Livro – “A surpreendente novidade de Cristo” por Michael Paul Gallagher

“A surpreendente novidade de Cristo

– Sustentando a fé para o amanhã”.

Autor: Michael Paul Gallagher, S.J.

Tradução: Carlos Reis

ISBN: 978-972-39-0764-3

Formato: 11x17cm, páginas: 88.

Editorial A.O., Braga, Ano: 2012

Custo: 5,00 Euros.

1. Já escrevemos aqui no blog (Cfr. Em 16 Abril-2012, “Livres para acreditar” por Michael Paul Gallagher, S.J. ) sobre o autor, que é “teólogo – com a sua evidente e apreciável costela jesuítica – que se assume, implicitamente, como um «fazedor criativo da teologia prática»”. Sustentamos essa opinião crítica quando apresentávamos a obra “Livres para acreditar – Dez passos para a Fé” (pp.178). Voltamos a tratar de Michael Paul Gallagher, S.J., agora editado na Colecção Apostolado de Oração (A.O.) de Bolso, com a pequena obra “A surpreendente novidade de Cristo” – de subtítulo: “Sustentando a fé para o amanhã”. Tudo teve início numa conferência (2007) que fez e que resultou numa versão desenvolvida, como instrumento na formação da Fé, para os dias de hoje. Estamos no «Ano da Fé», interessa ouvir, também, por fora do Magistério. Trata-se duma leitura, em modo corrido, cerca de 1H30 (ou então, nas leituras intercaladas por temas, de 5 a 10 minutos), basta para sem pressas, e mesmo meditando, com um infinito proveito humano e espiritual. Empreenderemos um tempo riquíssimo de formação pessoal.

2. O autor é criativo e ousado dentro da erudição, em que não abafa ninguém, observando a diversidade de autores, e respectivas escolas teológicas (e em leituras interdisciplinares), através dum sadio pluralismo, que toma a centralidade do que importa não descuidar. Deixa-nos o alerta: “Quando a desejo se torna cego e ao afecto falta compromisso, até mesmo a religião pode ser reduzida à auto-realização e à lógica do supermercado” (p.36)

3. Retemos algumas perguntas que continuam a fazer reflectir: “Quem poderia alguma vez prever a tempestade que desabou no céu antes sereno do catolicismo ocidental? (p.14) Será que vivemos demasiado tempo pastoralmente passivos, assumindo uma transmissão fácil da fé, através das mediações tradicionais dos sacramentos e da catequese? (p.46) Se uma fé de tipo sociológico abriu caminho a uma marginalização da fé culturalmente aceite, como poderemos superar a alienação e a apatia? (pp.53-54) Se a fé tem que ser, em certo sentido, contra-cultural, como deve viver a distância ou conflito com a cultura vigente? (p.63)

4. Também guardamos, mais que receitas, os seus encaminhamentos fecundos enquanto indicações propostas: “Repetindo a proposta de Karl Rahner de encontrar um substituo para a apologética tradicional, temos necessidade de uma «mistagogia» pastoral; uma iniciação gradual das pessoas ao sentido do mistério, situada não só em momentos especiais de silenciosa admiração, mas também no exercício quotidiano da liberdade” (pp.54-55). “Para uma nova sensibilidade pós-moderna, o que é necessário é uma pré-evangelização espiritual que liberte a vontade e desperte para formas de oração e de escuta da Palavra” (p.55). Em suma, há necessidade duma nova compreensão, duma nova sensibilidade, enraizados no discernimento cristão, separando o trigo do joio na nossa cultura actual (cfr. p.63).

5. Interessantíssima a tese – que consideramos ser o núcleo duro e original da reflexão – dividida em três partes, no âmbito dos ingredientes fundamentais na formação da Fé, que definem, segundo Paul Gallagher, SJ, o que ele denomina o «Triângulo dos Três «D». Acentua-se a convergência entre a fé como disposição, como decisão e como diferença ou drama. “A fé sempre esteve envolvida nestas três dimensões, mas hoje essas notas no acorde são mais cruciais, mais imperativas, solicitando uma atenção pastoral urgente” (p. 49; outras citações complementares: pp. 56 e 67).

6. Como tocar os corações das pessoas? Pela razão, na emoção e com imaginação, esta pequena e rica obra reflexiva o faz – parafraseamos – de modo surpreendentemente novo!

POR: Pedro José, 29-05-2012.

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