Compromisso social: o que nos faz pensar e ajuda no agir.

Compromisso social: o que nos faz pensar e ajuda no agir.

 

Após muitos adiamentos, quando a única encíclica social e económica de Bento XVI foi publicada, com data de 29 Junho de 2009 (está a fazer “agora” só 4 anos!), sobre o rumo do pontificado muito se sentenciou na altura. Repentinamente, aclamou-se: temos um “Um papa social”! Escreveu-se: “Bento XVI passa articular-se com o compromisso social dos seus predecessores”. Simplesmente, Bento XVI, no olho da crise que continuamos a viver, actualizou o pensamento social da Igreja, tornou mais claro o «segredo mais bem guardado», que é a «Doutrina Social da Igreja» (DSI), em termos de instruções, explicações, conselhos, advertências e desafios, traduzidos em ensinamentos que nos ajudam a viver os valores do Evangelho, nos dias que correm. A essa nossa dificuldade “histórica” de encarnar e viver o compromisso social da fé, a DSI pretende ser caminho credível de resposta.

Algo de fundamental disse Bento XVI nessa encíclica Caritas in Veritate: “O mercado, se houver confiança recíproca e generalizada, é a instituição económica que permite o encontro entre as pessoas, na sua dimensão de operadores económicos que usam o contrato como regra das suas relações e que trocam bens e serviços entre si fungíveis, para satisfazer as suas carências e desejos. O mercado está sujeito aos princípios da chamada justiça comutativa, que regula precisamente as relações do dar e receber entre sujeitos iguais. Mas a doutrina social nunca deixou de pôr em evidência a importância que tem a justiça distributiva e a justiça social para a própria economia de mercado, não só porque integrada nas malhas de um contexto social e político mais vasto, mas também pela teia das relações em que se realiza. De facto, deixado unicamente ao princípio da equivalência de valor dos bens trocados, o mercado não consegue gerar a coesão social de que necessita para bem funcionar. Sem formas internas de solidariedade e de confiança recíproca, o mercado não pode cumprir plenamente a própria função económica. E, hoje, foi precisamente esta confiança que veio a faltar; e a perda da confiança é uma perda grave” (Caritas in Veritate, nº 35).

Uma procura real e conjunta de solução para a crise económica que é global – que deve envolver as relações de mercado (referidas de modo decisivo no ponto anterior), as políticas de impostos, as práticas de empréstimo (onde a cultura de gestão dos Bancos tem obrigatoriamente de ser reformada), Etc. – deve estar, em primeiro lugar, enraizada na conversão pessoal. Num modo de vida e compromisso social renovados. A encíclica insiste: “O desenvolvimento é impossível sem homens retos, sem operadores económicos e homens políticos que sintam intensamente em suas consciências o apelo do bem comum” (Caritas in Veritate, nº 71).

Um dos grandes méritos da Caritas in Veritate é a sua ligação e explícita articulação com a Populorum Progressio (1967) que foi a grande encíclica que marcou a presença da Igreja diante do “mundo capitalista”, assim como a Rerum Novarum (1891) assinalou para a Igreja a necessidade de se abrir ao “novo” que era a “sociedade industrial”, a Caritas in Veritate não será a encíclica que faz com que a Igreja apreenda a nova realidade da sociedade globalizada em crise?

A Populorum Progressio (1967) é para a globalização, na visão de Bento XVI, o que a Rerum Novarum, publicada em 1891 por Leão XIII, é para a modernidade. Entre 1967 e 2013 passaram-se 46 anos e nesse relativamente pequeno percurso de tempo houve uma “(r)evolução” em termos tecnológicos, económicos e culturais. Neste processo de aceleração da história como nos situamos hoje em termos de doutrina social da Igreja, de compromisso social, pessoal e comunitário?

Na caminhada diocesana proposta pela Missão Jubilar, voltar a ler e reler, estudar e agir, com a encíclica Caritas in Veritate, de Bento XVI (na sábia releitura que fez de Paulo VI), observando a prática do actual, Papa Francisco, comparado a João XXIII (lembramos a encíclica Pacem in Terris, de 11 de Abril de 1963, precisamente há 50 anos), encontraremos critérios e opções, disposições e valores, para vivermos o Evangelho como programa libertador de vida! E aí está o fundamental!

 

Pedro José, CDJP, 21-06-2013, caracteres (incl. esp), 4152.

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Uma resposta a Compromisso social: o que nos faz pensar e ajuda no agir.

  1. Excelente reflexão e oportuna interpelação. Apelo convite a que (re)visitemos estes documentos que proporcionam grandes ensinamentos a quem deseja viver hoje o Evangelho de Jesus.

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