Drave tem mesmo mística!?

Drave tem mesmo mística!?

 

     Ontem mal entrei no autocarro quase adormeci. Mística do sono reencontrado!? Esse (anti)vírus do sono “espanhou-se” rapidamente creio.

       O motorista falava e respondia lento e desfasadamente… Até o motorista teve nota máxima! Sinal de que todos tinham cumprido a sua Missão. A quarta do nosso 588 e, naturalmente, todos os Clãs de Ílhavo – enquanto mente organizadora de todos os nossos cérebros generosos, que estão inteiramente de parabéns!

     A chegada nocturna – em Drave deveria ser proibido, pelo menos na Primeira Vez… entrar de Dia! Só se vê bem de olhos bem fechados!? (1) – com as mochilas às costas, tachos, fogão e panelas, uteis tralhas pessoais, frágeis tendas, e um Vento de gelar! Assim dispostos seremos capazes de  empreender uma peregrinação mística… O cântico sou caminheiro torna-se real… Seremos  caminhantes da/na noite esforçada para aurora da Esperança.

      O desprendimento proposto, como aperitivo temático, motivou a mística do “deixamento” (sem ele ninguém consegue Seguir o ideal de J.C.) – e o pessoal imbricado deixou mesmo a parte do desnecessário (des)regrado. É a mística feita quotidiano… sem fugas virtuais.

     A chuva  – o “barulho” da chuva dentro das casas e das tendas, sobre o rosto – como adversidade virou a “oportunidade” para a “operação” dos workshops. A M.O.C.A. de sigla invertia a própria Realidade, como forma criativa de superação. Foram superadas as nossas possibilidade de não-inscrição. Todos deram o melhor de si. Guardo a palestra que tive de cozinhar sobre “Fé e Páscoa” e sei que os Caminheiros também guardam as outras palestras, pois em todos os “intervalos” o provaram com “insights” iluminadores.  E tudo o “mais”  permanecerá fielmente dentro do tempo biográfico de cada um. Pedagogia biográfica parte do segredo escutista: reserva dos afetos.  A língua gestual: a mística do gesto! E que gestos não verbais Drave nos instiga a repetir!

      Mesmo quebrando o jejum quaresmal de não beber café com sabor a staff – mística negativa, pois a nossa sombra acompanha sempre a Luz do sentido – foi agradável  para ter energia ao apanhar lenha: é duma disciplina interior restauradora da espiritualidade dos mínimos, sem hipocrisia bem o desejamos.

       A nosso sarau/convívio, inspirando-se no fogo de conselho, adaptado ao espaço cave, foi um sucesso de empatia e cumplicidade: a tal “coisa composta/fabricada” para o «youtube» foi o máximo do “no sense“!? Mística do incompreensível e do não-racional! As canções – memoráveis de uma geração não perdida e não à rasca -, dentro de uma  noite infinita, por fora o som do assador até faltar o líquido – o eco do «outro» grupo humano que se associou: se não os vences, junta-te a nós!? – tudo canções retiradas da memória do coração… O estar, porque era importante estar assim e não de outro modo. Só o tempo da Partilha sem mais… a Mística do Instante, que toca a música da Eternidade!

       A Missa partilhada com todos, no cenáculo da cor e proximidade, quase impossível ter espaço livre, aonde só a Amizade, a Fé, e o Conjunto, contam como acto celebrativo. A Bênção dos Ramos feita “Bênção dos Lenços”, vermelhos como o paramento da Paixão: que corresponsabilidade! Parecia que já tínhamos celebrado juntos “n” vezes… E isso não é um dado imposto, pois só a verdadeira Fraternidade causa empatia imediata! A Mística presente por Cristo, com Cristo, em Cristo! Toda a mística aí. A circunstância vital. Querer caminhar para lá das nossas fronteiras, horizonte de Liberdade para assumir!

      Aconteceu ainda ontem, a despedida de Drave, na sua vivida M.O.C.A., a maturidade numa experiência de crescimento, o testemunho passou de mão para mão, de trabalho para sonho, e voltará do sonho ao trabalho, de sol a sol. Se houve aspectos passíveis de crítica? Sim. Se voltaria a participar? O mesmo sim assertivo e convicto.  Assim se faz um pouco da Mística do Serviço do Lenço ao Rubro. Oxalá haja o reencontro breve!

 
(1) “A palavra “mística” possui longa história no cristianismo e fora dele. A etimologia, que sempre deixa rastro semântico na palavra, faz derivar o termo do verbo grego “muein”: Iniciar, instruir alguém nos mistérios, e mais comumente na voz passiva: ser iniciado, instruído nos mistérios. Tem também um sentido mais primitivo de fechar a boca e os olhos em atitude de recolhimento. Portanto, mística nasce de um contexto extremamente religioso, ligado aos mistérios” [fundamentais do viver e do conviver].

pe. pedro josé, drave,  25-03-2013.

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