escrevinhar caminhos

  escrevinhar caminhos

“O sentido pode ser dançado” – George Steiner.

a. Os passos movem-se. São os passos não somos só nós. É uma acção conjunta. Muito menos o movimento em si. Perguntemos ao caminhar. Qual a direcção a tomar? Não há problemas, há caminhos. Como é que os céus, que se movem de oriente para ocidente (ou vice versa: não concedas tu ao sol, a versão do teu deus sombra!?) andam e desaparecem? Caminhar revela o começo de Tudo. A origem do universo na forma secular da evolução humana.

b. Peregrinar propõe inflexão pessoal. Qual a razão das nossas fadigas se caminhar redobra o nosso cansaço? Um cansaço que dá Sentido ao desencanto possível do existir. A nossa árdua peregrinação do Espírito é movida e coroada pelo desgaste do/no Corpo. Não é castigo. Engana-se quem foge, repudia ou exorciza. Peregrinar é purificar. – Quem está limpo que atire a primeira pedra?

c. Se o caminhar está associado à evolução cerebral o mais ainda há que dizer e aprofundar nos caminhos do nosso viver. Qual garimpo. Seria habilitação moderna para caminharmos o menos possível uma involução? Certamente. Resultado: crescemos em incompetência espiritual, quando contraditoriamente, somos demovidos pela competência tecnológica. Caminhar é consolidação espiritual. Lançar sobre o problema só uma luz oblíqua não é problema. É disposição para iniciar(-se).

d. Exemplos muito desarrumados na imaginação do Ser: Jerusalém. Atenas. Seca e Meca. Fátima. Taizé. Lourdes. Aparecida. Lençóis Maranhenses. Patagónia. Ilhas dos Açores. Parque do Gerês, ou Sintra, ou Buçaco, ou Curia, ou Botânico. Muralhas e seus Castelos. Catedrais e seus Santuários. Ruínas e seus Arranha-Céus. Minas e suas Barragens. Museus e suas Exposições. Pôr e Nascer do Sol (também da Lua). Lagos, Rios, Mares e Oceanos. Aeroportos e Shoppings, talvez porque não. Agora é o Túmulo de St. Joana Princesa. Aveiro sal e luz. Tudo é Espaço, Tempo e Modo. Mas uma só é a Realidade do Peregrinar: sair-de-si-para-andar-à-procura-do-Outro: ex-peri-mentar(-se).

e. Depois, vamos, a Caminho. Sou pela disposição. Mas peregrinar exige também interposição. A distância pode ser considerável. Falta-nos, porventura, o Tempo necessário. Sobra-nos a Vontade. O ar está abafado. Nas carteiras não há dinheiro. Vale a hospitalidade sagrada. Urgem lugares à sombra repousante. Sossego agora não. Onde está o sinal da tua luta pacífica? Olhar, rezar e cuidar. O teu caminho com propriedade. «O Dia ainda não nasceu e/ou saída para a Noite». Consciência obsolescente, e muitas vezes «tecnófoba». Consciência que se quer sempre Lúcida. Caminhos divergentes e convergentes, são os que fazemos nossos.

Por: Pedro José, Gafanha da Encarnação / Nazaré, 10-05-2013.

Caracteres (esp.incl.): 2569.

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