normalizados”. Na Saúde espiritual continuamos Peregrinos de um só bilhete, de uma só viagem, de uma só meta.

Tudo o que atrás “escrevinhei” e tentei meditar está resumido numa comparação existencial descrita por S. Paulo. Infinitas vezes ouvida durante dolorosas exéquias paroquiais. Na primorosa tradução de Luís Alonso Schökel (“Bíblia do Peregrino”: não é possível encontrar melhor leitura bíblica em tempo de férias…): “Sabemos que, se a tenda terrestre em que vivemos se desfaz, receberemos de Deus a hospedagem de uma eterna moradia no céu, não construída por mãos humanas” (2 Cor 5,1).

 

 

Pedro José, Gafanha da Nazaré/Encarnação,

25-07-2013, caracteres (incl. esp), 3351.

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