difícil perdoar

difícil perdoar

“Que importa, que ao chegar

eu nem pareça pássaro!

Que importa se ao chegar

venha me rebentando

caindo aos pedaços, sem aprumo

e sem beleza!…

Fundamental

é cumprir a missão

e cumpri-la até o fim!…”.

Dom Helder Camara.

Ontem na Assembleia do Clero de Aveiro foi um dia difícil de engolir. Difícil perdoar. E perdoar entre padres – “entre iguais”-, como quando entram o “sangue e os laços de família” (efectivos e afectivos); é extremamente difícil.

As feridas foram grandes pelo uso desapropriado da linguagem, no trato e no conteúdo. Importa uma reserva terapêutica quanto aos nomes. Deveria falar e não falo. Quem esteve presente saberá a quem escrevo e quem não esteve presente, informe-se de maneira honesta é favor primordial. Os argumentos e todos os podem expressar com liberdade, foram desapropriados e desvinculados de uma coerência testemunhal, sob a capa de um profetismo anti-surdo e anti-mudo.

Só me apetecia partir louça numa discussão baixa e radical, por isso calei e estou em parte, covardemente frustado. Escrever é por isso ordenar o pensamento e, sobretudo, perguntar porquê? Porquê a leitura desfazada da decisão episcopal que é lúcida e evangélica, sobre os destinos a dar ao dinheiro (de todos e para todos) do Fundo do Clero sob a forma de empréstimo ou doação, à construção da futura (já presente dom de Deus e de todos os anónimos…) Casa Sacerdotal Diocesana (também justamente aberta a quantos acompanharam os sacerdotes e se encontram dependentes de terceiros por qualquer razão). O porquê do cego que não quer ver?

Nós os trinta e dois padres, que assinamos a lista de presenças (outros colegas (in)justificadamente não suportam o “tal ambiente”, não apenas fraturante, mas amoral, daí a ausência…), junto com o Bispo em exercício – e que exemplo de irmão mais velho e pai promotor! – assistimos a um espectáculo deplorável. Roupa suja lava-se e estende-se ao sol a corar sem mais. Mas não foi isso. Foi apenas insulto sob a desculpa de diarreia mental!? Essa diarreia tem tratamento. Lixívia na língua. Honestidade no coração. Dieta para o estomago pronto a digerir as inverdades do que não aceitamos!?

“Quem não perdoa não ama. Quem pouco perdoa, ama também pouco. Quem muito perdoa, muito ama” (cardeal Joachim Meisner). Repito a mim mesmo há bastante tempo existencial: «Não há nenhum santo sem passado; não há nenhum pecador sem futuro». Ao confessar uma criança que sofre de autismo, para a primeira comunhão, pensei que Deus nos julgará de um autismo de “dinheiros e princípios canónicos” com extrema Misericórdia – sentido etimológico – ou estamos verdadeiramente “lixados”!? Do mesmo padre “terrorista-espiritual-da-justiça: eu-penso-e-vivo-assim-e-assim-pensa-e-quer-o-meu-deus”. Deus me perdoe a filmagem cínica e fria do meu telemóvel!? Deus me perdoe pelo que escrevo e como o escrevo, em ordem ao que quereria escrever e me contenho agora!

Salvamo-nos de mãos juntas!? Dando as mãos. Difícil a distância de um coração a outro. Incrédulo ouvia da catequista que comigo preparava o retiro dos crismandos um elogio sério sobre uma missa animada pelo mesmo padre em causa. Lá está a Causa da Graça que atua por todos os canais imperfeitos, eu próprio incluído. De igual para igual. Com a medida em que julgardes, sereis julgados.

Medida generosa e invencível a de Deus. Deveria ter falado e não falei. Tenho medo que me salte de novo a tampa. Vivi sofrimentos a que não quero regressar. Sem a coragem do conflito directo para com o absurdo intelectual e testemunhal. Quero louvar os Companheiros que pensaram e falaram a Verdade, em nome da Corresponsabilidade Presbiteral. Teimamos em escolher o caminho mais difícil.

Por que não nos agrada olhar nos olhos da Verdade? Não quero viver sempre com medo dos acidentes evangélicos. Ontem foi um dia assim. Infelizmente não tenho saúde espiritual para o combate. Deus nos dê Lucidez e Paciência. A Liberdade do desapego, não as contas feitas à minha maneira. Difícil voltar a sentar à mesma mesa. Difícil perdoar. Mas esse é o Caminho, não há outro para o Bem de todos.

 

 

Por: Pe. Pedro José, Seminário de Aveiro, 24-04-2013.

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